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Indígenas se reúnem no Juruá para defender o uso sagrado da ayahuasca

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A ayahuasca é uma bebida sagrada utilizada ancestralmente pelos povos indígenas que habitam as bacias dos rios Purus e Juruá. Além de ser considerada uma das principais medicinas da floresta, o uso ritual da bebida também tem forte influência na formação espiritual e cultural das populações nativas dessas regiões. Preocupados com a utilização inadequada da ayahuasca por “aventureiros” com objetivos comerciais, pajés e lideranças das etnias indígenas do Juruá se reuniram para debater o tema, na terra dos Puyanawas, no município de Mâncio Lima.

Os povos Puyanawa, Ashaninka, Yawanawa, Huni Kuin, Nukini, Kuntanawa, Noke Koi, Shanenawa e Nawa mandaram representantes para a Segunda Conferência Indígena da Ayahuasca que começou no dia 11 (sábado) e se encerrou no domingo, 12. Durante esse período as etnias ayahuasqueras pretendem elaborar um documento para sugerir a regulação do uso do sacramento vegetal. Querem combater o avanço de charlatões que se passam por pajés, mas sem a preparação necessária para ministrar os conhecimentos espirituais e curativos da ayahuasca. Segundo os indígenas o uso distorcido da bebida sagrada pode causar sérios danos psíquicos aos usuários desavisados.

Um dos organizadores do evento, Luiz Nukini, que além de liderança do seu povo que habita às margens do Rio Môa também é funcionário da FUNAI, explicou os propósitos da Conferência. Segundo Nukini todos os povos nativos originais do Acre utilizavam a ayahuasca, mas o contato com outras culturas religiosas causou um impacto e o abandono dessas práticas de pajelança. No entanto, já há alguns anos existe um forte movimento de retomada desses conhecimentos ancestrais pelas etnias indígenas.

“Queremos proporcionar aos povos indígenas uma reflexão sobre a ayahuasca como o ponto central da nossa espiritualidade. Debater questões relativos ao uso ritual da ayahuasca que ultrapassou os limites das nossas terras e ganhou o mundo. Assim estabelecer normas para nos relacionarmos com outras tradições cristãs que também usam essa bebida e os estrangeiros,” disse ele.

Os “falsos” pajés

O jovem Bira Júnior Yawanawa avaliou a questão do uso dessa medicina para as pessoas que buscam cura e transformação. Segundo ele, nem sempre as pessoas que saem das aldeias para ministrar esse conhecimento estão preparadas.

“A gente está preocupado com a forma do uso da ayahuasca fora das aldeias. Muitos jovens têm se aproveitado da demanda de não-indígenas em busca de cura e conhecimentos proporcionados pela ayahuasca. Assim alguns estão saindo das suas aldeias de forma inapropriada e sem a autorização das suas lideranças e caciques. Nós Yawanawas temos trabalhado forte contra isso porque temos um nome a zelar. É uma medicina muito forte que exige um cuidado. As pessoas que trabalham com a ayahuasca do nosso povo passam por um longo processo de preparação e estudo com nossos pajés. Se alguém não passa por esse processo pode estar colocando a vida de outras pessoas em risco. Tem gente de fora das aldeias que se ilude com alguém que chega com um cocar e todo pintado se dizendo pajé. Mas quem quiser saber se aquela pessoa é ou não um pajé verdadeiro deve utilizar a tecnologia disponível e pesquisar na internet se ele realmente tem um estudo, preparação e a autorização para fazer uso dessa medicina. Porque muitos charlatões e pretensos neo-xamãs têm se aproveitado da boa fé de gente desesperada em busca da cura de enfermidades. Isso é um assunto serio que estamos debatendo para não vulgarizem a nossa medicina,” argumentou Bira Jr..

O direito ao uso e transporte da ayahuasca

Luiz Puwe, uma das lideranças dos Puyanawas, anfitriões da Conferência, prega a valorização cultural da ayahuasca nas aldeias.

“Esse conhecimento se ampliou para o mundo e, muitas vezes, estão fazendo o uso errado dessa medicina. Nós temos que orientar os mais jovens porque esse conhecimento vem dos nossos ancestrais e não pode se vulgarizar. Como entendemos que a ayahuasca pode ser uma cura para o mundo, e o mundo somos nós, então temos que traduzir através do nosso exemplo de vida o resultado desse conhecimento espiritual. Através da ayahuasca podemos alcançar níveis de entendimento importantes para uma cultura mais saudável e próspera nas nossas comunidades. Assim queremos levar aos parlamentos do nosso país e, até mesmo à ONU, o direito a esse reconhecimento dos benefícios da nossa medicina para garantir também o direito da gente leva-la onde for necessário,” salientou Puwe.

Para Benki Ashaninka, às vezes, outras tradições cristãs que usam a ayahuasca estão tendo mais direitos ao seu uso e transporte do que os próprios indígenas que são os detentores originais desse conhecimento.

“Estamos pegando os conhecimentos de todos os povos indígenas que habitam o Acre e utilizam a ayahuasca como sua medicina tradicional para tirarmos um encaminhamento da maneira de usá-la. É importante trazermos a responsabilidade para dentro dos nossos povos. A ayahuasca está no mundo, mas a gente tem uma preocupação porque, às vezes, os não-indígenas têm mais possibilidades de usar isso no mundo do que os próprios indígenas. Queremos que o nosso país tenha leis para que esse uso seja respeitado porque trata-se de uma cultura milenar dos nossos povos originais. Temos que ter um alinhamento entre nós para que sejamos respeitados por todos de fora de igual maneira,” finalizou Benki.

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Cidades

Prefeito de Epitaciolândia diz que Rosana Nascimento deturpa informações sobre retirada de reajuste

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Acusado pela presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), Rosana Nascimento, de agir como delegado e não como prefeito, diante de uma polêmica que envolve a retirada da folha de pagamento da categoria de um reajuste salarial julgado irregular, o mandatário maior de Epitaciolândia, Sérgio Lopes, voltou a se pronunciar sobre o assunto.

Em entrevista concedida ao jornal O Alto Acre, nesta quinta-feira, 4, o gestor municipal disse que, ao lado de um candidato do pleito passado, a sindicalista deturpa as informações repassadas à imprensa sobre a questão. Ele também negou que seja verdade a afirmação de que os trabalhadores estejam recebendo menos que um salário-mínimo bruto no contracheque.

“Algumas pessoas que perderam a eleição, a presidente do Sinteac estadual, que estava fazendo campanha para um de meus concorrentes, têm deturpado as informações, têm falado mentiras, inclusive, para a imprensa que professores têm recebido menos do que um salário-mínimo, e isso é mentira. Não tem nenhum servidor do município que recebe menos que um salário-mínimo”, garantiu.

Sérgio Lopes advertiu ser possível, eventualmente, que alguns funcionários possam estar recebendo menos que o salário-mínimo estabelecido em lei após os descontos previstos no contracheque, (como as contribuições e empréstimos consignados), ou seja, o salário líquido, mas que o vencimento bruto de nenhum servidor é inferior ao salário-mínimo vigente no país.

O prefeito também afirmou que a sua equipe jurídica está trabalhando para que, ainda em março, a prefeitura pague o piso nacional à categoria. Quanto ao reajuste retirado da folha, ele voltou a dizer que não há nada que ele possa fazer como gestor para resolver e que não cometerá nenhum ato de ilegalidade, seja para prejudicar ou beneficiar ninguém.

“Nós não podemos continuar fazendo um pagamento irregular e daqui a quatro anos termos que devolver cerca de R$ 5 milhões para os cofres públicos, nós não temos condição disso. Eu vou sempre trabalhar dentro da legalidade. Não vou fazer nenhum ato ilegal, seja para beneficiar ou prejudicar. Esse movimento, na verdade, é dos perdedores da eleição”, completou.

O ac24horas voltou a entrar em contato com a presidente do Sinteac, Rosana Nascimento. Ela afirmou que o prefeito não foi notificado pelo TCE para proceder a retirada do reajuste dos salários dos trabalhadores da educação e negou que seja oposição política ao prefeito ou que tenha feito campanha para algum candidato em Epitaciolândia.

“Ele não foi notificado pelo TCE. Não fiz campanha para ninguém em Epitaciolândia. Não sou oposição política dele. Na educação, quase todos votaram nele. O aumento de 2016 não foi só para a educação, mas também para a saúde e a administração. Portanto, quem mente não é o Sinteac ou a presidente do Sinteac”, respondeu a representante da categoria.

O imbróglio

Em janeiro passado, o prefeito Sérgio Lopes (PSDB), decidiu retirar dos contracheques dos trabalhadores da educação e alguns de outros setores um reajuste de salário de 10% concedido em 2016, pelo ex-prefeito André Hassem, posteriormente tornado nulo pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC.

Tanto o ex-prefeito André Hassem quanto o seu sucessor, Tião Flores, que continuaram a fazer os pagamentos mesmo com a nulidade julgada pelo TCE, foram condenados a devolver aos cofres do tesouro municipal os recursos referentes aos valores pagos, que somados ultrapassam os R$ 3 milhões.

Os servidores exigem a devolução imediata dos valores descontados e o prefeito diz que não pode atender à reivindicação por impedimento legal. O Sinteac alega que há saídas possíveis para o prefeito não manter a redução dos vencimentos dos trabalhadores, mas que há falta de vontade para isso.

Enquanto aguardam uma decisão da Justiça para um mandado de segurança impetrado pelos advogados do Sinteac com o fim de obter uma ordem judicial para o estorno do dinheiro às suas contas, os servidores têm realizado manifestações e até buzinaços em frente à prefeitura.

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Cidades

Governo do estado realizará itinerante de saúde para os imigrantes em Assis Brasil

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Uma comitiva composta por representantes das secretarias de estado de Saúde (Sesacre) e de Assistência Social dos Direitos Humanos e de Políticas para Mulheres (SEASDHM) esteve em Assis Brasil nesta quinta-feira (4) para tratar de assuntos relacionados com a situação dos imigrantes retidos naquele município.

Na ocasião, foi estabelecida uma parceria entre os dois entes federativos que tem o objetivo de fazer o levantamento dos dados dos imigrantes, tais como quantitativo de grávidas, crianças e pessoas especiais, além da nacionalidade de cada um e de qual estado brasileiro vieram, bem como se tem interesse de retornar.

De acordo com a assessoria de comunicação da prefeitura de Assis Brasil, as informações serão úteis para a criação de um relatório detalhado sobre os imigrantes, que servirá para expor melhor a situação deles, além de ajudar o município a angariar recursos e ajuda junto às instituições.

Outra pauta do encontro entre as áreas de saúde e assistência social do estado e do município foi a realização de um itinerante de saúde, exclusivo para os imigrantes que estão retidos em Assis Brasil, que ocorrerá no posto de saúde Terezinha Batista dos Santos nesta sexta-feira, (5) e também no sábado (6).

Os atendimentos serão disponibilizados nas áreas de clínica geral, pediatria, realização de exames laboratoriais e testes rápidos de Covid-19, além de outras atividades voltadas para a assistência aos estrangeiros. Até esta quinta-feira (4), havia 13 imigrantes isolados na cidade após teste positivo para o coronavírus.

As testagens dos imigrantes, que haviam sido iniciadas no último dia 24 de fevereiro, foram suspensas nessa terça-feira (2), por não haver mais espaço para mantê-los em isolamento. Dos 13 testados positivamente para o coronavírus, 7 estavam sendo mantidos no ginásio coberto da cidade e o restante estava em hotéis.

Cerca de 60 imigrantes ainda seguem acampados na Ponte da Integração Brasil-Peru, que liga Assis Brasil a Iñapari. Além deles, ainda há pelo menos 400 estrangeiros na cidade, divididos entre dois abrigos improvisados em escolas municipais, de acordo com o prefeito Jerry Correia.

Impedidos de entrar no Peru, de onde querem seguir viagem para outros destinos, parte dos imigrantes não permite que caminhões de carga atravessem a Ponte da Integração. Com o impasse, mais de uma centena de caminhoneiros estão parados nos dois lados da fronteira, acumulando prejuízos que superam os R$ 600 mil.

Na última sexta-feira (26/2), a União ajuizou ação de reintegração de posse na Justiça Federal para desocupar a ponte com uso de força policial. Em seguida, tanto o Ministério Público Federal (MPF) quanto a Defensoria Pública da União (DPU) opinaram por uma saída negociada para a questão.

Em resposta, a Justiça Federal emitiu um despacho na última segunda-feira (1) no processo ajuizado pela União cobrando explicações sobre quais medidas tomou até o momento em que ajuizou a ação ou o que pretende fazer para solucionar os problemas que decorrerão da desocupação forçada.

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Funcionários batem ponto e fazem buzinaço em frente à prefeitura de Epitaciolândia

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A queda de braço entre os servidores da Educação e o prefeito de Epitaciolândia, Sérgio Lopes (PSDB), por conta da decisão do gestor municipal de retirar dos contracheques, a partir de janeiro passado, um reajuste de salário concedido em 2016, pelo ex-prefeito André Hassem, posteriormente tornado nulo pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-AC), teve mais um capítulo nesta quarta-feira (3).

Como prometeram em manifestação realizada no dia anterior, os trabalhadores da categoria bateram ponto e fizeram um buzinaço em frente à prefeitura. Eles dizem que permanecerão no local até que o município encontre uma solução para o problema que, segundo o Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Acre (Sinteac), deixou parte deles recebendo menos que o salário-mínimo.

Os servidores exigem a devolução imediata dos valores descontados e o prefeito diz que não pode atender a reivindicação por impedimento legal. Tanto André Hassem quanto Tião Flores, antecessores de Lopes, foram condenados pelo TCE-AC a devolver recursos para os cofres públicos em razão dos pagamentos considerados irregulares, que somados ultrapassam os R$ 3 milhões.

O ac24horas já conversou com os dois lados da questão por mais de uma oportunidade. O prefeito tucano garante que continuar pagando o reajuste tornado nulo pelo Tribunal de Contas também será sentenciado a devolver os valores. Por outro lado, o Sinteac diz que há saídas possíveis para o prefeito não manter a redução dos vencimentos dos trabalhadores, mas que há falta de vontade para isso.

O prefeito Sérgio Lopes contra-ataca afirmando que o movimento dos trabalhadores não é unânime e tem viés político-partidário. Ele diz que entre os incentivadores das manifestações que vêm ocorrendo há quase duas semanas estão alguns dos adversários que foram derrotados por ele nas eleições de novembro passado, como a professora Neide Lopes, que disputou a prefeitura pelo Partido dos Trabalhadores (PT).

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“Permitir que governadores e prefeitos comprem vacinas é preservar mais vidas”, diz Jéssica Sales

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A deputada Jéssica Sales (MDB) comemorou a aprovação nesta terça-feira, 2, do encaminhamento à sanção presidencial do Projeto de Lei que permite aos estados, municípios e setores privados comprarem vacinas para imunizar a população e colaboradores. Da parte do setor privado, ressalta a parlamentar, a metade das doses adquiridas serão doadas ao Sistema Único de Saúde (SUS), resultando em mais vacinas para imunização de milhares de brasileiros.

A parlamentar garante que a saúde é uma das prioridades de seu mandato e que desde o início da pandemia tem voltado suas atenções para medidas de enfrentamento da Covid-19. Dentro da cota de emendas de bancada, Sales destinou neste ano de 2021, mais R$ 950 mil para ações de combate a doença.

Outra importante medida aprovada pela Câmara para a deputada é a que autoriza R$ 2,5 bilhões para o Ministério da Saúde comprar cerca de 40 milhões de doses de vacinas através da participação no consórcio de países, Covax Facility.

“Temos pressa! Agregar parcerias é ampliar vacinação e isso significa mais vidas preservadas! As pessoas anseiam por isso, clamam por mais vacinas, querem estar imunizadas para se resguardarem e poderem voltar à normalidade”, disse Jéssica.

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