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É hora de trocar o disco

Conselho editorial

O apoio de nove senadores à proposta de renúncia da presidente Dilma Rousseff é o reconhecimento de que o impeachment é fato consumado. Assegurados os votos necessários ao afastamento temporário, tem-se a certeza de que, uma vez fora do governo, Dilma não terá – como não teve até agora – forças para barrar a cassação.

Depreende-se desse cálculo que o discurso do golpe em curso não teve os efeitos desejados. E repeti-lo à exaustão como fazem os parlamentares da base aliada, o advogado geral da União, Eduardo Cardoso, a militância nas redes sociais e a própria presidente é malhar em ferro frio.

A plateia simpática ao governo aderiu à peroração de forma espontânea. Os contrários à permanência de Dilma no Planalto tendem a se irritar com a ladainha incessante.

Apesar de não ter levado à ONU o discurso delirante, a presidente o repete nos encontros com os jornalistas estrangeiros. Surtiu algum efeito lá fora. Mas foi insuficiente para lhe poupar do impedimento.

À falta de melhores teses contra o impeachment, a crise econômica e a roubalheira na Petrobras, faz-se, inclusive, apologia às cusparadas. Jean Wyllys e Zé de Abreu foram alçados à condição de heróis. E nada mais apropriado aos acometidos de delírios persecutórios do que a resistência salivante contra os perseguidores inexistentes.

Lula e Dilma só falam a plateias cativas. As mesmas que nos botecos e nas redes sociais se limitam a reprisar a discurseira desatinada. Resguardam-se, assim, de ser confrontados por quem se recusa a comprar a tese desedificante.

A proposta de renúncia soa então como cansaço nos ombros dos menos afeitos a repisar desatinos. Ao fim de uma campanha marcada pela ineficiência do slogan gestado à falta de explicações convincentes, eles optam por jogar a toalha e desfazer-se, o quanto antes, da retórica oca.

Os nove senadores que propõem a renúncia da presidente Dilma consideram, afinal, que chegou a hora de trocar o disco.

 

 

 

 

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