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Jovens terminam o Ensino Médio sem aprender o básico

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Em meio à greve dos professores e técnicos federais da educação superior, e à greve dos professores da rede pública do Acre, os índices que retratam a educação brasileira têm apontado cada vez mais “decepções” e “vergonha”. Uma pesquisa feita com jovens que terminaram o ensino médio, tanto em rede pública de ensino, como nas instituições privadas, mostrou que os recém-formados encontram sérias dificuldades para compreender as competências básicas de comunicação, raciocínio lógico e tecnologia.

O apontamento da pesquisa assinalou também quem há, entre os jovens, dificuldades de interpretar o que leram, de se expressar oralmente e de construir argumentos consistentes- a exemplos de trabalhos em forma de seminários, feitos nas próprias salas de aula, por exemplo. A pesquisa Projeto de Vida – O papel da Escola na Vida dos Jovens, foi realizada pela Fundação Lemann.

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Os entrevistados sentem dificuldades para escrever textos do dia a dia como um e-mail e enfrentam problemas com a concordância e ortografia. Foram entrevistados jovens que concluíram o ensino médio – 80% de escolas públicas – que ingressaram recentemente no mercado de trabalho e na faculdade.

No campo do raciocínio lógico, a pesquisa mostra que os jovens não dominam conteúdos básicos da matemática, e têm, ainda, dificuldades com estimativas de valores, com cálculos de descontos e reajustes. Os problemas pairam também quando a pauta do momento é ler planilhas ou gráficos. Em entrevista, diversos jovens relataram que já erraram ao passar troco a clientes.

O quesito informática também tem dificultado a inserção dos jovens do marcado de trabalho, mesmo após a formação do ensino médio. “Apesar de extensos, ainda falta aos currículos conteúdos e habilidades que são essenciais para a vida adulta”, diz a pesquisa Projeto de Vida.

De acordo com a pesquisa, a base curricular nacional comum para a educação infantil, fundamental e média, em discussão no Ministério da Educação (MEC), é uma oportunidade de diminuir a desconexão entre o que é ensinado na escola e o que o jovem realmente precisa aprender.

O diretor executivo da Fundação Lemann, Denis Mizne, disse, em entrevista à Agencia Brasil, que a base comum pode contribuir para que a escola abandone o papel de ser apenas um transmissor de conteúdo e prepare o estudante para que ele tenha bom desempenho nas atividades da vida cotidiana.

“Nosso grande desafio na construção da base comum é escolher o que é essencial, não o mínimo, e não se limitar a listagens, mas ir além e mostrar como as disciplinas se conectam, como agregar a isso as habilidades do século 21, ser mais investigativo, mais crítico.”

O secretário de Educação Básica do MEC, Manoel Palácios, também à agencia estatal de notícias, explicou que o ministério criou um grupo de trabalho responsável pela redação de uma proposta preliminar da base nacional comum curricular. A proposta é estabelecer um amplo debate para a elaboração do documento, ouvindo professores, estudantes, secretários de Educação, especialistas e organizações envolvidas com o tema.

“Colheremos as opiniões de professores e de estudantes que também devem participar desse debate. Especialmente, os estudantes que estão no ensino médio e têm a expectativa de ingresso na universidade e de profissionalização, para se manifestar sobre os objetivos de aprendizagem que integrarão a base comum”, acrescentou Palácios.

A pesquisa recomenda que a base comum contribua para tornar o estudo mais atrativo para o aluno, inclua habilidades socioemocionais, respeite as diversidades regionais, correlacione as habilidades e ensine o que é fundamental os alunos aprenderem.

As discussões sobre a base curricular nacional foram feitas em Brasília, no Seminário Internacional Base Nacional Comum: o que Podemos Aprender com as Evidências Nacionais e Internacionais. O evento foi organizado pelo Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) e a União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).

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