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Ao invés de social…

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O FIES, como a maioria de todos os nossos programas sociais, não resistiu as manipulações e as fraudes.

O FIES, como todo e qualquer programa social, no seu nascedouro, veio cercado dos melhores propósitos, enfim, quem haveria de contestar a criação de um programa social que tinha como principal objetivo permitir o acesso de alunos carentes ao ensino superior. Infelizmente, de fraudes em fraudes, o FIES acabou se transformando num nicho de mercado para as faculdades caça-níveis. Resultado: alunos foram transformados em clientes e o ensino superior numa mercadoria.

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O FIES caminha, a passos largos, para se transformar no que se transformou o Programa Nacional do Leite, àquele que pretendia ser o principal programa social do governo do então presidente Sarney. Até porque, ao invés de suprir as carências alimentares das crianças na fase pré-escolar, como pretendia, o referido programa acabou ruindo em razão das constantes fraudes a que fora submetido.

Por falta de fiscalização e controles, como acontece com praticamente todos os programas sociais financiados pelo governo, as fraudes impuseram o mais retumbante fracasso ao programa do leite. Àquela que mais chamou a atenção foi o extraordinário crescimento da produção de leite. Quando da vigência do referido programa, a produção de leite em alguns Estados do nordeste chegou a quadruplicar sem que houvesse acorrido o aumento de uma única vaca leiteira em seus respectivos rebanhos. Resumindo-se: a superprodução de leite só existia na papelada, adrede fraudada, a fim de permitir que os espertalhões pudessem se apropriar dos recursos oriundos do referido programa.

Quando comparado com o programa do leite, os resultados do FIES são ainda preocupantes. Seja pelos mais de R$-50,00 bilhões que já foram literalmente torrados apenas nos últimos cinco anos, seja pela baixíssima qualidade de ensino ofertado pela grande maioria das faculdades particulares que integram o FIES. Lamentavelmente, para elas, tem prevalecido a seguinte máxima: quanto mais cabras mais cabritos. No caso, em questão: quanto mais alunos mais grana em suas contas bancárias.

Ao ter permitido que as próprias faculdades fizessem a seleção dos alunos a participar do FIES, o Ministério da Educação escancarou as portas do programas a uma gama de manipulações e fraudes. O grupo Kroton-Anhanguera, por exemplo, chegou ao ponto de propor uma farta de distribuição de prêmios a seus próprios alunos, bastando para tanto que cada um deles trouxesse um novo cliente a ser integrado ao grupo. No ano de 2014, o grupo Kroton-Anhanguera chegou a faturar do FIES mais R$-2,00 bilhões. Nem a organização Norberto Odebrecht chegou a tanto.

Por fim: ou o FIES passará que rígidos controles e avaliações, ou nerá mais um dos nossos programas sociais em via de extinção, afinal de contas, onde a fraude passa a prevalecer, já sabemos no que resultará.

Narciso Mendes de Assis é engenheiro civil, empresário da construção civil de das comunicações e já ocupou mandatos de deputado estadual e federal. Hoje se dedica as suas empresas de comunicação. Atualmente dirige o jornal O Rio Branco, o mais antigo do Acre.

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