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A trajetória da força de trabalho acreana durante a pandemia

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Vamos analisar os dados da PNAD Contínua Trimestral, divulgados no dia 30/11 pelo IBGE. A PNAD Contínua produz indicadores para acompanhar as flutuações trimestrais e a evolução, a médio e longo prazo, da força de trabalho e outras informações necessárias para o estudo e desenvolvimento socioeconômico do País. Vamos comentar os números do Acre na pesquisa. 

O objetivo é destacar o movimento da força de trabalho acreana nos 9 últimos trimestres, ou seja, desde o terceiro trimestre de 2019 (período que antecedia a pandemia), até o terceiro trimestre de 2021, período que grande parcela da população já está vacinada e que, portanto, a força de trabalho já está mais disposta para voltar às suas atividades plenas. Durante mais de dois anos, veremos que houve grandes oscilações nos principais indicadores da força de trabalho acreana. Por exemplo, a taxa de desocupação do Acre no 3° trimestre de 2021 foi de 13,8%, com quedas de 2,7 ponto percentual (p.p.) ante o 2º trimestre de 2021 (16,5%) e de 3,6 p.p. frente ao 3º trimestre de 2020 (17,4%). Vamos aos números.

1 – Depois de um recuo, aumenta o número de pessoas dispostas a trabalhar.

– Mais de 26 mil pessoas alcançaram a idade de trabalhar no período de 2 anos (646 para 672);

– No auge da pandemia 22 mil pessoas saíram da força de trabalho (356 para 334).

– O efetivo da força de trabalho foi aumentado em 44 mil pessoas desde o auge da pandemia (334 para 378).

2 – Desemprego recua para 13,8% no terceiro trimestre mais ainda atinge 52 mil  pessoas

– Antes da pandemia a taxa de desemprego no Acre era de 13,2% e no Brasil 11,9%.

– O auge do desemprego na pandemia foi no primeiro trimestre de 2021, com 66 mil pessoas desempregadas, uma taxa de 18%.

– A taxa do desemprego no terceiro trimestre foi de  foi de 13,8% e se aproxima da taxa pré-pandemia (13,2%). Mas ainda são 52 mil desempregados, 5 mil a mais que no terceiro trimestre de 2019.

3 – Alterações nas posições das ocupações aumenta os ocupados no setor público

– Merece destaque o aumento dos Empregado no setor público, inclusive o servidor estatutário e militar, que aumentaram 21,9% no período, foram 14 mil a mais (64 para 78 mil). A pandemia induziu  mais contratações pelo setor público, principalmente o pessoal da saúde.

– Quatro mil dos que trabalhavam para a própria família foram para outra ocupação, uma queda de 30,8% (13 para 9 mil);

– Aumentou em 5,7% o número dos empregados no setor privado com carteira de trabalho assinada (de 70 para 74 mil) e caiu (2,9%) o número daqueles na mesma ocupação, sem carteira de trabalho assinada.

– Aumentou em 4 mil os trabalhadores por Conta-própria, os autônomos, crescimento de 4,0%  ( 99 para 103 mil).

4 – Movimento nos setores da economia: Agropecuária ainda não recuperou os empregos pedidos no auge da pandemia.

– A Agropecuária foi o único setor que perdeu ocupações no período, 19,0% (42 para 34 mil). O setor que no terceiro trimestre de 2019 representava 13,6% da força de trabalha ocupada, viu sua representatividade cair para 10,4%;

– Por outro lado, o setor da Indústria geral foi o que aprsentou o maior crescimento relativo no período, crescendo 12,0%. (25 para 28 mil), saíndo de uma  representatividade de 8,1 para 8,6% das ocupações totais;

– A Construção civil também aumentou a número de ocupações em 9,5% (21 Para 23 mil). No trimestre de 2019 o setor que representava 6,8% das ocupações e no trimestre de 2021, representou 7,1% de todas as ocupações.

– De 62 mil ocupações do setor do Comércio no trimestre de 2019, foi aumentada, no trimestre de 2021, para 65 mil pessoas, um crescimento de  4,8% no período. A representatividade do setor ficou estável em torno de 20%.

– O setor de Serviços que represta 54% de todas as ocupações, gerou 19 mil novas vagas no período, crescimento de 10,7%. O grande responsável pelo crescimento dos serviços foi o subsetor da Administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais, que sozinho gerou mais de 10 mil ocupações no período.

5 – No terceiro trimestre de 2021, 43,6% da massa salarial mensal do rendimento do trabalho veio dos ocupados no setor público. O setor privado já é maioria nesse indicador com 56,4%.

– No terceiro trimestre de 2021, a massa salarial de todos aos rendimentos de trabalho, habitualmente recebido por mês no Acre foi de R$ 693 milhões, o maior valor de todo período analisado;

– Com mais de R$ 302 milhões, a massa salarial dos empregados no setor público, inclusive o servidor estatutário e militar, representava 43,6% do total de toda massa salarial;

– Portanto, as demais ocupações ligadas ao setor privado, somavam R$ 391 milhões, representando 56,4% de toda massa salarial, já superam a massa do setor público

Para concluir, como mostram os números,  a pandemia afetou a dinâmica e a qualidade dos empregos gerados no estado, foram idas e vindas. Analiso que o mercado de trabalho ainda está muito longe de ser motivo de alívio, pois temos 52 mil desempregados. Somado a isso, dos 326 mil que estão ocupados, 150 mil estão na informalidade, indicando que o desemprego recuou graças, sobretudo, à volta dos informais ao mercado. Além do mais, o número de trabalhadores fora da força de trabalho (294 mil) ainda é alto e na medida em que retornarem ao mercado devem pressionar a taxa de desemprego. Chama a atenção também  o grande número de trabalhadores subutilizados, que são 107 mil indivíduos, 33,1% dos ocupados.

No cenário econômico, vemos que a economia brasileira não reage. Com a pandemia, o tombo da produção e do consumo foi inevitável, sem as devidas respostas em termos de crescimento do PIB, além do movimento inflacionário. O IPCA no Acre, medidos pelo de Rio Branco, está acima de 11,90% no acumulado de 12 meses. E com expectativas de alta. Ou seja, o rendimento médio do trabalho continuará a ser corroído. Com os salários perdendo força, o consumo das famílias, uma das principais alavancas do PIB, também recuará.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas.

 

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