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PF pode prender chefes da Telexfree nos próximos dias

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Nos próximos dias, é provável que a Polícia Federal providencie a prisão dos chefes da TelexFree – a pirâmide financeira que vitimou mais de um milhão de brasileiros, em um golpe estimado em quase R$ 2 bilhões.

Estará atendendo a solicitações do FBI, já que, pela Justiça brasileira, eles continuam livres, soltos e atuando em outras pirâmides financeiras.

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As pirâmides, em si, são apenas a casca do negócio. A verdadeira organização criminosa é a dos chamados “divulgadores” uma rede de estelionatários distribuída por todo o país, que migra de um plano para outro.

Entendendo a natureza do golpe, a SEC (Comissão de Valores Mobiliários) de Massachusetts indiciou não apenas os proprietários da TelexFree mas os principais divulgadores. Seria a única maneira de desbaratar a organização criminosa.

É uma organização hoje em dia que transita por pirâmides de toda natureza, um para cada gosto.

Tem o BBom, que supostamente vende serviços de rastreamento por celular. Para entrar no jogo, o incauto paga R$ 600,00 de taxa de adesão. Na área de mídia digital existe a Priples, de Pernambuco, acenando com lucros de 60% ao mês, com taxas de adesão de R$ 100 a R$ 10 mil. A Blackdever, de Minas, negocia cartões de crédito pré-pagos: taxas de adesão entre R$ 600 e R$ 9.950,00. A Multiclick Brasil, de Santa Catarina, aplica golpe similar à TelexFree: a remuneração depende apenas do incauto colocar anúncios no Facebook.

No perfil da TelexFree no Facebook, existe agora a Luvre (sic), pirâmide construída em torno de supostos créditos de carbono. No site da pirâmide (www.luvredobrasil.com.br) mencionam-se pessoas que ganharam até R$ 8 milhões (!) em um ano vendendo “produtos ecológicos”.

Tem até um suposto ator global promovendo o golpe – assim como na TelexFree (http://migre.me/jg7Qk). No vídeo, ele informa que marketing multinivel é um projeto em que “todos ajudam a todos sem puxadas de tapete”. E mistura mudanças climáticas, terremotos, tsunamis como argumentos de venda.

É um golpe ostensivo, óbvio. Então porque a Polícia Federal não age?

Simplesmente porque até hoje não foi acionada pelo Ministro da Justiça José Eduardo Cardozo. Como há dúvidas sobre as competências, se são crimes federais ou estaduais, a PF teme entrar em uma investigação e o inquérito ser anulado por inepto.

A única maneira de resolver a pendência seria receber uma ordem de José Eduardo Cardozo e começar as investigações para definir responsabilidades e formas de atuação.

As ordens nunca chegaram. Cardozo agiu uma única vez, pressionado por uma reportagem do programa Fantástico. Anunciou uma ação administrativa contra a TelexFree, de valor irrisório, inferior aos ganhos de meio dia da empresa.

Não se sabe ao certo a razão dessa anomia do Ministro. Alguns observadores julgam que seria em função do envolvimento de muitos pastores evangélicos com influência sobre a base do governo. Há que aponte o lobby de grandes escritórios de advocacia junto ao Ministro.

A dimensão do golpe, somado a alguns indícios – como o patrocínio da TelexFree ao Botafogo – sugere que possam haver bancos de negócios influentes fazendo a reciclagem do golpe.

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