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Pacotão de Dilma poderá gerar efeito cascata no Acre

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Durante toda campanha eleitoral do ano passado, a presidente Dilma Rousseff (PT) fez declarações que, caso o seu adversário Aécio Neves (PSDB) ganhasse a presidência da República, o tucano adotaria medidas antipopulares, elevando a carga tributária como uma forma de movimentar a economia brasileira.

A petista declarou ainda que facilitaria a desoneração de impostos, como fez com os produtos da cesta básica, mas no primeiro mês de seu segundo mandato, o discurso foi deixado de lado com o lançamento de um pacote com uma série de aumentos de impostos que teria o objetivo de fortalecer o caixa da União.

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O pacotão da Dilma incluiu a volta do tributo regulador do preço de combustíveis (Cide), o aumento do PIS/Cofins sobre a gasolina, provocando a alta nos impostos sobre a gasolina que chegará a 22 centavos sobre o litro, e de 15 centavos para o litro do diesel, prejudicando estados como o Acre.

A Petrobras já fez o anuncio que pretende repassar o aumento de impostos para gasolina e diesel. A estatal estima que o reajuste fique entre 5% e 7% nas bombas, com impacto na inflação, principalmente em estados como o Acre, que pratica o preço mais elevado de combustíveis no Brasil.

As medidas econômicas para turbinar os cofres do governo petista terão impacto direto no bolso dos acreanos que poderão sofrer com o efeito cascata no reajuste de produtos de primeira necessidade, já que o aumento do combustível também será repassado para o transporte de mercadorias para o Estado.

A reportagem tentou ouvir a análise de políticos de situação e oposição sobre as medidas de arrocho anunciadas pelo Governo Federal. O deputado federal Márcio Bittar (PSDB) acredita que os brasileiros foram vítimas de “um estelionato eleitoral” com as promessas não cumpridas de Dilma.

“O Brasil e o Acre foram vítimas de um estelionato eleitoral, a presidenta e o governador disseram que a oposição mentia que tudo estava controlado. Que a inflação estava sobre controle, que os juros não iam subir, que não haveria reajuste na gasolina, mas tudo não passou de uma farsa”, diz Bittar.

Segundo o parlamentar tucano, a petista prometeu que direitos adquiridos não seriam mudados, e que as contas públicas estavam controladas. “Agora veio a hora da realidade. Tudo que disseram não era verdade, uma hora a conta chega. Pior é que a conta será paga por quem não aguenta mais, o contribuinte”.

Márcio Bittar acredita que o Acre vai sofrer muito com os preços do transporte. “Para nós é complicado, o frete encarecera mais ainda os produtos. No Acre os empresários se preparam para alagação que o governo jurava que não vinha. E o governador preocupado em aumentar cargos e loteá-los para políticos”.
O deputado estadual Moisés Diniz (PCdoB), que foi o líder do governo petista do Acre na Aleac, acredita que as medidas que reflitam na piora de vida da população devem ser combatidas e contestadas pelos representantes populares eleitos pelo voto do contribuinte, “que é quem paga a conta”.

“Eu sou um péssimo economista, mas, qualquer medida antipopular, que piore a qualidade de vida da população, deve ser combatida por quem de direito foi eleito para representar os anseios da população nos poderes. A oneração de impostos sempre vai ser custeada por quem estar na ponta, o consumidor”.

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Os senadores Jorge Viana (PT) e Sérgio Petecão (PSD) não quiseram se pronunciar. Petecão disse que estava de férias, não estava acompanhando a movimentação da equipe econômica de Dilma. Viana prometeu que estará no Acre ainda esta semana, quando “poderemos falar…. Assuntos áridos”.

A deputada federal e economista Antônia Lúcia (PSC) fez criticas às novas medidas adotadas pela equipe econômica do governo petista. Para ela, por mais que o Governo Federal tente “camuflar”, o aumento de impostos atinge diretamente os consumidor final, “que arcará com o desequilíbrio do governo”.

“O Governo Federal vem errando já há algum tempo, demonstrou instabilidade com a mudança na regra do superávit primário e fecha o ciclo com uma medida que não pode ser apresentada como inovação ou projeto para solucionar um problema que foi criado a longo prazo e pelo próprio governo”, enfatiza.

De acordo com Antônia Lúcia, o efeito cascata no reajuste de preços é inevitável, principalmente no Acre. “Nosso estado não tem uma produção que garanta tranquilidade ao consumidor. Os preços serão elevados substancialmente, já que os custos do reajuste do combustível será repassado para o transporte”.

A reportagem tentou contato com os deputados federais Sibá Machado (PT) e Flaviano Melo (PMDB), que fazem parte da base de sustentação do governo Dilma Rousseff, mas os parlamentares não se pronunciaram sobre o impacto que virá com a volta da Cide e elevação do PIS/Cofins.

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