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Servidores relatam misto de solidariedade e desrespeito no trabalho das barreiras sanitárias

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Uma das principais estratégias de controle da disseminação do novo coronavírus adotadas pelos municípios do interior, o trabalho das barreiras sanitárias instaladas pelas prefeituras na entrada das cidades não tem sido uma tarefa das mais fáceis, segundo o relato dos profissionais destacados para essa missão.

Em tempos normais, a barreira sanitária é um instrumento legal utilizado pelas autoridades governamentais de um país ou região para controlar a circulação de animais e plantas, com o objetivo de prevenir riscos de contaminação e disseminação de pragas e doenças ou evitar que elas ocorram. Na atual situação, de pandemia de covid-19, sua relevância ganhou maior dimensão.

A importância desse trabalho, no entanto, não é reconhecida por muitos, inclusive por algumas autoridades constituídas, que não valorizam e, às vezes, até desrespeitam os pedidos de parada para a tomada de informações, aferição de temperatura e outros procedimentos necessários.

Em Xapuri, os servidores que atuam na barreira sanitária não são exclusivamente do setor de saúde. Ronaira Barros, de 24 anos, que é da Secretaria Municipal de Cultura, é uma das componentes das equipes que se revezam em turnos de 12 horas. Ela relata ao ac24horas que o trabalho é muito gratificante, porém nada fácil de ser realizado.

“Passamos por diversas situações, desde desacato a manifestações de amor, muito amor. Podemos ver que a maioria da população vê nosso trabalho como importante e colaboram, mas outros nem tanto. Às vezes, somos tratados com extrema ignorância, falta de educação, não somos respeitados, e muitos furam a barreira sem sequer deixar a gente fazer o nosso trabalho”, diz.

Ronaira Barros afirma que, apesar dos contratempos, tem convicção da importância do trabalho na barreira, onde ela e os colegas permanecem por 12 horas diárias com sorriso no rosto, roupas quentes e tratando sempre a população com educação. Em contrapartida aos episódios de desrespeito, ela diz que também há muita solidariedade.

“Muitas vezes nos deparamos com a solidariedade das pessoas, que nos trazem um cafezinho, um lanche ou até mesmo que param e nos desejam um dia bom de trabalho. São essas pequenas coisas que nos motivam ainda mais, para que no dia seguinte possamos estar novamente da barreira para exercer um ótimo trabalho”, acrescenta.

O vereador Guinaldo Alves (DEM) é apontado pelos plantonistas da barreira sanitária de Xapuri como uma das pessoas que não costuma obedecer às ordens de parada. Ele foi contatado via whatsapp, mas respondeu que “não dá entrevistas por rede social”, justificando que poderia ser “mal interpretado”. O parlamentar estava em sua propriedade rural, onde, segundo ele, o sinal de telefonia móvel é muito ruim. Outras tentativas de ouvir o vereador foram feitas, mas sem sucesso.

O site respeita a posição do vereador em não prestar informações por meio de rede social, mas considera importante o seu posicionamento, como autoridade pública, a respeito de uma denúncia de desobediência a uma medida legal considerada tão relevante para a garantia da segurança sanitária da população. Assim, o espaço segue à disposição para que ele possa fazer, posteriormente, os esclarecimentos que achar necessários.

Apesar das dificuldade relatadas pelos profissionais, o trabalho desenvolvido nas barreiras também reserva surpresas positivas. Diego Nycollas, de 23 anos, que faz parte de um projeto de modelos acreano chamado Juventude Model, que direciona uma visão para o trabalho social, é voluntário na barreira sanitária de Xapuri. Ele diz que mesmo consciente dos riscos que corre, a experiência tem sido uma das mais gratificantes de sua vida.

“Certamente vou sair mais humano dessa barreira, que tem um papel fundamental na luta contra o vírus. É essencial o trabalho feito ali, mas, infelizmente, nem todos têm essa visão. O mais difícil é ver pessoas que deveriam dar o exemplo sendo contra e não respeitando as equipes que ali estão”, afirmou.

Em Epitaciolândia, o enfermeiro Saimon Felipe, coordenador da Equipe de Enfrentamento à Covid-19 naquele município, postou, no meio da semana, um vídeo em sua página do Facebook demonstrando indignação com a falta de apoio e sensibilidade dos motoristas que passam pela barreira sanitária sem atender aos pedidos de parada para o trabalho de monitoramento.

“As pessoas estão passando na barreira sanitária e não estão obedecendo a ordem de parada, é uma falta de respeito por parte do cidadão que não tem consciência, pedimos que a população use máscaras, as pessoas estão indo e vindo sem um motivo essencial e urgente, algumas ainda não entenderam o problema que estamos passando”, disse o profissional.

Uma das últimas regionais do estado a registrar casos de covid-19, o Alto Acre viu os números cresceram vertiginosamente na última semana, tendo tido os primeiro óbitos confirmados nos municípios de Assis Brasil e Brasiléia. Diversas medidas foram tomadas pelos quatro municípios, inclusive a adoção de uma barreira sanitária conjunta, no Entroncamento da BR-317, que foi desinstalada menos de 30 dias depois por falta de policiamento permanente.

Na tarde da última quarta-feira, 20, a prefeita Fernanda Hassem, de Brasiléia, fez um apelo à população em um áudio que circulou na internet. Na gravação, a gestora municipal diz que a condução do problema relacionado à pandemia é de responsabilidade dos administradores, mas que a solução está nas mãos da população. Ela se referia à falta de conscientização e ao desrespeito às tentativas de se conter o vírus, como é o caso do trabalho feito nas barreiras sanitárias.

Alheio à indiferença de muita gente, o vírus avança na regional do Alto Acre, que começou a registrar ocorrências a partir de Xapuri, no dia 27 de abril. Em pouco tempo, o vírus se alastrou e a chamada transmissão comunitária ou sustentada se tornou uma realidade nessa parte do Acre.

Brasiléia, que há pouco mais de uma semana não tinha nenhum caso registrado, chegou, nesta sexta-feira, 22, a 29 registros, com uma morte. A vizinha Epitaciolândia, com 35 casos confirmados é o município da região onde o vírus mais se propagou.

Com mais 7 casos confirmados em Assis Brasil, onde, a exemplo de Brasiléia, já foi registrado 1 óbito, somados aos 25 oficiais de Xapuri, a regional do Alto Acre quase triplicou o número de casos em apenas 4 dias, saltando de 31, na última segunda-feira, 18, para 96 confirmações antes do fechamento da semana.

Acre

FIEAC, Mulheres da Indústria e primeira-dama discutem apoio a casas de passagem

Situação crítica de entidades de apoio a pessoas em tratamento na capital sensibiliza ala feminina do setor produtivo

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Sensibilizados pelas condições financeiras e até sanitárias de algumas casas de passagem de Rio Branco, o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Acre (FIEAC), José Adriano, e o Grupo de Mulheres da Indústria estiveram reunidos com a primeira-dama do Estado, Ana Paula Cameli, e a secretária de Estado de Assistência Social, Ana Paula Lima, na tarde desta quarta-feira, 23 de junho. O encontro foi realizado na Sala de Reuniões do Palácio Rio Branco, com objetivo de buscar soluções para que tais entidades não fechem as portas, deixando de atender pacientes que vêm de diversos municípios para a capital, tratamento.

“É uma situação muito preocupante e urgente. As pessoas que trabalham nesses lugares são verdadeiros anjos que se colocam à disposição de outras que estão em sofrimento. Os três municípios que mais demandam essas casas de passagem são Cruzeiro do Sul, Feijó e Tarauacá, a maioria dessas pessoas com problemas cardíacos, câncer e até a parte de dependentes químicos”, resumiu Adriano. “Por menor que seja o trabalho feito em solidariedade a essa situação, significará muito a essas pessoas que estão sem perspectivas sequer de alimento”, complementou.

O Grupo acenou com a possibilidade de o Gabinete da Primeira-Dama intervir junto aos parlamentares para auxiliar o trabalho dessas entidades ou a criação de um programa emergencial de solidariedade e apadrinhamento, unindo outras instituições. A secretária Ana Paula Lima se colocou à disposição para auxiliar, alertando que as entidades precisam regularizar sua documentação. “Nós ficamos tristes porque, muitas vezes, esbarramos nesse problema. Vamos conversar com o secretário de Saúde, Alysson Bestene, para sugerir que as pastas se unam e, assim, podermos fazer mais por essas entidades, um grande mutirão”, garantiu. 

Pelo Grupo de Mulheres da Indústria, a empresária Zulene Oliveira se comprometeu em fazer um levantamento da real situação documental das casas de apoio. “Também gostaríamos de trazer representantes das casas em situação mais emergenciais para uma segunda reunião”, sugeriu. Por sua vez, a primeira-dama Ana Paula Cameli informou que o Ministério Público Estadual fará uma doação em dinheiro para a área social, indo ao encontro das necessidades emergenciais apresentadas na reunião. “Então, passaremos uma lista dessas entidades para a Procuradoria-Geral do Ministério Público e contamos com o apoio de vocês para fazer esse levantamento”, finalizou.

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Representantes do FBI e DEA devem ministrar cursos para forças de Segurança do Acre em julho

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O secretário de Segurança Pública, coronel Paulo César, declarou ao ac24horas na tarde desta quarta-feira (23), que se reuniu com a embaixada americana para tratar de assuntos relacionados à melhoria e aperfeiçoamento da segurança pública.

No encontro, ficou estabelecido que membros do FBI – Federal Bureau of Investigation ou Departamento Federal de Investigação e a Drug Enforcement Administration que é um órgão de Polícia Federal do Departamento de Justiça dos Estados Unidos devem fazer uma visita técnica ao Acre no mês de julho. “Seis membros da embaixada devem vir ao Acre nos dias 19 a 22 de julho o FBI e DEA e devem estar reunidos com as forças de segurança do estado afim de levantar as demandas e ofertarem uma série de cursos e equipamentos de tecnologia de informações no sentido de melhorar o combate ao narcotráfico”, declarou.

O coronel ressaltou que a reunião ocorrida na embaixada serviu para tratar de assuntos referentes a migração ilegal, atuação de grupos terroristas na região amazônica e, principalmente, em combate ao narconegócio na região do Alto Acre e Vale do Juruá

César ponderou que na ocasião foram feitas algumas tratativas, como por exemplo, capacitação de profissionais, recursos e banco de dados de reconhecimento de pessoas e documentos falsos.

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Voo de R$ 6 mil para o Acre faz Marcelo Bimbi chamar parlamentares de ‘vergonha’

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O modelo acreano Marcelo Bimbi, que ficou conhecido nacionalmente após participar do reality show A Fazenda, na Record, e engatar romance com a também modelo Nicole Bahls, fez uma publicação de desabafo em suas redes sociais nesta terça-feira, 22, após verificar o preço de R$ 6.174 num único bilhete de ida partido do Rio de Janeiro para o Acre. Por isso, questionou o trabalho dos parlamentares acreanos na Câmara e no Senado Federal.

“Senadores e deputados federais do Acre, os senhores são uma vergonha. Pra quê usam o plenário da câmara e do senado? Só para benefício próprio?”, questionou ao publicar uma fotografia constando um único bilhete de avião custando mais de R$ 6 mil em voo para o Acre.

“Os senhores estão aí, para lutar pelos interesses do povo acreano, sejam eles quais forem. Vocês deveriam fiscalizar esses preços abusivos. A pandemia está acabando. Aproveitem e voltem a trabalhar. Já que nesses mais de 1 ano nessa pandemia, vocês não ajudaram em nada o governador Gladson Cameli e nem o povo do Acre”, completou.

Para Bimbi, o valor elevado nas passagens de avião ao estado faz com que piadas e falta de turismo envolvam o Acre. “Por essas e outras que dizem que o Acre não existe! Quem vai pagar mais de 6 mil reais apenas num bilhete de ida, pro Acre?”, finalizou.

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PMs teriam sido agredidos por abordar homem com criança em moto sem capacete

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Após a repercussão de um vídeo que mostra a agressão de um homem a dois policiais militares no município de Acrelândia, a Polícia Militar do Acre divulgou uma nota ao ac24horas nesta terça-feira, 22, esclarecendo a situação. Segundo a instituição, a confusão começou quando o homem que aparece nas imagens teria sido abordado pelos militares por estar com uma motocicleta ligada e uma criança de 4 anos na garupa, sem o capacete.

A situação aconteceu no dia 20 de junho, enquanto a equipe realizava abordagem de trânsito a outro condutor. “Outro cidadão [ o que aparece no vídeo, estava] em uma motocicleta ligada, com uma criança de, aproximadamente, 4 anos na garupa, o que está em desacordo com a Lei 14.071/20, que só permite a condução de crianças em motocicletas a partir de 10 anos. Agravava a situação o fato da criança estar sem capacete”, diz a PM em nota.

Foi então que os policiais garantem ter se aproximado com a intenção de orientar o condutor para resguardar a vida da criança, “mas ele negou-se a apresentar a documentação solicitada e ofendeu um dos policiais militares com palavras de baixo calão. Em ato contínuo, o condutor tentou evadir-se com a motocicleta e foi impedido por um dos policiais”, afirmam.

A partir de então, o homem teria iniciado a agressão a um dos policiais no rosto e se armou com uma “ripa”, agredindo os dois policiais militares com diversos golpes. “Posteriormente, ao entrar em sua residência, o homem usou de uma vassoura para ameaçar a guarnição, desferindo alguns golpes nos agentes da segurança pública. Os policiais, antes de qualquer tentativa de utilização de instrumento menos que letal (spark), tentaram dialogar com o abordado para que se entregasse”, garantem.

Por fim, o homem cessou os atos de agressão e foi para a delegacia com a guarnição. A PM salienta que nenhum policial revidou a ação violenta do cidadão, que foi encaminhado à delegacia com sua integridade física preservada. “O homem, com suas ações, causou lesões e hematomas nas mãos, braços, ombros, punhos e lombar dos policiais, e foi preso em flagrante pelos crimes de lesão corporal, desacato, resistência à prisão e periclitação da vida e da saúde”, enfatiza a nota;

A instituição afirma que irá buscar junto aos órgãos competentes a aplicação de justiça, com punição pelos atos praticados contra os agentes estatais.

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