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A baba que alimenta é a mesma que envenena governadores

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Por Luiz Calixto

As cenas de bajulações mais nojentas e marcantes que já vi em toda minha vida foram em 1990, quando Edmundo Pinto foi eleito governador do Acre.

Já nas primeiras horas do dia, uma romaria se dirigia à residência dele com jornais, mingaus e tapiocas, e tudo mais que os puxa-sacos julgavam capaz de agradá-lo.

Naquela época, eu morava numa casa, que ainda é minha, a dez passos da casa do governador eleito, no conjunto Bela Vista.

Óbvio, para não variar, no período bajulatório arranjei mais de uma dúzia de brigas com aqueles que não respeitavam a garagem da minha residência e trancavam minha saída com seus veículos.

Edmundo Pinto assumiu o governo e dois anos depois foi covarde e brutalmente assassinado em São Paulo.

O velório do governador no salão do Tribunal de Justiça do Acre esvaziou-se quando quase todos foram ao aeroporto recepcionar a nova presa que desembarcava de Manaus, o vice-governador Romildo Magalhães, que logo assumiria o comando da máquina de cargos públicos.

Sobre Romildo Magalhães, um episódio resume o profissionalismo dos babões: numa Sexta-feira Santa, ele convidou, no seu melhor estilo “bucho-cheio”, um grupo de empresários para um almoço, no qual foi servida sardinha da marca 88, com cebola de cabeça e farinha seca para simbolizar sua profunda falsa simplicidade.

Ao final, os convidados, mesmo com repulsa ao prato, arrotavam elogios à sardinha dizendo que não devia nada ao melhor bacalhau à portuguesa.

Hoje, quem o vê quase mendigo andando pela cidade, embora conte com a mamata da pensão vitalícia, mal sabe que ele um dia fora governador do Acre.

Todos os governadores foram vítimas dos bajuladores. Nem os durões e blindados irmãos Viana escaparam do assédio.

Nas colunas dos jornais e nas redes sociais não são poucas as manifestações de gente condenando os 20 anos de vianismo. Esquecem que no ano passado eram porta-bandeiras da turma do gargarejo que fazia calo nas mãos de tanto aplaudir “o projeto” petista.

Em menos de um mês de mandato, o novo governador, Gladson Cameli, já segue a mesma trilha.

É bem verdade que, decorridos 20 dias, ainda é cedo para criticá-lo, mas também é verdade “que pau que nasce torto, morre torto”. Seu “petit comité” apenas o elogia.

Nenhum do seu entorno tem a coragem de lhe dizer, por exemplo, que ao infestar sua gestão de parentes de políticos, todos sem nenhum histórico de competência, o seu discurso de montar uma equipe segundo os melhores critérios técnicos foi sepultado.

Com medo de perder o lugar, todos têm receio de lhe dizer que a distância entre a vontade de fazer e a realidade com a qual se pode fazer é medida pelo orçamento escasso e comprometido do Acre.

Por exemplo: a contratação imediata dos concursados da Polícia Militar e da Policia Civil, prometida na campanha, será uma das sarnas mais difíceis de coçar. Se já está difícil pagar os servidores, imagine mais 500 e tantos.

Por ser um cidadão rico, aliás muito rico, Gladson Cameli não sofrerá com a solidão e ostracismo dos ex-governadores, mas deverá estar, desde já, ciente que os agrados que recebe na atualidade já têm outra vítima, tão certa quanto dois mais dois são quatro: o próximo governador.

Exaustivamente, Gladson Cameli repete que “a caneta que nomeia é a mesma que demite”. Para abrir seus olhos, digo-lhe: paradoxalmente, a baba que o alimenta é a mesma que o envenenará.

Luiz Calixto é auditor fiscal da Fazenda do Acre e ex-deputado estadual

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