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Pandemia pode acelerar o fim dos campeonatos estaduais

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Os Campeonatos estaduais são parte da história do futebol brasileiro, mas faz tempo que estes fazem parte de uma pauta polêmica: acabar ou não com esse tipo de competição. A pandemia pode ter papel fundamental nesse processo.

DISCUSSÃO VINHA ANTES MESMO DA PANDEMIA

Não é de hoje que campeonatos estaduais é um assunto polêmico no futebol brasileiro. Embora pareçam resoluções até certo ponto simples, divide opiniões por onde se discuta.

Em primeiro lugar, muito se julga as consequências que os grandes times têm para o restante da temporada, quando precisam obrigatoriamente jogar os estaduais.

Segue abaixo alguns pontos cruciais:

Pré-temporada curta: Em situações normais (sem pandemia), o calendário do futebol brasileiro termina em dezembro, e inicia da metade para o final do mês de janeiro.

Levando em conta que os clubes precisam cumprir a lei trabalhista e dar férias aos seus jogadores, estes retornam no início de janeiro, e geralmente fazem no máximo duas semanas de preparação.

Com isso, vão sendo colocados em campo para a disputa dos estaduais (mesmo que em revezamento). A preparação em competição não é a mesma, não há tempo de atingir níveis de pré-temporada, e a partir daí, a rotina de jogos, recuperação e pouco treino, se estende até o final do ano.

Consequências – Má preparação, desgaste muscular, maior número de lesões, baixa intensidade quando a alta temporada exige plenitude física.

Calendário apertado: Este é um ponto muito forte de quem defende o fim dos estaduais. O campeonato regional acaba espremendo o Campeonato Brasileiro, que tem um longo período de jogos de 3 em 3 dias.

Contando ainda com a Copa do Brasil, possivelmente uma competição internacional como Copa Libertadores ou Sul-Americana, isso se agrava demais.

Um grande exemplo para esclarecer essa questão, se deu na temporada 2019. O Flamengo, campeão brasileiro e da Copa Libertadores, disputou um total de 76 jogos na temporada.

Ao final do mês de novembro, fazia a final da Copa Libertadores diante dos argentinos do River Plate. Naquele momento, o rubro-negro havia disputado 24 (vinte e quatro) jogos oficiais a mais que o seu rival. Além de duelar com um dos melhores times da década, tinha de lidar com o cansaço.

Ao vencer a Libertadores, se credenciou a disputar o Mundial de Clubes da FIFA, chegando na final diante do Liverpool. A diferença de jogos oficiais em relação aos ingleses era de 20 (vinte) jogos a mais. Isso tornou o Liverpool favorito nas principais casas de apostas como a 1xbet.

Somente o Campeonato Carioca fez com que o Flamengo jogasse 17 partidas.

Clubes grandes sem interesse nas competições: O que mais se vê são os grandes clubes colocando garotos para a disputa das competições. Muitas vezes, os titulares e membros do grupo principal, são utilizados só para ganharem ritmo de jogo.

Um exemplo é o Athletico-PR no Campeonato do Paraná, onde coloca seu time sub-23 para a disputa da competição. Os grandes desdenham cada vez mais dos regionais, e só entram “pra valer”, nas fases finais.

Consequência – Menor apelo aos torcedores, que gera menor audiência para a televisão, e com isso, uma quantia cada vez menor pode ser negociada. Patrocinadores fogem de competições que não dão retorno, e isso só afunda os estaduais Brasil afora.

Para aqueles que se aventuram no universo das apostas esportivas isso também tem um impacto profundo já que nunca se sabe direitos quais equipes irão jogar.

CAOS ATUAL EMPURRA OS ESTADUAIS PARA A RUÍNA

Se todo esse transtorno causado pelos estaduais, já era questionado até ano passado, de lá pra cá, tudo ficou muito pior.

A temporada 2020 só terminou em fevereiro de 2021, e mesmo com jogos decisivos acontecendo pelo Brasil, já se tinham estaduais iniciando.

Muitos clubes tiveram de dar miniférias aos seus jogadores, que perderam o início das competições. Quando voltaram, período curto de preparação, e diversos atletas já estão em campo novamente.

Os clubes acabam planejando a temporada com as principais competições como prioridade (Brasileiro, Copa do Brasil e Libertadores), e os estaduais em segundo plano.

Muitos desses times são compostos por reservas pouco utilizados e jovens das categorias de base. A televisão revisou suas prioridades, e muitos desses campeonatos não tem jogos transmitidos.

Sem público nas arquibancadas, sem arrecadação de bilheteria, sem atratividade para o investimento de patrocinadores, os pequenos vão definhando.

Não são apenas os estaduais que atropelam o calendário. A Copa Libertadores nas suas fases iniciais, estão cada vez mais cedo, porém, os clubes priorizam a competição da Conmebol, e esquecem dos estaduais.

Os estaduais não se sustentam sem os grandes clubes. Ficaria inviável formular um regulamento com esses adentrando apenas nas finais, ou até mesmo somente com os pequenos clubes.

Não haveria atratividade para a televisão e patrocinadores. Além disso, muitos clubes pequenos (em situações normais) acabam lucrando muito na venda de ingressos mais caros quando os grandes vão até o interior para a disputa das partidas.

SEMPRE HÁ O OUTRO LADO DA MOEDA

Essa ótica pode ser em relação aos clubes mais bem estruturados, que disputam grandes competições com certa constância.

Para os clubes pequenos, é vida ou morte, e para os grandes em situação decadente, é quase isso.

Sempre bom lembrar que os grandes clubes do Rio de Janeiro, em 2020, fizeram uma grande pressão para a volta do estadual, buscando o dinheiro da televisão.

Ainda, quando estes não conseguem grande desempenho nas temporadas anteriores, o campeonato estadual vira quase uma Copa do Mundo.

O campeonato estadual é interessante “apenas” para os clubes pequenos, que utilizam esse dinheiro para se manter durante a temporada. Para os grandes, é utilizado para apagar o incêndio, ou quando este já não tem o que disputar em competições paralelas.

Uma saída (em teoria), seria a criação de divisões inferiores do Campeonato Brasileiro, mais regionalizadas, e com as fases finais sendo custeadas pela CBF.

Colocariam os clubes pequenos em atividade por mais tempo durante o ano, e estas poderiam vislumbrar acessos às divisões de elite do cenário nacional.

É viável? Bom, apenas um estudo profundo para avaliar esta ou outras tantas possibilidades.

Mas a realidade é que os clubes reclamam demais do calendário e de como os estaduais incham o mesmo. Mas se colocarem em votação para o fim dessas competições, acredito que quase nenhum presidente de clube grande, assinaria.

Os estaduais dependem de retorno financeiro para quem investe dinheiro neles. E esse é o grande problema atual. Seu fim pode ser mais próximo do que todos esperavam.

 

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