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O jogo de cena de Daniel Zen

Há momentos na política local em que a razão parece ter sido tomada pela embriaguez. É o que se pode inferir da declaração, digamos, esdrúxula do líder do governo na Assembleia Legislativa do Acre, deputado Daniel Zen (PT), ao chamar de “lixo” a lei de execuções penais.

Com o crime organizado a tocar o terror em cinco municípios, atemorizando a população pela segunda vez desde outubro do ano passado e obrigando que atordoadas autoridades encontrem alguma saída, o parlamentar petista parece ter se dado conta de que o problema está naquilo que o seu partido ajudou a criar: uma horda de criminosos dispostos a tudo e capazes de afrontar o Estado Democrático de Direito.

A fala de Daniel Zen esbarra nas ações de correligionários cujas ideologias foram disseminadas em favor dos bandidos e em detrimento da imagem e da atuação das polícias. As esquerdas no Brasil, à frente delas o PT, que chegou ao poder central e novamente elegeu a maior bancada de parlamentares na Câmara Federal – com 68 integrantes –, se encarregam continuamente de brecar reiteradas tentativas de endurecer as penas contra os criminosos.

ONGs e representantes dos Direitos Humanos, cuja atuação obedece à tese sempre difundida de que os bandidos precisam receber tratamento digno, enquanto o cidadão vive a indignidade diária por eles imposta, compõem a tropa de choque de um partido que, em sua maioria, é avesso a temas como a redução da maioridade penal e à tolerância zero contra a criminalidade.

Agora acossados pelos distúrbios causados por grupos que se organizaram em verdadeiras empresas do crime, cabe ao governo neste momento dizer qualquer coisa que justifique o contrário do que seus representantes têm feito ao longo de décadas.

Afinal o terror impingido a cidadãos desarmados e sujeitos à anarquia dos vândalos pode, quem sabe, causar estragos na imagem do grupo político ora no poder – sobrando inclusive para o prefeito petista Marcus Viana, cujas atribuições – é de se convir – nada têm a ver com o enfrentamento à violência.

Mas na condição de porta-voz do governo do Estado na Aleac, Daniel Zen tentou, com seu discurso, criticar justamente aquilo que o seu partido costuma defender ao atuar para que as leis continuem brandas mesmo diante dos crimes mais hediondos.

Ou alguém ignora que os companheiros costumam se referir de forma pejorativa e irônica aos integrantes da “bancada da bala”, que no Congresso Nacional luta pelo direito de autodefesa individual?

Rechaçados pela esquerda brasileira, os membros dessa bancada, tendo como expoente maior o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), encontram dificuldades na alteração do Estatuto do Desarmamento, na proposta de redução da maioridade penal e na revisão da lei de execuções penais.

Discursar como fez Daniel Zen num momento de dificuldade na segurança pública gerida pelo governo que ele representa é uma admissão de que o PT se rende, ao menos no plano retórico, ao fato de que a população brasileira repudia, mais do que nunca, os embaraços impostos às mudanças necessárias no âmbito da segurança pública.

Daniel Zen tem o direito de proferir discursos acalorados em dissonância com a prática longeva do seu partido. E nós, os cidadãos de bem, o dever de desconfiar de que esteja apenas fazendo um joguinho de cena.

 

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