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Gracil fechou o bar há mais de um ano e sonha com “casa cheia”

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Uma lenda viva da Gameleira. Assim pode ser chamado Gracil Bandeira Roque, ou simplesmente Gracil. Com 65 anos muito bem vividos, o sexagenário nascido no seringal Alagoas, em Tarauacá, já dedicou quase 40 anos de vida aos bares que possuiu pela cidade de Rio Branco, especialmente aos localizados na região do Segundo Distrito, à margem do Rio Acre, num dos pontos turísticos mais visitados da capital acreana.

Há menos de 10 anos está gerindo o Quiosque do Gracil, em frente à Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Antes disso, lembra com saudades dos 22 anos de casa cheia que viveu nos tempos áureos do antigo Bar do Gracil, localizado na mesma rua. Com o passar das décadas, clientes viraram amigos e funcionários tornaram-se membros da família.

No entanto, os tempos mudaram e as dificuldades para seguir com o bar foram muitas, ainda assim não impediram que Gracil continuasse a perseverar na sua maior especialidade: vender cerveja gelada. Com as portas fechadas há 1 ano e 3 meses devido à pandemia da Covid-19, pretende renovar com a venda de pizza, salgados e afins na tentativa de reerguer o negócio. A reabertura do Quiosque do Gracil está prevista para a próxima semana.

Solteiro, pai de uma adolescente, tem dedicado a vida a ajudar amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos. O jeito extrovertido, falante e afável escondem a dor de quem perdeu 9 familiares para o novo coronavírus. Por isso a decisão de manter o Quiosque fechado até os dias de hoje, desde março do ano passado.

“Moro aqui nesta rua [Nossa Senhora da Conceição], no bairro Quinze, desde 1961. Abri meu primeiro bar em 1978, e ele se chamava ‘Corujão’. Ficava ali na Avenida Getúlio Vargas, onde também funcionou o estabelecimento Aquarius”, explica. Gracil abriu um bar na Gameleira pela primeira vez em 1981. “Não existia nem essa árvore ainda [a Gameleira], mas a minha família toda morava aqui pelo Segundo Distrito, desde que meu pai, que era seringalista, nos trouxe para a cidade, quando eu tinha só 7 anos”, salienta. Antes de encarar a vida de dono de bar, trabalhou bastante tempo pelas bandas do Seringal Triunfo, próximo a Rio Branco.

Uma vida na política  – Embora nunca tenha vencido uma disputa eleitoral, Gracil sempre participou de movimentos partidários e trabalhou nos bastidores da política acreana, inclusive em seus bares. A influência vem de muito tempo atrás. “Quando o pai do senador Sérgio Petecão faleceu, ele tinha um flutuante na região do Mercado. E era muito jovem, tinha uns 15 anos, e resolvi alugar o flutuante com a mãe do senador”.

A ideia de alugar o barco veio após muitos anos de trabalho com o pai, desde o seringal, quando ambos conduziam um caminhão para os coronéis de barranco. “Com 12 anos comecei a dirigir caminhão, carregando 12 mil toneladas de borracha que eu trazia para a cidade”, destaca.

Já no flutuante, vendia gasolina. Seu primeiro bar foi adquirido com a ajuda financeira do então secretário de comunicação do Estado, Eduardo Mansour, no governo de Joaquim Macedo. “Com muita amizade ele comprou [o estabelecimento] para mim”.

Passaram-se vários prefeitos e governadores desde que o empreendedor se entende por gente e se diz feliz por sempre ter continuado a trabalhar com o que gosta. “Durante muito tempo fui cabo eleitoral dos irmãos Vianas. Minha família apoiou o PMDB. Eu era Jorge Viana, eu não era PT”, argumenta. “Nunca fui PT, sempre fui Jorge Viana.  A gente era amigo de infância e ele nunca mudou comigo. Continuei apoiando a família dele”, explica.

Gracil Roque afirma que atualmente apoia o governo de Gladson Cameli (Progressista). “É um garoto direito, tenho orgulho de tê-lo como meu govenador, pois não vejo as pessoas falarem mal. É um garoto íntegro”. Ele diz apreciar a política pelo fato de gostar de ajudar as pessoas. “Não me envolvo em política por me envolver. Tenho muito medo da solidão. Minha casa é cheia de gente, não como sozinho, pois sempre aparecem 10 ou 15 pessoas para comerem comigo. É isso que eu gosto”.

Entre os gestores municipais mais atuais, a única de quem Gracil não guarda boa recordação é a ex-prefeita Socorro Neri. “Eu tinha um mirante aqui no Quiosque, mas a Socorro Neri mandou derrubar. Era uma vista linda. Mas me dou bem com todos os partidos”, garante.

O Rei da Gameleira – Tantos anos convivendo com moradores e comerciantes do Segundo Distrito tornaram Gracil uma das personalidades mais conhecidas da região. Foi no ano de 1996, há 24 anos, que ele abriu o primeiro bar na Gameleira. “Até hoje amigos me prestigiam. Isso aqui é uma família. Nunca tive problema, nunca tive uma briga no meu bar. Tive minha casa cheia durante 22 anos”, relembra.

O primeiro estabelecido ficava embaixo da árvore. Mas depois mudou-se para outro lugar na mesma rua. “Fui embora para o Ceará e vendi o primeiro bar da Gameleira. Passei uns seis meses fora. Não aguentei de saudade e voltei. Retornando, montei uma boate chamada Luar de Prata, ficava próximo de onde é o prédio do Corpo de Bombeiros”.

Até este domingo, 13, o Quiosque não está aberto por conta da pandemia. “Perdi 9 familiares, mas estou pensando em reabrir na próxima quarta-feira, das 14 horas até meia-noite. “Sempre gostei de trabalhar com o público, com o entretenimento. Gosto de estar com as pessoas, por isso sempre vivi minha vida com muita gente”. Neste mais de um ano de pandemia, foi a primeira vez que Gracil fechou as portas de seu empreendimento.

Casamento com o bar – Não é novidade, nem surpresa para ninguém que Gracil tem um verdadeiro casamento com seu bar. O proprietário já chegou a empregar cerca de 40 pessoas no tempo das ‘vacas gordas’. Com a pandemia, reduziu para 7 funcionários. Outros 7 ele precisou dispensar, mas os realocou em empresas de alguns amigos.

“É muito gratificante saber que tem gente que depende de você e que você retribui todo o serviço feito. Meu pai me ensinou a tratar bem os funcionários. Quando criança, lembro que meu pai os fazia comerem com a gente na mesa. Hoje, em minha casa, continua do mesmo jeito”, diz.

Basta colocar uma mesa e cadeiras no Quiosque que não para de chegar gente para conversar. “Em casa mesmo, chega gente toda hora. Se não tem o que beber, sento, converso. Moro com a família, tenho uma filha de 14 anos. Sou solteiro. Meu casamento é com o bar. Quando eu abro o bar, dá para ver a diferença do Gracil para o Gracil dono de bar. A energia do bar do Gracil é diferente”, brinca.

Ele conta que pessoas de outros estados, como Pará, Amazonas, entre outros, e estrangeiros dos Estados Unidos mantém contato até hoje por meio de redes sociais após conhecê-lo em seu pequeno Quiosque. O segredo de uma amizade duradoura com os clientes também vem dos pratos servidos no bar.

O famoso caldinho de feijão é um clássico. “Sirvo de tudo, petisco de frango, frango a passarinho, filé a palito, peixe. Todos os meus pratos são maravilhosos e o preço é muito bom, mas a minha especialidade mesmo é vender cerveja gelada”.

Sua relação com os demais donos de bares e comércio da região é a melhor possível. “Todos são maravilhosos comigo, todos me amam e eu os amo da mesma forma. Quando os bares deles estão cheios, eles vêm aqui pegar mesa ou cadeira e eu empresto. Me sinto muito feliz assim”, detalha Gracil, que com tamanha popularidade já foi presidente da Associação dos Bares há cerca de cinco anos.

Dificuldades – Como nem tudo são flores na vida do empreendedor brasileiro, Gracil Roque também já pensou em desistir do bar um dia. Para ele, o atual governo federal também tornou a vida do pequeno empresário mais difícil e burocrática. “Já vi muitos pais de famílias que ao chegar em casa o filho pedia o que comer e o pai não tinha o que oferecer”, disse emocionado.

Muitos de seus funcionários já receberam algum tipo de ajuda em meio às dificuldades financeiras. “Já tive de ir para a rua pedir alimento para que não faltasse comida para eles. Graças a Deus não falta nada na minha casa, mas sou “padrinho” de muitas pessoas. Tem uns que às vezes não tem a fralda, a massa ou o leite do mingau, não tem o dinheiro do aluguel, e eu dou. Ajudo todos eles. Alguns ajudei a abrir seu negocinho de vender pastel, pizza”, afirma.

É comum ouvir de muitos conhecidos: “falam que eu poderia ter um carrão, mas o carro não me dá de comer. Carro é luxo e minha moto faz o que ele faz”, diz sobre o fato de tirar do próprio bolso para ajudar quem mais precisa. “Eu tenho uma coisa maravilhosa, que são as pessoas que vêm à minha casa sem interesse nenhum. Os próprios assessores do governador vêm até mim, pois atendo clientes de todos os níveis”.

Gracil garante se relacionar muito bem com todos. “Me dou bem com maconheiro, com traficante, com ladrão, não tenho distinção nenhuma entre meus clientes, desde que ele chegue e se comporte. Se é um pé inchado, ele senta, eu dou uma água, um caldo e se eu tiver dinheiro miúdo ainda dou “2 conto”, mas ele come alguma coisa”, conta aos risos.

Ele se orgulha pelo carinho e respeito que conquistou de todos ao longo dos anos. “Todos me respeitam porque eu fiz por onde ter esse respeito. As pessoas me procuram até hoje para jogar conversa fora, para saber mais sobre a história da Gameleira”.

Expectativas – Questionado sobre o que pensa do futuro, Gracil é curto e grosso: “quero ajudar mais ainda as pessoas daqui para frente”. O dono do Quiosque pretende se infiltrar novamente na política nas eleições de 2022 para eleger um candidato de sua preferência. “Não vou me candidatar porque tenho que ter dinheiro. É demagogia se eu disse que não precisa. Pretendo ajudar a eleger uma pessoa para que consigamos mudar muitas coisas. Já fui candidato duas vezes para vereador e ainda ajudei a campanha de um vereador eleito no ano passado. Só que ele ainda não cumpriu o que me prometeu. Vamos esperar”, avisou.

O que precisa melhorar- Gracil atesta que a violência tomou conta da região do Segundo Distrito. Na Gameleira, por exemplo, há conflitos constantes pela proximidade de duas organizações criminosas que são divididas apenas pelo mastro da bandeira do Acre, entre dois bairros. Isso é o que mais dificulta a sobrevivência dos bares e comércios locais.

“Nossa cidade ficou muito violenta. Nós temos a melhor polícia do Brasil, a menos corrupta, e mesmo assim não conseguimos dar conta da criminalidade.  Não temos um policiamento na Gameleira. Há muitos roubos por aqui”. Para ele, o que falta para tornar a região mais atrativa é uma guarita da Polícia Militar.

“Sou de acordo que se cobrasse uma taxa para que a gente arcasse, necessário, com a implantação de uma guarita aqui. Sei que o estado tem obrigação de proteger o cidadão, mas se os donos de bares topassem, eu aceitaria essa taxa”.

Ainda assim, com todos os problemas, Gracil não se vê fazendo nenhum outro tipo de serviço. “Só saio daqui se o dono do ponto me pedir. Só quero sair daqui quando for para eu ir para morada final”, brinca.

Para  a reabertura de seu Quiosque, ele quer que os clientes obedeçam às regras sanitárias contra a Covid-19. “Quero que venham de máscara, bebam sua cerveja, mantenham distância uns dos outros e ao sair usar a máscara novamente, afinal, a vida continua e preciso dos clientes para ajudar meus funcionários a sobreviver”, finaliza.

 

 

Acre

Apenas o Acre apresenta tendência no aumento de síndromes gripais

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A mais recente edição do Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgada nesta quarta-feira (28), mostra que apenas uma das 27 unidades federativas do Brasil apresenta sinal  forte de crescimento do número de casos e óbitos de Síndrome Respiratória Grave (SRAG) até a semana 29 – o Acre.

E isso no curto, médio e longo prazos. A probabilidade é maior que 75% que isso ocorra nesses cenários temporais.

No Ceará, embora se observe sinal moderado de crescimento a curto prazo, os dados apontam para a estabilidade na tendência de longo prazo. Entre as  demais unidades da Federação, 12 apresentam sinal de queda.

Cerca de 99% dos casos de SRAG com identificação laboratorial de vírus respiratório se dão em decorrência da Covid-19. A análise é referente à semana epidemiológica 29, de 18 a 24 de julho.

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Acre

Sensação térmica no Acre poderá chegar a 6 graus, diz Friale

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O meteorologista Davi Friale afirmou em boletim que a onda de frio polar que chegou ao Acre na manhã desta quarta-feira, 28,terá temperaturas mínimas semelhantes às registradas no início deste mês de julho, ou seja, entre 9º e 11ºC. Na época, Rio Branco e outros municípios do leste e do sul do Acre, registraram, oficialmente, temperaturas de 10 e 11ºC.

Segundo Friale, os próximos dias serão de noites frias e dias ensolarados, pelo menos até o próximo dia 4 de agosto. Segundo ele, podem ocorrer ventos intensos e ininterruptos soprando da direção sudeste, com rajadas que podem superar 50 km/h em alguns pontos.

“A diferença, agora, estará na maior duração deste frio e dos ventos intensos que estarão soprando durante alguns dias consecutivos, o que dará sensação inferior a 6ºC para quem estiver exposto a tais ventos. Portanto, no Acre e nas áreas próximas, o frio atual será forte, sim, mas não tanto quanto estão divulgando por aí”, destacou.

Davi Friale alertou para a baixíssima umidade relativa do ar que vai predominar no Acre principalmente nas regiões de Rio Branco, Brasiléia e Sena Madureira nos próximos dias, até, pelo menos, a primeira semana de agosto, com percentuais inferiores a 20%, o que caracteriza estado de alerta para a saúde humana.

“A situação poderá ficar ainda pior, pois é média a probabilidade de que, em alguns dias e em algumas cidades, na parte da tarde, o percentual possa ficar abaixo de 12%, o que levaria ao estado de emergência para a saúde das pessoas. Fique atento, portanto, ingerindo muito líquido e evitando ficar exposto ao Sol entre 10h da manhã e 4h da tarde, assim como fazer exercícios físicos excessivos nos próximos dias. Dentro de casa, coloque panos molhados e recipientes com água, a fim de atenuar um pouco a umidade do ar”, salientou.

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Acre

Acre já aplicou vacina contra Covid-19 em cerca de 360 mil pessoas

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O Acre aplicou 485.080 doses da vacina contra Covid-19 até esta quarta-feira (28). Destas, 360.590 moradores estão com uma dose até agora. Levando em conta a dose única da Janssen, 124.490 acreanos estão completamente imunizados.

Ao todo, 302.176 doses foram aplicadas por faixa etária mas 53.692 doses atenderam pessoas com comorbidades. Trabalhadores da saúde e profissionais de educação são os mais vacinados.

Rio Branco, Cruzeiro do Sul e Sena Madureira são os municípios que mais vacinam. Porto Acre, Jordão e Brasiléia são os últimos no ranking da vacinação no Estado.

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Acre

Com 36 internados, Acre registra 54 novos casos e 1 morte por Covid-19

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Em boletim divulgado nesta quarta-feira, 28, a Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre) informou o registro de 54 casos de infecção por coronavírus, sendo 13 confirmados por exames RT-PCR e 41 resultados por testes rápidos, fazendo com que o número de infectados salte para 87.053 nas últimas 24 horas.

Segundo o boletim, 36 pessoas seguem internadas entre leitos de Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) e de enfermaria na rede estadual de saúde. Uma notificação de óbito foi registrada nesta quarta, fazendo com que o número oficial de mortes por Covid-19 suba para 1.798 em todo o estado.

Até o momento, o Acre registra 238.264 notificações de contaminação pela doença, sendo que 151.198 casos foram descartados e 13 exames de RT-PCR seguem aguardando análise do Laboratório Central de Saúde Pública do Acre (Lacen) ou do Centro de Infectologia Charles Mérieux. 83.183 pessoas já receberam alta médica da doença.

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