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Oposição retraída

Passados mais de 20 dias das eleições municipais que reconduziram, em Rio Branco, o petista Marcus Viana ao cargo de prefeito, não se ouve falar em nenhum encontro dos caciques de oposição para debater os rumos a serem tomados até 2018.

Esse retraimento é a principal marca de uma oposição que não se cansa de apanhar da Frente Popular quando o assunto é eleição estadual ou a disputa pelo comando da capital do Estado.

Apesar de os partidos oposicionistas terem elegido 12 dos 22 gestores municipais – ficando os demais para o PT e seus “partidos-satélites” – as joias da coroa continuam nas mãos dos companheiros.

A derrota de Eliane Sinhasique (PMDB) serviu apenas para mostrar o que muitos intuíam: para vencer o PT nas eleições majoritárias não basta apenas trocar as caras na propaganda eleitoral. É preciso lapidar o discurso, atualizar os métodos – e revisar as estratégias de aliança.

Não que a derrota tenha sido apenas demérito dos que focaram nas candidaturas e esqueceram o eleitor. O petista Marcus Viana tem lá as suas qualidades políticas, que uma vez testadas nas urnas mostraram que sua gestão foi aprovada pela maioria. Digamos então que a derrota oposicionista, em destaque a do PMDB, foi uma conjunção de inúmeros fatores – entre eles os já listados acima.

Falta o mea culpa, portanto. O PSDB não colocou a cara a tapa, o que significa reconhecer os erros de estratégia que levaram ao fracasso na capital, em Cruzeiro do Sul e em Sena Madureira. Para ficar só nesses exemplos, vejamos as contradições: em Rio Branco, o PT venceu tanto o PSDB como o PMDB; em Sena e Cruzeiro, os peemedebistas atuaram como verdugos dos tucanos.

Parte do problema decorre de que a oposição acriana entra numa campanha disposta a viabilizar a próxima. É o caso do PMDB, cuja intransigência em alguns municípios tem a ver com a sobrevivência política de Flaviano Melo, o eterno candidato à reeleição à Câmara Federal.

Outro aspecto deste mesmo problema diz respeito ao PP, cujos olhos estiveram – e continuam – voltados para a disputa estadual de 2018.

Mas onde está o protagonismo de um partido cujo senador da República pretende viabilizar-se como alternativa oposicionista ao governo de Sebastião Viana? O próprio senador progressista jaz apagado num momento em que os acrianos se mostram extremamente insatisfeitos com o governo do PT.

Enquanto isso, o ex-prefeito de Acrelândia Tião Bocalom, do Democratas, fala em ir aos Estados Unidos reciclar-se com ninguém menos que o filósofo Olavo de Carvalho. Ótimo! Que vá e traga aos colegas de oposição novas ideias para as futuras campanhas.

Mas o que as lideranças oposicionistas fazem individualmente parece bem menos importante para o eleitor do que aquilo que precisam fazer em conjunto.

Se os senhores da oposição não acreditam, então que tratem de perguntar à História.

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