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Discutindo sobre o gás de xisto

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Nas últimas semanas escrevi dois textos sobre a perspectiva de exploração do gás de xisto no Acre e seus desdobramentos na economia do Estado. Naquele momento me incomodava o silencio que cercava o leilão da Bacia Acre-Madre de Díos, com leilão marcado para os próximos dias 28 e 29 de novembro.

O que antes era silêncio, agora se transforma em um democrático debate. Discordo de vários pressupostos constantes do artigo do Gabriel, mas parabenizo-o pela disposição em dialogar e enfrentar o contraditório.

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O gás de xisto está sendo extraído em 34 estados dos Estados Unidos e modificando, para melhor, a economia daquele país. O Reino Unido, diante das contradições entre os que defendiam e os que atacavam a extração do gás, solicitou o parecer da Royal Society e da Royal Academy of Engineering. O resultado dos estudos demonstrou que os riscos podem ser geridos de modo eficaz, o que levou à liberação da exploração do gás. A própria União Europeia declarou que o método de fraturamento hidráulico não precisa de mais regulação.

Há a crítica à enorme quantidade de água utilizada no método de fraturamento, mas já existe um novo método de “fracking” que não utiliza água, esse novo método, utilizando gás butano/propano gel, aparentemente tem benefícios ambientais significativos, uma vez que bombeia um gel espesso, feito a partir do propano, e esse gel retorna à superfície em uma forma recuperável. Mesmo no caso do método “fracking” tradicional, já existe tecnologia que permite a reciclagem da água utilizada no processo de extração do gás, criando uma nova modalidade empresarial, com criação de mais empregos.

Enfim, como enfatizei em meu último artigo sobre o tema, devemos utilizar a tecnologia e os estudos para garantir uma melhor exploração das riquezas do nosso subsolo sem colocar em risco a natureza.

 O Centro de Geologia Econômica da Universidade do Texas declarou que, desde a década de 1950, a extração de gás de xisto provocou três casos documentados de poluição, e todos por falha humana na construção dos poços, o que pode ser corrigido.

Nenhum processo de exploração econômica está imune a acidentes. Aqui no Acre, a fábrica Natex, criada como um exemplo de sustentabilidade, provocou, em 2007, um desastre ambiental, quando 12 mil litros de látex vazaram do tanque de armazenamento e atingiram um açude, causando a morte da maior parte dos peixes. Acidentes, por definição, são casos fortuitos e inesperados, mas podemos utilizar a vigilância severa como forma de enfrentá-los, rapidamente, impedindo sua propagação.

Concordo com o Gabriel quando ele afirma que “O Governo da Floresta falhou ao tentar hipocritamente introduzir uma economia sustentável no Estado”. Aliás, em 2011, 30 organizações de defesa ambiental criticaram duramente o modelo de desenvolvimento sustentável utilizado no Acre, acusando o “governo da floresta” por mercantilização da natureza.

Não faço lobby a favor do gás de xisto, meu lobby é a favor do desenvolvimento do Acre. Defendo a preservação dos nossos ativos ambientais, mas defendo, também, que não podemos abrir mão de nossos potenciais minerais como forma de induzir a melhoria dos nossos indicadores sociais e econômicos.

Temos a obrigação de enfrentar a miséria e a falta de desenvolvimento que assolam o Acre. Nossa realidade é a de filas intermináveis em hospitais sem condições mínimas de atendimento, é a de termos 74 mil famílias dependentes da Bolsa Família, é a de vermos nossos jovens sendo atraídos pelo o narcotráfico por falta de perspectivas, é, enfim,  a realidade de empréstimos sucessivos, feitos pelo governo estadual, para manter o custeio da máquina pública, sem qualquer compromisso com projetos que garantam emprego e renda para a população

O gás de xisto é uma realidade e, infelizmente, o governo do estado não promoveu uma discussão com a sociedade sobre seu potencial econômico e seus riscos durante o período de prospecção, agora nos cabe lutar por uma regulação séria e rígida que permita a sua exploração com diminuição dos riscos de acidentes e por uma garantia de que os dividendos dessa exploração sejam usados para garantir a infraestrutura do Acre. Agindo assim, nossa população poderá conviver com melhores escolas, melhores hospitais, com mais empregos, poderá, enfim, ter uma vida digna e independente dos “favores” do governo de plantão.

* Marcio Bittar é Deputado Federal pelo PSDB/AC, Primeiro Secretário da Câmara dos Deputados e Presidente da Executiva Estadual do PSDB/AC

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