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Grávida não consegue medicamentos para toxoplasmose e pode ter bebê com sequelas

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Secretarias de Estado e Municipal de Saúde dão informações controversas sobre atendimento à paciente

Com cerca de 40 semanas de gravidez, uma jovem de 19 anos de idade, residente na zona rural de Xapuri, não está conseguindo acesso à medicação para o tratamento de toxoplasmose, uma doença infecciosa que pode causar sequelas graves no bebê que está prestes a nascer.

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A grávida, Cleide da Silva Sena, foi atendida em uma das Unidades Básicas de Saúde (UBS) do município, onde recebeu a prescrição médica para o tratamento da doença após a confirmação do diagnóstico, quando ainda estava com 37 semanas de gestação, aproximadamente.

A informação é da Secretaria Municipal de Saúde de Xapuri (Semusa), que por meio do Setor de Vigilância Epidemiológica afirma ter encaminhado o pedido de tratamento para a paciente à Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), que não estaria dispondo dos medicamentos.

De acordo com a Semusa, a mulher chegou a ser encaminhada para a Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, acompanhada do marido, mas retornou sem receber o atendimento necessário. O subsecretário de Saúde de Xapuri, Daniel Lima, disse que a disponibilização do tratamento é da alçada do estado.

“Não é de responsabilidade do município, esse tratamento. Nós apenas solicitamos à Sesacre. Segundo as informações que recebemos, o estado está sem contrato para o fornecimento e ainda vai abrir licitação. Há mais quatro pacientes em Xapuri na mesma situação”, explicou.

A versão da Sesacre

Os medicamentos prescritos para a paciente e que estariam em falta nos estoques da Secretaria Estadual de Saúde são: pirimetamina 25mg, sulfadiazina 500mg e ácido folínico 5mg. No entanto, a assessoria de comunicação da Sesacre informou que o setor responsável nega as afirmações do subsecretário e diz que não há falta dos remédios citados.

A Sesacre também afirmou que apenas as compras da pirimetamina e da sulfadiazina são de responsabilidade do estado, assim como de distribuir os medicamentos aos municípios sob requisição das secretarias municipais. O ácido folínico é de responsabilidade da atenção básica, gerenciada pelos municípios.

Sobre o encaminhamento da paciente à Maternidade Bárbara Heliodora, a assessoria da Sesacre repassou à reportagem que a direção da instituição informou que ela foi atendida no dia 29 de setembro, mas que o diagnóstico de toxoplasmose não foi informado na documentação que ela apresentou.

Em meio à controvérsia entre as duas secretarias, o fato é que a paciente vai dar à luz sem receber o tratamento necessário para garantir a segurança da criança. Na tarde desta quinta-feira, 8, Cleide começou a sentir dores, segundo informou uma agente de saúde que a visitou, e pode entrar em trabalho de parto a qualquer momento.

De acordo com um médico que o ac24horas consultou, a toxoplasmose costuma ser assintomática na gravidez para a mulher, mas pode representar risco para o bebê, principalmente quando a infecção acontece no terceiro trimestre de gestação, quando há maior facilidade de o parasita atravessar a barreira placentária e atingir o feto.

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