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Durante julgamento da vaga de Presidente do TRE desembargadores não escondem crise interna no TJAC

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Jairo Carioca – da redação de ac24horas
carioca.ac24horas@gmail.com

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A sessão que anulou a indicação da desembargadora Denise Bonfim para o Tribunal Regional Eleitoral foi marcada por críticas dos magistrados à própria instituição. No segundo andar da sede judiciária no Acre, pouco depois de completar meio século, o Tribunal Pleno, a mais alta corte do estado, tem sua transparência colocada em xeque.

A tentativa de suspensão do julgamento no Pleno no caso de preenchimento da vaga de desembargador para o TRE proposta pela desembargadora Cezarinete Angelim não foi em vão, apenas confirmou a crise interna.

TJ_crise_in1“Respondam-me senhores, como vamos fazer uma nova eleição para o TRE se essa está contaminada?”, questionou.

Cezarinete é vice-presidente do TJ. Afirmando não falar da forma ordeira e pacífica como os monges ela manifestou em alto e bom tom sua preocupação com o fortalecimento do Judiciário, deixando evidente o desconforto entre os magistrados, “reflexos da operação G-7”, acrescentou.

“Aqui neste Estado não podemos nos expressar que todo mundo já se dói”, voltou a se manifestar a desembargadora Cezarinete.

A parte aguda de seu questionamento se referiu à eleição do desembargador Pedro Ranzi para a corregedoria do TJ. Para ela, ao tornar nulo o ato que indicou Denise Bonfim para o TRE e permitir que o desembargador Pedro Ranzi continue como corregedor, o Tribunal age com dois pesos e duas medidas.

 “Como é que nós que defendemos transparência vamos conviver com essa situação?”, voltou a perguntar a magistrada.

O desembargador Francisco Djalma tornou o debate ainda mais confuso quando revelou a existência de um “acordo” que elegeria Denise Bonfim como corregedora. “Fiquei surpreso no outro dia após a reunião quando ela [Denise] se lançou candidata a uma vaga no TRE”, observou Djalma.

Diretor da Escola do Poder Judiciário, Francisco Djalma usou o termo “viciada” para pedir a nulidade da eleição que colocou no cargo de corregedor o desembargador Pedro Ranzi. De acordo o regimento interno da instituição o Ranzi não poderia concorrer ao cargo.

E não cessaram por ai os relampejos. O atual presidente do TRE, desembargador Samoel Evangelista, além de acolher a sugestão de suspensão do julgamento feita pela magistrada Cezariente Angelim, classificou essa necessidade como um “pedido de ordem”.

O debate obrigou o desembargador Pedro Ranzi afirmar que não estava disputando cargos. E buscando uma saída mais plausível sobre sua eleição para corregedoria, falou: “Quem disse que magistrado só come filé? Essa é uma carne de pescoço diria que mal cozida e mal assada”. E de forma mais incisiva completou: “é preciso apaziguar”.

Mais tarde, Ranzi detalhou que o “processo foi mal instruído na origem” e voltou a dizer que a Corte não pode conviver com atos jurídicos nulos.

O presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Roberto Barros apressou-se para explicar os “acordos” em torno da escolha de Denise Bonfim como corregedora. Segundo ele, o entendimento institucional entre os desembargadores é legítimo.

Mas parece que Roberto Barros ainda vai percorrer um longo caminho para explicar os demais termos que vem engrossando o dicionário do Pleno do Tribunal de Justiça. Tudo recai sobre a instituição que em pleno fervor da campanha eleitoral antecipada, parece não encontrar saída para o preenchimento da vaga que decide quem comandará as eleições do próximo ano.

Com a desembargadora Denise Bonfim fora do páreo, a vaga é disputada agora pelos desembargadores: Adair Longuini e Waldirene Cordeiro.

 

 

 

 

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