Conecte-se agora

Conheça a história de Cleiton Silva, o salgadeiro que faz a coxinha mais gostosa do Acre

Publicado

em

Cada um com suas emoções, metas, decepções e realizações. A história que o ac24horas mostra nesta semana é um misto de tudo isso, e é contada pelo próprio autor, Cleiton Silva, menino pobre da cidade de Sena Madureira, que desde os dez anos de idade alimenta o sonho de ser famoso, reconhecido pelo suor de seu próprio esforço.

Bastou cinco minutos de conversa para nosso personagem começar a chorar de alegria e falar das conquistas que o fazem acordar todos os dias bem cedo e começar o trabalho antes mesmo de um dos quatro funcionários chegar.

Ele diz que as imagens da época que vendia salgados numa bicicleta cargueira não saem de sua mente, que talvez sejam elas a sua grande força e que lhe dão a certeza de que um dia será conhecido no Brasil inteiro.

De fato, a lanchonete simples no Bairro Manoel Julião não chama atenção pela beleza, e talvez por isso, quem ainda não conhece os salgados vendidos ali não compreenda a quantidade e o porquê de tanta gente que pára por lá todo os dias.

Conheça essa história marcante:

video

Gente - Economia e Negócios

Brega e música regional resistem aos anos em programas de rádio no Acre

Publicado

em

O brega resiste. Pelo menos nas rádios acreanas continua sendo sucesso de audiência. Tanto que a capital, Rio Branco, convive atualmente com uma disputa saudável e enriquecedora entre dois programas voltados às “raízes”, em termos de gosto musical. A Grande Parada Popular, legado do saudoso Jorge Cardoso, tem como oponente agora aos finais de semana o Paradão Popular. Darlene Cardoso, de 26 anos, dá continuidade à trajetória iniciada por seu pai em casa nova, na Rádio Cidade FM 107.1. Já Marcos Cavalcante, de 46 anos, segue com o projeto similar na Rádio Gazeta FM 93.3.

Tanto Darlene quanto Marcos são “crias” de Jorge Cardoso quando se fala em imersão do rádio. A primeira teve o primeiro contato com um estúdio de rádio aos 4 anos, quando ia com o pai ao trabalho. O segundo conta aproximadamente 33 anos de profissão, que iniciou com a paixão pela sonoplastia quando ele era só uma adolescente de 14 anos. Fora o profissionalismo dos locutores e radialistas, os programas têm um ingrediente essencial para o sucesso: a paixão dos ouvintes pela música antiga, tradicional e regional.

São esses os estilos que tocam em ambas as rádios todos os sábados e domingos, das 5 às 8 da manhã. “Me encantei pelo rádio muito precocemente, quando eu era uma criança, e foi na Rádio Difusora Acreana, onde meu pai trabalhou muitos anos”, conta Darlene. Cavalcante diz que sempre trabalhou como sonoplasta e começou na Rádio Capital, no final dos anos 80. Depois de conciliar por 18 anos dois trabalhos em locais diferentes, decidiu ficar só na Rádio Gazeta. Isso já faz cerca de 23 anos.

“Fiquei por 18 anos trabalhando em duas rádios. Depois, mais pelo cansaço, fiquei só na Gazeta e continuo nela há cerca de 23 anos. Desde 1998 estou só na Gazeta FM”, afirma Cavalcante.

Estilo de sucesso – Quem pensa que os estilos mais tradicionais de música estão fora do mercado se engana. As mais pedidas no A Grande Parada Popular e no Paradão Popular são melodias referências do brega, forró antigo, pé de serra e regionais. “Acho que o programa faz sucesso pelo próprio estilo musical. Para isso, o locutor também precisa se identificar com as músicas. Tento levar mais alegria, com uma energia para cima, sem tristeza, até porque de manhã cedo as pessoas estão acordando e precisam de ânimo”, diz Marcos.

A locutora Darlene acredita que todos, nem que seja um pouco, gostam de músicas que falam de amor. “Os ouvintes amam. A gente toca músicas que falam de sentimento. Muitas vezes a letra fala da vida daquela pessoa que está ouvindo.  Tem gente até que diz: nossa, essa música foi feita para mim. Isso mexe com as pessoas”, brinca.

O que Cavalcante mais gosta durante o trabalho é fazer sonoplastia, mexer de fato com a música. “Alguns locutores precisam do sonoplasta, de alguém que faça o preparo musical. Mas eu faço meu trabalho sozinho. Seleciono as músicas, vejo as músicas que estão na atualidade. Hoje é tudo muito mais fácil, mais dinâmico. Antes era muito difícil, a gente tinha que comprar disco, esperava até 5 meses depois do lançamento para chegar aqui”, explica.

Ele lembra que muitas pessoas o conhecem na rua e pedem músicas para lembrarem de um ex amor. “Por isso que eu gosto do brega, porque as pessoas se identificam com esse ritmo, com a música ‘chifrudona’ mesmo”, brinca. Aproveitando o sucesso, ele criou o quadro ‘A hora do Chifre’. “O pessoal gosta e minha relação com os ouvintes é muito boa. Recebo mais de 150 pedidos por final de semana. Às vezes não tem como atender todo mundo que pede um alô das comunidades rurais”, lamenta.

Darlene espera que cada dia mais seu estilo de programação venha fazer mais sucesso e alcançar mais fortemente o público mais jovens. “Quero agradar também o público de hoje. São músicas antigas, mas acredite, tenho também um público grande de jovens que apreciam a programação. Muitos cresceram ouvindo esses tipos de canção e escutam até hoje, além de ensinar os filhos a ouvirem. Isso é muito gratificante. Tudo isso são histórias que as pessoas me contam”.

O dia a dia – Quem atua nesse  meio comunicador é unânime ao afirmar que o trabalho nas ondas do rádio é viciante. “Meu pai me levava desde pequenininha para os estúdios e lá me encantei pelo ambiente. Via meu pai trabalhando e dali para frente passei a ir com ele regularmente. Ele [Jorge Cardoso] me colocava para dar alguns alôs e um dia eu disse: pai, quando eu crescer, quero ser radialista igual ao senhor”, conta Darlene.

Marcos sempre gostou mesmo de fazer sonoplastia e nunca imaginou que um dia comandaria um programa solo. “Tenho uma gratidão muito grande por Jorge Cardoso. Ele fazia o programa e sempre gostei do estilo musical, me identificava muito. Com um tempo que já estávamos trabalhando ele perguntou se eu queria trabalhar só com ele. Ele me disse que seria pesado, que iria ter que acordar cedo, 4 da manhã, mas que teria bom retorno”.

A filha de Jorge Cardoso diz que sempre gostou muito de música, inclusive toca violão depois que aprendeu a tocar com o pai. “Eu cantava na igreja com ele desde criança e tudo que ele gostava, tanto na música quanto no rádio, passei a gostar”.

Cavalcante aceitou trabalhar com Cardoso e após 5 anos juntos, Jorge sugeriu que ele apresentasse um quadro de esportes dentro do A Grande Parada Popular. “Eu disse que não queria falar na rádio, mas ele [Jorge] disse que eu teria de fazer. Eu escrevia um quadrinho de esportes para ele ler, e ele queria que eu falasse. Um dia, não estava nem esperando e ele me anunciou no programa”.

Darlene nasceu em 1994 e o programa apresentado pelo pai e que ela comanda agora tem praticamente a sua idade, 26 anos. Faz aproximadamente 22 anos que ela conheceu o ambiente que é sua casa hoje. “Quando meu pai faleceu eu tinha de 17 para 18 anos, mas já sonhava em trabalhar em rádio, porém, naquela época, ainda era menor”. Jorge Cardoso faleceu em agosto de 2012. “Foi quando minha mãe conversou comigo e disse: filha, você topa continuar o programa? Seu pai já sabia que você tinha o dom para rádio”, cita. A filha relembrou uma conversa que teve com ele. “Ele disse: filha, quando eu não estiver aqui, eu sei que você gosta de música, de rádio, se você quiser seguir meu mesmo caminho, vou lhe dar todo o apoio”, afirma.

Continuação da história – O programa A Grande Parada Popular teve continuidade com a filha e fez escola com o Paradão Popular, com Marcos Cavalcante. “O estilo do programa do meu pai surgiu na rádio Difusora. Ele criou esse nome e levou para a rádio Gazeta. Na Difusora ele tinha o Ritmo Rural e na Acre FM, onde ele também trabalhou antes da Gazeta, tinha o programa Jorge Cardoso”.

A mãe de Darlene estava grávida dela quando o programa de Jorge Cardoso estreou na Gazeta. Coincidentemente, a estreia de Darlene após o falecimento do pai ocorreu no mês de setembro, em 2012. “Estou no ar há 9 anos. Ainda guardo o primeiro roteiro do meu pai, feito na máquina de datilografia”.

Ela não sentiu dificuldade em apresentar, mas o lado emocional pesou. “Eu já tinha uma rotina com ele de ir para a rádio. No momento em que ele faleceu  e resolvi continuar o programa, o primeiro impacto foi de entrar no estúdio não ver mais ele lá”. O emocional muito abalado, a responsabilidade de continuar um programa de tradição, foi o mais dificil. “Chorei no ar. No dia que eu fui estrear eu sonhei com meu pai, pouco antes de acordar. Uma voz dele, não o via, eu dizia: pai, como vai ser? O senhor não está ao meu lado. E ele dizia: filha, já deu tudo certo, você já conseguiu. Aí que chorei mesmo”.

Cardoso, o professor da rádio

Até o nome do locutor Marcos Cavalcante foi Cardoso quem sugeriu. “Eu não sabia nem o que falar direito. Minha primeira entrada falando no rádio foi em 2003. Fiz esporte por 10 anos com Jorge Cardoso, aprendi muita coisa com ele. Ele ia me ensinando, se eu falasse errado, me corrigia. E assim fui gostando e estudando locução”.

Ele conta que sua intenção jamais era fazer locução. “Mas quando comecei a fazer, comecei a gostar. Fui me aperfeiçoando primeiro só esporte. Mas aí com o passar dos anos, veio o falecimento do Jorge E a Darlene assumiu o programa. Ainda fiz durante uns 5 anos com ela o quadro de esportes”.

Quando Darlene engravidou, veio a pandemia do novo coronavírus e ela optou por se afastar do trabalho. Cavalcante conta que outros colegas tocaram o programa, mas não se identificavam com o programa. “Esse estilo de programa é para quem gosta. A pessoa tem que ter uma identificação com as músicas, pois isso é o diferencial”.

O jornalista Roberto Vaz teve importante participação no processo de amadurecimento do A Grand Parada Popular e da trajetória de Jorge Cardoso. “Ele sempre demonstrou muito carinho pelo pai”, diz a filha, que sentiu boa aceitação dos ouvintes assim que assumiu a programação. “Muitos iam na loja que meu pai tinha e também na que eu e minha mãe temos, no centro da cidade, para me parabenizar e se emocionavam comigo”.

De pais para filhos – Darlene aprendeu a amar o mundo do rádio com o pai. “É um programa que está passando de geração em geração. Tem Gente que fala que cresceu ouvindo o programa. Passa de pai para filho mesmo. Meu pai fez, agora eu faço, não sei se futuramente minha filha vai querer fazer, mas quem sabe”.

Mesmo com todas as mudanças no decorrer da vida, ela é só gratidão pelo tempo que atuou na rádio Gazeta FM. “Foram quase 9 anos de muita gratidão a todos. Roberto Vaz foi quem levou meu pai para a Gazeta. O programa A Grande Parada Popular surgiu lá e temos muita gratidão”.

De casa nova na Rádio Cidade, ela diz ter sido uma porta aberta por Deus. “ Estou muito feliz de poder continuar esse programa de tradição. Tanta gente gosta. Temos nossos patrocinadores que vamos atrás e graças a Deus dá um retorno bom pelo fato de o programa ter audiência.  O público é que faz o programa ter uma audiência espetacular”.

Aluno que passou a dar aulas

Para Cavalcante, Jorge foi um verdadeiro professor no quesito rádio. “Ele [Cardoso] dizia que o público não queria saber o que o locutor queria dizer, mas ouvir musica”. Ele passou a apresentar o programa quando Darlene decidiu deixar a rádio em meio à pandemia.

“A esposa de um dos donos da rádio Gazeta FM me chamou e comecei a dar continuidade ao estilo do programa com o Paradão Popular. Eu não tinha intenção de ficar com o programa, mas aconteceu de a rádio me ceder o horário, pois eu já tinha experiência”, declara.

Marcos estreou o programa no dia 6 de março de 2021. “O interesse da rádio Gazeta era continuar o que Jorge Cardoso começou. O próprio Roberto Vaz esteve muito presente nesse momento, pois ele quis criar um programa AM dentro de uma FM. Isso foi uma inovação musical”, ressaltando a ideia de trazer o brega para a FM, o que ninguém fazia naquele momento.

Ele nunca sentiu dificuldade em comandar o programa, uma vez que já conhecia os meandros da rádio. “A única que temos é para vender aos anunciantes, principalmente na pandemia. Mas em termos técnicos ou de locução não tenho, pois em rádio, só não faço chover”.

A ideia do programa é diversificar as músicas que tocam durante a semana. “A gente já passa a semana toda ouvindo as músicas atuais e o final de semana é diferente. Eu mesmo faço a seleção musical. Tento não repetir as músicas da semana anterior. Pode até ser o mesmo cantor, mas com outras músicas do brega, forró, pé de serra, sertanejo antigo, tem milhares de músicas, fica até difícil repetir”, declara Cavalcante.

Marcos diz que seus ouvintes já sabem o estilo musical do programa e já pedem aquilo que de fato faz parte da programação. “O brega é sempre carro-chefe”, conclui.

E assim, de brega em brega, o sucesso continua. E como hoje é dia de programa, escolha no seu 107.1 FM para ouvir a simpatia de Darlene Cardoso ou 93.3 FM para curtir a “cornança” do Marcos Cavalcante.

 

 

Continuar lendo

Gente - Economia e Negócios

CEDIMP oferta exame com nova tecnologia de imagem, diagnóstico e menor exposição à radiação

Publicado

em

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

Há exatos 10 anos, o Centro de Diagnóstico por Imagem (Cedimp) vem ampliando a disponibilidade de exames que possuem alto e baixo custo no estado do Acre. Recentemente, investiu num equipamento que além de melhorar a qualidade nos diagnósticos, oferece mais qualidade de vida aos pacientes. Trata-se da máquina de Tomografia Computadorizada Multislice de 128 canais.

O equipamento torna o exame mais rápido e com baixo nível de exposição à radiação, o que eleva a precisão e a segurança na realização das análises. O tomógrafo consegue fazer exames de maneira muito mais rápida e cortes milimetricamente mais precisos. O Centro é de responsabilidade dos médicos Máira e Marcos Parente, ambos especialistas em Radiologia e Diagnóstico por Imagem.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

“Isso nos dá a possibilidade de fazer exames que antes nós [do Acre] não conseguíamos fazer aqui no estado, principalmente no estudo das artérias coronárias”, explica o médico. O paciente com queixa de dor no peito, resultado de eletrocardiograma alterado e que o médico suspeitou ter indício de infarto por obstrução das artérias coronárias, por exemplo, antes da chegada dessa máquina, só conseguia realizar o exame específico fora do estado.

Parente afirma que não tinha condição de fazer esse exame antes da aquisição da máquina de Tomografia Computadorizada Multislice. “Hoje nós temos esse equipamento aqui em funcionamento na Cedimp situada no Hospital Santa Juliana. Antes, os pacientes com essas indicações tinham que sair do Acre para fazer o exame ou realizavam o cateterismo, que é mais invasivo. Agora fazemos tudo aqui pela angiotomografia de coronárias, muito mais rápido e bem menos invasivo”, ressalta o especialista.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

A angiotomografia é um exame de diagnóstico que permite a perfeita visualização de placas de gordura ou cálcio no interior das veias e artérias do corpo. Ele pode diagnosticar problemas em todo o sistema circulatório, como aneurismas e obstruções dos vasos sanguíneos.

A Cedimp surge no mercado acreano como pioneira na realização desse procedimento. Atualmente, o exame só é realizado via serviço particular, mas o Centro já está em negociação adiantada com a Unimed, além de haver outros convênios iniciando a negociação para a possibilidade de também fazerem o exame. “Este é um exame de alto custo, então não dá para fazer com o preço das tabelas habituais”, garante Marcos Parente.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

O casal de médicos investiu numa tecnologia de alto valor para atender os pacientes. Com menos de um mês de funcionamento do tomógrafo, mais de 30 pacientes procuraram o exame. “A expectativa [para os atendimentos] é muito grande porque as pessoas ainda não conhecem [o procedimento]. Tem gente que pode até ter viajado recentemente sem saber que a gente já estava fazendo”, salienta. O serviço médico chegou ao estado pela Cedimp após a empresa visualizar a ausência desse procedimento na capital acreana.

“Os acreanos tinham de se deslocar para outros estados para realizar esse procedimento. Fizemos esse investimento para garantir que as pessoas do Acre tivessem o seu diagnóstico aqui mesmo, até porque é um diagnóstico que precisa ser feito rapidamente, sem demora”, destaca Parente.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

Com a máquina de porte mais moderno, é possível que o profissional médico faça o diagnóstico e ainda verifique de quanto em quanto tempo o paciente irá precisar refazer a avaliação. “Se daqui a 6 meses, anual ou de 3 em 3 anos, isso tudo o exame já dá essa estratificação de risco. Nos dá a possibilidade de fazer um acompanhamento mais preciso”, acrescenta.

Desde 2011, a Cedimp atua no Acre de forma a ajudar o estado a democratizar o acesso aos exames de imagem. “Antigamente era muito difícil fazer uma ressonância, uma tomografia, o laudo demorava, hoje nossos laudos saem com um ou dois dias, é muito rápido o diagnostico”, assegura o responsável.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

O Centro oferece exames com as especialidades: Radiografia Digital, Radiografia com Contraste, Mamografia Digital, Tomografia Computadorizada Multislice, Ressonância Magnética Nuclear e Ultrassonografia.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

Entre os meses de agosto e setembro deste ano, a Cedimp irá ampliar ainda mais os serviços, com a montagem de uma nova máquina de ressonância magnética nuclear, mais moderna e de qualidade superior ao que existe atualmente à disposição. “A Cedimp exerce uma função social muito grande ao estado, principalmente por termos nosso maior ‘braço’ atendendo o SUS”, salienta Marcos Parente.

No entanto, o exame de angiotomografia ainda não é realizado dentro do Serviço Único de Saúde (SUS) pelo alto custo que envolve o procedimento. “Mas desde 2012 atendemos o SUS e ajudamos a democratizar o acesso a maior parte desses exames, com a proposta do governo em reduzir as filas de exame, principalmente de ressonância com e sem sedação. Os [exames] mais avançados com uso de contraste paramagnético nós fazemos. Foi um investimento arrojado, acompanhando o avanço do sistema de saúde”.

Foto: Sérgio Vale/ac24horas.com

O Centro conta com cerca de 42 colaboradores divididos entre as unidades direcionadas ao SUS e as particulares. Há cinco Cedimp’s em funcionamento, sendo uma nos arredores do Hospital Santa Juliana, uma no bairro Bosque, uma do ‘braço’ público dentro do Pronto-socorro de Rio Branco, uma no Instituto de Traumatologia e Ortopedia do Acre e mais recentemente, uma inaugurada na segunda maior cidade do estado, Cruzeiro do Sul. “Lá [no Juruá] já fazemos tomografia computadorizada e Raio-X Digital. Estamos com a previsão de instalar uma máquina nova de ressonância aqui na capital e outra em Cruzeiro, para atender todo o Vale do Juruá”, conta o médico.

Continuar lendo

Gente - Economia e Negócios

Dona França, a “Dama” do Material de Construção no Acre

Publicado

em

Forte, imponente e corajosa. Poderia estar elencando as qualidades da AgroBoi, que em mais de 40 anos de história se tornou uma das maiores referências no ramo da construção em todo o Brasil. Porém, esses adjetivos já têm uma “dona”, a Dona França, que deu vida longa à empresa fundada em janeiro de 1980 na capital do Acre pelo falecido marido, Rodolfo Amaral Gurgel. O estado ganhou uma verdadeira imperatriz que desmistificou um segmento formado em grande parte pelo público masculino.

Apontada por muitos como apenas uma madame, França Barreiros Amaral Gurgel conseguiu calar a boca de um a um quando encontrou a sua verdadeira função na vida: comandar grandes empresas. Antes de chegar a ser o que é atualmente, Dona França pode dizer que passou por poucas e boas, como diz a expressão popular.

Entre tantos, um episódio que lhe aconteceu três meses após perder o esposo foi determinante para seu sucesso como empresária. Ela chorou copiosamente e ininterruptamente por duas horas seguidas depois de se ver sozinha com os filhos, sem o marido, sem gerente de loja e com um empreendimento a ser tocado.  “Mas depois disso eu me fortaleci. Me conscientizei que iria trabalhar e dar continuidade ao ofício que meu marido iniciou. Nós tínhamos uma lojinha pequena e a partir daí só fomos crescendo”, relata, afirmando que aos poucos foi adquirindo conhecimento e dando início à sua gestão.

O sotaque ainda presente é de quem nasceu no interior de São Paulo, em Presidente Prudente. Ela veio para o Acre com o marido e os filhos pequenos em 1979, a convite da mãe e dos irmãos que já estavam por aqui. Faz exatamente 42 anos que a família chegou ao estado com a intenção de abrir um negócio. “A ideia inicial era vir para trabalhar com motosserras, porque na época a região estava sendo aberta. E começamos vendendo esse produto. Depois, passamos a vender sementes e todos os produtos na linha de agropecuários”, explica. Por isso a origem do nome AgroBoi, motivo de dúvidas nos dias atuais, já que a empresa comercializa materiais de construção.

Quando começaram a vender produtos agropecuários, o nome se tornou mais conhecido, tanto que quando decidiram mudar de vez de segmento, optaram por permanecer com o AgroBoi. “Começamos nossa empresa no dia 16 de janeiro de 1980. Em 1987, meu marido, que administrava a empresa na época, resolveu mudar de segmento porque estava havendo uma queda no setor de motosserras e resolveu migrar para material de construção”, esclarece Dona França, ressaltando que essa transição foi lenta. E foi justamente nesse momento que ela começou a florescer o espírito empreendedor.

“Nessa mesma época, em 1987, meu marido ficou doente. Ele teve um câncer. Nós fomos para São Paulo, ficamos lá seis meses, mas no ano seguinte, em 88, ele faleceu, aos 43 anos. Eu tinha 38. Quando eu retornei para o Acre, tive de assumir a empresa”, conta, destacando que esta foi uma das fases mais difíceis que encarou ao longo da vida. França não imaginava que teria de gerir a empresa da família. Ela era professora, lecionava Geografia e Estudos Sociais em São Paulo, e não fazia ideia do que era administrar um negócio.

“Quando vim para cá parei de dar aula e passei a entrar num ramo totalmente desconhecido. Eu não entendia absolutamente nada do segmento. O varejo, o comércio são realmente difíceis para quem não conhece. Naquela época, a AgroBoi só tinha uma loja, que era a localizada no Segundo Distrito, e ainda assim foi muito difícil”, salienta. A empresa começou com uma portinha e cerca de 4 m², ao lado de um açougue e de uma farmácia. “À medida que os vizinhos iam desocupando os pontos ao lado, a gente ia pegando mais espaço. Fomos crescendo até que ficamos com todo o prédio”.

Reviravolta – Mesmo com o sofrimento pela perda do marido, Dona França não pôde viver o luto. Precisou resolver os problemas da empresa mesmo sem nenhuma afinidade com o novo trabalho. Mas o pior ainda estava por vir. “Na época, tínhamos um gerente que era muito bom. Era ele quem sabia de tudo da loja, que tinha contato com fornecedores. Mas dois meses depois que eu assumi, ele pediu demissão. Foi aí que eu entrei em pânico, pois ele que conhecia tudo. Ele ia sair e eu iria ficar literalmente sozinha na coordenação”, relembra.

Entretanto, hoje, quando olha para trás, ela até agradece a saída do então único gerente. “Se ele não tivesse saído, talvez eu tivesse ficado na sombra dele. Ele saiu e eu tive que aprender tudo sozinha. Agora agradeço o fato de ele ter saído e eu ter permanecido sozinha na gestão”, afirma. Mãe de três filhos pequenos na época, teve de contar com ajuda de colegas, representantes comerciais, fornecedores e com sua própria força de vontade para aprender a lidar com o comércio. “Fui estudando, me dedicando. Eu trabalhava muito nessa época. Entrava de manhã e saía meia-noite da loja para poder aprender e conseguir ter conhecimento do máximo que fosse possível”.

Nunca pensei em voltar para São Paulo. Quando meu marido faleceu, meu irmão perguntou se eu quisesse, voltaria para São Paulo para voltar a dar aula. Crianças tinham 5,7 e 9 anos. Se ela quisesse montar uma butique. O negócio era muito grande para quem não tinha experiência. Mas eu disse que não, que ficaria e daria continuidade no negócio e vou fazer crescer isso aqui.

A partir disso, nunca pensei em voltar para Presidente Prudente. Chegamos em Rio Branco em 1979 de vir, ficar 5 anos, ganhar um dinheiro e voltar pra São Paulo. Hoje essa é a nossa terra. Temos um grande amor à nossa terra. Foi aqui que nós crescemos. Quando chegamos aqui nós não tínhamos nada de bens, a gente construiu nossa vida aqui. Meus filhos se casaram aqui, tenho netos aqui. Então nem me passa pela cabeça ir embora do Acre. Tenho até muitas amigas que já foram embora daqui, mas eu não pretendo ir embora.

Preconceito e machismo – Assim que passou a liderar a própria empresa, começou a enfrentar outro problema, que foi o machismo e preconceito por ser uma mulher à frente de um negócio. “No início, havia naquela época certa discriminação pelo fato de a mulher não ser vista no mundo dos negócios. A mulher não tinha credibilidade”, conta. Dona França sentiu o desprezo de fornecedores, representantes e colegas empresários. “Lembro que as pessoas diziam: ‘ai, meu Deus, agora essa madame vai assumir [a empresa] e não vai virar nada”. Mas ela assegura: “Eu nunca fui madame, mas às vezes as pessoas de fora olham e acham isso”.

Pelo contrário, sempre foi mulher de trabalhar muito. Nasceu numa família muito pobre e passou por dificuldades em diversos momentos da vida. “Desde criança trabalhei muito. E essa discriminação em relação à mulher no mercado de trabalho eu só senti nos meus primeiros meses. A partir do meu primeiro ano de trabalho sozinha, os mesmos que duvidaram de mim viram que eu estava fazendo um trabalho sério, levando minha empresa adiante, e passaram a acreditar em mim”, garante.

As pessoas ao seu redor mudaram totalmente a ideia que tinham de que mulher não servia para o mundo dos negócios. “Ouvi muitas vezes no início que a empresa não iria dar certo porque eu era mulher. Mas aos poucos fui mostrando meu trabalho. A minha persistência, a minha dedicação fez com que eu conseguisse vencer. De lá pra cá são mais de 30 anos que estou na frente desse e de outros negócios”, comemora.

Sobre a AgroBoi – Com sete lojas instaladas no Acre e no estado vizinho, Rondônia, a Agroboi é consolidada como líder de vendas nas capitais Rio Branco e Porto Velho, sendo uma das mais representativas da Região Norte. O ranking nacional que enumera as maiores lojas de material de construção aponta que a AgroBoi é a 42ª loja mais importante do segmento de varejo de construção no país, competindo com empreendimentos de todas as regiões.

Nos primórdios, a loja também já foi a maior revendedora de bicicletas Monark da região, vendendo cerca de 300 bicicletas por dia. Hoje, vende tudo relacionado à construção, desde produtos de hidráulica, ferramentas e ferragens, acessórios para banheiro, tintas, pisos e revestimentos, entre outros.

Há mais de 20 anos, a empresa se destaca no ramo perante as avaliações nacionais. Rondônia já possui três lojas da marca, que chegou a Porto Velho no ano de 2008. “Desde 2009 até hoje somos líder no segmento também em Rondônia”, revela Dona França. “Para nós isso significa muito, pois somos de um estado pequeno, onde a representatividade, a população, a economia são menores. E nesse ranking estamos competindo com São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, com o Brasil todo. Então, essa posição que para nós nos dá muito orgulho e representa muito”, assegura a empresária.

O escritório de França é recheado de troféus recebidos pela empresa desde que começou a se destacar no segmento. A AgroBoi é líder na comercialização de cerâmica e foi a primeira empresa a trazer a máquina Selfie Collor ao estado, no ano de 1992, quando a marca lançou no Brasil a opção de o cliente produzir sua própria cor de tinta. “Isso é um fato. Somos líderes na região. Ano passado não houve entrega de prêmio por conta da pandemia, assim como neste ano também, mas todos os anos somos premiados pela Revista Anamaco, que é a Associação Nacional de Material de Construção”, atesta.

As lojas são conhecidas pela diversidade e diferenciação em seus produtos. Isso se deve ao fato de Dona França sempre viajar em busca de novidades para as empresas. “Desde que comecei, em 1988, sempre tive um relacionamento muito bom com fornecedores. Eu viajava muito, participava de eventos e sempre estive antenada nas lojas dos grandes centros do país. Foi quando a gente começou a ver como era por lá e começamos a trazer para cá essa modernidade”, explica.

Numa dessas viagens a trabalho, conheceu um casal de arquitetos em São Paulo que projetam as grandes empresas do sudeste. “Me tornei amiga deles e os convidei para virem ao Acre quando eu estava construindo essa loja da Avenida Ceará. Eles fizeram todo o layout da loja e com isso estamos sempre conectados com as grandes lojas e indústrias do mercado”, aponta.

Primeiro funcionário – Até hoje, o primeiro colaborador da AgroBoi trabalha junto à empresa. Atualmente, gere o setor de logística. José Gutembergue Fernandes atua há 40 anos na empresa e se emociona fácil ao falar do empreendimento. “Iniciei na loja quando éramos só uma porta com alguns sacos de sementes, hoje estou aqui perante um império”, conta. Seu José, de 59 anos, afirma que sua vida foi toda construída ao lado da AgroBoi.

“Dona França e seu Rodolfo praticamente me criaram. Me considero um filho deles. Entrei quando tinha quase 16 anos. Ajudava minha família e seguia a vida. Não tenho nem palavras para falar porque Dona França sempre me deu exemplo de vida, de caráter, de ser humano. Para nós, isso aqui sempre foi uma família”, detalha.

Ele também é testemunha de todos os momentos vivenciados pelo negócio, tanto os bons quanto os ruins. “Os grandes sacrifícios e fases difíceis passamos juntos e isso enraíza o sentimento bom, que sempre foi firme na nossa vida. Pegamos boas fases e outras difíceis, mas nunca deixamos a peteca cair”, garante.

Para ele, os colaboradores têm uma “mãezona” que puxa a orelha, mas que também dá o abraço. “Sempre foi assim. Chamo ela de Dona França porque a situação exige, mas gosto mesmo é de chamá-la de imperatriz, porque ela sempre se comportou como uma, colocando as coisas em seu lugar, exigindo o melhor e nos ensinando a ser exigentes e chegar o mais próximo possível da perfeição”, falou emocionado.

Grupo Irmãos Gurgel e a pandemia – Além das lojas AgroBoi, Dona França ainda contabiliza a sociedade de um supermercado e a propriedade de um posto de gasolina entre seus empreendimentos, que somam mais de mil funcionários direitos. As empresas compõem o Grupo Irmãos Gurgel, que também conta com uma empresa de logística para amparar as necessidades das empresas de material de construção.

O supermercado cujo a família detém 50% da sociedade desde 2017 é o Mercale, que possui duas unidades em Rio Branco e já tem projeto de expansão para o ano que vem. “Comoramos o negócio e montamos todo o conceito da empresa, mudamos o nome, houve uma mudança total. E agora vamos expandir o Mercale, já até começamos o projeto de fazer uma unidade de atacarejo. Este novo mercado que deve abrir em meados de 2022 vem para acompanhar a concorrência”, diz a sócia, ressaltando que, ainda assim, seu foco maior é mesmo na AgroBoi.

“Cerca de 100% do meu tempo é dedicado aqui, na AgroBoi. Apesar de ver e me inteirar de muita coisa do supermercado e do posto de combustível (Auto Posto Gurgel), as lojas tomam a maior parte do meu tempo. O posto de gasolina é uma atividade bem mais fácil de gerir”, salienta, completando que todos os sábados visita as lojas pertencentes ao Grupo para verificar a situação dos negócios.

Expandir os negócios para outros setores sempre foi um desejo de França, que conta com o apoio diário dos três filhos (Luciano, Mariana e Gustavo Gurgel) na gestão das empresas. Mariana atua nos setores administrativo e de Recursos Humanos. Gustavo, o caçula, trabalha no Departamento de Compras da AgroBoi e o mais velho, Luciano, também ajuda na parte administrativa das empresas, mas se dedica mais ao Mercale.

Possuir empresas de três segmentos distintos foi um ponto positivo com a chegada da pandemia do novo coronavírus. “Numa pandemia como essa, por exemplo, se você fica muito restrito a um segmento só, acaba sendo prejudicado. Graças a Deus tivemos a sorte de que todos os nossos segmentos continuaram vendendo. Alimentação, material de construção e posto de gasolina foram setores que não foram impactados, pelo contrário, se mantiveram e alguns até tiveram um disparo”, comentou.

No início da pandemia, a empresária reconhece que as famílias ficaram todas muito reclusas em casa e começaram a ver a necessidade de ter um ambiente residencial melhor. “Mudar a sala, fazer uma cozinha melhor porque já não podiam sair tanto. As pessoas deixaram de ir para restaurantes, mesmo agora com esse indício de retorno, diminuiu muito. As pessoas voltaram mais para o interior de suas casas. Nos três ou quatro meses iniciais da pandemia, o material de construção explodiu, disparou”, destaca.

O mesmo ocorreu com a venda no setor de alimentação, o que ocasionou até alta no preço dos produtos e dificuldade de encontrar matéria-prima, uma vez que o consumo aumentou muito e o país não estava preparado para tal situação.  Além disso, a situação pandêmica ainda aproximou os gerentes e coordenadores de todas as lojas em reuniões virtuais. “Antes disso, eu tinha que ir a Porto Velho uma vez por mês, e agora fazemos reuniões constantes de aprimoramento”, salienta.

Todas as semanas a AgroBoi distribui sopas, marmitas e até sacolões. Entre regiões que são beneficiadas com ações sociais da marca estão o Segundo Distrito da capital acreana e a Cidade do Povo.

Relação com o comércio – França não percebe nenhuma rivalidade mais grosseira entre o mercado local no ramo do material de construção. Pelo contrário, observa bastante respeito entre os colegas e acredita ter uma boa relação com os demais empresários do segmento. Ela sabe que o empreendedor desse setor, bem como o de supermercado, é muito ocupado. “São dois segmentos que exigem muito da gente, uma presença constante. A gente entra de manhã e sai na hora que o vigilante vai embora. Em anos atrás ficava sozinha na loja até tarde, hoje não mais por conta da violência. Mas sei que não temos muito tempo para convivência e isso se acentua pelo fato de não participarmos de associações”.

A AgroBoi não é assídua nos movimentos de associação. Para a dona, pode ter relação com o fato de ela ter iniciado sem muito conhecimento na área e ter se dedicado exclusivamente para dentro de sua empresa. “Nunca me sobrou tempo. Faço parte da Federação do Comércio, mas acompanho muito raramente. Sou muito voltada aos meus negócios. Mas penso que o sol nasce para todos e cada um conquista o seu espaço”, afirma.

Ela assegura que existe respeito, cada grupo com seu próprio público. “Hoje você se diferencia pelo atendimento, pelo que você pode prestar ao seu cliente. A Agroboi é muito respeitada e tem um perfil de cliente diferente de outras empresas. Tem um cliente bem mais exigente, por isso a loja tem que ter um padrão. Isso também nos faz investir muito em treinamentos, cursos, nossa preocupação com isso é muito grande, pois temos um nome e temos de manter essa imagem”, diz Dona França.

O grupo entende que todo lugar é bom para empreender, com pontos favoráveis e negativos, a depender de cada empresário. “O mundo é mais competitivo hoje, então se deve fazer uma análise de mercado, procurar entidades que dão apoio, como o Sebrae, fazer um estudo aprofundado”.

Segredo do sucesso e família – Recentemente, Dona França esteve doente e passou alguns meses em São Paulo para tratamento. Na volta aos trabalhos, resolveu mudar o estilo de vida e dedicar mais tempo à família. “Minha vida sempre foi de muita luta. Dava aula em São Paulo, tinha 74 aulas por semana no Estado e mais 15 na rede privada. Tinha uma média de mais de mil provas para corrigir e elaborar no mês. De ônibus, trabalhava dia e noite. Saía de casa às 5 da manhã e chegava meia-noite. Rodolfo, meu marido, vendia carros quando nos conhecemos e depois se tornou representante comercial”, relata.

Por isso, decidiu que uma vez por semana se reúne com uma parte da família em dias diferentes para aproveitar melhor a companhia. “Uma vez na semana almoço com a família na minha casa. Uma vez por semana faço café da manhã só com meus filhos, onde tratamos de negócios também. E uma vez por semana faço jantar com meus netos abaixo de 8 anos. Não vai babá, nem pai, nem mãe. É a noite que eu me dedico a eles”, conta alegre.

Dos 8 netos que possui, dois têm acima de 20 anos e já trabalham na empresa na família. “O fato de eu passar por muita dificuldade quando meu marido e pai dos meus filhos faleceu, acho que fez com que eles [filhos] vissem isso e não me dessem trabalho”. Para não deixar os filhos na adolescência sozinhos, já que dedicava todo seu tempo aos negócios, os colocou num colégio interno de São Paulo. Quando retornaram para o Acre, começaram a trabalhar com a mãe.

Trabalhar com a família tem um lado bom e o ruim. “Acabamos tendo um relacionamento muito comercial. Mas eu procuro destinar algumas horas da semana para o convívio com a família. Não sou uma avó comum, não tenho tempo. Mas faço algo hoje pensando na união da família. Minha preocupação é manter a família unida e os filhos juntos. Procuro compartilhar meu tempo dessa forma com eles, porque é difícil compartilhar o dia a dia”, assegura.

No auge dos 70 anos de vida, Dona França acredita que a determinação é fundamental a quem deseja galgar os passos no ramo empresarial. Acompanhar de perto a empresa e ter amor ao trabalho é item de necessidade básica. “O primeiro passo mesmo é o amor, gostar daquilo que faz. Procuro passar isso para nossos colaboradores, pois passamos a maior parte da nossa vida aqui dentro e se não tiver amor, não conseguimos nada. O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. O sucesso é uma escalada e você vai subindo degrau por degrau”, explica.

Para ela, a honestidade, transparência e bom relacionamento com fornecedores e clientes são seu diferencial. “Nós dependemos dos fornecedores e clientes e ter esse bom relacionamento traz confiança. Ter pontualidade nos negócios. Sempre primamos pela pontualidade no pagamento. Se um boleto for pago com atraso, a pessoa que errou na programação, paga. Só se ganha crédito junto a bancos e fornecedores se você tiver um histórico de pontualidade e num ramo como o nosso, nós precisamos de crédito e para isso, precisamos ser confiáveis”.

Isso é aplicado aos funcionários. “Nunca na história eles receberam com um só dia de atraso. Pagamento aqui é até o 5º dia útil. Tendo ou não tendo dinheiro, a empresa tem que procurar dinheiro no banco. O funcionário tem compromisso e depende daquilo para viver. São fatores que fazem com que nossos colaboradores valorizem o local de trabalho e isso é muito importante”, destaca França.

Apesar de ser paulista, Dona França considera o Acre como sua terra e com toda a experiência criada ao longo do tempo, se sente feliz por finalmente perceber que criou uma sucessão da história da AgroBoi com a família. “Isso tudo vai ser passado para meus filhos. Fico feliz de saber que eu fiz a minha sucessão. Se Deus me levar, a empresa vai ter quem a conduzir”, finaliza.

Continuar lendo

Gente - Economia e Negócios

Raimundo Noleto chegou a dormir em cabana improvisada após a falência e antes de refazer a vida de empresário com a Villa Caldo

Publicado

em

Superação é a palavra que melhor define o empreendedor Raimundo Moreira Noleto, de 62 anos. Há aproximadamente oito anos, viu a empresa dos seus irmãos entrar em declínio. Foi no supermercado Casa dos Cereais que seu Raimundo, como é conhecido, sustentou a família e desenvolveu a função de Diretor Comercial por quase 22 anos. No entanto, encarou um destino cheio de reviravoltas, que nem mesmo ele imaginava vivenciar.

Antes de dar a volta por cima, enfrentou o desemprego, dificuldades financeiras, desilusões e até frio. A empresa que ele inaugurou em 2017 é testemunha de tudo que passou para conseguir mudar a realidade após deixar o supermercado. Uma cabaninha com um engenho velho de cana de açúcar fez surgir a Villa Caldo, ambiente peculiar, diferenciado e promissor na capital acreana. Para comprar o terreno, fez uma troca com o proprietário. Construiu uma casa de 350 m² com as próprias mãos e ajuda de amigos e familiares para obter a área pequena de terra, que fica às margens direita da entrada do bairro Tancredo Neves.

Seu Raimundo chegou ao Acre vindo da cidade Gurupi, no Tocantins, em 1999.  Ele e seus 14 irmãos sempre tiveram contato com o comércio desde criança. A família sempre esteve envolvida com pequenas vendas de frutas, verduras e grãos. “Meus irmãos vieram primeiro, há cerca de 28 anos. Eu estou há 22 anos nessa terra boa que é o Acre. Vim trabalhar com meus irmãos porque estava passando por um momento difícil na minha cidade. Eles me chamaram e resolvi vir”, conta.

Assim que chegou a Rio Branco, ajudou a ampliar a Casa dos Cereais, quando quatro irmãos já estavam gerindo o mercado. Desde que chegou, assumiu a diretoria comercial do empreendimento, mas era um diretor que fazia um pouco de tudo. “Eu colocava a mão na massa mesmo. Agorinha mesmo estava ali em cima do telhado arrumando umas coisas. Eu faço soldagem, massa, sou pedreiro, serralheiro, faço tudo, principalmente nesse momento de recomeço”, salienta.

Após o fechamento da Casa dos Cereais, seu Raimundo foi um dos únicos que ainda quis seguir no ramo. Alguns voltaram para Tocantins, outros permaneceram, mas dedicados a outros negócios. A maioria desistiu do comércio. “Eu continuei porque sou uma pessoa que gosta sempre de se superar. Superação é meu forte. Para mim, não tem tempo ruim”, afirma.

Após o fechamento da empresa, a família toda ficou desempregada. “Quando [o supermercado] fechou eu tinha 55 anos, isso já faz quase 8 anos. Eu sei recomeçar, eu gosto de recomeçar. Da mesma forma que o Brasil, em alguns critérios, tem que recomeçar, eu também tenho. A gente aprende isso no decorrer da vida e é bom para podermos continuar gerando oportunidade de emprego para as pessoas”, garante.

De portas fechadas – A reportagem procurou saber de Raimundo, uma das pessoas mais inseridas na condução do supermercado Casa dos Cereais, o que pode ter acontecido para que uma empresa já consolidada no mercado não conseguisse mais manter as portas abertas. A experiência lhe fez observar erros e equívocos, inclusive de sua parte.  “Acredito que podemos ter transferido responsabilidades antes da hora, pode ter faltado uma boa gestão também. Mas aprendi muito com meus irmãos”, ressalta.

Além da questão da carga tributária, dificuldades no então sistema de mercado, o empresário conta que também faltou mais ousadia para poderem acompanhar a concorrência. “As coisas foram evoluindo, mas não investimos. Saí da empresa antes de fechar, mas já estava com alguns problemas. Faltou motivação minha também. Me arrependi de ter saído cedo, deveria ter capacitado mais pessoas para entrarem em meu lugar”, aponta Raimundo.

Entre o conjunto de fatores que pode ter favorecido a falência do empreendimento, ele detalha ainda certa falta de garra, principalmente da família, por se tratar de uma empresa familiar, que chegou a ter oito irmãos no comando.

Quando decidiu entrar no comércio novamente, alguns de seus irmãos questionaram e perguntaram se Raimundo “estava doido”. A idade já avançada, o cansaço, pareciam ser empecilhos para o começo de uma nova trajetória. “Hoje alguns deles vêm tomar café comigo”, brincou. “Eu digo que não estou velho. Se Deus me der 100 anos, quero trabalhar enquanto eu tiver vida. Gosto de empreender, capacitar e formar pessoas. Não penso só em mim”, destaca.

Seu Raimundo chegou a gerir mais de 400 funcionários no auge da Casa dos Cereais. Hoje, recomeçando com mais de 10 colaboradores diretos, fora os indiretos, acredita que o empreendedor não só acerta, mas erra também nos negócios. “Em determinados momentos, junto a meus irmãos, na hora de tomar uma decisão, a maioria ficava em dúvida sobre o quê fazer e eu que tinha que dar a palavra final. Quando se acerta, beleza. Mas quando erra, não é bom”, lamenta.

Concorrência desleal – Outros problemas também são apontados como cruciais para o fim da era Casa dos Cereais. Erros ocorridos involuntariamente à ação dos empresários naquela época. “Existia quase que uma concorrência desleal, por ter tido empresas que de alguma forma eram favorecidas e outras não. Nós sentimos muito isso. Conversava sempre com empresários e eles relataram também perceber que uns tinham benefícios e outros não tinham. Às vezes um acumulava dívidas no recolhimento de ICMS, e ficava por isso mesmo. Em muitos lugares isso acontece e é muito ruim, pois promove uma concorrência desleal”, detalha seu Raimundo.

Um momento que a empresa sentiu uma suposta concorrência desleal foi quando se dirigiram ao banco para fazer um financiamento. “A gente via que só os ‘grandes’ tinham acesso. Havia uma coisa meio politizada. Quando nossa empresa estava no auge e precisávamos fazer investimentos, arrumei toda a papelada, dei entrada e a superintendência disse que não iria financiar mais nenhum mercado, pois a cidade não comportava mais esse segmento naquela época”, relembra.

Mesmo com tantos impedimentos, ele garante que nada vai lhe parar. “Primeiro porque confio muito em Deus, minha família toda é evangélica. Há muitos colegas empresários que até hoje não nos abandonaram. Tem pessoas que às vezes some quando alguém passa por dificuldades, pois para alguns só valemos o que temos. Mas trato todo muito bem, esse é meu diferencial. Trato igual o rico, o pobre, a prostituta, todos de maneira igual”.

O recomeço – Quando pensou em dar vida à Villa Caldo, abriu um pequeno ponto, uma espécie de cabana, onde ele dormia lá mesmo, numa barraquinha. “O recomeço foi na barraquinha. Comprei um engenho de cana usado e fui trabalhar. Chamei meus três filhos para montarmos essa banca, que hoje é a Villa Caldo”.

O espaço já triplicou de tamanho desde que foi aberto. Hoje tornou-se ponto de encontro ou lugar favorito para as compras do dia a dia dos moradores da região. “Graças a Deus está dando certo. Faz quatro anos que começamos e tentamos fazer tudo diferente. Eu disse: não vamos concorrer com ninguém, vamos fazer algo diferente. Aqui ainda não está nem 10% do que ainda pretendemos chegar”, relata Raimundo. A ideia é chegar a construir um negócio bem maior e expandir filiais por outros bairros de Rio Branco. “Estamos nos primeiros passos ainda”, assegura.

A Villa Caldo – A Villa Caldo é o resultado de um processo doloroso, mas ao mesmo tempo rápido. Foram poucos anos de trabalho para que o empreendimento ganhasse forma e se tornasse uma referência nos arredores do Tancredo Neves e Adalberto Sena. O nome foi um cliente fiel que lhe sugeriu. Começou primeiramente com a venda de caldo de cana, progrediu para uma frutaria e hoje já vende de tudo, com uma espécie de conveniência e lanchonete.

“Antes de começar, falei com Deus. Disse a ele que a empresa [Casa dos Cereais] fechou, que estávamos com dificuldades e que eu queria uma oportunidade. Pedi para Deus uma oportunidade e para me capacitar para administrar essa outra oportunidade. E Deus nos deu”, comemora.

Para se tornar o que é hoje, a Villa precisava de um terreno. “Um dia chegou um rapaz aqui oferecendo essa área de terra. Ele disse que queria fazer uma casa e por isso precisava vendê-lo. E eu, sem nada no bolso, disse: eu construo a casa para o senhor. Assinamos papéis, assumi o terreno e comecei a vender nesse local”. Seu Raimundo foi usando o dinheiro com as vendas no terreno para construir a casa do então proprietário. “Foi uma troca. Fiz uma mansão de 350 metros em troca disso aqui. Com minhas mãos e outras pessoas ajudando”, afirma.

Nesse período, seus irmãos também o ajudaram. O terreno enfim foi passado para seu nome depois de dois anos até conseguir terminar a casa. Desde criança, Raimundo sempre teve instinto construtor, de arquiteto, na verdade gostaria de ter se tornado arquiteto, mas acabou enveredando pelo comércio. Porém, formou um dos três filhos em arquitetura.

A Villa Caldo também foi ele que levantou com as próprias mãos. “Fizemos tudo aqui, antes disso, só tinha o chão. Tem muitas coisas que passam em nosso coração, mas quero que esta seja uma empresa que tenha muito relacionamento com as pessoas, que trate bem, faça clientes, que tenha produtos diferenciados e que as pessoas venham de todos os cantos da cidade comer aqui e conversar com a gente”, diz.

O destaque que ele deseja para a empresa não diz respeito só a proporção, mas de utilidade tanto para quem trabalha na Villa Caldo quanto para outras pessoas que possam se espelhar nesse empreendimento. “Na Casa dos Cereais, muitas pessoas passaram a criar comércios parecidos, comércios pequenos e populares. Isso é muito bom. Muita gente ia lá pedir ideia para nós sobre negócios. E quero que esta seja uma empresa referência, se Deus permitir”.

Como fruto do sucesso da Villa Caldo, a família de seu Raimundo, mais especificamente encabeçada por um dos filhos, abriu Constru Villa, loja especializada em materiais de construção, que fica bem ao lado da Villa Caldo. “Temos ainda um mercadinho rápido, como se fosse uma espécie de conveniência, para quem está apressado e não quer entrar num supermercado maior. Temos de tudo”.

A Villa Caldo também é uma empresa familiar, mas o que seu Raimundo não quer, é cometer as mesmas falhas que cometeu antigamente como gestor. “Certa vez um senhor veio aqui comprar uma melancia e na ida deixou a melancia cair e ela quebrou. Fui lá e dei outra para ele. A gente não paga o mal com o mal, mas como bem. Falo sempre aos meus filhos que devemos ter um bom relacionamento e encantar pessoas, tratar bem. Quando eu estava na Casa dos Cereais, havia um funcionário nosso chamado Paulo César, que era aquela pessoa que atendia todo mundo muito bem. Ele já voltou para Tocantins há 8 anos e até hoje tem gente perguntando por ele aqui. Se a pessoa tem bom relacionamento, onde ela estiver, vai se dar bem”, assegura.

Política – Raimundo Noleto já foi vereador na década de 90 na cidade de Gurupi. A política também está no sangue da família.  Nas últimas eleições, também se colocou como candidato a vereador por Rio Branco, mas guarda algumas mágoas. “A gente entra com uma intenção, mas vê que tudo é diferente. Os políticos hoje não pensam muito nas pessoas, eles pensam em seus impérios. Mas gostaria de participar mais da política, até porque quando vim para o Acre, pedi para Deus que eu pudesse ser útil na família, na igreja e na sociedade também”, declara, afirmando sempre ter tido bom relacionamento com todos os políticos.

Expectativas – Raimundo diz que não é muito bom com as palavras de conselho, mas vê que hoje, com 14 milhões de desempregados no Brasil, é preciso que o trabalhador valorize as oportunidades que tem na vida e administre bem o que ganha. “As pessoas gastam mal, trabalham mal e isso acaba desmotivando. É preciso trabalhar para o seu próprio crescimento e saber que só vai crescer se for uma pessoa ousada”.

Para ele, mesmo que o mundo do comércio tenha mudado nas últimas décadas, o diferencial é e, sempre será, o material humano. “Tinha uma senhora que ia até seis vezes por dia ao nosso mercado. Certa vez perguntamos e ela disse que ia até lá tantas vezes porque gostava do ambiente, de ficar conversando. Lembro muito disso”.

O sucesso da Villa Caldo já fez com que o produto que planta cana tivesse que aumentar seu canavial para suprir a demanda de seu Raimundo.  Com isso, mais empregos foram gerados nos últimos quatro anos. O produtor começou a vender cana com 5 hectares e hoje já possui quase 20.

“Eu gosto disso, de estar nesse negócio de proporcionar oportunidade de emprego para alguém, assim eu acho que estou cumprindo meu dever. Nossa riqueza é fomentar negócios. Na Casa dos Cereais, capacitei muitas pessoas e hoje muitos se tornaram empresários, donos de supermercados. Um rapaz que trabalhou conosco voltou para Tocantins e abriu um mercado grande”, ressalta.

Seu Raimundo ainda tem o sonho de ver um projeto instalado no país semelhante ao que ocorre em países asiáticos, onde o estado age para impedir o fechamento de empresas, principalmente as familiares. “O governo japonês tinha uma escola de administradores e gestores para quando uma empresa passasse por dificuldades, fosse um desses profissionais inseridos no estabelecimento para levantar aquela empresa. Assim, evitava que a empresa chegasse à falência”, comentou.

A duras penas, aprendeu que nem toda empresa familiar tem necessariamente um bom gestor e por isso a necessidade de se aprimorar na área. “Aprendi muito em minha caminhada como empresário no Acre e espero poder contribuir com muito mais”, conclui.

Continuar lendo

Bombando

Newsletter

INSCREVER-SE

Quero receber por e-mail as últimas notícias mais importantes do ac24horas.com.

* indicates required

Leia Também

Mais lidas

Copyright © 2021 ac24Horas.com - Todos os direitos reservados