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Um novo caminho, o time do meu avô, agora, está no Campeonato Estadual

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“Floresta, time querido, amado e preferido…”

Eis um pequeno verso do hino do Floresta Esporte Clube, na verdade o único pedaço que sei, equipe do subúrbio de Fortaleza, mais especificamente do bairro Vila Manoel Sátiro.

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Manoel Sátiro, pai da minha avó Noelzinda Sátiro Santiago, a Dona Noel.

Noel que foi presenteada com o Santiago de meu avô Felipe de Lima Santiago.

Em 1950, durante a primeira Copa do Mundo realizada no país, o casal e seus três filhos, Roberto, José Renato e Silvio, foram passar um final de semana em uma casa no, até então, afastado bairro chamado Vila Brasil.

O motivo? O filho do meio, José Renato, então com 8 anos, sofria de asma, e o casal  acreditava que passar um tempo no meio de um terreno cheio de árvores, poderia fazer bem a ele.

O final de semana acabou se transformando em finais de semana, semanas, meses e anos. Por fim a família passou a morar naquela grande casa, já antiga, e cercada de mato por todos os lados, que parecia uma floresta.

Logo o local ganharia o nome de sitio, no caso, Sitio Floresta.

Mais alguns anos, a Vila Brasil se tornaria Vila Manoel Sátiro.

Meu avô, Felipe, era um apaixonado por futebol, sobretudo pelo Ceará Sporting Club, o Vozão. Também ajudará a manter o Sport Club Maguary.

Minha avó, Noel, filha de Manoel Sátiro, também tinha suas ligações com o esporte. Seu tio, por parte da mãe, Alcides Santos, fundara o Fortaleza Esporte Clube. Já seu irmão, Walter Sátiro, fora campeão cearense jogando pelo Sport Club Maguary em 1936. Por fim seu sobrinho, Fernando Sátiro, chegou a atuar no São Paulo Futebol Clube, onde jogou na partida de inauguração do estádio do Morumbi.

Enfim, o futebol sempre foi muito vivo na família. Mas nem tudo eram flores e bolas.

Meus avos passaram os últimos 40 anos da vida deles sem trocar uma única palavra com o outro, ainda que tivessem passado este tempo todo morando na mesma casa. O silencio se tornou definitivo em 1° de junho de 1987, quando meu avô foi chamado para o andar de cima.

Uma forma estranha de amor. Amor?

Ainda assim tinham muito em comum, além de seus três filhos. Ambos acreditavam que o futebol era um meio através do qual os meninos poderiam se transformar em homens, cidadãos.

O futebol acabou os unindo, algo que as palavras não conseguiram.

Em 9 de novembro de 1954, meu avô fundou uma equipe de futebol amador, chamada Ás de Ouro.

Ao passar a morar no Sitio Floresta, surgiu em sua cabeça a ideia de fazer um campo de futebol atrás da casa para que os filhos pudessem praticar o esporte, e onde, o Ás de Ouro também poderia jogar.

Tudo certo, se não fosse a restrição da minha avó por conta do nome ter uma estreita ligação com jogo, no caso o carteado, algo inadmissível para uma família tão católica como a dela.

A solução foi adotar o nome do sitio, por orientação da minha avó, como o nome do time, Floresta. Mais uma mudança, as cores seriam as da seleção brasileira.

Daí surgiu o Floresta Esporte Clube.

Sempre com a vocação de formar homens.

Meu pai e tios lá jogaram.

Meus pais se conheceram, por conta do irmão da minha mãe, Everton, ser o goleiro do time.

Milhares de meninos do subúrbio de Fortaleza cresceram jogando pelo Floresta.

Muitos deles, antes das partidas, tinham aula de alfabetização com a minha avó no alpendre da casa. Tão logo as tarefas estavam feitas, eles eram liberados para jogar futebol.

Meu avô, sempre atento, era o investidor, presidente, técnico, auxiliar e tudo o mais que era necessário para que o time se mantivesse vivo. Foram dele os recursos que propiciaram murar o campo e torna-lo em um estádio, algo inusitado e que durante décadas foi uma verdade “absurda” na capital cearense, o Floresta era a única equipe da cidade que tinha um estádio próprio e mais, se tratava de um time amador.

Durante muitos anos foi a mais vencedora equipe de futebol amador do estado do Ceará. Chegou a vir a São Paulo para disputar a Copa Arizona, tipo de campeonato brasileiro amador. Posteriormente, passou a disputar os campeonatos estaduais de juniores.

Quando surgia algum atleta promissor, a “venda” do passe se dava em troca de chuteiras, bolas e uniformes.  Isto garantia a sobrevivência do clube e a manutenção do estádio, homônimo do bairro, Manoel Sátiro, posteriormente, Felipe de Lima Santiago.

Ainda assim as dificuldades para manter o time sempre foram enormes e se intensificaram com o passar dos anos. O tempo e a ausência física do casal Felipe e Noel também fizeram com que a família se afastasse do futebol do Floresta.

Em 2014, coincidentemente, com o retorno da Copa do Mundo ao Brasil, o controle da equipe saiu definitivamente da família Santiago.

Um novo caminho.

Neste ultimo sábado, dia 8 de agosto de 2015, o Floresta estreou no campeonato cearense da terceira divisão, com uma vitória de 3 a 0 frente ao Pacatuba.

Um novo passo.

Parabéns a todos que fizeram, fazem e ainda farão parte do Floresta Esporte Clube.

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