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A verdade sobre sobre os gastos na Copa do Mundo

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Acabo de receber a “Cartilha da Copa“, produzida pela Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República. Como recebi o material pela Embaixada Brasileira no Catar, esperava o material em português. Porém a cartilha recebida foi em inglês, o que indica a intenção de atingir um público que não é somente o brasileiro.

Enfim, vamos ao que interessa: o conteúdo. A cartilha tem como tema “o que você precisa saber sobre a Copa do Mundo FIFA Brasil 2014”. Assim mesmo, sem ponto de interrogação, como se fosse uma afirmação. Bem, então me perguntei: o que mais eu preciso saber sobre essa Copa?

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O documento busca desmistificar alguns assuntos que eu, você, enfim, todos nós brasileiros acreditamos ser realidade. Coisas do tipo: a Copa não traz benefícios ao país; os gastos públicos foram demasiados e não realocados para áreas como saúde e educação; as novas arenas são “elefantes brancos” e os estádios brasileiros foram os mais caros do mundo; os investimentos em mobilidade urbana e aeroportos não foram o suficientes; a Copa não tem um cunho social; e a Copa não trouxe benefícios na área de turismo e geração de empregos.

São muitos mitos para exorcizar em uma cartilha de apenas 14 bem ilustradas páginas. É aquela coisa de marketing: o importante é dizer não dizendo. Deixar silêncios entre as linhas e figuras.

Feita essas considerações, vou me atentar a um ponto interessante da cartilha. A página intitulada “A verdade sobre sobre as contas da Copa”, traz informações de que os gastos com estádios foram de “apenas R$ 8 bilhões”, sendo que R$ 4 bilhões são do BNDES; em outras palavras, julga-se que irá voltar para os cofres públicos com juros. Além disso, a página mostra que os investimentos em infraestrutura foram de R$ 17.6 bilhões, sendo que a maior parte foi para “transportes e aeroportos” (R$ 14.3 bilhões).

Com base nisso, me perguntei: quanto foi gasto em saúde e educação? Para minha surpresa está lá na cartilha também! Foram R$ 825 bilhões desde 2010. Então quer dizer que foram gastos 100 vezes mais em saúde e educação no Brasil do que na Copa? Então por que será que não observamos nenhum desses investimentos melhorar o cotidiano brasileiro?

O que o pessoal da cartilha ainda não entendeu é que as pessoas não querem mais saber de valores e números absolutos. Nós queremos é sentir o comprometimento e a agilidade para se pôr em prática planos de saúde e educação (sem falar em segurança), como foram vistos para atender as necessidades da Fifa para a realização da Copa do Mundo no Brasil.

Assim como a cartilha é para explicar aos gringos “as verdades” sobre os gastos na Copa, nós queremos explicações sobre os R$ 825 bilhões investidos desde 2010. Nós somos a “Fifa” agora! Nós queremos ver o ensino escolar e a saúde pública prontos para servir as nossas necessidades, assim como estádios e aeroportos ficaram “semi-prontos” para a Copa do Mundo.

Opa, mas espera um pouco. Os R$ 25.3 bilhões em estádios e infraestrutura foram gastos e não ficaram como a FIFA pediu? Ou seja, foram mal administrados? Isso me leva a conclusão de que os R$ 825 bilhões também estão sendo.

Vai começar a #CopaDasCopas. Já começou a #CobrançaDosGastosPúblicos.

Sorte Brasil! Dentro e fora de campo.

Por  Luis Henrique Rolim

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