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1 ano após cobrança de mala, passagem sobe 6% em vez de cair como prometido

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Depois de um ano do início da cobrança de despacho de bagagens em voos, em vez de as passagens caírem como prometido, elas tiveram um aumento real médio de 6% (já descontada a inflação).

Além disso, a taxa para o transporte de uma mala de até 23 kg já subiu 67%. A data de um ano conta a partir da cobrança feita pela Azul, a primeira empresa aérea a adotar o procedimento em 1° de junho de 2017.

Quando começaram a cobrar pelo transporte de bagagem em voos, todas as companhias aéreas cobravam R$ 30 para o despacho de uma mala de até 23 kg caso o pagamento pelo serviço fosse feito com antecedência.

Depois de um ano, o valor da taxa já chega a R$ 50 na Azul, um aumento de 67%. No caso da Latam e da Avianca, a taxa subiu para R$ 40, um aumento de 33%. A Gol é a única que ainda continua cobrando o valor original de R$ 30.

A inflação no mesmo período (de junho a abril, último dado disponível) foi de 2,45%. Se fosse reajustado pelo IPCA, o valor atual para o despacho de bagagem deveria ser de R$ 30,73.

Preço médio de passagem subiu de R$ 333,35 para R$ 354,02

Dados da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) apontam que, em junho do ano passado, o preço médio das tarifas aéreas em voos domésticos no Brasil equivalia a R$ 333,35 (o valor já está reajustado com a inflação do período). Em fevereiro deste ano (último dado disponível), o preço médio das passagens subiu para R$ 354,02, um aumento real de 6%.

Para utilizar o mesmo mês na comparação, em fevereiro do ano passado o preço médio equivalia a R$ 330,81. Isso dá um aumento real médio de 7% (já descontada a inflação).

Anac diz que avaliação é prematura; Abear não comenta

A Anac afirmou que ainda não há um relatório específico sobre o tema e que qualquer avaliação até o momento ainda é prematura. Na própria resolução que alterou as regras, a agência estipulou um prazo de cinco anos para uma análise completa dos efeitos das mudanças. “Entretanto, a agência vem acompanhando e construindo mecanismos para aferir os impactos da resolução como um todo, no dia a dia do passageiro e do setor”, afirma, em nota.

A Abear (Associação Brasileira de Empresas Aéreas) também foi procurada, mas afirmou que não poderia fazer um balanço do primeiro ano das novas regras porque estava focada em resolver os problemas causados pela crise de desabastecimento dos aeroportos brasileiros causada pela greve dos caminhoneiros.

Resolução da Anac liberou a cobrança

A cobrança de bagagem foi permitida após a Anac alterar a resolução que trata dos direitos e deveres dos passageiros de avião. Até então, as companhias aéreas eram obrigadas a transportar uma mala de até 23 kg sem cobranças adicionais. A medida foi contestada judicialmente e a cobrança chegou a ser proibida por uma liminar. A Anac recorreu e a cobrança foi liberada.

Na mesma resolução que permitiu a cobrança pelo despacho de bagagem, a Anac aumentou o limite de peso para bagagem de mão de 5 kg para 10 kg.

Veja as regras das companhias aéreas para despacho de bagagem em voos nacionais

Azul

1ª mala de até 23 kg:
– R$ 50 para compra antecipada pelo site, aplicativo ou atendimento telefônico
– R$ 60 para pagamento no balcão do aeroporto

2ª mala de até 23 kg:
– R$ 80 para compra antecipada pelo site, aplicativo ou atendimento telefônico
– R$ 100 para pagamento no balcão do aeroporto

3ª mala de até 23 kg:
– R$ 110 para compra antecipada pelo site, aplicativo ou atendimento telefônico
– R$ 130 para pagamento no balcão do aeroporto

Excesso de bagagem
– Caso ultrapasse a cota de 23 kg, serão cobrados R$ 130 por peça no aeroporto.

Latam

1ª mala de até 23 kg:
– R$ 40 para compra até três horas antes do voo
– R$ 80 para pagamento com menos de três horas para o voo

2ª mala de até 23 kg:
– R$ 60 para compra até três horas antes do voo
– R$ 110 para pagamento com menos de três horas para o voo

3ª mala de até 23 kg:
– R$ 80 para compra até três horas antes do voo
– R$ 200 para pagamento com menos de três horas para o voo

Excesso de bagagem:
– Entre 23 kg e 32 kg: R$ 80
– Entre 32 kg e 45 kg: R$ 160

Avianca

1ª mala de até 23 kg:
– R$ 40 para compra até seis horas antes do voo
– R$ 80 para pagamento com menos de seis horas para o voo

2ª mala de até 23 kg:
– R$ 60 para compra até seis horas antes do voo
– R$ 120 para pagamento com menos de seis horas para o voo

3ª mala de até 23 kg:
– R$ 80 para compra até seis horas antes do voo
– R$ 120 para pagamento com menos de seis horas para o voo

Excesso de bagagem:
– Entre 23 kg e 32 kg: R$ 80
– Entre 32 kg e 45 kg: R$ 160

Gol

1ª mala de até 23 kg:
– R$ 30 para compra nos canais digitais da companhia
– R$ 60 para pagamento no balcão de check-in do aeroporto
2ª mala de até 23 kg:
– R$ 50 para compra nos canais digitais da companhia
– R$ 100 para pagamento no balcão de check-in do aeroporto
Da 3ª a 10ª mala de até 23 kg:
– R$ 60 cada para compra nos canais digitais da companhia
– R$ 120 cada para pagamento no balcão de check-in do aeroporto

Excesso de bagagem:
– Caso a bagagem ultrapasse 23 kg, serão cobrados R$ 12 para voos nacionais e R$ 15 para voos internacionais por quilo excedente. Nenhuma peça pode ultrapassar 45 kg em voos nacionais e 32 kg em voos internacionais.

Gente - Economia e Negócios

Dona França, a “Dama” do Material de Construção no Acre

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Forte, imponente e corajosa. Poderia estar elencando as qualidades da AgroBoi, que em mais de 40 anos de história se tornou uma das maiores referências no ramo da construção em todo o Brasil. Porém, esses adjetivos já têm uma “dona”, a Dona França, que deu vida longa à empresa fundada em janeiro de 1980 na capital do Acre pelo falecido marido, Rodolfo Amaral Gurgel. O estado ganhou uma verdadeira imperatriz que desmistificou um segmento formado em grande parte pelo público masculino.

Apontada por muitos como apenas uma madame, França Barreiros Amaral Gurgel conseguiu calar a boca de um a um quando encontrou a sua verdadeira função na vida: comandar grandes empresas. Antes de chegar a ser o que é atualmente, Dona França pode dizer que passou por poucas e boas, como diz a expressão popular.

Entre tantos, um episódio que lhe aconteceu três meses após perder o esposo foi determinante para seu sucesso como empresária. Ela chorou copiosamente e ininterruptamente por duas horas seguidas depois de se ver sozinha com os filhos, sem o marido, sem gerente de loja e com um empreendimento a ser tocado.  “Mas depois disso eu me fortaleci. Me conscientizei que iria trabalhar e dar continuidade ao ofício que meu marido iniciou. Nós tínhamos uma lojinha pequena e a partir daí só fomos crescendo”, relata, afirmando que aos poucos foi adquirindo conhecimento e dando início à sua gestão.

O sotaque ainda presente é de quem nasceu no interior de São Paulo, em Presidente Prudente. Ela veio para o Acre com o marido e os filhos pequenos em 1979, a convite da mãe e dos irmãos que já estavam por aqui. Faz exatamente 42 anos que a família chegou ao estado com a intenção de abrir um negócio. “A ideia inicial era vir para trabalhar com motosserras, porque na época a região estava sendo aberta. E começamos vendendo esse produto. Depois, passamos a vender sementes e todos os produtos na linha de agropecuários”, explica. Por isso a origem do nome AgroBoi, motivo de dúvidas nos dias atuais, já que a empresa comercializa materiais de construção.

Quando começaram a vender produtos agropecuários, o nome se tornou mais conhecido, tanto que quando decidiram mudar de vez de segmento, optaram por permanecer com o AgroBoi. “Começamos nossa empresa no dia 16 de janeiro de 1980. Em 1987, meu marido, que administrava a empresa na época, resolveu mudar de segmento porque estava havendo uma queda no setor de motosserras e resolveu migrar para material de construção”, esclarece Dona França, ressaltando que essa transição foi lenta. E foi justamente nesse momento que ela começou a florescer o espírito empreendedor.

“Nessa mesma época, em 1987, meu marido ficou doente. Ele teve um câncer. Nós fomos para São Paulo, ficamos lá seis meses, mas no ano seguinte, em 88, ele faleceu, aos 43 anos. Eu tinha 38. Quando eu retornei para o Acre, tive de assumir a empresa”, conta, destacando que esta foi uma das fases mais difíceis que encarou ao longo da vida. França não imaginava que teria de gerir a empresa da família. Ela era professora, lecionava Geografia e Estudos Sociais em São Paulo, e não fazia ideia do que era administrar um negócio.

“Quando vim para cá parei de dar aula e passei a entrar num ramo totalmente desconhecido. Eu não entendia absolutamente nada do segmento. O varejo, o comércio são realmente difíceis para quem não conhece. Naquela época, a AgroBoi só tinha uma loja, que era a localizada no Segundo Distrito, e ainda assim foi muito difícil”, salienta. A empresa começou com uma portinha e cerca de 4 m², ao lado de um açougue e de uma farmácia. “À medida que os vizinhos iam desocupando os pontos ao lado, a gente ia pegando mais espaço. Fomos crescendo até que ficamos com todo o prédio”.

Reviravolta – Mesmo com o sofrimento pela perda do marido, Dona França não pôde viver o luto. Precisou resolver os problemas da empresa mesmo sem nenhuma afinidade com o novo trabalho. Mas o pior ainda estava por vir. “Na época, tínhamos um gerente que era muito bom. Era ele quem sabia de tudo da loja, que tinha contato com fornecedores. Mas dois meses depois que eu assumi, ele pediu demissão. Foi aí que eu entrei em pânico, pois ele que conhecia tudo. Ele ia sair e eu iria ficar literalmente sozinha na coordenação”, relembra.

Entretanto, hoje, quando olha para trás, ela até agradece a saída do então único gerente. “Se ele não tivesse saído, talvez eu tivesse ficado na sombra dele. Ele saiu e eu tive que aprender tudo sozinha. Agora agradeço o fato de ele ter saído e eu ter permanecido sozinha na gestão”, afirma. Mãe de três filhos pequenos na época, teve de contar com ajuda de colegas, representantes comerciais, fornecedores e com sua própria força de vontade para aprender a lidar com o comércio. “Fui estudando, me dedicando. Eu trabalhava muito nessa época. Entrava de manhã e saía meia-noite da loja para poder aprender e conseguir ter conhecimento do máximo que fosse possível”.

Nunca pensei em voltar para São Paulo. Quando meu marido faleceu, meu irmão perguntou se eu quisesse, voltaria para São Paulo para voltar a dar aula. Crianças tinham 5,7 e 9 anos. Se ela quisesse montar uma butique. O negócio era muito grande para quem não tinha experiência. Mas eu disse que não, que ficaria e daria continuidade no negócio e vou fazer crescer isso aqui.

A partir disso, nunca pensei em voltar para Presidente Prudente. Chegamos em Rio Branco em 1979 de vir, ficar 5 anos, ganhar um dinheiro e voltar pra São Paulo. Hoje essa é a nossa terra. Temos um grande amor à nossa terra. Foi aqui que nós crescemos. Quando chegamos aqui nós não tínhamos nada de bens, a gente construiu nossa vida aqui. Meus filhos se casaram aqui, tenho netos aqui. Então nem me passa pela cabeça ir embora do Acre. Tenho até muitas amigas que já foram embora daqui, mas eu não pretendo ir embora.

Preconceito e machismo – Assim que passou a liderar a própria empresa, começou a enfrentar outro problema, que foi o machismo e preconceito por ser uma mulher à frente de um negócio. “No início, havia naquela época certa discriminação pelo fato de a mulher não ser vista no mundo dos negócios. A mulher não tinha credibilidade”, conta. Dona França sentiu o desprezo de fornecedores, representantes e colegas empresários. “Lembro que as pessoas diziam: ‘ai, meu Deus, agora essa madame vai assumir [a empresa] e não vai virar nada”. Mas ela assegura: “Eu nunca fui madame, mas às vezes as pessoas de fora olham e acham isso”.

Pelo contrário, sempre foi mulher de trabalhar muito. Nasceu numa família muito pobre e passou por dificuldades em diversos momentos da vida. “Desde criança trabalhei muito. E essa discriminação em relação à mulher no mercado de trabalho eu só senti nos meus primeiros meses. A partir do meu primeiro ano de trabalho sozinha, os mesmos que duvidaram de mim viram que eu estava fazendo um trabalho sério, levando minha empresa adiante, e passaram a acreditar em mim”, garante.

As pessoas ao seu redor mudaram totalmente a ideia que tinham de que mulher não servia para o mundo dos negócios. “Ouvi muitas vezes no início que a empresa não iria dar certo porque eu era mulher. Mas aos poucos fui mostrando meu trabalho. A minha persistência, a minha dedicação fez com que eu conseguisse vencer. De lá pra cá são mais de 30 anos que estou na frente desse e de outros negócios”, comemora.

Sobre a AgroBoi – Com sete lojas instaladas no Acre e no estado vizinho, Rondônia, a Agroboi é consolidada como líder de vendas nas capitais Rio Branco e Porto Velho, sendo uma das mais representativas da Região Norte. O ranking nacional que enumera as maiores lojas de material de construção aponta que a AgroBoi é a 42ª loja mais importante do segmento de varejo de construção no país, competindo com empreendimentos de todas as regiões.

Nos primórdios, a loja também já foi a maior revendedora de bicicletas Monark da região, vendendo cerca de 300 bicicletas por dia. Hoje, vende tudo relacionado à construção, desde produtos de hidráulica, ferramentas e ferragens, acessórios para banheiro, tintas, pisos e revestimentos, entre outros.

Há mais de 20 anos, a empresa se destaca no ramo perante as avaliações nacionais. Rondônia já possui três lojas da marca, que chegou a Porto Velho no ano de 2008. “Desde 2009 até hoje somos líder no segmento também em Rondônia”, revela Dona França. “Para nós isso significa muito, pois somos de um estado pequeno, onde a representatividade, a população, a economia são menores. E nesse ranking estamos competindo com São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, com o Brasil todo. Então, essa posição que para nós nos dá muito orgulho e representa muito”, assegura a empresária.

O escritório de França é recheado de troféus recebidos pela empresa desde que começou a se destacar no segmento. A AgroBoi é líder na comercialização de cerâmica e foi a primeira empresa a trazer a máquina Selfie Collor ao estado, no ano de 1992, quando a marca lançou no Brasil a opção de o cliente produzir sua própria cor de tinta. “Isso é um fato. Somos líderes na região. Ano passado não houve entrega de prêmio por conta da pandemia, assim como neste ano também, mas todos os anos somos premiados pela Revista Anamaco, que é a Associação Nacional de Material de Construção”, atesta.

As lojas são conhecidas pela diversidade e diferenciação em seus produtos. Isso se deve ao fato de Dona França sempre viajar em busca de novidades para as empresas. “Desde que comecei, em 1988, sempre tive um relacionamento muito bom com fornecedores. Eu viajava muito, participava de eventos e sempre estive antenada nas lojas dos grandes centros do país. Foi quando a gente começou a ver como era por lá e começamos a trazer para cá essa modernidade”, explica.

Numa dessas viagens a trabalho, conheceu um casal de arquitetos em São Paulo que projetam as grandes empresas do sudeste. “Me tornei amiga deles e os convidei para virem ao Acre quando eu estava construindo essa loja da Avenida Ceará. Eles fizeram todo o layout da loja e com isso estamos sempre conectados com as grandes lojas e indústrias do mercado”, aponta.

Primeiro funcionário – Até hoje, o primeiro colaborador da AgroBoi trabalha junto à empresa. Atualmente, gere o setor de logística. José Gutembergue Fernandes atua há 40 anos na empresa e se emociona fácil ao falar do empreendimento. “Iniciei na loja quando éramos só uma porta com alguns sacos de sementes, hoje estou aqui perante um império”, conta. Seu José, de 59 anos, afirma que sua vida foi toda construída ao lado da AgroBoi.

“Dona França e seu Rodolfo praticamente me criaram. Me considero um filho deles. Entrei quando tinha quase 16 anos. Ajudava minha família e seguia a vida. Não tenho nem palavras para falar porque Dona França sempre me deu exemplo de vida, de caráter, de ser humano. Para nós, isso aqui sempre foi uma família”, detalha.

Ele também é testemunha de todos os momentos vivenciados pelo negócio, tanto os bons quanto os ruins. “Os grandes sacrifícios e fases difíceis passamos juntos e isso enraíza o sentimento bom, que sempre foi firme na nossa vida. Pegamos boas fases e outras difíceis, mas nunca deixamos a peteca cair”, garante.

Para ele, os colaboradores têm uma “mãezona” que puxa a orelha, mas que também dá o abraço. “Sempre foi assim. Chamo ela de Dona França porque a situação exige, mas gosto mesmo é de chamá-la de imperatriz, porque ela sempre se comportou como uma, colocando as coisas em seu lugar, exigindo o melhor e nos ensinando a ser exigentes e chegar o mais próximo possível da perfeição”, falou emocionado.

Grupo Irmãos Gurgel e a pandemia – Além das lojas AgroBoi, Dona França ainda contabiliza a sociedade de um supermercado e a propriedade de um posto de gasolina entre seus empreendimentos, que somam mais de mil funcionários direitos. As empresas compõem o Grupo Irmãos Gurgel, que também conta com uma empresa de logística para amparar as necessidades das empresas de material de construção.

O supermercado cujo a família detém 50% da sociedade desde 2017 é o Mercale, que possui duas unidades em Rio Branco e já tem projeto de expansão para o ano que vem. “Comoramos o negócio e montamos todo o conceito da empresa, mudamos o nome, houve uma mudança total. E agora vamos expandir o Mercale, já até começamos o projeto de fazer uma unidade de atacarejo. Este novo mercado que deve abrir em meados de 2022 vem para acompanhar a concorrência”, diz a sócia, ressaltando que, ainda assim, seu foco maior é mesmo na AgroBoi.

“Cerca de 100% do meu tempo é dedicado aqui, na AgroBoi. Apesar de ver e me inteirar de muita coisa do supermercado e do posto de combustível (Auto Posto Gurgel), as lojas tomam a maior parte do meu tempo. O posto de gasolina é uma atividade bem mais fácil de gerir”, salienta, completando que todos os sábados visita as lojas pertencentes ao Grupo para verificar a situação dos negócios.

Expandir os negócios para outros setores sempre foi um desejo de França, que conta com o apoio diário dos três filhos (Luciano, Mariana e Gustavo Gurgel) na gestão das empresas. Mariana atua nos setores administrativo e de Recursos Humanos. Gustavo, o caçula, trabalha no Departamento de Compras da AgroBoi e o mais velho, Luciano, também ajuda na parte administrativa das empresas, mas se dedica mais ao Mercale.

Possuir empresas de três segmentos distintos foi um ponto positivo com a chegada da pandemia do novo coronavírus. “Numa pandemia como essa, por exemplo, se você fica muito restrito a um segmento só, acaba sendo prejudicado. Graças a Deus tivemos a sorte de que todos os nossos segmentos continuaram vendendo. Alimentação, material de construção e posto de gasolina foram setores que não foram impactados, pelo contrário, se mantiveram e alguns até tiveram um disparo”, comentou.

No início da pandemia, a empresária reconhece que as famílias ficaram todas muito reclusas em casa e começaram a ver a necessidade de ter um ambiente residencial melhor. “Mudar a sala, fazer uma cozinha melhor porque já não podiam sair tanto. As pessoas deixaram de ir para restaurantes, mesmo agora com esse indício de retorno, diminuiu muito. As pessoas voltaram mais para o interior de suas casas. Nos três ou quatro meses iniciais da pandemia, o material de construção explodiu, disparou”, destaca.

O mesmo ocorreu com a venda no setor de alimentação, o que ocasionou até alta no preço dos produtos e dificuldade de encontrar matéria-prima, uma vez que o consumo aumentou muito e o país não estava preparado para tal situação.  Além disso, a situação pandêmica ainda aproximou os gerentes e coordenadores de todas as lojas em reuniões virtuais. “Antes disso, eu tinha que ir a Porto Velho uma vez por mês, e agora fazemos reuniões constantes de aprimoramento”, salienta.

Todas as semanas a AgroBoi distribui sopas, marmitas e até sacolões. Entre regiões que são beneficiadas com ações sociais da marca estão o Segundo Distrito da capital acreana e a Cidade do Povo.

Relação com o comércio – França não percebe nenhuma rivalidade mais grosseira entre o mercado local no ramo do material de construção. Pelo contrário, observa bastante respeito entre os colegas e acredita ter uma boa relação com os demais empresários do segmento. Ela sabe que o empreendedor desse setor, bem como o de supermercado, é muito ocupado. “São dois segmentos que exigem muito da gente, uma presença constante. A gente entra de manhã e sai na hora que o vigilante vai embora. Em anos atrás ficava sozinha na loja até tarde, hoje não mais por conta da violência. Mas sei que não temos muito tempo para convivência e isso se acentua pelo fato de não participarmos de associações”.

A AgroBoi não é assídua nos movimentos de associação. Para a dona, pode ter relação com o fato de ela ter iniciado sem muito conhecimento na área e ter se dedicado exclusivamente para dentro de sua empresa. “Nunca me sobrou tempo. Faço parte da Federação do Comércio, mas acompanho muito raramente. Sou muito voltada aos meus negócios. Mas penso que o sol nasce para todos e cada um conquista o seu espaço”, afirma.

Ela assegura que existe respeito, cada grupo com seu próprio público. “Hoje você se diferencia pelo atendimento, pelo que você pode prestar ao seu cliente. A Agroboi é muito respeitada e tem um perfil de cliente diferente de outras empresas. Tem um cliente bem mais exigente, por isso a loja tem que ter um padrão. Isso também nos faz investir muito em treinamentos, cursos, nossa preocupação com isso é muito grande, pois temos um nome e temos de manter essa imagem”, diz Dona França.

O grupo entende que todo lugar é bom para empreender, com pontos favoráveis e negativos, a depender de cada empresário. “O mundo é mais competitivo hoje, então se deve fazer uma análise de mercado, procurar entidades que dão apoio, como o Sebrae, fazer um estudo aprofundado”.

Segredo do sucesso e família – Recentemente, Dona França esteve doente e passou alguns meses em São Paulo para tratamento. Na volta aos trabalhos, resolveu mudar o estilo de vida e dedicar mais tempo à família. “Minha vida sempre foi de muita luta. Dava aula em São Paulo, tinha 74 aulas por semana no Estado e mais 15 na rede privada. Tinha uma média de mais de mil provas para corrigir e elaborar no mês. De ônibus, trabalhava dia e noite. Saía de casa às 5 da manhã e chegava meia-noite. Rodolfo, meu marido, vendia carros quando nos conhecemos e depois se tornou representante comercial”, relata.

Por isso, decidiu que uma vez por semana se reúne com uma parte da família em dias diferentes para aproveitar melhor a companhia. “Uma vez na semana almoço com a família na minha casa. Uma vez por semana faço café da manhã só com meus filhos, onde tratamos de negócios também. E uma vez por semana faço jantar com meus netos abaixo de 8 anos. Não vai babá, nem pai, nem mãe. É a noite que eu me dedico a eles”, conta alegre.

Dos 8 netos que possui, dois têm acima de 20 anos e já trabalham na empresa na família. “O fato de eu passar por muita dificuldade quando meu marido e pai dos meus filhos faleceu, acho que fez com que eles [filhos] vissem isso e não me dessem trabalho”. Para não deixar os filhos na adolescência sozinhos, já que dedicava todo seu tempo aos negócios, os colocou num colégio interno de São Paulo. Quando retornaram para o Acre, começaram a trabalhar com a mãe.

Trabalhar com a família tem um lado bom e o ruim. “Acabamos tendo um relacionamento muito comercial. Mas eu procuro destinar algumas horas da semana para o convívio com a família. Não sou uma avó comum, não tenho tempo. Mas faço algo hoje pensando na união da família. Minha preocupação é manter a família unida e os filhos juntos. Procuro compartilhar meu tempo dessa forma com eles, porque é difícil compartilhar o dia a dia”, assegura.

No auge dos 70 anos de vida, Dona França acredita que a determinação é fundamental a quem deseja galgar os passos no ramo empresarial. Acompanhar de perto a empresa e ter amor ao trabalho é item de necessidade básica. “O primeiro passo mesmo é o amor, gostar daquilo que faz. Procuro passar isso para nossos colaboradores, pois passamos a maior parte da nossa vida aqui dentro e se não tiver amor, não conseguimos nada. O único lugar em que o sucesso vem antes do trabalho é no dicionário. O sucesso é uma escalada e você vai subindo degrau por degrau”, explica.

Para ela, a honestidade, transparência e bom relacionamento com fornecedores e clientes são seu diferencial. “Nós dependemos dos fornecedores e clientes e ter esse bom relacionamento traz confiança. Ter pontualidade nos negócios. Sempre primamos pela pontualidade no pagamento. Se um boleto for pago com atraso, a pessoa que errou na programação, paga. Só se ganha crédito junto a bancos e fornecedores se você tiver um histórico de pontualidade e num ramo como o nosso, nós precisamos de crédito e para isso, precisamos ser confiáveis”.

Isso é aplicado aos funcionários. “Nunca na história eles receberam com um só dia de atraso. Pagamento aqui é até o 5º dia útil. Tendo ou não tendo dinheiro, a empresa tem que procurar dinheiro no banco. O funcionário tem compromisso e depende daquilo para viver. São fatores que fazem com que nossos colaboradores valorizem o local de trabalho e isso é muito importante”, destaca França.

Apesar de ser paulista, Dona França considera o Acre como sua terra e com toda a experiência criada ao longo do tempo, se sente feliz por finalmente perceber que criou uma sucessão da história da AgroBoi com a família. “Isso tudo vai ser passado para meus filhos. Fico feliz de saber que eu fiz a minha sucessão. Se Deus me levar, a empresa vai ter quem a conduzir”, finaliza.

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Gente - Economia e Negócios

Raimundo Noleto chegou a dormir em cabana improvisada após a falência e antes de refazer a vida de empresário com a Villa Caldo

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Superação é a palavra que melhor define o empreendedor Raimundo Moreira Noleto, de 62 anos. Há aproximadamente oito anos, viu a empresa dos seus irmãos entrar em declínio. Foi no supermercado Casa dos Cereais que seu Raimundo, como é conhecido, sustentou a família e desenvolveu a função de Diretor Comercial por quase 22 anos. No entanto, encarou um destino cheio de reviravoltas, que nem mesmo ele imaginava vivenciar.

Antes de dar a volta por cima, enfrentou o desemprego, dificuldades financeiras, desilusões e até frio. A empresa que ele inaugurou em 2017 é testemunha de tudo que passou para conseguir mudar a realidade após deixar o supermercado. Uma cabaninha com um engenho velho de cana de açúcar fez surgir a Villa Caldo, ambiente peculiar, diferenciado e promissor na capital acreana. Para comprar o terreno, fez uma troca com o proprietário. Construiu uma casa de 350 m² com as próprias mãos e ajuda de amigos e familiares para obter a área pequena de terra, que fica às margens direita da entrada do bairro Tancredo Neves.

Seu Raimundo chegou ao Acre vindo da cidade Gurupi, no Tocantins, em 1999.  Ele e seus 14 irmãos sempre tiveram contato com o comércio desde criança. A família sempre esteve envolvida com pequenas vendas de frutas, verduras e grãos. “Meus irmãos vieram primeiro, há cerca de 28 anos. Eu estou há 22 anos nessa terra boa que é o Acre. Vim trabalhar com meus irmãos porque estava passando por um momento difícil na minha cidade. Eles me chamaram e resolvi vir”, conta.

Assim que chegou a Rio Branco, ajudou a ampliar a Casa dos Cereais, quando quatro irmãos já estavam gerindo o mercado. Desde que chegou, assumiu a diretoria comercial do empreendimento, mas era um diretor que fazia um pouco de tudo. “Eu colocava a mão na massa mesmo. Agorinha mesmo estava ali em cima do telhado arrumando umas coisas. Eu faço soldagem, massa, sou pedreiro, serralheiro, faço tudo, principalmente nesse momento de recomeço”, salienta.

Após o fechamento da Casa dos Cereais, seu Raimundo foi um dos únicos que ainda quis seguir no ramo. Alguns voltaram para Tocantins, outros permaneceram, mas dedicados a outros negócios. A maioria desistiu do comércio. “Eu continuei porque sou uma pessoa que gosta sempre de se superar. Superação é meu forte. Para mim, não tem tempo ruim”, afirma.

Após o fechamento da empresa, a família toda ficou desempregada. “Quando [o supermercado] fechou eu tinha 55 anos, isso já faz quase 8 anos. Eu sei recomeçar, eu gosto de recomeçar. Da mesma forma que o Brasil, em alguns critérios, tem que recomeçar, eu também tenho. A gente aprende isso no decorrer da vida e é bom para podermos continuar gerando oportunidade de emprego para as pessoas”, garante.

De portas fechadas – A reportagem procurou saber de Raimundo, uma das pessoas mais inseridas na condução do supermercado Casa dos Cereais, o que pode ter acontecido para que uma empresa já consolidada no mercado não conseguisse mais manter as portas abertas. A experiência lhe fez observar erros e equívocos, inclusive de sua parte.  “Acredito que podemos ter transferido responsabilidades antes da hora, pode ter faltado uma boa gestão também. Mas aprendi muito com meus irmãos”, ressalta.

Além da questão da carga tributária, dificuldades no então sistema de mercado, o empresário conta que também faltou mais ousadia para poderem acompanhar a concorrência. “As coisas foram evoluindo, mas não investimos. Saí da empresa antes de fechar, mas já estava com alguns problemas. Faltou motivação minha também. Me arrependi de ter saído cedo, deveria ter capacitado mais pessoas para entrarem em meu lugar”, aponta Raimundo.

Entre o conjunto de fatores que pode ter favorecido a falência do empreendimento, ele detalha ainda certa falta de garra, principalmente da família, por se tratar de uma empresa familiar, que chegou a ter oito irmãos no comando.

Quando decidiu entrar no comércio novamente, alguns de seus irmãos questionaram e perguntaram se Raimundo “estava doido”. A idade já avançada, o cansaço, pareciam ser empecilhos para o começo de uma nova trajetória. “Hoje alguns deles vêm tomar café comigo”, brincou. “Eu digo que não estou velho. Se Deus me der 100 anos, quero trabalhar enquanto eu tiver vida. Gosto de empreender, capacitar e formar pessoas. Não penso só em mim”, destaca.

Seu Raimundo chegou a gerir mais de 400 funcionários no auge da Casa dos Cereais. Hoje, recomeçando com mais de 10 colaboradores diretos, fora os indiretos, acredita que o empreendedor não só acerta, mas erra também nos negócios. “Em determinados momentos, junto a meus irmãos, na hora de tomar uma decisão, a maioria ficava em dúvida sobre o quê fazer e eu que tinha que dar a palavra final. Quando se acerta, beleza. Mas quando erra, não é bom”, lamenta.

Concorrência desleal – Outros problemas também são apontados como cruciais para o fim da era Casa dos Cereais. Erros ocorridos involuntariamente à ação dos empresários naquela época. “Existia quase que uma concorrência desleal, por ter tido empresas que de alguma forma eram favorecidas e outras não. Nós sentimos muito isso. Conversava sempre com empresários e eles relataram também perceber que uns tinham benefícios e outros não tinham. Às vezes um acumulava dívidas no recolhimento de ICMS, e ficava por isso mesmo. Em muitos lugares isso acontece e é muito ruim, pois promove uma concorrência desleal”, detalha seu Raimundo.

Um momento que a empresa sentiu uma suposta concorrência desleal foi quando se dirigiram ao banco para fazer um financiamento. “A gente via que só os ‘grandes’ tinham acesso. Havia uma coisa meio politizada. Quando nossa empresa estava no auge e precisávamos fazer investimentos, arrumei toda a papelada, dei entrada e a superintendência disse que não iria financiar mais nenhum mercado, pois a cidade não comportava mais esse segmento naquela época”, relembra.

Mesmo com tantos impedimentos, ele garante que nada vai lhe parar. “Primeiro porque confio muito em Deus, minha família toda é evangélica. Há muitos colegas empresários que até hoje não nos abandonaram. Tem pessoas que às vezes some quando alguém passa por dificuldades, pois para alguns só valemos o que temos. Mas trato todo muito bem, esse é meu diferencial. Trato igual o rico, o pobre, a prostituta, todos de maneira igual”.

O recomeço – Quando pensou em dar vida à Villa Caldo, abriu um pequeno ponto, uma espécie de cabana, onde ele dormia lá mesmo, numa barraquinha. “O recomeço foi na barraquinha. Comprei um engenho de cana usado e fui trabalhar. Chamei meus três filhos para montarmos essa banca, que hoje é a Villa Caldo”.

O espaço já triplicou de tamanho desde que foi aberto. Hoje tornou-se ponto de encontro ou lugar favorito para as compras do dia a dia dos moradores da região. “Graças a Deus está dando certo. Faz quatro anos que começamos e tentamos fazer tudo diferente. Eu disse: não vamos concorrer com ninguém, vamos fazer algo diferente. Aqui ainda não está nem 10% do que ainda pretendemos chegar”, relata Raimundo. A ideia é chegar a construir um negócio bem maior e expandir filiais por outros bairros de Rio Branco. “Estamos nos primeiros passos ainda”, assegura.

A Villa Caldo – A Villa Caldo é o resultado de um processo doloroso, mas ao mesmo tempo rápido. Foram poucos anos de trabalho para que o empreendimento ganhasse forma e se tornasse uma referência nos arredores do Tancredo Neves e Adalberto Sena. O nome foi um cliente fiel que lhe sugeriu. Começou primeiramente com a venda de caldo de cana, progrediu para uma frutaria e hoje já vende de tudo, com uma espécie de conveniência e lanchonete.

“Antes de começar, falei com Deus. Disse a ele que a empresa [Casa dos Cereais] fechou, que estávamos com dificuldades e que eu queria uma oportunidade. Pedi para Deus uma oportunidade e para me capacitar para administrar essa outra oportunidade. E Deus nos deu”, comemora.

Para se tornar o que é hoje, a Villa precisava de um terreno. “Um dia chegou um rapaz aqui oferecendo essa área de terra. Ele disse que queria fazer uma casa e por isso precisava vendê-lo. E eu, sem nada no bolso, disse: eu construo a casa para o senhor. Assinamos papéis, assumi o terreno e comecei a vender nesse local”. Seu Raimundo foi usando o dinheiro com as vendas no terreno para construir a casa do então proprietário. “Foi uma troca. Fiz uma mansão de 350 metros em troca disso aqui. Com minhas mãos e outras pessoas ajudando”, afirma.

Nesse período, seus irmãos também o ajudaram. O terreno enfim foi passado para seu nome depois de dois anos até conseguir terminar a casa. Desde criança, Raimundo sempre teve instinto construtor, de arquiteto, na verdade gostaria de ter se tornado arquiteto, mas acabou enveredando pelo comércio. Porém, formou um dos três filhos em arquitetura.

A Villa Caldo também foi ele que levantou com as próprias mãos. “Fizemos tudo aqui, antes disso, só tinha o chão. Tem muitas coisas que passam em nosso coração, mas quero que esta seja uma empresa que tenha muito relacionamento com as pessoas, que trate bem, faça clientes, que tenha produtos diferenciados e que as pessoas venham de todos os cantos da cidade comer aqui e conversar com a gente”, diz.

O destaque que ele deseja para a empresa não diz respeito só a proporção, mas de utilidade tanto para quem trabalha na Villa Caldo quanto para outras pessoas que possam se espelhar nesse empreendimento. “Na Casa dos Cereais, muitas pessoas passaram a criar comércios parecidos, comércios pequenos e populares. Isso é muito bom. Muita gente ia lá pedir ideia para nós sobre negócios. E quero que esta seja uma empresa referência, se Deus permitir”.

Como fruto do sucesso da Villa Caldo, a família de seu Raimundo, mais especificamente encabeçada por um dos filhos, abriu Constru Villa, loja especializada em materiais de construção, que fica bem ao lado da Villa Caldo. “Temos ainda um mercadinho rápido, como se fosse uma espécie de conveniência, para quem está apressado e não quer entrar num supermercado maior. Temos de tudo”.

A Villa Caldo também é uma empresa familiar, mas o que seu Raimundo não quer, é cometer as mesmas falhas que cometeu antigamente como gestor. “Certa vez um senhor veio aqui comprar uma melancia e na ida deixou a melancia cair e ela quebrou. Fui lá e dei outra para ele. A gente não paga o mal com o mal, mas como bem. Falo sempre aos meus filhos que devemos ter um bom relacionamento e encantar pessoas, tratar bem. Quando eu estava na Casa dos Cereais, havia um funcionário nosso chamado Paulo César, que era aquela pessoa que atendia todo mundo muito bem. Ele já voltou para Tocantins há 8 anos e até hoje tem gente perguntando por ele aqui. Se a pessoa tem bom relacionamento, onde ela estiver, vai se dar bem”, assegura.

Política – Raimundo Noleto já foi vereador na década de 90 na cidade de Gurupi. A política também está no sangue da família.  Nas últimas eleições, também se colocou como candidato a vereador por Rio Branco, mas guarda algumas mágoas. “A gente entra com uma intenção, mas vê que tudo é diferente. Os políticos hoje não pensam muito nas pessoas, eles pensam em seus impérios. Mas gostaria de participar mais da política, até porque quando vim para o Acre, pedi para Deus que eu pudesse ser útil na família, na igreja e na sociedade também”, declara, afirmando sempre ter tido bom relacionamento com todos os políticos.

Expectativas – Raimundo diz que não é muito bom com as palavras de conselho, mas vê que hoje, com 14 milhões de desempregados no Brasil, é preciso que o trabalhador valorize as oportunidades que tem na vida e administre bem o que ganha. “As pessoas gastam mal, trabalham mal e isso acaba desmotivando. É preciso trabalhar para o seu próprio crescimento e saber que só vai crescer se for uma pessoa ousada”.

Para ele, mesmo que o mundo do comércio tenha mudado nas últimas décadas, o diferencial é e, sempre será, o material humano. “Tinha uma senhora que ia até seis vezes por dia ao nosso mercado. Certa vez perguntamos e ela disse que ia até lá tantas vezes porque gostava do ambiente, de ficar conversando. Lembro muito disso”.

O sucesso da Villa Caldo já fez com que o produto que planta cana tivesse que aumentar seu canavial para suprir a demanda de seu Raimundo.  Com isso, mais empregos foram gerados nos últimos quatro anos. O produtor começou a vender cana com 5 hectares e hoje já possui quase 20.

“Eu gosto disso, de estar nesse negócio de proporcionar oportunidade de emprego para alguém, assim eu acho que estou cumprindo meu dever. Nossa riqueza é fomentar negócios. Na Casa dos Cereais, capacitei muitas pessoas e hoje muitos se tornaram empresários, donos de supermercados. Um rapaz que trabalhou conosco voltou para Tocantins e abriu um mercado grande”, ressalta.

Seu Raimundo ainda tem o sonho de ver um projeto instalado no país semelhante ao que ocorre em países asiáticos, onde o estado age para impedir o fechamento de empresas, principalmente as familiares. “O governo japonês tinha uma escola de administradores e gestores para quando uma empresa passasse por dificuldades, fosse um desses profissionais inseridos no estabelecimento para levantar aquela empresa. Assim, evitava que a empresa chegasse à falência”, comentou.

A duras penas, aprendeu que nem toda empresa familiar tem necessariamente um bom gestor e por isso a necessidade de se aprimorar na área. “Aprendi muito em minha caminhada como empresário no Acre e espero poder contribuir com muito mais”, conclui.

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Acreano que não tinha dinheiro para o pão na infância abre fábrica referência em panificação no estado

Empresário quer fazer da indústria de panificação a maior da Região Norte nos próximos 10 anos

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O pão nosso de cada dia está diferente há pouco mais de cinco anos no Acre. A criação da Acrepan está fazendo do estado uma referência na fabricação e na distribuição de insumos da panificação, tanto em cidades acreanas, como também fora do estado. Um menino pobre, que não tinha moedas e só podia ver os pães na vitrine de uma “taberna” na infância, é hoje dono da marca que utiliza aproximadamente meia tonelada de trigo por dia para atender a demanda de oito tipos de produtos comercializados.

O empresário acreano Carlos Ferreira da Rocha, de 43 anos, proprietário da Acrepan, é um claro exemplo de que quando se sonha, pode torná-lo realidade. Nascido no seringal São Pedro, interior do município de Xapuri, conseguiu mudar a realidade humilde até alcançar sua meta: formar-se em Gastronomia e dar início ao sonho de ter seu próprio negócio. Agora a meta é outra, fazer da Acrepan a maior indústria de panificação da Região Norte. Um sonho completamente possível e que já está sendo trabalhado para que seja alcançado.

Carlos já trabalha no segmento da panificação há mais de 25 anos. Ele começou como auxiliar de padaria no então supermercado Araújo, no ano de 1996, quando saiu do interior e veio para a capital, Rio Branco, aos 18 anos. Lá, fazia um pouco de tudo, limpava o maquinário e todos os equipamentos usados na produção de pães. “Após isso, cheguei a me tornar gerente de loja no antigo supermercado Dayane. Trabalhei em vários lugares até conseguir me formar no curso de Gastronomia”, diz. Ele é o único acreano com duas especializações na área feitas fora do país, sendo uma delas realizada em Barcelona, na Espanha.

A formação em Gastronomia só foi possível com muita força de vontade. À época, o Acre não dispunha do curso e Carlos teve de pesquisar na internet uma instituição que misturasse aulas não presenciais com práticas presenciais, e encontrou uma em São Paulo. “Fui me qualificando, trabalhando nas empresas, e em 2015, no auge da crise dos últimos anos, resolvi sair do local onde eu já estava estabilizado há uns cinco anos, com um salário até razoável”, conta. Nessa época, atuava como técnico em panificação e coordenava uma equipe de nove técnicos. “Decidi sair depois que um colega, que tem uma indústria de insumos para panificação, veio me visitar no Acre. Andando pela cidade, ele notou que todos os supermercados fabricavam seu próprio pão, ou seja, não existia uma fábrica de pão por aqui”, relembra.

Foi aí que Carlos começou a ficar pensativo sobre a percepção e andou pensando sobre a possibilidade de abrir uma fábrica. “Tenho uma história longa de panificação no Acre, já trabalhei em todos os supermercado da cidade, só que esse trabalho não era o que eu queria de fato, porque sempre gostei mesmo foi de produção, de, literalmente, botar a mão na massa”, esclarece. Ele resolveu amadurecer a ideia e passado um ano, ainda não esquecia do projeto. “E então, em 2015, eu pensei: cara, vou abrir uma fábrica de pães”.

Início ao sonho

Após pedir demissão, Carlos começou a montar a Acrepan. No entanto, só a parte burocrática para abrir o CNPJ da empresa demorou quase um ano. “Comecei a mexer na papelada em novembro de 2015 e fui conseguir abrir, funcionar mesmo, em novembro de 2016. Começamos a funcionar no dia 19 de maio de 2017, quando emitimos nossa primeira nota fiscal, no valor de R$ 165, guardada até hoje”, relembra.

Com a fábrica montada legalmente, era hora de procurar um imóvel para instalar a indústria. “Comecei totalmente sem recurso. Brinco dizendo que não comecei do zero, comecei do negativo. Porque até para pagar as taxas de abertura do CNPJ, tive de pegar dinheiro emprestado com amigos”, revela. No início, era só Carlos, seu filho e mais dois ajudantes. A secretária tinha de faturar as notas de casa, pois não havia escritório na empresa.

“A gente mesmo que produzia, embalava e entregava os pães. A partir daí fomos crescendo no ambiente. Não tínhamos dinheiro para comprar as máquinas, nem um prédio, só tinha a vontade de trabalhar. O maquinário de panificação é muito caro, por isso fui procurar uma única pessoa que pudesse me ajudar”, detalhou.

Onze meses sem pagar aluguel

O prédio em que funciona a Acrepan até hoje pertence a um amigo de Carlos Ferreira. Esse amigo, servidor público, abriu em anos atrás uma panificadora na região da Isaura Parente. O negócio só funcionou por uns seis meses e o dono acabou fechando. “Também sou consultor em panificação e havia dado uma consultoria para ele e continuamos a ter contato. Quando decidi abrir a fábrica, sabia que minha única saída seria aquele prédio, porque já estava pronto, com todo o maquinário necessário e comecei a convencê-lo de me alugar o prédio”, explica o gastrólogo.

No período de quase um ano que passou para abrir e colocar para funcionar o CNPJ da Acrepan, Carlos ficou convencendo o amigo a alugar o prédio. “Passei 11 meses sem pagar aluguel aqui porque a gente não tinha condições. E o dono nunca me tirou daqui, nunca me ameaçou, nem pediu o prédio. Com 11 meses, ele me chamou e perguntou sobre como estava a empresa”, relata o empresário, que teve receio de ter de entregar o espaço. “E eu disse que a Acrepan estava começando a engrenar naquele momento. Foi então que o dono do imóvel viu que eu era uma pessoa que queria realmente trabalhar, correto e não queria tirar vantagem ou ser um oportunista. E ele me disse: vou perdoar esses 11 meses atrasados”.

O proprietário da Acrepan recebeu com emoção a notícia, uma vez que não teria condições de pagar. “Fui começar a pagar o aluguel em 2017, quando começamos de fato a crescer como empresa. Só que a empresa trabalhou no vermelho até 2018. O primeiro ano que a empresa deu lucro mesmo foi no ano de 2019. Até lá eu não tinha nem salário e passava até três meses com o salário dos funcionários atrasado, porque até então não gerava renda. O custo para manter a Acrepan estava mais alto que nosso faturamento”, salienta.

Formando a rede de clientes

Como Carlos sempre trabalhou com panificação, até mesmo no início de sua empresa teve a oportunidade de encontrar portas abertas ao seu empreendimento. “Eu conhecia muita gente e as coisas foram acontecendo por conta do meu trabalho de mais de 20 anos na panificação. As pessoas confiavam em mim. O primeiro cliente que consegui cadastrar a Acrepan foi o Atacadão, uma das maiores redes atacadistas do Brasil”, comenta.

No início, a embalagem de seus produtos era transparente, só com um adesivo colado de forma artesanal e elaborado numa gráfica local. “Isso abriu portas em outros lugares, como o supermercado Pague-Pouco, Arasuper. No começo eu só tinha cinco produtos, que era o pão de forma, hot-dog, pão de hambúrguer, o integral e pão 12 grãos”. A Acrepan foi aberta inicialmente para vender apenas para supermercados, mas Carlos percebeu que não tinha volume suficiente para atender esse nicho. Foi quando seu filho, Lucas Rocha, teve a ideia de oferecer os pães para as hamburguerias artesanais.

“Daí pensei em criar um pão diferente, fazer algo realmente diferente. Ficava me perguntando como o Bob’s ou McDonald’ s fazem aquele pão padrão, lisinho, bonito e um cliente me exigiu um pão com uma qualidade fora do normal. Passei seis meses desenvolvendo essa receita, até desenvolver nosso brioche como conhecemos. Hoje, o brioche juntamente ao pão de alho é um dos nossos principais produtos”, conta o empreendedor.

Atualmente, os produtos da Acrepan estão em todos os supermercados da cidade, no interior do Acre e em Porto Velho, cidade do estado vizinho de Rondônia. “Hoje já tem outras empresas que se inspiraram na gente e fico feliz com isso, porque a gente abriu um nicho de mercado que não tinha aqui. Já até perdi clientes para concorrentes que apareceram depois, mas isso é normal no mercado e não fico chateado, pois, quando um concorrente abre negócio parecido, ele me força a melhorar o meu”, destaca.

A única atitude que o deixa chateado é quando a concorrência “queima” o produto na linguagem do mercado. “É quando ela não tem o mesmo custo que eu tenho para estar com a empresa aberta. Não paga todos os encargos trabalhistas dos colaboradores, como eu pago, já que todos têm carteira assinada, EPI’s, fardas novas, e aí a pessoa faz o pão no fundo do quintal, de qualquer jeito, e prostitui o mercado”, declara.

A virada de página da Acrepan

A empresa explodiu de clientes com o sucesso das hamburguerias na capital acreana. Muitas começaram a procurar o pão brioche que só a Acrepan tinha. Mesmo na pandemia, chegou um momento em que o negócio já não dava conta de atender a clientela. “Chegamos a ter de dispensar clientes, pois foi um momento em que muita gente estava vendendo hambúrguer. Nessa época, nós fazíamos entrega dos pães pela cidade toda só com um carro. Foi quando tomei uma das decisões mais difíceis da empresa, que foi a de não fazermos mais entrega”, diz Carlos.

Os funcionários recuaram, temendo perder clientes após anúncio de que não fariam mais entregas. “Mas eu disse: tem pão em todo canto, mas não tem o da Acrepan. Agora, é retirado na fábrica, do mesmo jeito que retiram a carne e as verduras. Atendíamos 23 hamburguerias e ficamos com 17, perdemos 6 clientes nessa época”. Porém, com a melhoria no atendimento e mais qualidade no produto, a empresa subiu o número de hamburgueiras atendidas de 17 para 70. “Às vezes, para ganhar, a gente tem que perder. O empreendedor precisa ter essa visão. Não adianta eu oferecer uma comodidade que não vai permitir um bom atendimento. Isso fez com que a gente desse um atendimento de qualidade.

Diferencial

A ideia do idealizado é que um dia os acreanos saiam de casa não para um simples pão, mas para comprar Acrepan. Para isso, a marca trabalha para se tornar o popular e ser um produto que todos conheçam, mas não pelo preço, e sim pela qualidade. “Temos um sistema rigoroso de controle de qualidade. Os produtos que fazemos e ficam abaixo da qualidade exigida, nós doamos, ou para instituições de caridade ou deixamos aqui na entrada do prédio para quem precisa”.

A empresa também tem uma parceria com a Fundação Afif Arão, onde um determinado percentual de faturamento da Acrepan é destinado aos projetos sociais da fundação. “Essas coisas nós não divulgamos porque só queremos que essas pessoas atendidas sejam abençoadas, não queremos ganhar mídia em cima disso”, diz Carlos.

Em quase seis anos de existência, a Acrepan possui hoje 39 colaboradores. “Quando começou a pandemia, tínhamos 12 funcionários. Em um ano, contratamos mais 25 colaboradores. Tudo isso graças à aceitação dos clientes, que consomem nossos produtos e nos dão um feedback positivo. Em nossas redes sociais, só recebemos muitos elogios”.

Todos os meses o proprietário da Acrepan reúne os colaboradores para degustação dos produtos. “Se o colaborador não consumir esses produtos, como vou vender para alguém? Sempre pergunto se eles comprariam nosso produto, se pagariam por ele. Somos muito exigentes com a qualidade. Tento comprar os melhores ingredientes, produtos, qualificar a equipe, dar treinamento. Quando percebo que cai a qualidade de alguma coisa, entro na produção. Até hoje acompanho a produção para manter a qualidade dos nossos produtos”, diz Carlos. Hoje, a Acrepan dispõe de nove produtos diferentes nos supermercados e lança na próxima semana mais um produto que terá 8 sabores diferentes, que serão os brownies.

O dono acredita que o valor de mercado da Acrepan é muito maior atualmente do que um ano atrás. “Tínhamos 600 seguidores e subimos para quase 7 mil em um ano”, explica. A marca atende, além de Rio Branco, clientes de Cruzeiro do Sul, Capixaba, Mâncio Lima, Senador Guiomard, Xapuri e Brasileia. “Onde tem rota terrestre a gente atende, alguns fazemos entrega e outros enviamos pela transportadora. Começamos entregando no meu carro e hoje a empresa tem 4 carros furgões”.

Novo prédio

Além dos pães, também estão comercializando os insumos para outras padarias, como fermentos, melhorador, manteiga e gordura. “A gente juntou a fábrica com a distribuição, por isso também estamos construindo um prédio novo, fazendo investimento alto dentro do Parque Industrial, para unir o depósito da distribuição”, ressaltam pai e filho.

A Acrepan já está vendendo esses insumos e o pão de alho para Porto Velho. “Por isso pensamos que é possível nós nos tornarmos maior rede de panificação do Norte. Primeiro que tudo que você fala se materializa, e a gente profetiza isso desde quando não vendíamos nada para ninguém”, salienta o proprietário. A previsão é que toda a empresa se mude para o novo local até outubro de 2021, onde começarão a trabalhar com equipamento novo, moderno e industrial.

“Hoje a máquina de fatiar pão de forma é simples, fatia 10 pães em 5 minutos. A que estamos comprando fatia 50 pães em 5 minutos. Com isso vamos atender mais mercado, produzir mais e não vamos demitir e sim contratar mais”, garante Carlos, que pretende lançar até o final deste ano o sabor calabresa e um doce do pão de alho.

Funcionário em primeiro lugar

Carlos tem especialização em Confeitaria Fina e pães rústicos. Segundo ele, a Acrepan tornou-se uma empresa familiar. Há quatro funcionários que pertencem à mesma família, além de ter aqueles que estão no trabalho desde o início da empresa. “Estamos passando por uma meta do Sebrae que diz que uma empresa para se consolidar no mercado começa a dar lucro a partir do terceiro ou quarto ano. Já estamos indo para o sexto ano cada vez mais contratando”.

O empresário acredita que cresceu rapidamente por sempre estabelecer um tripé nos negócios. “Em primeiro lugar estão nossos colaboradores, em segundo nossos processos de produção, faturamento, entrega e o terceiro é o produto. Se temos um produto espetacular é porque ele passa por pessoas satisfeitas, bem remuneradas, felizes e contentes com seus trabalhos”.

Ferreira reconhece que tem a receita boa dos pães, mas que o funcionário vem em primeiro lugar. “Hoje pagamos o melhor salário de padeiro, pois valorizo a minha categoria”, destaca.

Com 25 anos de vida dedicados à panificação, o dono da Acrepan tem a meta de tornar a empresa a maior empresa da Região Norte no ramo. “Com a qualidade dos nossos produtos, acredito que já estamos entre os melhores em apenas 5 anos de funcionamento. Chegar na maior indústria de pão é uma meta que a gente trabalha não só no coração, mas correndo atrás e produzindo para que isso aconteça. E ninguém melhor que eu, que tenho uma vasta experiência, para fazer isso. Melhor do que vir outra empresa de fora e montar. Sei que ficaria com aquele pensamento de que era para eu ter feito”, finaliza.

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Ex-cortador de seringa e servente de pedreiro é dono de três redes farmacêuticas no Acre

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Uma história de vida semelhante à de muitos acreanos. De origem humilde, um jovem de 16 anos muda-se de Tarauacá, interior do Acre, em busca de uma melhor situação financeira na capital do estado. No entanto, viu seu destino diferenciar-se dos demais ao traçar uma meta. Ele tinha planos, projetos grandes, mesmo ainda sendo tão pequeno. Foi assim que José de Oliveira Cruz, o famoso ‘Edson da Hoje Cosmetics’, conseguiu se tornar um dos 20 maiores empresários em arrecadação de impostos e tributos pelo governo estadual.

Uma curiosidade é que até hoje ele não sabe de onde surgiu o nome ‘Edson’. É chamado assim desde criança, mesmo com nome de batismo sendo outro. A infância e juventude difíceis não foram empecilho para que José de Oliveira alcançasse seus objetivos. Pelo contrário, foram combustíveis para a construção do Grupo J-Cruz, que detém atualmente 28 empreendimentos em operação voltados à saúde e beleza, e com meta de chegar a 50 empresas em atividade nos próximos dois anos. Hoje, aos 47 anos, Edson olha para trás com orgulho de todos os processos que passou até erguer seu próprio império.

Antes de se tornar proprietário de algumas das maiores redes farmacêuticas no estado, o empresário enfrentou diversas dificuldades. Há 32 anos, quando chegou a Rio Branco, morou com familiares no bairro Taquari, onde manteve uma vida também humilde. “Após uns três meses vivendo aqui, fui cortar seringa na estrada de Xapuri com meu tio. Fiquei um período de três meses por lá e voltei para a capital novamente, mas não consegui nenhum trabalho aqui, até porque nesse período eu tinha por volta de 16 anos”, explica.

Com isso, apareceu serviço numa pedreira situada em Fortaleza do Abunã, no estado vizinho de Rondônia. “Fiquei nessa pedreira cerca de um mês e meio e voltei para Rio Branco, onde consegui trabalhar como servente de pedreiro”. Por conta do porte físico pequeno e a pouca idade, Edson recebia só a metade do dinheiro pago a um servente por semana na época. Este foi o acordo que ele fez com o contratante. “Fiquei um período de 2 anos e meio trabalhando com isso, até os 18 anos. Creio que o dono me ofereceu esse serviço mais por uma questão de necessidade mesmo, para me ajudar”, relembra.

Ele voltou a Xapuri novamente para ganhar dinheiro cortando seringa, já que não conseguia se dedicar somente aos estudos na capital. Pouco tempo depois, um colega que havia trabalho com Edson como servente de pedreiro o indicou para uma vaga de trabalho ao dono de uma farmácia. “Esse colega que trabalhou comigo me levou para onde ele estava trabalhando. Quando ele foi pra lá, me disse que também tentaria me levar para um lugar melhor, e me levou”, conta.

Esse lugar era um pequeno comércio ao lado de uma farmácia, o primeiro contato que Edson tivera com esse modelo de negócio que transformaria sua vida para sempre. O proprietário precisava de alguém para trabalhar com a comercialização de alho. “Fui me destacando, trabalhando, ali na cabeceira da ponte, na região do Mercado da Gameleira, com seu Eugênio. Nesse prédio havia duas saídas, de um lado funcionava farmácia e do outro a venda de alho”.

Quando acabou a safra do alho, seu Eugênio convidou Edson para sair do pequeno comércio e ajudá-lo na farmácia. “Lá eu passava pano, limpava os medicamentos, organizava tudo. Foi assim que começou minha carreira no segmento farmacêutico. Isso foi há 25 anos, em meados de 1996”, conta. Desde então, ele começou a gostar do negócio, já por volta dos seus 19 anos. Até que num belo dia, seu Eugênio falou: “Edson, eu queria que você fosse com meu filho cuidar da farmácia do bairro Aeroporto Velho”. Edson era quase três anos mais velho que o filho do patrão. No novo endereço, passou um tempo cuidando da farmácia como uma espécie de gerente.

Onde tudo começou

Nesse período, seis meses depois de assumir a gerência do empreendimento no Aeroporto Velho, Edson conseguiu comprá-lo e torná-lo sua primeira farmácia, intitulada Droga Nossa. Isso só foi possível porque o então patrão repassou os medicamentos e o prédio da farmácia para que ele pudesse pagar de forma parcelada. “Ele me disse: “eu te vendo e você vai me pagando devagarzinho”. Fechei o negócio quando tinha 19 anos, acho que em 2002. Passei cerca de 1 ano e meio para pagar todo o estoque da farmácia, que deu US$ 1,451 dólares na época. Ele fez um acordo, queria que eu pagasse em dólar. Eu ia ao Banco do Brasil, comprava em dólar e pagava ele”, esclarece. A preferência pelo dólar se deu por conta do plano Cruzado que regia à época, que continha uma inflação violenta e só o dólar se mantinha estabilizado.

Quando Edson conseguiu pagar todo o medicamento, seu Eugênio lhe disse: “agora você me compra o prédio”. Custavam US$ 5 mil dólares e ele também fechou negócio. “Fui comprando dólar devagar, do mesmo jeito que paguei os medicamentos, e paguei o prédio”. Desta vez, ele conseguiu quitar o valor do prédio em 2 anos e meio. Após o pagamento, foi ao cartório passar a titularidade do imóvel para seu nome. “Nesse intervalo, minha família começou a vir de Tarauacá para Rio Branco devagarzinho. Hoje já está todo mundo aqui”, comenta.

Em sua primeira farmácia, no Aeroporto Velho, Edson tentou conciliar o comércio de varejo com a drogaria, mas logo percebeu que farmácia era um modelo de negócio muito mais rentável. “Então desfiz o comércio e evolui em questão de organização e de produtos para farmácia. Essa evolução veio acontecendo”. Ele continuou com a farmácia e decidiu montar outra, no Centro da cidade. Foi lá que ele teve seu primeiro funcionário, o James, que após muitos anos também se tornou dono de farmácia, mas hoje está atuando como advogado.

A princípio, ficou inseguro e duvidou se a farmácia do Centro daria realmente certo. “Minha esposa, que na época era minha namorada, ficou cuidando da primeira loja e eu fui para o Centro”, disse. A nova farmácia tinha 1.80m x 3.30m de fundo. “Foi quando percebi que no Centro o volume de vendas era muito maior, porque eu conseguia vender para as pessoas que circulavam e que vinham de todos os bairros”, diz Edson.

Com o sucesso da farmácia do Centro, há cerca de 23 anos, resolveu fechar a loja do Aeroporto Velho em menos de dois meses. A esposa estava grávida na época. “Crescemos, evoluímos, comprando pontos ao lado, o que tornou nossa loja mais estruturada”, afirma. Passados mais de 3 anos, conseguiu comprar um ponto no Calçadão da Benjamin Constant, onde colocou mais uma farmácia. “Chamava-se Drogaria do Povo, mudei o nome por estratégia. O novo ponto emplacou rápido também, por isso montei posteriormente a Drogaria Popular, também no Centro”, declarou. A origem da Drogaria Popular foi sua primeira farmácia do Centro, um ponto pequeno, de 1,80m, na região do mercado.

Um projeto ousado

Depois de se firmar no ramo das farmácias, o empresário decidiu enfrentar um novo desafio. Queria algo novo, ousado para a época e com imponência. Era o início do sonho pela Hoje Cosmetics. “Sempre fui um cara focado em projetos, gosto de desafios, e sonhar pequeno e alto dá o mesmo trabalho. Até que tive uma nova etapa de projeção. Certo dia passando em frente onde é atualmente a Hoje Cosmetics, vi a placa de vende-se numa casa”, explica.

Nessa época, ele já estava formando uma equipe maior e já tinha três lojas farmacêuticas. “A casa custava R$ 120 mil. Achei legal para área comercial. Fiz proposta de R$ 110 pagando em três vezes, mas não foi aceita. Mas em seis meses paguei o que a dona pediu e ela saiu da casa após eu concluir o pagamento”.

Depois, comprou outra vizinha por R$ 240 mil. Conseguiu quitar em três meses. “Com o tempo, elaboramos todo esse projeto. Foi uma etapa de muita concentração nesses terrenos para construir. Fizemos um projeto muito grande para o período na época. Botei o pé na porta e fiz esse projeto, mas deu muita dor de cabeça, porque mesmo com muito esforço, não foi muito bem planejado, fiquei na ansiedade. Então, para falar a verdade, eu quebrei”, assumiu.

A queda

Nesse processo de tentar construir um empreendimento inovador para Rio Branco, Edson ficou devendo mais de R$ 4 milhões no ano de 2008. “Andei muito ‘bambo’ das pernas, mobilizei muito dinheiro porque era um prédio de cinco andares. Muito concreto, muita ferragem, e tive que me recuperar devagar, mas conseguimos construir a obra aos trancos e barrancos”, salienta.

O empresário ficou devendo fornecedores e banco. “Financiei pelo BASA uma série de verbas. No final das contas, tive muitos problemas financeiros, mas superamos gradativamente e continuamos crescendo depois. Reconheço que literalmente eu quebrei, mas tive um trabalho de base muito bem feito”, justifica. O ele quer dizer é que mesmo em situação quase que de falência, o problema não fugiu completamente de seu controle. “Fiquei devendo para dois fornecedores quase R$ 4 milhões só de vencidos. E tudo que eu tinha, se vendesse, não conseguiria superar todos os débitos vencidos e os que tinham para ser vencidos”, lamentou.

Ele demorou em média 3 anos para começar a se recuperar do baque. Com um pouco mais de folga, conseguiu respirar nesse período, trabalhando forte para recuperar tudo que havia perdido e colocar tudo em ordem e, inclusive, abrir mais lojas. “A queda foi em 2008. A partir de 2011 é que fomos melhorando. Esse projeto da Hoje Cosmetics era uma farmácia com uma perfumaria embutida, algo muito diferente naquele tempo. Na época, surgiu com uma estrutura, uma proposta diferente. Até tivemos problema inicial com o público, que não estava acostumado com aquele tipo de serviço e com um preço mais alto”, esclareceu.

Apesar de todos os problemas, os empreendimentos de Edson acabaram se tornando referência local. “Depois que a coisa emplacou, a gente incentivou o mercado farmacêutico, todos crescerem. Uma espatifou tudo e fez uma drogaria nova. Outros mexeram em sua estrutura também. Acabamos puxando uma galera para dar uma força e organizada no mercado. Conseguimos superar tudo isso”, celebra.

Dificuldades e reorganização

Ao longo desses mais de 20 anos, o Grupo J-Cruz também teve de se reorganizar devido ao surgimento da concorrência. A chegada do grupo Pague Menos em Rio Branco, que já está consolidado na capital há uns 8 anos, fez com que a rede de farmácias de Edson se adaptasse ao mercado para enfrentar a grande rede. “Fizemos uma série de mudanças que não estavam no projeto inicial. Mais na frente, surge a Recol Farma, com preço de fábrica. E isso fez com que novamente tivéssemos de nos reorganizar e redirecionar nosso modelo de negócios para a gente conseguir permanecer no mercado e se consolidar cada vez mais”, afirma o empresário.

As empresas locais do Grupo J-Cruz alcançaram pontos muito assertivos. Quando surgiu a Recol Farma, apareceram com o modelo da Farmácia do Consumidor, para trabalhar com o público que dá preferência ao preço mais baixo. “Também aproveitamos e fizemos mudança de bandeira. Ao invés de ficarmos com a Drogaria Popular, pegamos uma franquia nacional com exclusividade para o Acre, a Ultra Popular, e chegamos com essa proposta mais diferente de atendimento, de layout de loja”, diz Edson. O mercado é muito dinâmico e fez com que as empresas mudassem para permanecer na disputa do pelos clientes. “Hoje, o balconista faz tudo. Fizemos isso para ter redução no preço ao consumidor final. Vamos adaptando as tributações, as concorrências sempre. Daqui a pouco já vamos enfrentar uma nova concorrência, e já estamos nos reorganizando para competir com a Droga Zil, que será construída nos próximos meses em Rio Branco”, aponta.

Para José de Oliveira, todos os empresários devem ter a capacidade de se reorganizar para continuar ativo no mercado. “O que nós fizemos ou deixamos de fazer é o que vai definir nossa carreira e posição no mercado”.

Arrecadação

Hoje, o grupo possui 420 colaboradores nas 28 lojas. No entanto, a prospecção é de que até o final deste ano de 2021, com a abertura de mais 5 empreendimentos, possa fechar com 550 colaboradores. O recolhimento de tributos das empreses de Edson é um dos maiores do Acre. “A cada trimestre, somamos em média R$ 3,3 milhões de recolhimento de governo federal, estadual e municipal. São mais de R$ 11 milhões por ano”, garante.

Todas as 28 lojas vendem em média R$ 32 milhões por trimestre, quase R$ 130 milhões por ano. “Ou seja, recolhemos muito bem. Já estamos na casa dos 80/20, entre os principais arrecadadores entre empresários potenciais do governo estadual”.

Expansão

Com 28 lojas em operação, ativas, o Grupo J-Cruz está em andamento para inaugurar nos próximos 60 dias, mais duas unidades que já estão prontas. Uma em Senador Guiomard e outra em Sena Madureira. Além disso, há três em reforma e construção, sendo uma no bairro Vila Acre, em Rio Branco e outras duas em Tarauacá e Feijó.

A capital acreana contará, numa segunda etapa de novos projetos, com uma unidade modelo da Ultra Popular. A nova farmácia será construída nas proximidades do Ipê, na rotatória do hotel Ibis. “Já estamos com o projeto todo consolidado, será uma Ultra Popular com uma estruturação e proposta bem diferente. Os clientes terão autoatendimento, além de um conceito bem diferente para aquela região, que cresce muito. É um projeto para colocarmos em prática para daqui um ano e meio, no máximo. É uma obra grande, de cerca de 4 mil metros quadrados”, diz o proprietário.

O Grupo J-Cruz

Com uma folha de pagamento em torno de R$ 1,2 milhão, o Grupo criado por Edson detém as bandeiras Farmácia do Consumidor, Ultra Popular e Hoje Cosméticos. A Farmácia do Consumidor completou cinco anos no último mês de maio e foi trazida para ser combate, uma categoria que briga nos bairros, principalmente em municípios que não cabem uma Ultra Popular. “Ela nasceu com essa proposta, para atender o público com um poder aquisitivo menor, que quer gastar pouco e economizar, uma vez que os medicamentos dela são muito baratos”.

Já a Ultra Popular é uma bandeira pesada, que tem toda uma estrutura de produtos. Agora, o Grupo trabalha com o projeto de alcançar 50 lojas. Esse projeto acontece no decorrer de 2 anos e meio para ser finalizado. “A gente acredita no nosso dinamismo e que conseguimos vencer esse período e alcançar as 50 lojas”.

O Grupo J-Cruz também conta com uma distribuidora que atende somente as lojas de Edson. A criação foi intencional, para ter as tabelas distribuidoras de produtos e poder ter um preço mais acessível.

Das 28 lojas em operação, há 3 em Cruzeiro do Sul, 3 em Epitaciolândia, 1 em Brasileia, 2 em Senador Guiomard, 1 em Sena Madureira, e duas em reforma em Feijó e Tarauacá. “Nossa intenção é que onde não cabe uma empresa como a Ultra Popular, colocamos uma Farmácia do Consumidor. A partir no ano que vem, conseguiremos chegar em mais municípios”.

As empresas atuam com uma política diferenciada. Apesar de já ter trabalhado com muitos familiares, hoje Edson prefere separar a família do setor de trabalho. Para ele, muitas vezes essa relação acabava confundindo as coisas. “Hoje não tem absolutamente ninguém da família. Os que saem não entram mais. Não é que a gente não dá oportunidade para a família, é porque gera uma situação interna. Acredito que outras empresas também adotaram isso e estão se espelhando na gente, para evitar problemas internos. Se a gente desliga um parente, já fica intrigado, vira um problema. Já temos outros problemas para lidar, então já basta”, explica.

A esposa de Edson trabalha com ele desde os primórdios. Atualmente, é a tesoureira do Grupo J-Cruz. “Nós, eu e minha esposa, somos os donos da empresa, oficializamos isso quando casamos. Ela trabalha comigo desde o início. A conheci quando fui trabalhar na primeira farmácia, no Aeroporto Velho, pois ela morava na frente da drogaria. Hoje, temos duas filhas, uma de 11 anos, que foi adotada com três dias de vida e outra biológica de 23 anos”.

Pandemia de Covid-19

A pandemia do novo coronavírus, apesar de ter impactado negativamente grande parte do comércio, não afetou o andamento das empresas. Edson conta que a questão da contaminação da doença foi difícil, mas que na área comercial alavancou muito as vendas. “Nós ganhamos uma liminar na justiça e não fechamos no momento da pandemia, pois desde muito antes, já comercializamos luvas, máscara, entre outros acessórios de biossegurança. Então nossas lojas de produtos de higiene, como a Hoje Cosmetics, não fechou”.

Relação política e com clientes

Edson assegura sempre buscar ficar bastante longe do cenário político no estado, embora saiba que faz parte diretamente da política, uma vez que está inserido no mercado. “A gente depende das decisões que são tomadas, dos projetos que são criados. Mas ficamos um pouco longe das intenções políticas”. O empresário diz trabalhar muito para não aproximar os negócios dos políticos e ficar isento, ter imparcialidade. “Também para não dizerem que só estamos ganhando dinheiro porque temos favorecimento político”, diz.

No entanto, confirma receber inúmeras propostas e tentativas de aproximação, principalmente em período eleitoral. Apesar de não querer se atrelar com a política, afirma que se inspirou na gestão do governo do petista Jorge Viana com relação ao pagamento de funcionários. “Todos os colaboradores nossos recebem em dia. Me espelhei muito no governo do Jorge quando mantinha o pagamento em dia”. Ele acredita que o governo atual deve investir mais na classe empresarial do Acre e apostar em políticas públicas que fomentem os negócios locais. “Torço para que o empresário local cresça para que não seja dominado pelo que vem de fora”.

Já com relação aos clientes, entende que plantou amizades ao longo dos anos. “Planto muito aos colaboradores de que eles têm de respeitar os clientes. Trabalhar com muita ética. Uma orientação minha aos funcionários é: todos os clientes que pedem meu contato no balcão, eles devem receber meu número. É uma relação que continuo desde antigamente, embora hoje não tenhamos aquele tempo todo”.

O objetivo de Edson é não perder esse contato. “Às vezes, de tardezinha, vou ao mercado municipal, onde comecei, e converso com os peixeiros, meus amigos. Continuo com muitos clientes antigos, já veio inclusive a neta de uma cliente aqui, um cliente de quando comecei no Aeroporto Velho. Sei que atendo até três gerações de uma mesma família”, conta.

Amante do comércio

José de Oliveira, ou simplesmente Edson, começou a trabalhar muito cedo no ramo, tanto que quem tinha de assinar a papelada burocrática da primeira farmácia era seu irmão mais velho, já que pela pouca idade não podia representar pessoa jurídica. Só depois de alcançar a maioridade, passou a representar a própria empresa.

Sua rotina é cheia e tradicional. Caminha ou corre cedo da manhã, toma café às 6 horas e vai deixar a filha no colégio. Anda de carro blindado por medo da violência. Há alguns anos, sofreu uma tentativa de invasão em uma de suas lojas. Ele se intitula de apaixonado pelo comércio. Para Edson, quem deseja um lugar ao sol neste ramo precisa entrar com um modelo de negócio não por necessidade, mas por amor.

“Às vezes, depois que as pessoas adotam um empreendimento, sem paixão pelo negócio, e veem que não é aquilo que elas realmente gostam de fazer é isso finda sendo um problema. É extremamente inspirador gostar do que faz. Aí, não tem como segurar, a pessoas vai crescer”.

Ele costuma dizer que a inspiração vem de dentro para fora. “Eu gosto muito do comércio. Me envolvo diretamente nos meus negócios, eu respiro isso. Como vim da construção civil, também gosto muito de obra e sempre estou fazendo algo novo”.

Edson conta que não cursou faculdade, mas concluiu o ensino médio. “A faculdade que eu tenho é a da vida, mas procuro sempre pessoas para trabalhar comigo que sejam as melhores profissionalmente, melhores do que eu. E sei que tenho um time administrativo muito bom. Tenho uma equipe muito boa. Única parte terceirizada das empresas é o departamento jurídico, os demais são todos internos”, encerra.

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