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A imprensa encontra na pandemia o próprio poço sem fundo

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Como não fazia há tempos, resolvi ver durante esta semana os jornais das TV’s, tentando responder a uma inquietação: “De que realmente está falando a grande imprensa?”. A percepção evidente é que está falando de COVID, responsabilizando o governo federal pelo contágio e mortes, insuflando cizânias políticas, gerando crises ilusórias, sustentando presepadas jurídicas das altas cortes e, no conjunto, promovendo a queda, por qualquer meio, do presidente Jair Bolsonaro. Ao modo do youtuber Felipe Neto, a imprensa manda a mensagem “primeiro a gente derruba, depois a gente vê”.

Não há muito mais do que isso. De cima a baixo, da maior à menor, de manhã à madrugada, como em um acordo obsceno com jornalões e jornalinhos, revistonas e revistinhas, os noticiosos e programas de debates e entrevistas macaqueiam-se uns aos outros, repetindo à exaustão as mesmas notícias, com praticamente o mesmo enfoque e os mesmos comentários de ataque ao governo. A parcela da mídia que, antes da internet, denominamos de imprensa brasileira, perdeu o compromisso e a conexão com os fatos e com a verdade, transformou-se em plataforma de ativismo político-ideológico. Não por acaso, a sua credibilidade vem caindo ano a ano conforme pesquisas. Atualmente, nos salvam os inúmeros sites de notícias e canais em diversas plataformas de fácil acesso.

Sumiram das TV’s também as crises internacionais. Dá-se a mínima ou nenhuma importância para o conflito russo-ucraniano, para a miséria progressiva da Argentina, para a ditadura venezuelana, para a fome na África, para a perseguição de cristãos, para Myanmar, para Taiwan, para a crise migratória na fronteira americana etc. Até a indefectível agenda verde deu uma folga e só apareceu com força nos últimas dias, para defenestrar o ministro Ricardo Salles e, como vimos nesta quinta-feira, 22/04, tentar impor uma narrativa que inviabilize o estabelecimento de relações profícuas do Brasil com parceiros na Europa e nos EUA. Os ditos especialistas se oferecem em baciadas aos holofotes com o mesmo intento, ainda que nos custe caro cada afirmação que fazem suas “excelências científicas”. 

Toda essa militância é, aliás, muito semelhante à que aconteceu no ano passado contra o presidente Trump nos Estados Unidos. Sem saber que estava sendo gravado, recentemente o diretor técnico da CNN, uma das maiores redes americanas de TV, Charles Chester, declarou: “Olha o que nós fizemos, nós conseguimos tirar o Trump. Eu acredito 100% que se não fosse pela CNN eu não acho que o Trump teria perdido.”. A TV americana trabalhou duramente para beneficiar o candidato democrata (socialista) enquanto demonizava o republicano. 

Pensando nisso e em como a nação se enfraquece quando a imprensa se transforma em samba de uma nota só, lembrei algo que li há alguns anos e, sugiro, seja lido ou relido especialmente por quem faz as notícias que nós, cidadãos comuns, consumimos diariamente. Refiro-me à conferência de Ruy Barbosa “A imprensa e o dever da verdade”, editada primeiramente em 1920, da qual recorto os trechos abaixo.

– A imprensa é a vista da Nação. Por ela é que a Nação acompanha o que lhe passa ao perto e ao longe, enxerga o que lhe malfazem, devassa o que lhe ocultam e tramam, colhe o que lhe sonegam, ou roubam, percebe onde lhe alveja, ou nodoam, mede o que lhe cerceiam, ou destroem, vela pelo que lhe interessa, e se acautela do que a ameaça. 

– Já não era pouco ser o órgão visual da nação. Mas a imprensa, entre os povos livres, não é só o instrumento da vista, não é unicamente o aparelho do ver, a serventia de um só sentido. Participa, nesses organismos coletivos, de quase todas as funções vitais. É, sobretudo, mediante a publicidade que os povos respiram. 

– Entre as sociedades modernas, esse grande aparelho de elaboração e depuração reside na publicidade organizada, universal e perene: a imprensa. Eliminai-a da economia desses seres morais, eliminai-a, ou envenenai-a, e será como se obstruísseis as vias respiratórias a um vivente, o pusésseis no vazio, ou o condenásseis à inspiração de gases letais. Tais são os que uma imprensa corrupta ministra aos espíritos, que lhe respiram as exalações perniciosas. 

Um país de imprensa degenerada ou degenerescente é, portanto, um país cego e um país miasmado, um país de ideias falsas e sentimentos pervertidos, um país, que, explorado na sua consciência, não poderá lutar com os vícios, que lhe exploram as instituições.

Vê-se aí quanto Ruy, uma das mais sábias mentes brasileiras considerou elevados os compromissos da imprensa com a sociedade. Em outra oportunidade, disse: “…jornalista é que eu nasci, jornalista é que sou, de jornalista é que não me hão de demitir, enquanto houver imprensa, a imprensa for livre e este resto de liberdade nos indicar que a pátria respira”. Era, pois, como todo jornalista verdadeiro, um jornalista de uma imprensa livre.

Eis que 101 anos antes, em um texto primoroso, o grande Ruy Barbosa parece dar um carão na imprensa que temos hoje, autoritária, corrompida por interesses antinacionais, que nega o contraditório e serve a uma banda exclusiva e minoritária da sociedade, oferecida como revolucionária com base em um ideário tão falso quanto desgraçado em todas as oportunidades que teve na história.

A corrupção da imprensa em sua finalidade e razão de ser, pondo-a em alinhamento político-ideológico extremado, funciona no caso da pandemia como força motriz de dissolução do sistema, ratificando Jane Fonda, ex-atriz, militante da esquerda americana que em videoconferência (AQUI) disse: “A COVID foi um presente de Deus para a esquerda”. Ou, se preferirem, é endosso ao ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva (AQUI) que disse: “Ainda bem que a natureza, contra a vontade da humanidade, criou esse monstro chamado coronavírus. Porque esse monstro está permitindo que os cegos comecem a enxergar que apenas o Estado é capaz de dar solução a determinadas crises”. As duas sumidades, talvez sem querer, arreganharam a práxis socialista que não contabiliza mortes desde que sua marcha tenha avanços.

A conferência de Ruy Barbosa, cujos termos confrontavam a imprensa chapa-branca da época, faz todo o sentido hoje, mas em direção contrária, dado que temos uma espécie de imprensa chapa-preta, tipo CNN, para a qual não havendo convergência nem as costumeiras negociações com o governo, tudo pode ser feito para derrubá-lo.


Valterlucio Bessa Campelo escreve contos e opiniões todas as sextas-feiras no ac24horas e em seu BLOG

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