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Hosmac é o exemplo do caos que se tornou a saúde pública do Acre

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O Hospital de Saúde Mental do Acre (Hosmac) é o retrato do abandono da saúde pública ao longo dos últimos anos. Os problemas são inúmeros, se arrastam há muito tempo e estão ainda piores no início da atual gestão.

A confirmação do descaso com a unidade que oferece atendimento para quem precisa de saúde mental não vem de um paciente ou familiar reclamando, mas do próprio diretor interino do Hosmac, psiquiatra Marcos Araripe. A situação chegou a um nível insustentável, segundo ele.

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O primeiro problema é parte estrutural. A última reforma foi na década de 90 e as instalações elétricas não foram concluídas. As calçadas estão quebradas e parte do muro do hospital desabou. “Há dificuldade para manutenção de equipamentos: a exemplo dos equipamentos da odontologia que atende pacientes ambulatoriais e internos, além de outras necessidades como manutenção hidráulica, pintura e etc”, diz Araripe.

Outro grave problema é que não há o fornecimento de medicamentos em quantidade suficiente para atender aos pacientes. É importante lembrar que são remédios bem específicos que não se encontram em qualquer esquina e que só são adquiridos com receita médica. “O abastecimento de medicamentos é parcial e em quantidade reduzida, o que prejudica a continuidade do tratamento”, diz o médico.

Se não bastasse todos esses problemas, há ainda no Hosmac uma carência de profissionais para atender quem procura a unidade de saúde. A falta de médicos e enfermeiros compromete o atendimento tanto das demandas ambulatoriais, quanto das alas de internação. A situação é tão grave que se espera mais de 3 meses por uma consulta.

Os profissionais que permanecem na unidade estão sobrecarregados e pensam em abrir mão do contrato.

O sucateamento do Hosmac é resultado da política antimanicomial nacional. Para isso, prevê a criação de uma Rede de Atenção Psicossocial (RAPS). O problema é que segundo Marcos Araripe, essa rede não funciona como deveria. “Os colegas estão sobrecarregados com uma grande demanda e a RAPS não funciona. É necessário rever esse modelo até porque a portaria 35.88 no qual inclui o Hospital Psiquiátrico na Rede de Atenção necessita ser implementada no Acre por ser uma orientação do Ministério da Saúde”, finaliza Araripe.

Todas essas denúncias vêem a público poucos dias depois do secretário de saúde Alysson Bestene dizer que o governo do estado não tem interesse em fechar o hospital, mas sim fortalecer e melhorar o atendimento no Hosmac.

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