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Noventa dias vitais de uma vaca leiteira

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¹Francisco Aloísio Cavalcante
²José Marques Carneiro Júnior

As vacas representam a unidade produtiva em um rebanho leiteiro em qualquer nível de tecnologia, pois contribuem diretamente com a renda do produtor. O desempenho das vacas apresenta grande importância econômica e tem relação direta com o manejo nutricional, controle reprodutivo e sanitário do rebanho.

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Nos sistemas de produção de leite dos rebanhos acrianos, constituídos em sua maioria por vacas mestiças, o desejável seria que a lactação fosse de 270 dias. Entretanto, devido aos problemas de ordem nutricional, sanitária e reprodutiva, a lactação em média não passa dos 190 dias. A duração da lactação depende de fatores relacionados à genética, nutrição, sanidade e manejo reprodutivo. A adoção de boas práticas dos manejos reprodutivo, sanitário e nutricional, nos períodos pré-parto e pós-parto, é fundamental para obter uma lactação adequada. Para tanto, o produtor deverá estar atento ao intervalo de 60 dias antes do parto (pré-parto) e 30 dias depois. Manejos inadequados nesses períodos podem comprometer a vida produtiva e reprodutiva da vaca por reduzir a lactação e aumentar o intervalo entre partos.

Pouca importância tem sido dada a esse período e muitas vezes na fase da lactação, as vacas, normalmente, são conduzidas aos piores pastos e recebem pouca atenção do produtor. Nos rebanhos leiteiros acrianos, os criadores não utilizam no manejo das matrizes secas o uso de antibióticos, apesar dessa prática ter grande importância para a redução de casos de mastite na próxima lactação, além de recuperar o tecido mamário. Nessa fase o animal se prepara para a próxima lactação e a recuperação do tecido mamário é importante, pois a vaca pode expressar todo o seu potencial para produção de leite na próxima fase da lactação.

O intervalo compreendido entre 21 dias antes e depois do parto é o período de transição. Ocorre redução da capacidade imunológica da vaca, o que deixa o animal mais suscetível às doenças no pós-parto, como febre do leite, cetose, retenção de placenta, mastite, metrite e deslocamento de abomaso. Além disso, a vaca fica com a capacidade energética baixa e necessita mobilizar as reservas de gordura corporal para atender o ciclo de lactação que se inicia. Nesse período, a vaca deverá ser apartada do restante do rebanho, com o mínimo de estresse possível, e colocada em piquetes maternidades com boa pastagem e água de qualidade, até a parição.

No período pós-parto, a vaca permanece em produção e irá demonstrar o seu potencial leiteiro, que varia de acordo com as condições de manejo, nutrição e composição genética. A vaca entra nessa fase com o sistema imunológico baixo, ocasionado por queda das células de defesa, provocada pelo estresse no momento do parto. O estresse, o balanço energético negativo e o início do pico da lactação, que ocorre entre 45 e 60 dias, demandam um manejo alimentar e reprodutivo melhorado, para evitar queda na produção leiteira.

O manejo reprodutivo no pós-parto deve se adequar para permitir que a vaca complete o ciclo reprodutivo na propriedade, produzindo uma cria por ano. Para tanto, a vaca deve estar prenhe entre 60 e 90 dias após o parto.

Uma boa nutrição, incluindo alimentação adequada, sal mineral e água de boa qualidade, além do manejo adequado em todas as fases da lactação, é essencial para que as vacas tenham boas condições de saúde, incrementando o desenvolvimento máximo do seu potencial produtivo e reprodutivo dentro do rebanho.

¹Pesquisador da Embrapa Acre

Médico-veterinário, mestre em Zootecnia

²Pesquisador da Embrapa Acre

Doutor em Melhoramento Genético Animal 

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