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Reversão do Depasa ao Saerb pode resultar em demissão de trabalhadores a partir de outubro

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O documento de Rescisão do Contrato de Programa referente à gestão associada de serviços públicos de abastecimento de água e de esgotamento sanitário de Rio Branco e o Governo do Acre, assinado na sexta-feira (28), no Palácio Rio Branco, pelo governador Gladson Cameli e o prefeito Tião Bocalom, ambos do Progressistas, é dividido em três etapas e vem acompanhado de 12 artigos.

Obtido pelo ac24horas, o documento deverá ser publicado na segunda-feira, 31, no Diário Oficial do Estado (DOE). O termo prevê que o Poder Executivo Municipal terá que submeter à Câmara de Rio Branco (CMRB) Projetos de Lei (PL) para ajustes orçamentários necessários para fazer face às despesas decorrentes da reversão dos serviços.

ETAPAS

A 1º etapa envolve o repasse ao Serviço de Água e Esgoto Rio Branco (Saerb) de todas as informações e documentos existentes alusivos aos sistemas, incluindo, todo o acervo técnico, operacional, contábil, econômico-financeiro e tarifário até o dia 30 de junho de 2021.

Já a 2º etapa tem início às atividades conjuntas de organização, planejamento e regulação dos serviços a partir de 1º de julho de 2021.

A 3º e última etapa determina o repasse de todas atividades de operacionalização (gestão comercial e operacional), fiscalização e prestação integral dos serviços, a partir de 1º de outubro de 2021, ao município.

SITUAÇÃO DOS SERVIDORES E TERCEIRIZADOS

Em outro trecho do documento, o Estado e o Depasa ficam responsáveis pela manutenção até 1º de outubro de 2021 dos contratos de terceirização de mão de obra e dos contratos temporários utilizados na prestação dos serviços nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário de Rio Branco.

Segundo o documento, nas contratações em que houver possibilidade de manutenção da vigência além da data estabelecida 1º de Outubro, a Prefeitura poderá solicitar ao Estado/Depasa a permanência dos servidores contratados por meio de processo seletivo, mediante ressarcimento financeiro, ou seja, o único modo de impedir a demissão de terceirizados e servidores aprovados no processo seletivo do Depasa de 2019 será se a Prefeitura fizer um repasse financeiro ao Estado, a partir do dia 1º de Outubro, para pagar a folha de pessoal desses servidores que atuavam no Depasa para que prestem serviços ao Saerb.

No último processo seletivo do Depasa foram contratadas 167 pessoas para atuar somente no sistema de Rio Branco, caso a Prefeitura não adote a postura, eles poderão ter os seus respectivos contratos rescindidos, já que não haverá mais utilidade para mantê-los na folha de pagamento do Estado, já que o sistema de água e sanitário ficará nas mãos do município, no dia 1 de outubro.

Na última segunda-feira, 24, o TCE determinou a anulação do certame, por unanimidade, por considerar nulas as nomeações realizadas com base no Edital nº 013, que trata do processo seletivo simplificado para contratação temporária de 418 profissionais de nível fundamental e 78 superior para atender às necessidades de suporte operacional e apoio do Departamento Estadual de Águas e Saneamento (DEPASA), de 08 de novembro de 2019.

A decisão ocorreu em razão do descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) provocada pela convocação do processo seletivo.

OBRAS INICIADAS PELO DEPASA

O acordo prevê que o Depasa será obrigado a concluir as licitações, contratações e obras relativas à prestação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário em processamento ou em execução na data de assinatura do termo, ou seja, as obras só poderão ser repassadas ao SAERB, após concluídas, com termos de aceitação e recebimento expedidos pelo DEPASA nos processos de contratação respectivos, sendo que cópias de tais processos deverão ser igualmente repassados ao SAERB para fins de controle e registro.

COBRANÇAS ANTIGAS E NOVAS

No documento ficou acordado que pertence ao Estado e ao Depasa o direito de cobrança e recebimento de todos os débitos faturados e não pagos pelos usuários, bem como quaisquer outros créditos ou haveres decorrentes da prestação dos serviços ocorrida entre 15 de maio de 2012 a 30 de setembro de 2021.

A partir do dia 1º de outubro, ficou acordado que o Depasa cederá definitivamente ao SAERB o direito ao percebimento futuro de todos os créditos faturados decorrentes da prestação dos serviços de abastecimento de água e de esgotamento sanitário de Rio Branco.

A partir de 1º de outubro, o Saerb terá o direito e a prerrogativa de cadastrar e conectar os usuários do sistema de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, de acordo com o estipulado na norma de regulação dos serviços, observando a política tarifária vigente.

SERVIDORES E QUESTÕES DE PAGAMENTOS

Já em relação aos servidores do Saerb cedidos ao Depasa para a prestação das atividades dos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário, eles deverão retornar ao Saerb a partir do dia 1º de Outubro, no início da execução da Etapa 3 de reversão dos serviços.

“O DEPASA fica responsável, até 30 de setembro de 2021, por todos os ônus e passivos trabalhistas, previdenciários, tributários e afins relacionados aos servidores municipais cedidos pelo SAERB ao DEPASA, para a prestação das atividades inerentes ao funcionamento dos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário de Rio Branco, exceto quanto aos recursos já repassados ao SAERB”, diz trecho do documento.

Por fim, ficou acordado que o Governo do Acre fica responsável pelos ônus e passivos trabalhistas, previdenciários, tributários e afins relacionados aos contratos de terceirização de mão de obra e aos contratos temporários utilizados nos sistemas de abastecimento de água e de esgotamento sanitário de Rio Branco entre 15 de maio de 2012 e 30 de setembro de 2021.

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Gracil, lenda viva da Gameleira, fechou o bar há mais de um ano e sonha com tempos áureos de “casa cheia”

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Uma lenda viva da Gameleira. Assim pode ser chamado Gracil Bandeira Roque, ou simplesmente Gracil. Com 65 anos muito bem vividos, o sexagenário nascido no seringal Alagoas, em Tarauacá, já dedicou quase 40 anos de vida aos bares que possuiu pela cidade de Rio Branco, especialmente aos localizados na região do Segundo Distrito, à margem do Rio Acre, num dos pontos turísticos mais visitados da capital acreana.

Há menos de 10 anos está gerindo o Quiosque do Gracil, em frente à Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Antes disso, lembra com saudades dos 22 anos de casa cheia que viveu nos tempos áureos do antigo Bar do Gracil, localizado na mesma rua. Com o passar das décadas, clientes viraram amigos e funcionários tornaram-se membros da família.

No entanto, os tempos mudaram e as dificuldades para seguir com o bar foram muitas, ainda assim não impediram que Gracil continuasse a perseverar na sua maior especialidade: vender cerveja gelada. Com as portas fechadas há 1 ano e 3 meses devido à pandemia da Covid-19, pretende renovar com a venda de pizza, salgados e afins na tentativa de reerguer o negócio. A reabertura do Quiosque do Gracil está prevista para a próxima semana.

Solteiro, pai de uma adolescente, tem dedicado a vida a ajudar amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos. O jeito extrovertido, falante e afável escondem a dor de quem perdeu 9 familiares para o novo coronavírus. Por isso a decisão de manter o Quiosque fechado até os dias de hoje, desde março do ano passado.

“Moro aqui nesta rua [Nossa Senhora da Conceição], no bairro Quinze, desde 1961. Abri meu primeiro bar em 1978, e ele se chamava ‘Corujão’. Ficava ali na Avenida Getúlio Vargas, onde também funcionou o estabelecimento Aquarius”, explica. Gracil abriu um bar na Gameleira pela primeira vez em 1981. “Não existia nem essa árvore ainda [a Gameleira], mas a minha família toda morava aqui pelo Segundo Distrito, desde que meu pai, que era seringalista, nos trouxe para a cidade, quando eu tinha só 7 anos”, salienta. Antes de encarar a vida de dono de bar, trabalhou bastante tempo pelas bandas do Seringal Triunfo, próximo a Rio Branco.

Uma vida na política  – Embora nunca tenha vencido uma disputa eleitoral, Gracil sempre participou de movimentos partidários e trabalhou nos bastidores da política acreana, inclusive em seus bares. A influência vem de muito tempo atrás. “Quando o pai do senador Sérgio Petecão faleceu, ele tinha um flutuante na região do Mercado. E era muito jovem, tinha uns 15 anos, e resolvi alugar o flutuante com a mãe do senador”.

A ideia de alugar o barco veio após muitos anos de trabalho com o pai, desde o seringal, quando ambos conduziam um caminhão para os coronéis de barranco. “Com 12 anos comecei a dirigir caminhão, carregando 12 mil toneladas de borracha que eu trazia para a cidade”, destaca.

Já no flutuante, vendia gasolina. Seu primeiro bar foi adquirido com a ajuda financeira do então secretário de comunicação do Estado, Eduardo Mansour, no governo de Joaquim Macedo. “Com muita amizade ele comprou [o estabelecimento] para mim”.

Passaram-se vários prefeitos e governadores desde que o empreendedor se entende por gente e se diz feliz por sempre ter continuado a trabalhar com o que gosta. “Durante muito tempo fui cabo eleitoral dos irmãos Vianas. Minha família apoiou o PMDB. Eu era Jorge Viana, eu não era PT”, argumenta. “Nunca fui PT, sempre fui Jorge Viana.  A gente era amigo de infância e ele nunca mudou comigo. Continuei apoiando a família dele”, explica.

Gracil Roque afirma que atualmente apoia o governo de Gladson Cameli (Progressista). “É um garoto direito, tenho orgulho de tê-lo como meu govenador, pois não vejo as pessoas falarem mal. É um garoto íntegro”. Ele diz apreciar a política pelo fato de gostar de ajudar as pessoas. “Não me envolvo em política por me envolver. Tenho muito medo da solidão. Minha casa é cheia de gente, não como sozinho, pois sempre aparecem 10 ou 15 pessoas para comerem comigo. É isso que eu gosto”.

Entre os gestores municipais mais atuais, a única de quem Gracil não guarda boa recordação é a ex-prefeita Socorro Neri. “Eu tinha um mirante aqui no Quiosque, mas a Socorro Neri mandou derrubar. Era uma vista linda. Mas me dou bem com todos os partidos”, garante.

O Rei da Gameleira – Tantos anos convivendo com moradores e comerciantes do Segundo Distrito tornaram Gracil uma das personalidades mais conhecidas da região. Foi no ano de 1996, há 24 anos, que ele abriu o primeiro bar na Gameleira. “Até hoje amigos me prestigiam. Isso aqui é uma família. Nunca tive problema, nunca tive uma briga no meu bar. Tive minha casa cheia durante 22 anos”, relembra.

O primeiro estabelecido ficava embaixo da árvore. Mas depois mudou-se para outro lugar na mesma rua. “Fui embora para o Ceará e vendi o primeiro bar da Gameleira. Passei uns seis meses fora. Não aguentei de saudade e voltei. Retornando, montei uma boate chamada Luar de Prata, ficava próximo de onde é o prédio do Corpo de Bombeiros”.

Até este domingo, 13, o Quiosque não está aberto por conta da pandemia. “Perdi 9 familiares, mas estou pensando em reabrir na próxima quarta-feira, das 14 horas até meia-noite. “Sempre gostei de trabalhar com o público, com o entretenimento. Gosto de estar com as pessoas, por isso sempre vivi minha vida com muita gente”. Neste mais de um ano de pandemia, foi a primeira vez que Gracil fechou as portas de seu empreendimento.

Casamento com o bar – Não é novidade, nem surpresa para ninguém que Gracil tem um verdadeiro casamento com seu bar. O proprietário já chegou a empregar cerca de 40 pessoas no tempo das ‘vacas gordas’. Com a pandemia, reduziu para 7 funcionários. Outros 7 ele precisou dispensar, mas os realocou em empresas de alguns amigos.

“É muito gratificante saber que tem gente que depende de você e que você retribui todo o serviço feito. Meu pai me ensinou a tratar bem os funcionários. Quando criança, lembro que meu pai os fazia comerem com a gente na mesa. Hoje, em minha casa, continua do mesmo jeito”, diz.

Basta colocar uma mesa e cadeiras no Quiosque que não para de chegar gente para conversar. “Em casa mesmo, chega gente toda hora. Se não tem o que beber, sento, converso. Moro com a família, tenho uma filha de 14 anos. Sou solteiro. Meu casamento é com o bar. Quando eu abro o bar, dá para ver a diferença do Gracil para o Gracil dono de bar. A energia do bar do Gracil é diferente”, brinca.

Ele conta que pessoas de outros estados, como Pará, Amazonas, entre outros, e estrangeiros dos Estados Unidos mantém contato até hoje por meio de redes sociais após conhecê-lo em seu pequeno Quiosque. O segredo de uma amizade duradoura com os clientes também vem dos pratos servidos no bar.

O famoso caldinho de feijão é um clássico. “Sirvo de tudo, petisco de frango, frango a passarinho, filé a palito, peixe. Todos os meus pratos são maravilhosos e o preço é muito bom, mas a minha especialidade mesmo é vender cerveja gelada”.

Sua relação com os demais donos de bares e comércio da região é a melhor possível. “Todos são maravilhosos comigo, todos me amam e eu os amo da mesma forma. Quando os bares deles estão cheios, eles vêm aqui pegar mesa ou cadeira e eu empresto. Me sinto muito feliz assim”, detalha Gracil, que com tamanha popularidade já foi presidente da Associação dos Bares há cerca de cinco anos.

Dificuldades – Como nem tudo são flores na vida do empreendedor brasileiro, Gracil Roque também já pensou em desistir do bar um dia. Para ele, o atual governo federal também tornou a vida do pequeno empresário mais difícil e burocrática. “Já vi muitos pais de famílias que ao chegar em casa o filho pedia o que comer e o pai não tinha o que oferecer”, disse emocionado.

Muitos de seus funcionários já receberam algum tipo de ajuda em meio às dificuldades financeiras. “Já tive de ir para a rua pedir alimento para que não faltasse comida para eles. Graças a Deus não falta nada na minha casa, mas sou “padrinho” de muitas pessoas. Tem uns que às vezes não tem a fralda, a massa ou o leite do mingau, não tem o dinheiro do aluguel, e eu dou. Ajudo todos eles. Alguns ajudei a abrir seu negocinho de vender pastel, pizza”, afirma.

É comum ouvir de muitos conhecidos: “falam que eu poderia ter um carrão, mas o carro não me dá de comer. Carro é luxo e minha moto faz o que ele faz”, diz sobre o fato de tirar do próprio bolso para ajudar quem mais precisa. “Eu tenho uma coisa maravilhosa, que são as pessoas que vêm à minha casa sem interesse nenhum. Os próprios assessores do governador vêm até mim, pois atendo clientes de todos os níveis”.

Gracil garante se relacionar muito bem com todos. “Me dou bem com maconheiro, com traficante, com ladrão, não tenho distinção nenhuma entre meus clientes, desde que ele chegue e se comporte. Se é um pé inchado, ele senta, eu dou uma água, um caldo e se eu tiver dinheiro miúdo ainda dou “2 conto”, mas ele come alguma coisa”, conta aos risos.

Ele se orgulha pelo carinho e respeito que conquistou de todos ao longo dos anos. “Todos me respeitam porque eu fiz por onde ter esse respeito. As pessoas me procuram até hoje para jogar conversa fora, para saber mais sobre a história da Gameleira”.

Expectativas – Questionado sobre o que pensa do futuro, Gracil é curto e grosso: “quero ajudar mais ainda as pessoas daqui para frente”. O dono do Quiosque pretende se infiltrar novamente na política nas eleições de 2022 para eleger um candidato de sua preferência. “Não vou me candidatar porque tenho que ter dinheiro. É demagogia se eu disse que não precisa. Pretendo ajudar a eleger uma pessoa para que consigamos mudar muitas coisas. Já fui candidato duas vezes para vereador e ainda ajudei a campanha de um vereador eleito no ano passado. Só que ele ainda não cumpriu o que me prometeu. Vamos esperar”, avisou.

O que precisa melhorar- Gracil atesta que a violência tomou conta da região do Segundo Distrito. Na Gameleira, por exemplo, há conflitos constantes pela proximidade de duas organizações criminosas que são divididas apenas pelo mastro da bandeira do Acre, entre dois bairros. Isso é o que mais dificulta a sobrevivência dos bares e comércios locais.

“Nossa cidade ficou muito violenta. Nós temos a melhor polícia do Brasil, a menos corrupta, e mesmo assim não conseguimos dar conta da criminalidade.  Não temos um policiamento na Gameleira. Há muitos roubos por aqui”. Para ele, o que falta para tornar a região mais atrativa é uma guarita da Polícia Militar.

“Sou de acordo que se cobrasse uma taxa para que a gente arcasse, necessário, com a implantação de uma guarita aqui. Sei que o estado tem obrigação de proteger o cidadão, mas se os donos de bares topassem, eu aceitaria essa taxa”.

Ainda assim, com todos os problemas, Gracil não se vê fazendo nenhum outro tipo de serviço. “Só saio daqui se o dono do ponto me pedir. Só quero sair daqui quando for para eu ir para morada final”, brinca.

Para  a reabertura de seu Quiosque, ele quer que os clientes obedeçam às regras sanitárias contra a Covid-19. “Quero que venham de máscara, bebam sua cerveja, mantenham distância uns dos outros e ao sair usar a máscara novamente, afinal, a vida continua e preciso dos clientes para ajudar meus funcionários a sobreviver”, finaliza.

 

 

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Destaque 2

Saldo dos créditos para a economia acreana cresceu mais de R$ 1,29 bilhão em um ano

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No artigo de hoje vamos tratar sobre o volume de crédito e o papel e os efeitos que esse volume pode estabelecer no dinamismo econômico local. É consenso que, dentro das funções do crédito, destacam-se: 1. Permitir o início da produção, por possibilitar ao empresário a não necessidade de acumular capital; 2. A capacidade de ampliar o ritmo e a escala da produção da economia e 3. Facilitar e antecipar a venda das mercadorias ao financiar o seu consumo. Portanto o crédito pode sincronizar as etapas de produção e de venda de mercadorias, aumentando também o ritmo e a escala da produção.

O saldo de crédito ofertado pelo Sistema Financeiro Nacional no Acre subiu 16,8%, em valores correntes de abril de 2020 para abril de 2021. São dados do Banco Central do Brasil. O volume de financiamentos aumentou de R$ 7,736 milhões, para R$ 9,034 milhões de abril/20 a abril/21.

O saldo de crédito do Acre, em abril de 2021, está compatível com a sua participação no PIB nacional que foi de 0,2% e no da Região Norte, que foi de 5,7%. O saldo do crédito no Acre representa 0,22% de todo o saldo brasileiro (R$ 3,556 trilhões) e 5,23% de todo o saldo da Região Norte (R$ 147,885 milhões).

Na carteira de pessoas jurídicas (saldo de R$ 2,801 milhões) e expansão de 12,85% em relação a abril de 2021. Este saldo representa 4,88% de todo o saldo da Região Norte (R$ 57,404 milhões).  Parte destes recursos vão para o crédito à produção, aquele que tem a capacidade de gerar investimentos que tem o papel de desenvolver determinadas atividades produtivas, utilizando novas tecnologias e gerando novos empregos. Outra parte vai para o crédito comercial às empresas, aquele com capacidade de formar ou aumentar o capital de giro das empresas. Não esquecendo que a maior parte deste saldo se destinou ao crédito agrícola, ofertado para compra de insumos e novos equipamentos, capazes de melhorar a tecnologia e gerando novos empregos no campo.

O saldo de crédito para pessoas físicas totalizou R$ 6,233 milhões (alta de 18,63% em doze meses), superando em 5,78 pontos percentuais o aumento no saldo do crédito concedido às pessoas jurídicas. Este saldo representa 5,1% de todo o saldo da Região Norte (R$ 122,323 milhões).  A maior parte do saldo das famílias é referente ao crédito ao consumidor que também é importante e financia a compra de qualquer produto de consumo, onde o comprador passa a usufruir imediatamente de um bem que será pago com a sua renda pessoal. Os créditos mais comuns nesses casos são os consignados realizados, principalmente pelos bancos públicos e também pelas financeiras.

Inadimplência

A taxa de inadimplência Total do Acre foi de 2,40% em abril de 2021, em contraste com 3,27% em abril de 2020 (queda de 26,61%). No mesmo período, a taxa de inadimplência caiu tanto nacionalmente (30,7%), como regionalmente (38,32%). Uma alta taxa de inadimplência prejudica a economia em geral porque reduz a capacidade das instituições financeiras de retornar este capital ao mercado, reduzindo suas capacidades de ampliar as funções que o crédito desempenha na economia.

Observamos nos gráficos acima que as Taxas de inadimplência, tanto das operações com as empresas como com pessoas físicas caíram em abril de 2021 em relação a abril de 2020. A das empresas caiu para 2,26%, uma redução de 15,4%. As taxas para as empresas foram reduzidas tanto no Brasil (44,3%), como na Região Norte (54,6%). Nas operações com pessoas físicas, as taxas de inadimplência também caíram significativamente: no Acre (30,42%), no Brasil (27%) e na Região Norte (31,3%).

Sem dúvida o volume de novos empréstimos concedido a famílias e empresas é um importante propulsor do crescimento econômico. Geralmente os empréstimos e a atividade econômica se movem juntos. Quando as instituições financeiras não estão dispostas a emprestar, a economia enfraquece. Os indicadores de crescimento em 16,8% no volume do crédito concedido e a redução da taxa de inadimplência média, que saiu de 3,27% para 2,4%, são bons indicadores e com certeza estão contribuindo para a saída da crise e a retomada do crescimento. Dois indicadores publicados no início da semana colaboram com essa retomada.

O primeiro veio do comércio internacional. Em maio, o Acre exportou US$ 3,412 milhões e importou US$ 33,5 mil, resultando em um saldo na balança comercial de US$ 3,445 milhões.  Com os dados de maio, o Acre fechou os cinco primeiros meses de 2021 com um saldo recorde de US$ 24,046 milhões, superando em 50,5% o saldo do mesmo período de 2020, que foi de US$ 15,207 milhões.

O segundo veio do volume de vendas do comércio varejista de abril que, embora tenha apresentado uma leve queda de 0,2%, frente a março, porém, comparando com abril de 2020, teve alta de 41,3%, a segunda taxa positiva consecutiva. No acumulado no ano chegou a 9,6% e no acumulado nos últimos 12 meses cresceu 9,7%, mostrando uma forte recuperação. Infelizmente

O lado desagradável veio da publicação do IPCA de maio pelo IBGE. Os preços em Rio Branco cresceram 0,93%, acima da taxa do Brasil (0,83%). Com a taxa de maio, o acumulado no ano ficou em 4,42%, e o dos últimos 12 meses, de 11,43%. Rio Branco é a localidade, dentre todas as Regiões metropolitanas e municípios pesquisados pelo IBGE, com a maior inflação tanto no acumulado no ano como nos últimos 12 meses.

Vamos aguardar a publicação dos indicadores do emprego para sentir se o aumento no crédito também se reflete no combate à pobreza e à desigualdade.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas.

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Cotidiano

Amigo confessa ter matado médico acreano na Bahia influenciado por “conselho espiritual”

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O médico Geraldo Freitas que foi preso por suspeita de matar o também médico e acreano Andrade Lopes Santana, 32 anos, confessou o crime nesta sexta-feira, 04, de acordo com a Polícia Civil da Bahia.

Ele foi ouvido, pela segunda vez, no Presídio Regional de Feira de Santana, a cerca de 100 km de Salvador, e admitiu ter assassinado o colega e disse que atirou sem querer. Os dois eram amigos de longa data e estudaram na Bolívia.

Geraldo Freitas foi preso na sexta-feira, 28, horas após o corpo da vítima ser encontrado. Ele foi responsável por registrar o desaparecimento e recepcionar a família de Andrade Santana.

Em depoimento ao delegado Roberto Leal, responsável pela investigação, Geraldo Freitas contou que um guia espiritual teria avisado que ele seria assassinado por dois colegas de profissão.

“Ele falou que não era inimigo de Andrade, que não havia nenhum tipo de impedimento, mas que no dia 24 ele recebeu a ligação de um familiar, essa pessoa é ligada a religião, ele confia muito nessa pessoa, nos conselhos espirituais dessa pessoa, e essa pessoa teria dito que ele seria morto por dois homens e que esses homens utilizariam uma camisa de um time de futebol para cobrir seu rosto e efetuaria dois disparos contra o mesmo”, revelou o delegado.

Preocupado, o suspeito achou que Andrade estaria de conluio com um desafeto dele. Então, perguntou se isso estava acontecendo. Diante de uma resposta negativa, Geraldo teria pedido o celular da vítima, para ver conversas de aplicativo, e apontado uma arma para a cabeça dele.

“Ele acreditou nesse sonho, porque naquele momento que ele recebeu a ligação, ele estava vestido justamente com essa camisa de futebol. Após esse fato, ele foi ao encontro de Andrade no rio, como foi no dia marcado, e em determinado momento ele teve acesso ao telefone de Andrade e percebeu algumas conversas entre Andrade e uma terceira pessoa que segundo o médico investigado, é desafeto dele”, contou.

Segundo o suspeito, Andrade teria resistido em entregar o aparelho e no meio da discussão, atirou sem querer. Ele disse à polícia que a vítima já caiu sem vida. Como estava com uma âncora para prender uma moto aquática, Geraldo disse que utilizou o equipamento para amarrar o corpo de Andrade.

“E pelo teor das conversas, segundo o mesmo, Andrade e essa terceira pessoas estariam planejando a sua morte. Por esse motivo, ele colocou Andrade para pilotar a moto aquática, foi até o meio do rio, e lá no meio do rio, ele exigiu a entrega do celular. Como Andrade não entregou, ele sacou a pistola que ele trazia, colocou contra a cabeça de Andrade e continuou a exigir a entrega do celular. Em determinado momento, Andrade teria feito um movimento brusco e ele efetuou os disparos contra a cabeça do mesmo”, concluiu o delegado.

Para o coordenador Roberto Leal, a versão apresentada não é convincente e a polícia segue investigando o caso. Outras testemunhas ainda serão ouvidas, pessoas ligadas à vítima e ao acusado. A polícia diz que recebeu, nesta sexta, a informação de que o crime pode ter sido motivado por vingança.

“Nós acabamos ouvindo muita gente, muitas versões, e chegamos a pessoas que teriam dito ter visto a vítima em determinado horário em Feira de Santana, quando na verdade ele ainda estava em Araci”, explicou.

“Então tudo isso é feito com critério e cuidado, porque muitas dessas informações não levam a lugar nenhum, são apenas especulações por ser um crime que causou indignação em toda população, a gente realmente precisa ter cuidado, mas não vamos descartar nenhum fato até a investigação completa desse crime”, afirmou.

Antes de ser apontado como suspeito do crime, foi Geraldo Freitas quem recebeu os familiares de Andrade, que saíram do Acre para acompanhar as buscas pelo corpo. O homem também foi o responsável por registrar o desaparecimento do amigo na delegacia de Feira de Santana.

Com informações do G1 Bahia

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Destaque 2

Após denúncia do ac24horas, PF investiga pulverização de agrotóxicos em Xapuri

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A prática de pulverização aérea de agrotóxicos em propriedades rurais próximas à Reserva Extrativista Chico Mendes, no município de Xapuri, está sendo investigada pela Polícia Federal na manhã desta terça-feira, 01 de junho, por meio da Operação Voo Tóxico. O crime foi denunciado pelo ac24horas há cerca de duas semanas.

A polícia confirma que recebeu denúncias recebidas do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBIO) de que um avião do tipo agrícola estaria sobrevoando áreas vizinhas a RESEX, bem como estaria despejando herbicidas próximo às casas dos moradores, o que estaria causando danos ao meio ambiente.

Através de análise e monitoramento via geoprocessamento, a Polícia Federal identificou a propriedade rural que estaria realizando o despejo dos agrotóxicos.

“A investigação constatou que nem o fazendeiro, nem a empresa de aviação contratada para o serviço possuíam autorização dos órgãos competentes para transportar, armazenar e aplicar as substâncias, que, se utilizadas sem a devida regulamentação, podem gerar danos à saúde dos moradores, bem como causar efeitos nocivos a natureza”, informou a polícia.

Cerca de 20 (vinte) policiais federais cumprem 03 (três) Mandados de Busca e Apreensão, além de outras medidas cautelares nas cidades de Rio Branco, Senador Guiomard e Xapuri. As ordens judiciais foram determinadas pela 3ª Vara Federal da Seção Judiciária do Acre.

Os investigados responderão pelos crimes de Dano à Unidade de Conservação (art. 40, Lei 9.605/98) e utilização de produto tóxico em desacordo com as exigências estabelecidas em lei (art. 56, Lei 9.605/98), que somadas as penas, podem chegar até 9 anos de reclusão, mais multa.

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