Menu

Mudança ou perfumaria?

Receba notícias do Acre gratuitamente no WhatsApp do ac24horas.​

Aníbal Diniz

A comissão especial de 29 senadores, sob a presidência do companheiro Jorge Viana (PT-AC) e relatoria de Romero Jucá (PMDB-RR), instituída pelo presidente Renan Calheiros com a hercúlea missão de diminuir os danos causados pela aprovação a toque-de-caixa de um conjunto de medidas que encarecem e elitizam ainda mais o ultra mercantilizado processo eleitoral brasileiro, está diante de um dilema complexo. Ou radicaliza no sentido de atender alguns dos anseios expressos nas grandes manifestações de junho de 2013 e dá uma resposta coerente à sociedade, ou assina embaixo das perfumarias emanadas dos atropelos regimentais patrocinados pelo presidente Eduardo Cunha na Câmara dos Deputados e aprofunda ainda mais o desgaste do nosso parlamento junto à opinião pública.

Anúncio

Tenho ouvido de pessoas experientes na vida parlamentar que esses esforços concentrados em início de legislaturas ocorrem há décadas ou pelo menos desde a promulgação da Constituição Cidadã de 1988, e acabam não dando em nada por duas razões: a maioria dos eleitos não concorda com a mudança das regras sob as quais bem ou mal conquistaram seus mandatos e a complexidade do sistema bi-cameral que funciona como filtro, onde Câmara e Senado se revezam no papel de revisão e disputam entre si o protagonismo das raras proposições que se tornam leis.

Na quarta-feira dia 8 de julho, o plenário do Senado aprovou Proposta de Emenda Constitucional – PEC (mais uma) do senador Romero Jucá que define vagas para mulheres nas câmaras municipais, assembleias legislativas e Câmara dos Deputados, ficando assegurados 10% das cadeiras em 2018 (o que praticamente já existe hoje) 12% para 2022 e 16% em 2026, constituindo-se numa política afirmativa com tempo determinado para ser aplicada em três legislaturas. A dúvida é se a Câmara dos Deputados, que recentemente rejeitou a cota de gênero, terá o mesmo entendimento nessa matéria. E, mesmo que aprovada, essa proposta não dialoga com a representação formada por três terços do Senado Federal.

A casa do equilíbrio da Federação tem todos os estados igualmente representados por três senadores. E, diferentemente dos mandatos proporcionais de deputados e vereadores, os senadores são mandatos majoritários, eleitos com o voto da maioria. Por isso, a questão do desequilíbrio de gênero ou sub representação feminina no Senado tem que ser tratada de forma diferenciada, e os responsáveis pela comissão especial, senadores Jorge Viana e Romero Jucá, têm um mecanismo para fazer isso.

O PLS-132/2014, de minha autoria, que teve o relatório favorável do senador Paulo Paim lido e se encontra sob vista coletiva na Comissão de Constituição e Justiça – CCJ desde dezembro passado é o que tem a resposta mais objetiva para aumentar a representação feminina no Senado, uma vez que assegura, nas eleições com duas vagas para o Senado, que uma delas seja exclusiva para candidaturas femininas. Se aprovado esse projeto de lei, todo estado da Federação teria no mínimo uma mulher como senadora e aí teríamos a casa do equilíbrio da Federação dando um exemplo de equilíbrio de gênero e melhorando a imagem do Brasil no ranking da participação feminina no parlamento mundial. A bola está com a comissão especial de senadores.

 

Anibal_100Aníbal Diniz, 52, jornalista, graduado em História pela UFAC, foi diretor de jornalismo da TV Gazeta (1990 – 1992) assessor da Prefeitura de Rio Branco na gestão Jorge Viana (1993 – 1996), assessor e secretário de comunicação do Governo do Acre nas administrações Jorge Viana e Binho Marques (1999 – 2010) e senador pelo PT- Acre (Dez/2010 – Jan/2015), atual assessor da Liderança do Governo no Congresso Nacional.

Siga o ac24horas no Google Notícias e seja o primeiro a saber tudo que acontece no Acre

Seguir no Google

Veja também

Newsletter

Fique por dentro do que acontece no Acre

Receba em primeira mão as notícias mais importantes do estado direto no seu e-mail. Política, economia, segurança e tudo que impacta a vida dos acreanos.