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Candidatos à prefeitura de Rio Branco evitam polêmicas em debate sem militantes

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Os candidatos à Prefeitura de Rio Branco, Marcus Viana (PT), Eliane Sinhasique (PMDB), Raimundo Vaz (PR) e Carlos Gomes (REDE) participaram neste domingo (25) do 1º debate promovido pela TV Gazeta, afiliada da Rede Record, antes das eleições municipais do dia 2 de outubro. Durante o debate, os postulantes ao executivo da capital responderam perguntas de internautas, da produção do programa e trocaram questionamentos sobre diversos temas.

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A primeira pergunta aos candidatos foi elaborada pela equipe do departamento de jornalismo da TV Gazeta, que usou como base o conteúdo de pesquisas de opinião pública sobre o sistema de saúde básica da capital. Os candidatos foram questionados pelas propostas para melhorar o atendimento na área de saúde do município, que seria uma das principais preocupações da população em todos os levantamentos realizados durante o período eleitoral deste ano.

Para Marcus Viana, em qualquer pesquisa a saúde é sempre uma preocupação. Ele reconheceu algumas dificuldades enfrentadas e falou das unidades de saúde construídas em sua administração, principalmente na periferia. O prefeito destaca o reforço nas equipes de saúde. Um dos desafios, se ele for reeleito, é a informatização total das unidades de saúde com o prontuário que contenha todas as informações de pacientes que apresentam carteira do SUS.

Raimundo Vaz ressaltou que construir prédios é “maravilhoso”, mas ele pensa antes em construir o sistema de saúde, colocando postos para funcionar. Segundo o candidato do PR, hoje Rio Branco carece de profissionais em todas as unidades municipais para fazer um acolhimento dos usuários, através da humanização e dando oportunidade para os pacientes receberem atendimento qualificado.

A peemedebista Eliane Sinhasique acredita que é preciso contratar mais profissionais. Ela destaca que a rede pública municipal conta com apenas quatro ginecologistas. Para Sinhasique, é preciso criar o terceiro turno de atendimento nas URAPs, além de implantar centros de referência de saúde para o homem e para mulher e ampliar as equipes de saúde. Outra proposta é agilizar a realização de exames e entrega dos resultados a quem procura o serviço.

Para Carlos Gomes, “não adianta ter prédio se não consegue resolver o problema no atendimento da população. É preciso investir em capital humano. Hoje a prefeitura conta com 604 cargos comissionados, nós vamos cortar 70% dos cargos para gerar receita e priorizar saúde e educação, contratar mais médicos e outros profissionais . O capital humano é a prioridade para resolver a médio e longo prazo todos os problemas da saúde pública municipal”.

Os candidatos responderam ainda a pergunta do internauta João Carlos, que questionou qual seria a influência dos partidos políticos na administração. Carlos Gomes disse que “as forças que estão polarizando nos levaram a um retrocesso. A forma como se ganha determina como se governa. Optamos por uma candidatura que discute a cidade e o protagonista da história é o povo. Nossa candidatura programática trabalha pela população”.

Eliane Sinhasique usou a pergunta para propagandear sua influência em nível nacional. “Os partidos políticos serão de fundamental importância. Os ministérios que ajudarão a trazer mais recursos para investimentos nas áreas prioritárias estão nas mãos de diversos partidos. Os apoios políticos partidários serão essenciais para fazer mais e melhor. Para de fato resolver os problemas da cidade é preciso ter apoio em nível nacional e local”.

O republicano Raimundo Vaz destacou sua independência política diante de vontades partidárias. “O talento que preciso é para administrar. Para ganhar a eleição a minha aliança é com a sociedade. Para gestão é preciso juntar todos que estão dispostos ajudar na administração. A divisão prejudica e a defesa intransigente de bandeiras partidárias é prejudicial a qualquer administração. Tem que haver um candidato para unir todas estas forças”.

O petista Marcus Viana destaca que fez uma opção quando assumiu a prefeitura de manter contato direto com a população para tomar decisões. “Foi ouvindo as sugestões que resolvi diversos problemas e construímos diversas unidades de saúde e creches. Tenho muita alegria em ter 15 partidos apoiando minha candidatura, mas minhas decisões sempre foram tomadas com base no que ouço da população e ouvindo o coração”.

No segundo bloco, os candidatos fizeram perguntas aos adversários. Carlos Gomes questionou Marcus Viana sobre a dívida pública do município. O atual prefeito falou dos investimentos de sua administração no sistema de notas eletrônicas, reforma do código tributário, modernização do sistema tributário, criação de cadastro digital e melhora da receita de ISS. Na réplica, Gomes questionou a falta de eficiência na execução obras públicas.

A questão de segurança também entrou na pauta de perguntas. Eliane Sinhasique perguntou sobre o que Raimundo Vaz faria para minimizar a questão da falta de segurança. Vaz afirmou que “a segurança pública é uma obrigação do Estado em parceria com a prefeitura”. Ele pretende criar a guarda municipal e liberar os policiais militares que prestam serviços de segurança para prefeitura e Câmara de Vereadores para integrar o combate à violência nas ruas.

A regularização  fundiária que foi proposta de planos de governos passados voltou ao debate. Raimundo Vaz quis saber como Eliane Sinhasique vai resolver a questão. “A cidade precisa de títulos definitivos. O que deram foi uma concessão de uso. Não são títulos que dão garantias. A população precisa ter a garantia que pode ir no banco e poder fazer investimentos na propriedade. Precisamos fazer o trabalho de regularização fundiária de forma séria e célere”, diz a peemedebista.

Marcus Viana pediu que Carlos Gomes falasse sobre a avaliação do transporte para estudantes da cidade. “Sou o único dos candidatos que utilizo o sistema. Houve avanço na passagem de 1 real, mas veio com a negociação de uma dívida história das empresas. É priorizar a vulnerabilidade social e dar o passe livre para estudantes em vulnerabilidade social. Garantir igualdade para quem é diferente. Nosso compromisso é com transporte público de qualidade”.

No segundo ciclo de perguntas, Marcus Viana perguntou qual a proposta de Eliane Sinhasique para interligações de bairros. “A mobilidade urbana envolve não apenas aumento do número de ônibus. Melhorar a infraestrutura e acessibilidade de calçadas e ruas é necessário. É preciso revisar o valor da passagem, a planilha de custo e aumentar a quantidade de linhas para atender a demanda. Os terminais funcionam apenas como paradas de ônibus”, respondeu a PMdbista.

Raimundo Vaz voltou a direcionar suas perguntas ao prefeito Marcus Viana. “Na sua concepção, nos quatro anos de mandato, o que é uma cidade sustentável e o que é uma cidade verde?. Viana disse que foi o único candidato que assinou o compromisso cidade sustentável, relatando os problemas ambientais que a capital enfrenta com as cheias histórias e as secas severas. Viana destacou os investimentos em arborização e retiradas de pessoas de áreas de risco.

A mobilidade urbana também marcou presença no debate. Eliane Sinhasique indagou Carlos Gomes, sobre o que faria para resolver a questão. “Vamos ampliar e arborizar as ciclovias, criar um conselho gestor que vai reunir diversas categorias para debates a questão de mobilidade na cidade, resgatar as pessoas com necessidades especiais, revisar a política de isenção fiscal e debater a precarização da profissão de motoristas que é obrigado a dirigir e cobrar”.

“O que vai fazer para deixar a administração mais eficiente no ponto de vista da sustentabilidade?”, indagou Carlos Gomes a Raimundo Vaz. “É preciso não fazer como se faz hoje com o abandono da fiscalização. A água potável que nós tínhamos em igarapés, hoje é apenas esgoto. Hoje não existe fiscalização, a prefeitura não notifica nem multa ninguém. Vamos fazer unidades de tratamento para garantir o retorno da vida aquática aos igarapés”, respondeu Vaz.

O terceiro bloco não acrescentou novidades ao debate. A educação entrou na pauta, e Carlos Gomes queria saber o que Eliane Sinhasique vai fazer para resolver o problema da educação de base e vagas em creches. “Os investimentos passam pela criação de um novo ambiente de trabalho para os professores. Colocar ar-condicionados e levar a saúde para dentro da rede básica. Examinar crianças e dar condições de melhorar a saúde e aprendizado. Se a base não for bem feita, as crianças terão dificuldades”, acrescentou.

Eliane Sinhasique questionou Marcus Viana pela promessa de construção de 20 creches e ampliação do número de vagas. “Nós tivemos a notícia que Rio Branco atingiu a quarta melhor nota do IDEB. Construímos oito novas creches e quatro conveniadas gerando quatro mil vagas. Temos mais seis creches em obra. Até o final do ano vamos superar a oferta de vagas do plano de governo que previa cinco mil. Educação é um tema de muita responsabilidade”, enfatizou Viana.

A redução dos cargos comissionados foi questionada por Raimundo Vaz a Carlos Gomes. “Vamos fazer um corte de 70% que gerará um economia de mais de 70 milhões. É preciso acabar com o assédio moral e uso dos servidores comissionados. Cortaremos cargos, mas fazendo a transição. Hoje há filhos de deputados e filhos de vereadores que ocupam estas funções. Vamos promover concursos públicos para acabar com assédio moral”, ressalta Gomes.

Marcus Viana quer saber como vai ser a relação da prefeitura com a Câmara de Vereadores, se Raimundo Vaz vencer a disputa. “Em Rio Branco há uma câmara e uma prefeitura que trabalha em sintonia. Sempre tratei o assunto com responsabilidade. Conquistei independência e fui expulso de partidos por votar em matéria pensando na população. Eu acho que a relação é harmônica, mas deve der de total independência entre os poderes”, disse Vaz.

Marcus Viana perguntou porque Eliane Sinhasique insiste em dizer que o plano diretor da capital é uma colcha de retalhos. “Reafirmo que é uma colcha de retalhos. Compraram área de terra abaixo da cota de soleira para construção de habitação popular, depois modificaram para legalizar a construção em área alagadiça. A lei está se adequando a determinadas realidade e não é a realidade que se adequando ao plano diretor da cidade”, comenta Sinhasique.

O escândalo da Emurb também foi motivo de questionamento. “Como é que se chegou ao quadro caótico da Emurb?”, perguntou Vaz a Marcus Viana. “A minha contribuição foi tornar a prefeitura uma das mais transparentes do pais. O Ministério Público pediu as informações que foram repassadas. O diretor investigado, já não estava na função há três meses. Todos os órgãos estarão abertos para fornecer informações”, destaca Marcus Viana.

Sinhasique pergunta como Carlos Gomes faria para que a prefeitura fosse mais eficiente e transparente. “É preciso dar publicidade e abrir a caixinha preta da prefeitura e fazer uma auditoria nas contas públicas. O caso da Emurb precisa se tornar público para saber o quanto foi desviado. Que o dinheiro público não seja desviado para outros fins. Dar publicidade aos gatos, fazer uma auditoria e ampliar a participação no controle popular na contas públicas”, responde Gomes.

A última pergunta foi de Carlos Gomes a Raimundo Vaz. Gomes queria saber de que forma Vaz pode melhorar a educação. “É preciso trabalhar um projeto e entender que a educação familiar e da escola precisam caminhar juntas. Existe uma relação. Colocar a relação aluno/professor em debate. Valorizar o profissional, inclusive quando permite uma melhor remuneração. A educação precisa passar por uma ampla reformulação”.

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