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A cloroquina me salvou

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Me salvou do vírus chinês, da COVID-19? Não. Não tive a doença, não tive nenhum dos sintomas, estou enclausurado com minha família há mais de dois meses, obedeço resignado a todos os controles impostos pelo Estado contra minha liberdade, fiquei em casa assim como bilhões de pessoas em todo o mundo seguindo a ordem opressora das autoridades. Então, como a cloroquina me salvou? Me salvou de sofrimento. Explico.

Dados divulgados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) em finais de 2019 mostram que 9,3% dos brasileiros, mais de 18 milhões, apresentam os sintomas de ansiedade. Informações recentes apontam que no período do COVID-19 os casos dobraram. Cerca de 44 milhões de brasileiros tem ou terá depressão. Sinal disso, 13 mil suicídios ocorreram no Brasil, sendo a segunda causa de morte entre jovens entre 15 e 29 anos em 2019. Em todo o mundo, a OMS estima em 330 milhões o número de pessoas que sofrem de depressão. 

Ansiosos são os jovens, adultos e idosos que desenvolvem graus elevados e persistentes de aflição, angústia, perturbação do espírito causada pela incerteza, ou uma relação extremada com o contexto de perigo. Em resumo, é a incerteza que, na maioria dos casos, determina o transtorno de ansiedade, que por conseguinte pode levar à depressão e ao pânico.

O que fizeram conosco nos últimos três meses, ininterruptamente, 24 horas por dia, todas as televisões, jornais, governadores e prefeitos? Nos incutiram a incerteza e o medo. Não há cura, disseram. Escondam-se em suas casas, de preferência no seu quarto, se puderem, sozinhos. Não saiam à rua para tomar ar, senão pode ser preso. Não se atrevam a se exercitar na calçada. Se não dispuser de serviço delivery, vá apenas ao supermercado ou à farmácia, uma vez, entre sozinho, de máscara, lave as mãos com álcool, não toque em ninguém. Saia como entrou, ou o vírus vai te pegar e te matar e aos teus.

Quem como eu tem dificuldades de viver com a sensação de insegurança, com a incerteza, com a perspectiva de não ter saída, de não ter “Plano B”, o que é normalmente diagnosticado como ansiedade, ainda que leve, enxerga no vírus chinês o “perdeu playboy!” do assaltante na esquina. Não há o que fazer. Segundo a mídia/governos, o vírus chinês nos assaltou e levou nosso futuro, nossos projetos, nossas finanças, nossa esperança. Então, se você precisa ter certezas, deixe-as no passado. Lembra muito, aliás, a inscrição na entrada do “Inferno” de Dante.

Mas somos milhões em todo o mundo. Sem contar com os novos milhões gerados por essa política de encarceramento, determinada em conluio entre mídia e governantes, muitas vezes partidarizada. Sem contar também com a progressão da doença para estágios mais graves como depressão e pânico. Quem se responsabilizará pelas mortes precoces, pelos suicídios atuais e futuros de jovens e adultos, provocados pela perda da esperança embutida no fique em casa pois não há remédio?

Neste caso, note-se, não se trata apenas de “você vai morrer”. Mas também de “se você pegar o vírus, você vai contagiar sua família, seus filhos, sua esposa, seus pais” e todos poderão morrer. Exagero? Pergunte a uma dessas pessoas, como ela entende o NÃO TEM REMÉDIO. A propaganda da morte nos jornais nacionais diários é para cada um apenas o aprofundamento do desespero e da impotência.

E a cloroquina com isso? Desde que, amparado em opiniões de infectologistas, o presidente Bolsonaro a citou como uma possibilidade concreta de tratamento da COVID-19, ainda que bombardeado pela imprensa disposta a combater até remédio, desde que seja vinculado ao governo federal, a cloroquina é para milhões, entre os quais me incluo, a cédula que o assaltante não viu no meu bolso, a luz no fim do túnel. E isto é essencial para que um portador de transtorno de ansiedade mantenha a lucidez, a saúde mental. Não lidamos bem com a “falta de chão sob os pés”, com a escuridão completa, com portas trancadas. 

A cloroquina, independentemente da amplitude e eficácia específica, não é nestas circunstâncias apenas um antiviral. Pelo que representa como possibilidade concreta de tratamento, ela é agente mínimo necessário para que, em sentido contrário ao propagandeado por mídia/governos, se possa acalmar a mente, sossegar o coração, acordar acreditando que futuro há, que a vida vai se transformar, ser diferente, mas não se encerra agora.

A cloroquina cura todos os casos de COVID-19? Alguma revista científica dá provas de sua eficácia ao ponto de obter garantias da titubeante e tendenciosa OMS? Não sei, pouco me interessa. Neste contexto, essencial é que ela exista e sinalize para as pessoas de modo geral, que há possibilidade de tratamento e que um eventual contágio não é a sentença de morte vinda dos lábios da Renata Vasconcelos no Jornal Nacional.

Seguramente os psicólogos, psiquiatras, enfim, os especialistas no tratamento de transtornos desse tipo, terão muito trabalho no pós-pandemia. Diz-se que ninguém será o mesmo, vale dizer, milhões, senão bilhões, exigirão tratamento e ajuda em todo o mundo na busca de recomeços, de restabelecimento da ordem mental, do realinhamento da capacidade produtiva, da reinserção em um mundo novo e traumatizado. Serão novos tempos e cada um terá que se adaptar da melhor forma.

Como iniciei este breve texto dizendo de mim mesmo, o que não costumo, encerro-o com uma simplíssima mensagem a todos os que se identificam ou conhecem alguém que sofre de algum transtorno ligado à ansiedade ou à depressão. Se puder, alimente-o com doses fortes de esperança, tire da sua frente a propaganda macabra das TV’s e mostre-lhe a beleza da vida.


 

 

Valterlucio Bessa Campelo escreve às sextas-feiras no ac24horas

 

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