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Deputado Daniel Zen diz que soja não é salvação da lavoura

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Muitas lideranças do Estado elogiaram a agenda voltada ao agronegócio que a ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Tereza Cristina Corrêa Dias, cumpriu no Acre nesta sexta-feira, 22, ao lado do governador Gladson Cameli. Mas a iniciativa não agradou a todos e vem de Daniel Zen (PT), deputado estadual integrante da bancada de oposição ao governo que fez questionamentos sobre o Estado virar um potencial produtor de soja.

“De certo que é um vetor econômico importante, em uma matriz de desenvolvimento de um Estado com vocação agrícola como o nosso. Mas não é e nem nunca será – com perdão do trocadilho – a salvação da lavoura”, dispara o parlamentar.

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Zen salienta que no Acre, a única região propícia ao plantio da soja é o Alto Acre, por conta do solo que, além de fértil ao plantio, deve ser rígido o suficiente para aguentar o peso das colheitadeiras. “Além disso, para que ela – a soja – seja rentável, demanda grandes extensões de terra plantada. Naquela região, isso se aplicaria a apenas uma dúzia de propriedades e seus respectivos proprietários, que todo mundo sabe quem são”, comenta o parlamentar.

O deputado prossegue destacando que a cultura da soja é toda mecanizada, desde o plantio a colheita. Isso faria com que a expansão do plantio de soja não gerasse muitos empregos. “Logo, distribui pouca renda e não promove inclusão social. Apenas enche os bolsos dos grandes proprietários de terras (que já estão podres de ricos)”, observa o opositor.

Além disso, Daniel Zen destaca que a soja, como toda commoditie, tem sua produção destinada à exportação. “As commodities, quando exportadas, são isentas de tributos como ICMS e IR. Logo, o Estado arrecada muito pouco com tal atividade. Por isso que, recentemente, Goiás e Mato Grosso, ambos estados eminentemente focados no agribusiness, decretaram calamidade financeira: concentraram todas as suas energias no agronegócio, esquecendo de diversificar a sua matriz de desenvolvimento”, frisa.

Outros pontos observados dizem respeito aos aspectos ambientais. O parlamentar afirma que trata-se de atividade que degrada o solo e o meio-ambiente de maneira mais veloz que a pecuária, além de fazer proliferar pragas e desequilibrar os ecossistemas.

Diante das considerações, o deputado petista levanta questionamentos. “Se são atividades que não trazem tanta vantagem econômica, não geram tantos empregos, não distribuem renda, não promovem inclusão social, não contribuem para a redução das desigualdades, não geram tantas receitas para o Estado e ainda degradam o meio-ambiente, de que cabeça mirabolante veio à ideia de que o agronegócio é a salvação econômica para o Acre?”.

Zen garante que a agricultura familiar gera muito mais emprego do que o agronegócio. “E isso quem diz é o IBGE”, completa.

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