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Dupla Identidade

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Nossos congressistas votam “não” ou  “sim”, dependendo da votação ser aberta ou secreta

Narciso Mendes*

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Quando foram instados a decidir pela manutenção ou pelo relaxamento da prisão do senador Delcídio do Amaral, nossos senadores expuseram o transtorno dissociativo de identidade a que sempre estiveram submetidos. A provar que sim, enquanto as longas discurseiras iam se arrastando, à pretexto de determinar como deveria se processar a votação, se aberta ou secreta, nossos senadores iam revelando a fragilidade das suas convicções políticas, e quem sabe até, as de ordem moral. Quanta desfaçatez!

. Enfim, como confiar numa Casa parlamentar, tida e havida como a mais importante da nossa e em qual outra República, se seus integrantes, majoritariamente, votam “sim” ou votam “não’, dependendo de se expressarem aberta ou secretamente? É disto que precisamos tratar!

Nada contra a decisão do STF-Supremo Tribunal Federal, até porque, o crime imputado ao senador Delcídio do Amaral foi de tal ordem que sua prisão tornou-se inevitável. Aliás, sem precedente em toda a nossa história.

Daí a pergunta que se impõe: quantos senadores teriam votado a favor do relaxamento da prisão do senador Delcídio do Amaral se a decisão houvesse se dado via voto secreto? Muito provavelmente, a grande maioria deles. Mas não por força de suas convicções, até porque, quem as tem, ao invés de escondê-las, optam para expô-las.

. Na Câmara dos Deputados, o absurdo é ainda mais extravagante. Lá, o seu próprio presidente, deputado federal Eduardo Cunha, está correndo o risco de ter o seu mandato parlamentar cassado. Ainda assim dele, e somente dele, depende a abertura de qualquer processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. A que ponto chegou a nossa República!

Os exemplos acima citados bastariam para revelar o quanto nossa República foi e continua sendo muitíssima maltratada. Digo “continua”, porque, nunca lhes fora dado o devido e indispensável tratamento. E o pior: enquanto se mantiver o presidencialismo de coalizão vigente em nosso país, somente à base das mais espúrias negociatas, os governantes, particularmente, o presidente de nossa República só conseguirá compor a maioria parlamentar que precisa.

. Nossas crises não surgiram por geração espontânea, e sim, como resultado de décadas e décadas de maus tratos a que fora e continua submetida. É isto que nossa sociedade precisa entender

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