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“Vai destruir os povos indígenas”, diz Piyãko sobre estrada do Acre ao Peru

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Devido ao anúncio do início de construção de projeto inicial da estrada que vai ligar o Acre ao Peru pelo Parque Nacional da Serra do Divisor, no Vale do Juruá, Francisco Piyãko, liderança do povo Ashaninka e coordenador-geral da organização dos povos indígenas do Rio Juruá (OPIRJ), se posicionou contra a ligação de Cruzeiro do Sul a Pucallpa. Para ele, o projeto pode significar a destruição dos povos indígenas da região.

Piyãko ressaltou que os indígenas estão passando por um problema muito sério na região, haja vista, que os projetos de governo, tanto Brasil quanto Peru, estão avançando nas construções de estradas, isso porque, além da ligação de Cruzeiro do Sul, cortando o parque Nacional da Serra do Divisor, passando próximo às terras indígenas tanto do Brasil quanto do Peru para chegar na cidade de Pucallpa, existe a previsão de outro acesso que é uma estrada de Porto Esperança à Breu, que fica do lado do Peru. Inclusive, o senador Márcio Bittar (MDB) revelou essa semana que já destinou R$ 40 milhões, por meio do orçamento da União, para a construção do projeto executivo da estrada.

“Nossos territórios indígenas aqui nessa região vão ser totalmente impactados. Essa não é uma demanda das comunidades indígenas, não está sendo discutido com os povos indígenas, acredito também, com os povos da floresta como um todo. Isso atende os interesses econômicos de grupo de empresas e de alguns políticos que estão ligados a esses grupos, essa não é uma demanda nossa”, explicou.

O líder indígena contou que ambos os projetos não têm os estudos de viabilidade, e não passa pelo processo de consulta a população da região. “Essa rodovia, essas estradas vão destruir a nossa história, acabar com nosso povo.

Elas não se mantêm se não for a partir das empresas enquanto elas servirem para as madeireiras e outros negócios das regiões. Quando elas pararem, quando não tiver mais madeira, isso vai se acabar de novo. Então vão deixar só os vícios e os maus costumes e atropelar uma cultura que a gente tem”.

O coordenador geral da organização dos povos indígenas acrescentou: “Nós já nos posicionamos a vida toda para manter nossos territórios vivos. Com condições de atender, de fazer com que nosso povo pudesse continuar vivo com suas tradições e costumes. Então precisamos dar visibilidade, buscar mais informações, saber quem está promovendo esse tipo de negócio sem consultar as comunidades.

Outra coisa, nosso território, nosso povo Ashaninka têm uma longa história de luta para manter seu território vivo e lutamos para garantir nossos espaços. Nossa visão que a gente entende como futuro, é que nós jamais vamos estar em paz, jamais vamos existir se esses territórios forem ocupados noutro modelo de uso desses recursos, se tiver outra cultura, que ela sobrepõe nossos rios, nossos caminhos, nossos valores, sobrepor ao nosso modo de vida, nós vamos estar perdendo espaço, e talvez seja o fim da nossa cultura, do nosso povo”, declarou.

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