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Com 54 anos de legado, Miragina é indústria mais antiga em atividade no Acre e mira em novas gerações

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Indústria vive a terceira evolução de máquinas desde que foi criada e pretende eternizar história com os filhos

Se você é acreano e nunca tomou uma “sopa” de café com leite e bolacha Miragina, lamento informar, mas está sendo acreano de um jeito errado. A tradição que já dura mais de meio século nas Terras de Galvez está fazendo aniversário neste mês de maio e deixa como legado para as próximas gerações uma disputa pacífica e praticamente infinita sobre o formato dessas bolachas: prefere a quadrada ou a redonda? Não precisa escolher, a receita dos produtos é a mesma há mais de 50 anos, criada pela matriarca da família, e, desde 1967, nunca falta à mesa de um bom e velho acreano do pé rachado.

A história dessa empresa pode ser facilmente atrelada à história do Acre, sem nenhum exagero. O Estado está prestes a completar 59 anos de emancipação polícia, a fábrica Miragina acabara de fazer 54 anos de existência. Nesta reestreia da coluna Gente, Economia e Negócios, o ac24horas apresenta o caminho de sucesso percorrido por uma fábrica consolidada, relevante e atualmente ainda mais promissora na indústria local.

O Grupo Miragina é a indústria genuinamente acreana mais antiga que continua em funcionamento no Estado. Os atuais proprietários, os irmãos José Luiz Felício, 61 anos [presidente da empresa] e Abrahão Felício, de 69 anos [vice-presidente], creditam aos pais, Mirian Assis Felício e Abrahão Felício o início, a força e perseverança pela continuidade da empresa.

COMO TUDO COMEÇOU

Quem reside ou transita pela região do bairro Aviário, na capital acreana, sabe muito bem o que é sentir o cheirinho das bolachas e biscoitos Miragina sendo assados no finalzinho da tarde ou início da manhã. Há 54 anos, a indústria funciona no mesmo local, carregando apenas a mudança de um lado para o outro da rua ao longo dos anos.

Foto: Arquivo Pessoal da família

A construção do prédio onde é a fábrica começou em 1967 e as atividades se firmaram em 1968, de forma inteiramente manual. A Miragina nasceu pelo dom da matriarca, Mirian Felício, sempre muito prendada. “Ela era contratada para fazer os banquetes, aniversários, e ela tinha muita facilidade na arte da gastronomia”, diz o filho Luiz.

Mirian é a responsável pelas receitas mais antigas da empresa, produtos de sua criação. “Ela pegou o básico e aperfeiçoou. E até hoje os biscoitos salgados têm muito do que ela começou aqui. Com o tempo fomos aprimorando a receita, pois vai mudando os ingredientes e vai mudando alguma coisa para melhorar a coloração com a modernidade”, salienta.

“Tudo começou com panificação, biscoitos e macarrão. Uma coisa bem ousada para a época, um projeto que ninguém acreditava que teria no Acre algo desse tipo naquele tempo”, diz José Luiz.

Foto: Arquivo Pessoal da família

Luiz garante que sempre produziram biscoitos tentando inovar, renovando as receitas e buscando atingir todas as camadas da população. “Nossos produtos sempre tiveram um preço bom com um produto de qualidade. Isso é o que nos fez permanecer no mercado e também ser prestigiado e valorizado pela população”, afirmam os irmãos.

Não há como negar que os produtos Miragina são hoje uma referência extremamente positiva ao estado do Acre. Há até uma expressão dita pela ex-primeira-dama, Marlúcia Cândida, que diz: “a Miragina está para o Acre assim como as Havaianas estão para o Brasil”.

“O que nos fez chegar a esse ponto de prestígio foi a busca e o respeito pela qualidade dos produtos que a gente oferece à população. Sempre fui a feiras do setor procurando novidades. Enquanto alguns economizam na matéria-prima, nós não economizamos, justamente para não cair a qualidade. Sempre mantivemos a qualidade e sempre mantendo o mesmo padrão do início, e isso é importante”, garante Luiz.

A empresa se orgulha por nunca ter optado por deixar a qualidade dos produtos ruim em nenhuma época do ano. “Os produtos são produzidos sempre do mesmo jeito, com os mesmos ingredientes, é o que tentamos buscar”, destacam os irmãos.

QUADRADA X REDONDA

Uma disputa que ronda a empresa desde os primórdios é sobre a preferência do público para com os biscoitos salgados de formato quadrado e redondo. Elas sempre existiram e o que é motivo de discussão para muita gente, é explicado pelos próprios donos da marca. Se existe, de fato, um formato de bolacha mais sequinho que o outro, é esclarecido de maneira bem simples. Luiz diz que fica muito feliz com isso acontecendo porque, “quando há uma enquete dessa na internet, a gente só tem comentários positivos”.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

Os irmãos Felício se divertem com a discussão sobre as bolachas redonda e quadrada. “Fica uma brincadeira saudável entre o time da quadrada e o time da redonda. Na verdade, é a forma do cozimento que faz a diferença. A massa é a mesma. Mas a gente deixa ficar na imaginação das pessoas porque o importante é que eles fiquem utilizando o produto”, brincam.

A bolacha quadrada é arrumada no forno de forma paralela, e a redonda fica de uma forma que circula menos calor do que num formato que possui cantos. “O calor circula mais entre uma e outra. Enquanto uma é mais simétrica, a outra tem uma irregularidade nos cantos, que não se encontram”, diz José Luiz.

VARIEDADE DE PRODUTOS

As bolachas salgadas são o carro-chefe da indústria, mas atualmente, a Miragina oferece mais de 20 variedades de produtos, incluindo os derivados da castanha do Brasil. A produção foi evoluindo com o decorrer dos anos e hoje o Grupo se encontra num patamar de produzir em torno de 15 toneladas por dia de bolachas.

São bolachas salgadas, biscoitos doces, pão de mel, biscoitos de castanha, óleo e farinha de castanha, entre muitos outros que já estão disponíveis nas prateleiras de supermercados. Ao menos quatro novos produtos estão para serem lançados ao público futuramente.

“Não lançamos ainda por conta da pandemia, pelo fato de não poder haver degustação. Mas enquanto isso estamos aperfeiçoando mais os produtos e vamos analisar qual será lançado primeiro, para que chegue com vontade mesmo no mercado”, garantem.

DIFICULDADES

Como toda empresa, a Miragina também tem alguns momentos difíceis para contar ao longo da história. Acompanharmos as dificuldades da economia no país fez com que a indústria sentisse algumas dificuldades, mas sempre com muita perseverança.

“Insistir na ideia de que tem que continuar, não deixar a peteca cair, são nossas atitudes nesses momentos. Às vezes até nos cobravam que a gente devia fazer outra fábrica em Manaus, outra em Porto Velho, mas é difícil você montar uma outra equipe que funcione como um reloginho como a nossa. E você não estar presente nas filiais também é difícil. Então, considero que fomos até um tanto conservadores por isso, mas foi exatamente isso que nos manteve firmes e dentro de uma tranquilidade financeira. Hoje, na pandemia do novo coronavírus, é um momento difícil, não de vender o produto, mas difícil fazer um produto chegar ao consumidor com um preço baixo”, explica Luiz.

CONCORRÊNCIA DESLEAL

Em meio a tantos percalços, o que mais tem se sobressaído neste momento de pandemia tem sido a alta constante e exorbitante no preço de matérias-primas. “Tá subindo demais e isso tem dificultado a gente a segurar o preço e não repassar para o consumidor final. Porque a gente sofre uma concorrência enorme de produtos de fora, que têm grandes fábricas e uma escala de produção 10 vezes maior”, salientam.

O preço para aquisição de matéria-prima subiu muito, em alguns casos mais do que dobrou, como no caso de embalagens. “Farinha de trigo, que é nossa matéria-prima básica, também dobrou de preço. Isso hoje é o grande gargalo para nós de mantermos a qualidade com o preço baixo. Como não queremos abrir mão da qualidade, aí fica mais difícil ainda”, lamenta o presidente da empresa.

SEM DEMISSÕES NA PANDEMIA

Apesar de o momento de pandemia ter provocado inúmeros problemas a diversos setores da economia acreana, o Grupo Miragina se orgulha por não ter demitido nenhum funcionário nesse mais de 1 ano de crise sanitária. “Não houve demissão na pandemia. Houve somente alguns desligamentos de pessoas que estavam no grupo de risco e que preferiram se acomodar ou aposentar”, asseguram.

O clima de empresa familiar acaba passando para os trabalhadores da indústria. A empresa conta ainda com dezenas de funcionários já aposentados que preferem trabalhar no local ao invés de deixar o serviço de vez. “Tem uma pessoa que tem quase 48 anos de Miragina e está aposentada já há 18 anos. Entrou aqui com 16 anos e hoje é meu braço direito”, explica José Luiz.

Além de não demitir, a empresa diz até estar admitindo pessoas, mas não no mesmo ritmo que tinha antes da pandemia, uma vez que a receita já não representa tanto quanto representava anteriormente. Hoje, a Miragina emprega cerca de 150 funcionários diretos.

A pandemia impactou muito fortemente a indústria, primeiro com a probabilidade de contaminação dos funcionários, depois, com o preço dos insumos. “A gente tinha muito receio do desabastecimento que poderia haver, o aumento no preço da matéria-prima, que está ainda mais forte. O combustível subiu 3 vezes em uma semana, isso impacta no valor final, tudo fica mais caro”, relatam os irmãos.

Para eles, houve uma coisa muito determinante quanto ao desabastecimento, que foi o fato de as pessoas temerem ficar sem os insumos e comprarem demais, como é o caso das resinas plásticas. “As petroquímicas pararam com a pandemia, e quando esfria os fornos das petroquímicas, pra ligar de novo, demora. Esse tempo parado colocou o preço da resina lá pra cima, pensaram que ia acabar e todo mundo comprou e o preço subiu. Hoje está caríssimo”, afirma José Luiz.

O segundo impacto, segundo os irmãos, foi a implementação do lockdown na pandemia. “Mercadinhos fecharam. A pandemia nos afetou, sim, mas a gente encarou a realidade da pandemia e nos adaptamos a ela. Prejudicou a cabeça de todos, mas a gente sempre deu muita importância, nunca deixamos de vir [trabalhar]. Tem que estar dentro de nosso negócio”, destaca Abrahão.

AÇÕES SOCIAIS

Uma função que os produtos Miragina também possuem desde o princípio é o de ajudar os mais necessitados. As ações sociais desenvolvidas pela empresa se tornaram uma marca registrada da fábrica. “Talvez seja isso que nos faça esse prestígio com a população. A gente não esqueceu nenhum instante o lado social, a gente participa em todos os setores de ações esportivas, culturais, patrocinando campeonatos, gincanas escolares, estamos sempre presentes nisso e junto a entidades que necessitam de doação mensal, como as que atendem deficientes visuais, que acolhem dependentes químicos e muitas outras”, explicam os irmãos.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

Todos os meses a empresa recebe a visita de pessoas e entidades que vão buscar alguma contribuição em mantimentos. “Dia dos Pais, do Professor, Dia das Mães, a Miragina sempre está participando de alguma forma. Por meio do esporte, levamos nosso nome até a países asiáticos com patrocínios”.

CURIOSIDADE

Uma indústria com mais de 50 anos de existência carrega consigo inúmeras boas histórias. A visita de clientes para conhecer a indústria já é corriqueira. “A gente também convida porque temos o maior orgulho de receber alguém que venha visitar nossa empresa”, diz Abrahão. O local recebe crianças, jovens e adultos. “Fazíamos muitas visitas escolares até antes da pandemia, crianças de 2 a 12 anos. Elas viam todo o processo. Para nós, isso é muito importante. A gente formou gerações aqui. Crianças que hoje são adultas e dizem que vieram aqui aos 6 anos de idade”, comemora Luiz.

A mascote da empresa, a menininha das embalagens Miragina, já existe há bastante tempo. “A gente brincava aqui dizendo que era nossa irmã, chamada Sara, a Sarinha, que faleceu. Éramos três irmãos e hoje é só eu e ele [Abrahão]”, diz o presidente.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

Abrahão conta que quando os pais começaram a construir a empresa, o próprio pai escolheu a área onde funciona a fábrica até hoje. “Ainda era tempo de intervenção militar, era tudo mato aqui, só tinha uma casinha, não tinha mais nada”. Antes disso, os pais trabalhavam com uma embarcação que fazia o transporte de mercadoria pelos seringais, nos tempos áureos da comercialização da borracha.

Os produtos Miragina não possuem conservantes, e os proprietários buscam fazê-los da maneira mais saudável possível. “Não usamos conservantes, nossos biscoitos têm validade de 6 meses. Isso porque sempre prezamos pela qualidade”, afirma. O forno que hoje assa os produtos está prestes a ser trocado por um mais moderno, mas mesmo com bastante tempo em atividade, o equipamento faz 13 tipos de produtos.

Essa é a indústria em atividade mais antiga do estado do Acre. “Miragina sempre foi uma empresa familiar. Nosso pai não queria sociedade com ninguém. Meu pai era uma pessoa que não teve muito estudo, mas tinha uma visão muito grande, uma pessoa dinâmica. E depois, quando viram que o negócio estava dando certo, quiseram fazer sociedade, mas meu pai não quis. Ele dizia: “aqui é só da minha família”, lembra Abrahão.

A irmã Sarah Assis Felício, já falecida, e o primo José Miguel Assaf também tiveram importante participação junto ao Grupo Miragina.

REDES SOCIAIS E NOVO PÚBLICO

A ampliação do mundo virtual também atingiu a marca, que hoje trabalha de maneira assídua na internet. A intenção agora é conquistar a nova geração de consumidores. “Tudo chega a nós. A gente ouve muito: “Miragina, me patrocina”. Pessoas que estão fora do Acre tiram foto com a bolacha e nos enviam, tem mãe que compra caixa de bolacha e manda para os filhos que estão fora, é muito interessante”, comenta Luiz.

Os produtos Miragina são vendidos atualmente em todos os 22 municípios acreanos, em Porto Velho (Rondônia) e Manaus (Amazonas). “Temos uma agência que organiza nosso marketing, hoje uma preocupação nossa é ver que nossos clientes antigos estão com 70, 80 anos, e estamos preocupados em fazer chegar o produto nessa geração nova. Então, tem que chegar na linguagem deles, no linguajar da moçada, temos que acompanhar”, afirma Luiz.

EXPECTATIVAS

A pandemia de Covid-19 também fez com que a empresa desse uma pausa nos planos, uma recuada nos projetos. Mas o objetivo de expandir o negócio ainda está muito vivo em apresentar novos produtos. Abrahão garante: “demos uma maneirada, mas nunca deixamos de ver o que íamos fazer. Até agora, estamos segurando a barra bem legal. Sempre seguimos na linha de manter o padrão”.

O presidente da empresa, José Luiz, deixa um incentivo àqueles que também tentam um lugar ao sol: “faça bem feito, que vai dar certo. Esse é o nosso lema. Procuramos fazer o melhor produto, no melhor preço, para que ele esteja sempre acessível a todas as camadas da população e com a qualidade que todo mundo merece. Nossa política é sempre trabalhar com insumos da melhor qualidade. Um produto bom, demanda boa matéria-prima”, conclui.

Acre

Gracil fechou o bar há mais de um ano e sonha com “casa cheia”

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Uma lenda viva da Gameleira. Assim pode ser chamado Gracil Bandeira Roque, ou simplesmente Gracil. Com 65 anos muito bem vividos, o sexagenário nascido no seringal Alagoas, em Tarauacá, já dedicou quase 40 anos de vida aos bares que possuiu pela cidade de Rio Branco, especialmente aos localizados na região do Segundo Distrito, à margem do Rio Acre, num dos pontos turísticos mais visitados da capital acreana.

Há menos de 10 anos está gerindo o Quiosque do Gracil, em frente à Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição. Antes disso, lembra com saudades dos 22 anos de casa cheia que viveu nos tempos áureos do antigo Bar do Gracil, localizado na mesma rua. Com o passar das décadas, clientes viraram amigos e funcionários tornaram-se membros da família.

No entanto, os tempos mudaram e as dificuldades para seguir com o bar foram muitas, ainda assim não impediram que Gracil continuasse a perseverar na sua maior especialidade: vender cerveja gelada. Com as portas fechadas há 1 ano e 3 meses devido à pandemia da Covid-19, pretende renovar com a venda de pizza, salgados e afins na tentativa de reerguer o negócio. A reabertura do Quiosque do Gracil está prevista para a próxima semana.

Solteiro, pai de uma adolescente, tem dedicado a vida a ajudar amigos, conhecidos e até mesmo desconhecidos. O jeito extrovertido, falante e afável escondem a dor de quem perdeu 9 familiares para o novo coronavírus. Por isso a decisão de manter o Quiosque fechado até os dias de hoje, desde março do ano passado.

“Moro aqui nesta rua [Nossa Senhora da Conceição], no bairro Quinze, desde 1961. Abri meu primeiro bar em 1978, e ele se chamava ‘Corujão’. Ficava ali na Avenida Getúlio Vargas, onde também funcionou o estabelecimento Aquarius”, explica. Gracil abriu um bar na Gameleira pela primeira vez em 1981. “Não existia nem essa árvore ainda [a Gameleira], mas a minha família toda morava aqui pelo Segundo Distrito, desde que meu pai, que era seringalista, nos trouxe para a cidade, quando eu tinha só 7 anos”, salienta. Antes de encarar a vida de dono de bar, trabalhou bastante tempo pelas bandas do Seringal Triunfo, próximo a Rio Branco.

Uma vida na política  – Embora nunca tenha vencido uma disputa eleitoral, Gracil sempre participou de movimentos partidários e trabalhou nos bastidores da política acreana, inclusive em seus bares. A influência vem de muito tempo atrás. “Quando o pai do senador Sérgio Petecão faleceu, ele tinha um flutuante na região do Mercado. E era muito jovem, tinha uns 15 anos, e resolvi alugar o flutuante com a mãe do senador”.

A ideia de alugar o barco veio após muitos anos de trabalho com o pai, desde o seringal, quando ambos conduziam um caminhão para os coronéis de barranco. “Com 12 anos comecei a dirigir caminhão, carregando 12 mil toneladas de borracha que eu trazia para a cidade”, destaca.

Já no flutuante, vendia gasolina. Seu primeiro bar foi adquirido com a ajuda financeira do então secretário de comunicação do Estado, Eduardo Mansour, no governo de Joaquim Macedo. “Com muita amizade ele comprou [o estabelecimento] para mim”.

Passaram-se vários prefeitos e governadores desde que o empreendedor se entende por gente e se diz feliz por sempre ter continuado a trabalhar com o que gosta. “Durante muito tempo fui cabo eleitoral dos irmãos Vianas. Minha família apoiou o PMDB. Eu era Jorge Viana, eu não era PT”, argumenta. “Nunca fui PT, sempre fui Jorge Viana.  A gente era amigo de infância e ele nunca mudou comigo. Continuei apoiando a família dele”, explica.

Gracil Roque afirma que atualmente apoia o governo de Gladson Cameli (Progressista). “É um garoto direito, tenho orgulho de tê-lo como meu govenador, pois não vejo as pessoas falarem mal. É um garoto íntegro”. Ele diz apreciar a política pelo fato de gostar de ajudar as pessoas. “Não me envolvo em política por me envolver. Tenho muito medo da solidão. Minha casa é cheia de gente, não como sozinho, pois sempre aparecem 10 ou 15 pessoas para comerem comigo. É isso que eu gosto”.

Entre os gestores municipais mais atuais, a única de quem Gracil não guarda boa recordação é a ex-prefeita Socorro Neri. “Eu tinha um mirante aqui no Quiosque, mas a Socorro Neri mandou derrubar. Era uma vista linda. Mas me dou bem com todos os partidos”, garante.

O Rei da Gameleira – Tantos anos convivendo com moradores e comerciantes do Segundo Distrito tornaram Gracil uma das personalidades mais conhecidas da região. Foi no ano de 1996, há 24 anos, que ele abriu o primeiro bar na Gameleira. “Até hoje amigos me prestigiam. Isso aqui é uma família. Nunca tive problema, nunca tive uma briga no meu bar. Tive minha casa cheia durante 22 anos”, relembra.

O primeiro estabelecido ficava embaixo da árvore. Mas depois mudou-se para outro lugar na mesma rua. “Fui embora para o Ceará e vendi o primeiro bar da Gameleira. Passei uns seis meses fora. Não aguentei de saudade e voltei. Retornando, montei uma boate chamada Luar de Prata, ficava próximo de onde é o prédio do Corpo de Bombeiros”.

Até este domingo, 13, o Quiosque não está aberto por conta da pandemia. “Perdi 9 familiares, mas estou pensando em reabrir na próxima quarta-feira, das 14 horas até meia-noite. “Sempre gostei de trabalhar com o público, com o entretenimento. Gosto de estar com as pessoas, por isso sempre vivi minha vida com muita gente”. Neste mais de um ano de pandemia, foi a primeira vez que Gracil fechou as portas de seu empreendimento.

Casamento com o bar – Não é novidade, nem surpresa para ninguém que Gracil tem um verdadeiro casamento com seu bar. O proprietário já chegou a empregar cerca de 40 pessoas no tempo das ‘vacas gordas’. Com a pandemia, reduziu para 7 funcionários. Outros 7 ele precisou dispensar, mas os realocou em empresas de alguns amigos.

“É muito gratificante saber que tem gente que depende de você e que você retribui todo o serviço feito. Meu pai me ensinou a tratar bem os funcionários. Quando criança, lembro que meu pai os fazia comerem com a gente na mesa. Hoje, em minha casa, continua do mesmo jeito”, diz.

Basta colocar uma mesa e cadeiras no Quiosque que não para de chegar gente para conversar. “Em casa mesmo, chega gente toda hora. Se não tem o que beber, sento, converso. Moro com a família, tenho uma filha de 14 anos. Sou solteiro. Meu casamento é com o bar. Quando eu abro o bar, dá para ver a diferença do Gracil para o Gracil dono de bar. A energia do bar do Gracil é diferente”, brinca.

Ele conta que pessoas de outros estados, como Pará, Amazonas, entre outros, e estrangeiros dos Estados Unidos mantém contato até hoje por meio de redes sociais após conhecê-lo em seu pequeno Quiosque. O segredo de uma amizade duradoura com os clientes também vem dos pratos servidos no bar.

O famoso caldinho de feijão é um clássico. “Sirvo de tudo, petisco de frango, frango a passarinho, filé a palito, peixe. Todos os meus pratos são maravilhosos e o preço é muito bom, mas a minha especialidade mesmo é vender cerveja gelada”.

Sua relação com os demais donos de bares e comércio da região é a melhor possível. “Todos são maravilhosos comigo, todos me amam e eu os amo da mesma forma. Quando os bares deles estão cheios, eles vêm aqui pegar mesa ou cadeira e eu empresto. Me sinto muito feliz assim”, detalha Gracil, que com tamanha popularidade já foi presidente da Associação dos Bares há cerca de cinco anos.

Dificuldades – Como nem tudo são flores na vida do empreendedor brasileiro, Gracil Roque também já pensou em desistir do bar um dia. Para ele, o atual governo federal também tornou a vida do pequeno empresário mais difícil e burocrática. “Já vi muitos pais de famílias que ao chegar em casa o filho pedia o que comer e o pai não tinha o que oferecer”, disse emocionado.

Muitos de seus funcionários já receberam algum tipo de ajuda em meio às dificuldades financeiras. “Já tive de ir para a rua pedir alimento para que não faltasse comida para eles. Graças a Deus não falta nada na minha casa, mas sou “padrinho” de muitas pessoas. Tem uns que às vezes não tem a fralda, a massa ou o leite do mingau, não tem o dinheiro do aluguel, e eu dou. Ajudo todos eles. Alguns ajudei a abrir seu negocinho de vender pastel, pizza”, afirma.

É comum ouvir de muitos conhecidos: “falam que eu poderia ter um carrão, mas o carro não me dá de comer. Carro é luxo e minha moto faz o que ele faz”, diz sobre o fato de tirar do próprio bolso para ajudar quem mais precisa. “Eu tenho uma coisa maravilhosa, que são as pessoas que vêm à minha casa sem interesse nenhum. Os próprios assessores do governador vêm até mim, pois atendo clientes de todos os níveis”.

Gracil garante se relacionar muito bem com todos. “Me dou bem com maconheiro, com traficante, com ladrão, não tenho distinção nenhuma entre meus clientes, desde que ele chegue e se comporte. Se é um pé inchado, ele senta, eu dou uma água, um caldo e se eu tiver dinheiro miúdo ainda dou “2 conto”, mas ele come alguma coisa”, conta aos risos.

Ele se orgulha pelo carinho e respeito que conquistou de todos ao longo dos anos. “Todos me respeitam porque eu fiz por onde ter esse respeito. As pessoas me procuram até hoje para jogar conversa fora, para saber mais sobre a história da Gameleira”.

Expectativas – Questionado sobre o que pensa do futuro, Gracil é curto e grosso: “quero ajudar mais ainda as pessoas daqui para frente”. O dono do Quiosque pretende se infiltrar novamente na política nas eleições de 2022 para eleger um candidato de sua preferência. “Não vou me candidatar porque tenho que ter dinheiro. É demagogia se eu disse que não precisa. Pretendo ajudar a eleger uma pessoa para que consigamos mudar muitas coisas. Já fui candidato duas vezes para vereador e ainda ajudei a campanha de um vereador eleito no ano passado. Só que ele ainda não cumpriu o que me prometeu. Vamos esperar”, avisou.

O que precisa melhorar- Gracil atesta que a violência tomou conta da região do Segundo Distrito. Na Gameleira, por exemplo, há conflitos constantes pela proximidade de duas organizações criminosas que são divididas apenas pelo mastro da bandeira do Acre, entre dois bairros. Isso é o que mais dificulta a sobrevivência dos bares e comércios locais.

“Nossa cidade ficou muito violenta. Nós temos a melhor polícia do Brasil, a menos corrupta, e mesmo assim não conseguimos dar conta da criminalidade.  Não temos um policiamento na Gameleira. Há muitos roubos por aqui”. Para ele, o que falta para tornar a região mais atrativa é uma guarita da Polícia Militar.

“Sou de acordo que se cobrasse uma taxa para que a gente arcasse, necessário, com a implantação de uma guarita aqui. Sei que o estado tem obrigação de proteger o cidadão, mas se os donos de bares topassem, eu aceitaria essa taxa”.

Ainda assim, com todos os problemas, Gracil não se vê fazendo nenhum outro tipo de serviço. “Só saio daqui se o dono do ponto me pedir. Só quero sair daqui quando for para eu ir para morada final”, brinca.

Para  a reabertura de seu Quiosque, ele quer que os clientes obedeçam às regras sanitárias contra a Covid-19. “Quero que venham de máscara, bebam sua cerveja, mantenham distância uns dos outros e ao sair usar a máscara novamente, afinal, a vida continua e preciso dos clientes para ajudar meus funcionários a sobreviver”, finaliza.

 

 

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Gente - Economia e Negócios

Cirurgiões abrem hospital padrão de luxo onde operados podem ter alta em menos de 24 horas

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Um sonho de família compartilhado com três amigos fez nascer o Hospital São Pedro, inaugurado há cerca de 10 dias em Rio Branco. Um projeto inovador, ousado e arriscado, mas que deu muito certo após 7 anos de empenho para que o empreendimento pudesse sair do papel e se tornasse realidade. Quatro amigos e conceituados cirurgiões que atuam no Acre há mais de 20 anos decidiram implantar na capital o que há de mais moderno no quesito internação hospitalar e realização de cirurgias.

A ideia é fazer do local mais que um ambiente hospitalar, uma verdadeira experiência em hospedagem com tudo que um hotel de alto padrão tem para oferecer aos clientes. A unidade particular mira numa hotelaria de luxo para reforçar a qualidade do atendimento. Para isso, uma equipe de 52 colaboradores trabalha atualmente para garantir que pacientes e acompanhantes tenham a sensação de estarem hospedados num apartamento requintado, desde a recepção até a alimentação.

O cirurgião oncológico, David Ricardo Carneiro, que saiu da capital acreana para se formar em medicina na Universidade Federal do Amazonas, conta que a ideia surgiu há alguns anos, quando estava em viagem de família e começou a alimentar o sonho de possuir seu próprio hospital. Ao retornar para casa, começou a elaborar o projeto. Para compor o time de sócios, convidou os amigos de longa data, também cirurgiões, José Roberto Ricarte, Sidney Rogério e Ednaldo Silva. A partir de então começaram a dar vida ao empreendimento.

O prédio do Hospital São Pedro pertence à família de David e foi totalmente reformado para se transformar num hospital. O processo, desde a criação do projeto até captação de recursos e o resultado final da unidade de saúde, durou cerca de 7 anos. “Nós quatro somos cirurgiões, então a gente sempre via aqui [na cidade] a dificuldade do paciente cirúrgico encontrar um leito de qualidade, ter material de qualidade para operar. Então, o hospital foi todo pensado nessa nossa experiência”, explica Ricarte.

Por enquanto, o hospital oferece cirurgia geral, que inclui toda a parte de videolaparoscopia [técnica cirúrgica minimamente invasiva realizada por auxílio de uma endocâmera no abdômen], cirurgia bariátrica, cirurgia de vesícula, hérnia, entre outras. Os médicos David e Ednaldo são cirurgiões oncológicos, atuando em toda a parte de câncer que necessitar de cirurgia. “Inclusive tudo por videolaparoscopia. A gente tenta ao máximo fazer as cirurgias por vídeo, que é para o paciente se recuperar mais rápido”, garantem.

Sonho colocado em prática

Desde que começou a planejar abrir um hospital, David idealizou todos os mínimos detalhes da unidade.  “Uma recepção toda elaborada de forma que tenha conforto, ambiente lúdico, decoração diferenciada, banheiros adaptados, consultórios funcionais”, destaca.

O local oferece ainda atendimentos pediátricos, cirurgia geral, ginecológica, de mastologia e clínica médica. São cinco consultórios no térreo e que funcionam de maneira rotativa, ou seja, nunca estarão vazios, sempre haverá um profissional atendendo.

“Há pouco mais de 10 dias começamos a funcionar. Nessa primeira semana, já fizemos cirurgias bariátricas, de mama, vesícula, várias cirurgias plásticas. Iniciamos nessa semana as cirurgias de transplante capilar”, enumera José Ricarte, afirmando que o nicho a ser atendido pelo hospital será bastante diversificado. “Todas as áreas cirúrgicas vão ser acomodadas, também com otorrino, oncológica, de ortopedia. É possível realizar cirurgias em todas essas áreas aqui dentro do hospital”. Segundo o cirurgião Sidney Rogério, no momento, a única parte cirúrgica que o hospital não está atendendo no momento é a de obstetrícia.

“Vai ficar para o futuro. De resto, toda a parte eletiva e cirúrgica e cirurgia de emergência, estaremos oferecendo”, assegura. Conforme o grupo, dos cinco consultórios existentes, dois estão prontos e os outros três em processo de finalização.

“Ao final, haverá uma sala de pequenas cirurgias, para procedimentos que podem ser feitos aqui no andar de baixo, sem que o paciente precise adentrar o centro cirúrgico. Uma sala específica para realização de pequenos procedimentos, como, por exemplo, quando o paciente recebe sedação local. Nesse caso, ele termina a cirurgia e já pode ir para casa”.

Diferencial

O Hospital São Pedro nasceu para ser diferente dos demais. A principal peculiaridade do empreendimento é o foco na qualidade de hotelaria que o hospital visa oferecer, desde a entrada até a acomodação do paciente. Para os sócios, o principal diferencial. “Em certos hospitais, o banheiro não é adequado, a cama não é adequada. Então, nesse ambiente, a gente quis criar um local que fosse o menos traumático possível para o paciente, aonde ele vai se sentir em casa ou dentro de um hotel de luxo”, explica Ricarte, dando ênfase ao trabalho de humanização que é dedicado na unidade, a fim de tratar a todos com educação e deixar o paciente sempre bem informado do que está acontecendo com ele.

David Carneiro comenta a assistência multidisciplinar que é disponibilizada no local. “Tem todo o cuidado médico, de enfermagem, fisioterapia, tudo associado para o bem estar do paciente e para a mais rápida recuperação do pós-operatório”. Hoje, o São Pedro tem capacidade para ter até 15 pacientes internados simultaneamente. O grupo já possui plano de expansão para ampliar os atendimentos e internações. “Hoje nosso hospital é estruturalmente cirúrgico, mas a gente já está com a intenção de ampliar para a internação clínica, sem ser para pacientes que necessitam de procedimentos cirúrgicos”, diz o cirurgião.

A meta dos quatro sócios é atingir a capacidade de 60 leitos dentro de no máximo três anos. “O nosso paciente, como a maioria das cirurgias vai ser realizada por vídeo, é o paciente que, por exemplo, opera uma vesícula pela manhã e à noite ele vai para casa. É aquele paciente que acorda já sem dor, que com uma ou duas horas já levanta, já começa a caminhar, já se alimenta, e no final do dia ele vai para casa”, acrescenta José Ricarte.

Day Hospital – hotel de luxo com internação curta

O intuito é, de fato, fazer com quem entre se sinta em casa ou, no mínimo, dentro de um hotel de luxo. “Pelo menos 90% dos pacientes que a gente conseguir operar por vídeo, eles terão alta no mesmo dia. Isso aumenta a rotatividade do hospital. Quanto menos tempo o paciente passar dentro do hospital internado, menos risco de infecção e mais rápido ele retoma as atividades do dia a dia dele”, salienta o grupo de cirurgiões.

O oncologista David ressalta que essa modalidade, de tentar manter o paciente o menor tempo possível no hospital, já existe no Brasil todo, que é a internação curta. “Esse é o conceito ‘Day Hospital’, o hospital dia, onde o paciente interna de manhã e sai no final do dia. Ele é operado pela manhã e no final do dia ele vai para casa”.

Segundo Ricarte, Rio Branco não tinha uma unidade específica para isso. “Como nós operávamos em outros hospitais, nos nossos pacientes, a gente tentou implementar esse método. Dependendo da cirurgia, ele já ia embora no final do dia. Mas o Hospital São Pedro foi especificamente criado para esse tipo de paciente”.

O conceito moderno de ambiente hospitalar também abrange cirurgia plástica, como a lipoaspiração, a colocação de prótese de mama, em que o paciente opera de manhã e à noite vai embora. “Com isso, a gente prepara a equipe. Até o anestesista, no uso de suas drogas de sedação, a gente tenta trazer as melhores drogas, de forma que elas possam ser metabolizadas mais rápido”, revela David.

Dessa forma, o paciente acorda mais rápido, sem dor, sem náuseas ou vômitos. “Essas medicações são até um pouco mais caras que o habitual, mas dão esse resultado, que é a melhora rápida do paciente e a possibilidade de ele ir para casa precocemente”, detalha o médico.

Composição dos funcionários

O empreendimento atua com 52 colaboradores de todos os níveis, trabalhando efetivamente entre enfermeiros, pessoal da limpeza, segurança, administrativo e assistencial. Um processo seletivo auxiliou os sócios nas contratações. O hospital divulgou as oportunidades de emprego por meio das redes sociais e recebeu 11 mil currículos. “Foram todos avaliados pela equipe que a gente selecionou para fazer isso. Tinha uma enfermeira responsável e uma especialista em Recursos Humanos. Tinham muitos currículos bons e foram muito bem selecionados. E agora, os profissionais estão na fase de adaptação, de treinamento, que vai ser outra meta que a gente vai ter, de manter os funcionários sempre em treinamento para que a cada dia ele desempenhe ainda melhor suas funções”.

Disposição do prédio

Com uma área total de 1.600m², o hospital é dividido em 4 andares, todos agregados por um elevador maca-leito, que permite a locomoção de pacientes deitados na maca dentro do elevador. O primeiro prédio tem três andares. O objetivo dos sócios foi separar o prédio assistencial do prédio administrativo e, assim, evitar a circulação de profissionais do administrativo no prédio assistencial e vice-versa. “Isso diminui o volume de pessoas circulando dentro do hospital. Com isso, conseguimos ter mais controle com relação à infecção e entrada de germes na unidade”, diz o cirurgião David.

O prédio foi construído de maneira que seja totalmente funcional, dispondo de toda tecnologia, automação de luz, de condicionador de ar, etc. “Há troca de ar dentro do hospital todo a cada 5 ou 6 minutos. Trocamos o ar do ambiente para uma renovação do ar. Isso foi uma exigência da Vigilância Sanitária, justamente por conta da pandemia da Covid-19”, destaca o grupo.

Eles tiveram de alterar o projeto no meio da construção por conta de algumas exigências impostas pelo coronavírus. “Tínhamos uma consultoria em relação à Vigilância e, após avaliação do consultor, durante a obra, algumas medidas foram alteradas justamente para nos adequarmos à legislação atual”.

Centro cirúrgico

O centro cirúrgico do Hospital São Pedro foi pensado para todas as especialidades cirúrgicas. Possui três salas cirúrgicas, uma sala de pré-operatório, onde o paciente é preparado para a cirurgia e uma sala de recuperação pós-anestésica, onde tem a capacidade para até seis leitos. Todos esses seis leitos são monitorizados e observados por uma central de monitoramento, onde em qualquer parte do centro cirúrgico o cirurgião consegue visualizar os pacientes. O local conta ainda com sala de conforto, medicamento, depósito, entre outros.

Os apartamentos são completamente diferentes do que o habitual. Posição de móveis, iluminação, cores. Há uma harmonização diferente em cada um deles, que visa passar tranquilidade ao paciente. “A gente queria dar uma experiência diferente. Em cada quarto uma experiência. São cinco em cima e sei embaixo. Há também dois apartamentos ligados ao balcão de enfermagem para pacientes mais delicados”.

Em todos os apartamentos, o paciente pode acionar a enfermagem direto da cama apenas apertando um botão. Os quartos possuem frigobar, rouparia, TV, sofá-cama para os acompanhantes, além de poltrona e banheiro adaptados. A parte de cozinha e alimentação também é diferenciada. O hospital dispõe de uma Chef de Cozinha, que proporciona uma dieta diferenciada. Nesse quesito, os sócios se espalharam nos grandes hospitais privados de São Paulo, como o Albert Einstein e o Sírio Libanês.

Histórico de formação dos cirurgiões

David Carneiro se formou em 2003, em Manaus, fez residência médica em cirurgia geral e oncológica. Voltou para o Acre em 2008, quando começou a exercer a medicina como cirurgião. José Ricarte nasceu em Belém, no Pará, mas veio para o Acre bem cedo, aos 2 anos. Em 2000 terminou a faculdade de medicina também em Manaus, voltou para Rio Branco, serviu durante um ano ao Exército Brasileiro e após isso fez dois anos de residência. A partir de 2004, começou a atuar como cirurgião na capital acreana. “Primeiro comecei na cirurgia convencional, depois fui fazendo curso de videolaparoscopia e fui evoluindo para cirurgia por videolaporascopica. Há 5 anos faço cirurgia bariátrica”, explica.

David e Ricarte se conhecem desde a época de cursinho. “Nossos pais eram amigos e a gente se encontrou em Manaus. Vim para Rio Branco a e fiz a residência. Como fui um dos primeiros a acabar a residência aqui no Acre, fiquei como preceptor. David terminou a faculdade e veio fez a residência. Em seguida, veio Sidney e, por último, o Ednaldo”, explica Ricarte. A amizade entre o grupo já existe há cerca de 20 anos. Eles foram acompanhando a progressão uns dos outros, enquanto três do quarteto saíram do estado para se especializarem, Ricarte ficou se aprofundando em videolaparoscopia.

Sidney Rogério, cirurgião e mastologista formado em residência na Fundação Hospitalar de Minas Gerais, hoje é responsável pelo Hospital do Amor em Rio Branco. Ele se diz carioca de nascimento e acreano de criação. “Meu pai veio para o Acre e eu fiz medicina no Rio de Janeiro. Quando me formei, voltei e fiquei no Exército. Ainda fui para Santa Rosa do Purus, onde fiquei por um ano”, diz. Saindo do Exército, ingressou na residência médica, em 2005, onde passou a ter convívio com os colegas que hoje são sócios.

“Desde essa época da residência, temos esse convívio. Trago o conhecimento de qualidade que também observei nos outros hospitais para que a gente possa acrescentar aqui. Fui aluno do diretor dos Hospitais Privados do Brasil. Vi a diferença de postura, em poder associar a boa medicina a uma boa hotelaria, hospedagem, que também implica na melhora do paciente. Todo mundo traz um pouco da sua vivência fora”, afirma.

Os pais de Ednaldo Silva são acreanos, mas ele é natural de Porto Velho (RO) e também veio bem jovem para o Acre. Silva se ausentou para estudar em Cuba, no ano de 2002. Chegando aqui, fez a revalidação de seu certificado em 2004. “Trabalhei por dois anos no interior do Amazonas. Vim para Rio Branco devido a um concurso público em 2004. Trabalhei até 2007 e fiz a residência de cirurgia-geral com o preceptor Ricarte e Sidney. Enquanto isso, David estava na residência de oncologia”.

Trabalhou realizando transplantes em São Paulo e também no Acre. Seguiu para oncologia em 2013. “Retornei para Rio Branco em 2015. Quando cheguei, encontrei Ricarte, Davi e Sidney, que já estavam com a ideia do hospital”.

David conta que, a princípio, o hospital seria uma clínica só de consultórios, até perceberem a necessidade de a cidade ter um ambiente melhor, hotelaria melhor para os pacientes. “Com isso, a gente idealizou a criação do hospital e convidei os três para participarem disso. Prontamente, aceitaram. Um sonho idealizado e compartilhado com eles três. Com esse apoio, nós chegamos onde estamos”, comemora.

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Gente - Economia e Negócios

Nascidos no Purus, irmãos fazem do Arasuper um dos 50 maiores grupos do país

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Nascidos e banhados pelas águas do Rio Purus, no interior do Acre, os irmãos Araújo não imaginavam que uma simples mercearia de madeira daria vida a uma rede de supermercados composta por 14 lojas e integrante das 50 maiores empresas do setor no ranking da Associação Brasileira de Supermercados. Foi o pai, Adelziro Romão da Silva, que inspirou os filhos ao abrir um pequeno comércio no seringal Santa Cruz, em Manoel Urbano, na função de seringalista.

Mas foi em 1981, com a vinda de Aldenor Araújo da Silva para Rio Branco, que começou a trajetória de mais de 40 anos da maior rede de supermercados do Acre e uma das oito maiores da Região Norte – a Arasuper. O nome do empreendimento [antigo Araújo] foi alterado recentemente por questões estratégicas. O pequeno negócio de Aldenor, irmão mais velho de Adem Araújo da Silva, foi uma espécie de semente plantada pelo pai.

“A gente nasceu no Rio Purus. Lá, ele [o pai] tinha um pequeno comércio seringalista, que atendia os seringueiros. Eu tinha 13 anos quando meu irmão [Aldenor] começou sozinho o negócio na capital quando a gente veio para a cidade”, explica Adem, hoje, sócio do irmão. “Quando a gente completava 12 anos, nosso pai nos mandava para a cidade para estudar”.

Os pais dos irmãos Araújo ficaram pelo seringal até 1983, quando o comércio da borracha já não estava rendendo grande coisa, e decidiram mudar também para a cidade. “Viemos para Rio Branco. Meus irmãos mais velhos já tinham ido para Sena Madureira, mas quando vim, foi direto para a capital”, conta Adem, destacando que possui 12 irmãos, após o 13º ter falecido.

Antes de ingressarem com o mercadinho, Aldenor e Adem trabalharam de várias outras formas para ganhar dinheiro e manter o sustento. Ainda garoto, Aldenor foi funcionário de uma marcenaria, onde fazia móveis. Depois, foi vendedor na antiga Lojas Pernambucanas e, de lá, saiu para montar seu comércio no bairro Estação Experimental, o primeiro de muitos que viriam nos anos seguintes.

O comércio foi montado em 1981. A loja tinha cerca de 200 m² e vendia basicamente produtos da cesta básica, como arroz, farinha e feijão. Adem relata que naquela época havia muita dificuldade de abastecimento no estado, em conseguir produtos. “O hortifrúti, por exemplo, raramente chegava, pois não tinha essa cultura de consumo. No mercado municipal tinha já o cheiro verde, alface, couve, mas tomate, cebola, batata, era muito raro ter isso naquela época, principalmente durante alguns períodos do ano”, salienta.

Na época da seca, alguns produtos chegavam com mais frequência, mas nas chuvas, quando chegavam, vinham de avião, graças a empreendedores visionários que já faziam isso. “Mas na época, esses produtos eram inacessíveis para muita gente, por isso a gente começou vendendo só o grosso”, diz o empresário.

Em 1983, Aldenor conseguiu estruturar melhor a loja do bairro Estação Experimental e em seguida comprou um terreno na região do Tangará, onde fica uma das lojas até os dias de hoje. Esta foi meio que um protótipo do que é atualmente o Aramix, uma loja de atacarejo. “Já no final dos anos 80, a loja do Tangará já trabalhava com atacado e varejo. Chamávamos de “chincado”, que era o produto que você embalava ele em muitas unidades”, diz Adem.

Adem entrou de fato no negócio do irmão no ano de 1990, quando ele tinha 22 anos e Aldenor 28 anos. “Ele [Aldenor] passou uma lojinha para mim e ficou com a outra. Para mim, ficou a lojinha da Estação e ele ficou com a do Tangará. Eu fiquei dois anos nessa mercearia e depois expandi para outro lugar maior, também no bairro Estação Experimental”, destaca.

O empresário revela que em 1992 se tornou sócio do irmão, para então construir a loja situada na região da Isaura Parente. “Ali nós montamos juntos, já com uma concorrência bastante acirrada na época, pois havia o Gonçalves, já com uma boa loja e isso exigia um pouquinho mais de conhecimento do negócio, um negócio mais estruturado, porque já tinha uma boa loja aqui em Rio Branco”, diz o empresário.

Conhecimento na prática

A maior parte do que os sócios têm de conhecimentos sobre o ramo de supermercados veio da prática, sem muitas instruções. “Sempre participamos muito de eventos de associações. A gente se envolveu com a associação de supermercados muito cedo. No começo de 1990, já fomos participar das associações e isso abriu muitas portas para que a gente pudesse interagir com outros supermercadistas do Brasil inteiro”, esclarece Araújo.

Durante o envolvimento com as associações, os irmãos puderam enxergar como empresas de grande porte já trabalhavam, como conduziam o serviço da padaria, do açougue, e conheceram muitos parceiros, o que possibilitou aos sócios uma evolução significativa no quesito conhecimento à época, trazendo novidades e inovações para o Acre.

Dificuldades

Em 1991, quando montaram a loja da Isaura Parente e passaram a ser sócios, os irmãos puderam ver de perto como é difícil o ramo de supermercado. “Passamos por muitas dificuldades antes dos anos 90 por conta dos planos econômicos que impuseram na época. Tivemos o Plano Verão, o Plano Collor, que foi extremamente devastador e quebrou muita gente, que foi quando resgataram todo o dinheiro que tinha em conta corrente. Quem tinha negócio, contas a pagar, podia usar, mas sacar não podia. Foi um problema muito sério”, relembra Adem.

Os anos mais difíceis para eles foi exatamente esses, em que a inflação muito alta fez com que os empresários fossem pressionados por uma política de governo tida como ineficiente, onde o empresário é que pagava a conta. “Congelavam o preço e você não podia alterar no varejo. A Sunab, que hoje é o Procon, tinha mais poder e prendeu muitos empresários. Muita gente foi pressionada, muitos tiveram de sair do mercado naquela época, foi o momento mais difícil com esses planos, no final de 80 e início de 90”, lamenta o sócio.

Uma empresa familiar de sucesso

Passados os piores momentos, a rede cresceu e se tornou a maior do segmento no estado. Hoje, os irmãos são proprietários de 14 lojas, sendo 12 de varejo e 2 exclusivamente para atacarejo. Em Rondônia há 3 das 14 empresas, sendo 2 de varejo e 1 de atacarejo. Ambos têm quase 3 mil funcionários espalhados pelas dezenas de supermercados. Bem diferente do início, quando os irmãos atuavam somente com mais três pessoas nos pequenos comércios, entre eles outro irmão também.

Questionado se imaginavam a grandiosidade que viria após muitos anos de trabalho, Adem afirma que ainda não dá para considerar o que construíram como um grande império. “Não percebemos isso ainda não, mas olhando para trás, com o poder de Deus, a gente conseguiu atingir isso aqui. A gente começou basicamente sem conhecimento no negócio e aprendendo com os erros. Hoje nós estamos entre as 50 empresas do setor no ranking a nível de Brasil, pela nossa forma de trabalhar, parcerias com bancos e tudo mais”.

No Norte, as lojas Arasuper competem com outras gigantes do segmento nos estados do Pará e Amazonas. “A gente sabe que hoje temos uma responsabilidade muito grande, principalmente na questão de geração de emprego, contribuição de encargos. Temos uma participação muito grande em arrecadação de ICMS. Mas sambemos que a responsabilidade é muito grande pelas famílias que a gente emprega”, ressalta Adem.

Mais expansão

Os sócios pretendem expandir ainda mais os negócios. A rede, que já é grande, possui muitas vidas que dependem de sua existência, e quer alcançar voos mais altos. “Isso é natural, em qualquer negócio, segmento, pois você tem de estar crescendo para poder sobreviver. É a lei da sobrevivência. Nós precisamos ser competitivos porque cada vez mais entram empresas multinacionais aqui no estado”, destaca o irmão. Segundo Adem, Acre e Rondônia são estados que veem sendo muito bem vistos pelas multinacionais. “Se você não estiver preparado ou não tiver escalar para competir com esses concorrentes, não consegue sobreviver”, assegura.

Com a exigência dos clientes cada vez mais inserida no serviço, por melhor atendimento, produto e qualidade, o Arasuper decidiu ainda valorizar o preço. “Para nos diferenciarmos das multinacionais, nós nos especializamos. Buscamos, além de agregar profissionais com experiência na área comercial, operacional, estreitarmos parcerias com fornecedores porque o mesmo fornecedor que me atende, atende eles [multinacionais], mas nós temos um custo menor, temos também flexibilização para fazer negócio”.

Segundo o empresário, as grandes redes dependem de uma política interna muito sedimentada, pois até que as mudanças cheguem ao estado, perde-se a oportunidade para a concorrência. “E a gente não perde essa oportunidade por estarmos dentro do negócio, sermos uma empresa regional, a gente consegue ser bem competitivo com preço e serviço “, garante.

Diferencial com os funcionários

A rede decidiu inovar no trato com os funcionários e consumidores. Os irmãos sócios criaram ainda em 1999 uma nova filosofia relacionamento com os clientes, para tratá-los como gostariam de serem tratados. “Um ou outro funcionário destoa, mas a gente tenta fazer com que ele entenda essa filosofia e a maioria a incorpora”.

O diferencial com os funcionários fica por conta das inúmeras capacitações, relações humanas, ajuda de custo de alimentação, alimentação no trabalho, entre outros. “Fizemos parcerias com empresas de assistência médica. As pessoas que trabalham conosco, independente da função, têm alguns benefícios, principalmente na questão da ajuda de custo, que é um crédito, um cartão onde ela pode comprar determinado valor por mês”, explica Adem.

Pandemia

A instalação da pandemia do novo coronavírus também gerou impactos na rede Arasuper. “Praticamente tivemos que nos adequar a algumas situações que não eram comuns. O impacto inicial foi conseguir essa adequação de poder deixar o cliente tranquilo de que ele não estaria correndo risco na loja, de que teria segurança em comprar um produto que é manipulado internamente”.

O empresário salienta que foi preciso um trabalho diferente nesse período, com maior cuidado na segurança do alimento, distanciamento entre os funcionários, utilização de máscaras e álcool em gel. “Diminuímos o fluxo interno nas nossas rotisserias,  e a compra dos EPIs elevaram um pouco o custo. Agora a gente já consegue ter isso como natural, já parte da rotina, mas no início foi bem difícil. Até os carrinhos mudamos para plástico porque os produtos de limpeza estavam fazendo corrosão”.

Adem conta que houve um momento em que algumas pessoas temeram o desabastecimento e corriam para os supermercados de uma só vez. Segundo ele, a pandemia trouxe um aumento de preço extremamente violento. “O poder de compra do consumidor reduziu muito. No início, aumentou o consumo de alguns produtos básicos como arroz, leite, açúcar. Depois muitos países tiveram problemas na produção de grãos. O dólar aumentou a cotação, e muitos produtos dependem dessa cotação, o que acabou implicando no preço. Hoje o consumidor e nós estamos pagando a conta. Esse problema certamente aumentou o número de miseráveis no país”, destaca Adem.

Ele acredita que a rede só conseguirá retomar o mesmo ritmo de contratação e vendas de antes da pandemia daqui mais uns três anos. “Nós não demitimos na pandemia, mas não contratamos nesse mês de março, por exemplo. Nos quatro finais de semana que fecharam as lojas, não teve hora extra, não teve folga no domingo e tivemos funcionários ociosos. As demissões que ocorreram nesse período não foram repostas. Só viemos repor a partir de abril. E isso não aconteceu só conosco”, afirma.

Ações sociais

A rede é uma das mais procuradas e participativas quando o assunto é ação social. O Arasuper possui um trabalho bastante interessante. “Temos parcerias com muitas igrejas, entidades e instituições que mensalmente temos uma destinação direta de alimentos. Temos ainda apoio a escolinhas de futebol em diversos bairros de Rio Branco e ajudamos essas crianças mais carentes, fora as doações de sacolões que a gente ajuda bastante”.

Apesar de não ser muito ativo em redes sociais, Adem diz que sua equipe sempre acompanha as novidades na internet e sempre está verificando o que é falado em nome dos supermercados nas redes. “Eu pessoalmente não, mas nossa equipe sempre. Eu vejo algumas coisas, como críticas e elogios, e é natural, a gente que é vitrine vai sempre levar pedra, acompanhamos algumas situações assim”.

ELE É O CARA – Se você leu até aqui, deu para perceber que o principal interlocutor do Arasuper é Adem Araújo. E isso tem muito a ver com a personalidade dos irmãos sócios. Aldenor, mais discreto e cuidador dos negócios, deixou ao Adem o papel de comercializar pessoalmente o negócio da família. “Em 1987 a gente começou a fazer propaganda por iniciativa minha. Começou no rádio, depois veio a TV, com meu lado comercial, de divulgar. Depois misturei um pouco o marketing. Quando tinha que dar uma entrevista, lá ia eu. Foi uma coisa mais natural, sem imposições”.

A paixão pelo futebol

Adem não esconde sua paixão pelos gramados. Antes de pensar em gerir um supermercado, sonhava na adolescência com o futebol. “Eu só queria saber de jogar bola, vim mesmo ter de trabalhar quando saí do Exército, em 1988. Sempre trabalhei, mas foi nessa época que vi que o futebol não seria meu negócio, muito pela nossa origem. Como trabalhamos desde criança, nunca pensei em concurso, não sabia nem o que era isso. Saí do exército e tinha que me virar”, explica.

Após o ensino médio, quase ingressou no curso de tecnólogo e história, mas o plano não foi para frente. “Quando chegaram as faculdades particulares, fiz Administração, entrei na segunda turma, em 1999”. Porém, como sempre foi um verdadeiro amante do futebol, com o tempo foi se atrelando ao esporte.

“Fiz algumas amizades e um amigo que entrou para o futebol pediu ajuda. Demos a ajuda e depois vieram outros clubes. Começamos a ajudar o Rio Branco também. Em 2005 arrendei e montei o time do Adesg, montei o estadual. Contratei, demiti, montei um time, mas depois fique meio frustrado e larguei”, conta.

No ano de 2012, se tornou diretor e vice-presidente do Rio Branco. “Montamos um super time para chegar a série B, mas por um problema na justiça, tiraram a vaga do Rio Branco, após uma infração cometida em 2011 contra o estatuto da CBF”.

Hoje, o principal parceiro do Arasuper no futebol é o Galvez. “Nosso estado é pequeno, poucas empresas hoje têm condições de ajudar. Sonho com um time que dispute a série B um dia, mas não podemos bancar sozinhos”, relata, afirmando que ao longo dos anos fez relacionamento com empresários de futebol, presidentes de clube pelo Brasil inteiro.

“Faço compras para o almoço de domingo”

Como todo morador de Rio Branco, Adem também tem a sua loja do coração entre as 14 do grupo. “É onde eu gosto de fazer compras, onde eu gosto de ir, até porque eu moro lá perto, que é a da Isaura Parente. Na verdade, lá é a matriz, pois quando entramos no varejo mesmo, aquela foi a primeira. Eu gosto de lá pela localização”, garante.

Apesar de sua esposa ser a pessoa que mais faz as compras no supermercado, ele diz que utiliza muito o site da Arasuper. “Mas eu faço as compras do almoço do domingo”, brinca.

Relação com clientes e conselhos

Basta Adem Araújo passear pelos corredores que várias pessoas vão se aproximando. Seja um conhecido, um cliente, sempre recebe demonstrando humilde. “Sempre vejo como está a loja, como está o serviço. Vejo muitas falhas quando estou na loja. Conheço muita gente, tenho muitos amigos. Às vezes a pessoa vem tirar uma dúvida, reclamar de alguma coisa e a gente tem que ouvir”.

Ao observar qualquer falha, procura o gerente. “A gente mudou bastante nos últimos anos. Para ser gerente hoje exigimos uma formação ou aqueles que já estão na empresa incentivamos a estudar”. Ele credita o sucesso da rede a Deus. “Certas situações que a gente passou, enfrentou, não tem outra explicação que se não fosse pela vontade dele, não estaríamos aqui”, salienta Adem.

Ele afirma ter ouvido a frase de Jorge Viana enquanto governador de que ele e o irmão eram “exemplo de que 1 em 1 milhão dava certo”, pela origem humilde, e concorda. “Nós não nos envolvemos em política. Quem estiver no governo a gente vai apoiar, torcendo para que dê certo”.

Hoje, pai de quatro filhos, Adem deixa o seguinte conselho àqueles que pretendem percorrer o mesmo caminho dele e do irmão. “Dedicação. Se você não se dedicar, não tem como a coisa funcionar. Às vezes a pessoa quer montar um negócio e deixar os outros tocarem. Por mais que seja pequeno, tem que se dedicar. Buscar conhecimento sempre, estar dentro do negócio, envolvido”, conclui.

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Acre 01

Como o corte do Censo atinge você

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O corte de 90% dos recursos do IBGE no Orçamento da União inviabiliza a realização do Censo neste ano. Em 2020 também não foi realizado. O último data de 2010. A marca de 11 anos sem censo iguala o Brasil a países como Haiti, Afeganistão e Congo, onde guerras, desastres naturais e caos político impõem subdesenvolvimento e flagelo humano.

Não se diga que essa coisa de levantar informações pode esperar, ainda mais em tempo de pandemia. Desacreditar a necessidade de informações demográficas, sociais e econômicas é um negacionismo tão perigoso quanto o terraplanismo ou a ignorância de contestar a vacina contra a COVID-19. A falta de dados bem apurados pode justificar muita coisa, principalmente o direcionamento de dinheiro público no interesse de poderosos e privilegiados. Nesse sentido a suspensão do Censo vai interferir negativamente na vida das pessoas e isso vale para você que ler este artigo.

De saída, a falta do Censo prejudica fortemente Estados e Municípios. Dados e estimativas sobre as populações locais refletem a dinâmica da vida de cidades e regiões para determinar indicadores econômicos e sociais utilizados pelo Tribunal de Contas da União na distribuição de recursos das transferências constitucionais, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundo de Participação dos Estados (FPE). Ou seja, o dinheiro que vai chegar na sua cidade para cuidar da Educação, da Saúde e da qualidade de vida na sua comunidade depende, sim, de informações que só um censo bem feito pode garantir com qualidade, segurança e justiça.

Atualmente os dados utilizados para cálculos do FPM e FPE estão defasados, isso desequilibra as transferências constitucionais, que são a principal fonte de receita da maioria dos municípios brasileiros. E essa é a realidade dos 22 municípios acreanos. Assim, o Acre é diretamente prejudicado com o corte de recursos para o IBGE, responsável pela realização do Censo, infelizmente cancelado com o parecer de um senador do nosso Estado para agradar o governo federal.

Importante atentar que cerca de 1 bilhão e 900 milhões de reais negados para o IBGE realizar o Censo não foram economizados nem retirados do Orçamento Geral da União, mas apenas redirecionados para pagamento de Emendas Parlamentares.
O Brasil também fica prejudicado em outras áreas essenciais para o desenvolvimento econômico e social, como Planejamento, Políticas Públicas e especialmente programas de geração de emprego, renda e apoio aos mais necessitados, a exemplo do Bolsa Família.

Cortando o Censo e desprestigiando o IBGE, o Governo Federal impede o acesso a informações que exigirão mudanças para a retomada do desenvolvimento e para a inclusão de milhões de famílias brasileiras – com coragem para iniciativas revolucionárias como um programa nacional de renda básica.

Prof. Raimundo Angelim
Economista

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