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Mãe dá à luz dentro de embarcação ao se deslocar para maternidade

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Na região do Vale do Juruá, onde há cidades acreanas isoladas via terrestre, é comum haver nascimento de crianças dentro de embarcações. Foi o caso da Ana Cecília, que nasceu nessa terça-feira, 9, dentro de uma lancha no meio do Rio Juruá, na comunidade Paraná dos Mouras, próximo à Cruzeiro do Sul. Pedaços de uma máscara e uma tesoura comum foram usados para cortar o cordão umbilical da criança.

A lancha onde a menina nasceu serve de transporte para passageiros. A mãe, Raquel Braga, de 17 anos, que mora próximo à Porto Walter, estava em um barco com o marido, Erinaldo Luciano, indo para a maternidade de Cruzeiro do Sul numa viagem de cerca de 8 horas pelo Rio Juruá.

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Porém, próximo à Comunidade Paraná dos Mouras, por volta do meio-dia, a gestante entrou em trabalho de parto. O casal começou a acenar para lanchas que passavam pelo local em busca de um transporte mais rápido. Na lancha que fazia o transporte de
passageiros, estava o auxiliar de enfermagem Manoel Lucas, que fez o parto da mulher na embarcação.

A experiência que ele adquiriu realizando partos fez toda a diferença na hora do nascimento da criança e do corte do cordão umbilical. “Nós colocamos a Raquel na lancha para levar a Cruzeiro do Sul, mas em seguida ela entrou no banheiro e o marido dela gritou por mim. Quando eu fui até lá o bebê já estava nascendo. Não tinha outra coisa a fazer a não ser ajudar a mesma naquele momento”, disse.

Segundo o profissional, mesmo num lugar impróprio e sem as mínimas condições, o parto foi um sucesso. “Deus e duas mulheres de Marechal Thaumaturgo me ajudaram. Como técnico em enfermagem eu já tinha participado de partos na época em que atuava na área, então facilitou muito naquele momento graças a Deus”, conta.

O pai da criança agradeceu ao auxiliar e as mulheres que ajudaram no parto. “Tivemos que andar uns 10 minutos para chegar em um flutuante onde nos deram o objeto para cortar o cordão umbilical. Uma moça doou a blusa para estancar o sangue e usamos as alças de uma máscara para amarrar o cordão umbilical”, lembrou o pai da menina

O gerente administrativo da Maternidade de Cruzeiro do Sul, Raudinei Querioz, informou que mãe e filha estão bem e já tiveram alta médica. “Elas foram avaliadas e adotados todos os procedimentos pós-parto. Os sinais vitais da criança estão ‘ok’ e ela foi registrada em cartório. Ambas estão bem e hoje tiveram alta”, conta o gerente.

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