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Perda de cobertura vegetal na Amazônia equivale a um Chile

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Foto: Gustavo Basso/Getty Images

Entre os anos de 1985 e 2020, a Amazônia perdeu 52% de suas geleiras e 74,6 milhões de hectares de sua cobertura vegetal natural – uma área equivalente ao território do Chile. No mesmo período houve um crescimento de 656% na mineração, 130% na infraestrutura urbana e 151% na agricultura e pecuária.

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Estas são algumas das principais conclusões de um mapeamento inédito do MapBiomas Amazônia, iniciativa liderada pela Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas (RAISG), apresentado ao público nesta quinta-feira (30), por meio de uma plataforma do Youtube para o Peru, Equador, Bolívia, Venezuela e Brasil.

O resultado do levantamento consta de uma Coleção 3.0 de Mapas Anuais de Cobertura e Uso do Solo da Amazônia que incorpora todo o bioma, desde os Andes, passando pela planície amazônica e alcançando as transições com o Cerrado e o Pantanal.

O mapeamento temporal do uso e cobertura de solo do bioma mostrou que se em 1985 apenas 6% da Amazônia havia sido convertida em áreas antrópicas, como pastagens, agricultura, mineração ou áreas urbanas, em 2020, esse percentual quase triplicou, chegando a 15% de toda a região.

O processo varia consideravelmente entre os países, sendo apenas 1% para Suriname, Guiana e Guiana Francesa e, no outro extremo, 19% no Brasil. Estudos recentes sugerem que a perda de 20-25% da cobertura florestal da Amazônia pode significar o ‘ponto de inflexão’ (ponto de ruptura) para os serviços ecossistêmicos da Amazônia. Se a tendência atual verificada pela MapBiomas continuar, essa virada poderá ser alcançada ainda nesta década.

Gerada por técnicos e especialistas de cada um dos países que integram a Amazônia a partir de imagens de satélite, esta terceira coleção de dados inclui novas classes de uso, como Mineração e Infraestrutura Urbana, além de mapas e dados sobre os vetores de pressão nas florestas e outras coberturas, como concessões de mineração, blocos de petróleo, estradas e usinas hidrelétricas. O objetivo é contribuir para o conhecimento da situação atual da região amazônica de forma integral – tanto das mudanças no uso do solo em toda a Amazônia como das pressões sobre suas florestas e ecossistemas naturais.

“Reconstruir a história de nossa Amazônia olhando as mudanças ano a ano em suas coberturas naturais, identificando perdas de coberturas tão importantes como geleiras e florestas em geral, nos ajuda a construir e propor estratégias de conservação mais precisas”, destaca Beto Ricardo, coordenador geral da RAISG.

Tasso Azevedo, coordenador geral da MapBiomas, diz que a Coleção 3.0 do MapBiomas Amazônia mostra uma antropização profunda e rápida em curso na região.

“Nos atuais mapeamentos do MapBiomas em toda a América do Sul este é um padrão marcante. Os dados são inestimáveis para o entendimento da dinâmica de uso dos recursos naturais da região, além de contribuir para a modelagem climática e o cálculo das emissões e remoções de gases de efeito estufa devido às mudanças e uso do solo na região”.

Sobre a RAISG

RAISG é a Rede Amazônica de Informações Socioambientais Georreferenciadas, um consórcio de organizações da sociedade civil dos países amazônicos voltado para a sustentabilidade socioambiental da Amazônia, com o apoio da cooperação internacional.

Sobre o MapBiomas

O MapBiomas é uma iniciativa multi-institucional que reúne universidades, ONGs e empresas de tecnologia que se uniram para contribuir para a compreensão das transformações do território brasileiro a partir do mapeamento anual da ocupação e uso do solo no Brasil.

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