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As mentiras de Florestanópolis

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– Por favor! O senhor poderia-me dizer onde fica Florestanópolis? Há anos não a visito. Estou perdido nessa estrada, e o senhor é a única pessoa que vi desde que resolvi revê-la. Não sei o porquê, mas não temos mais aquele fluxo de pessoas que sempre havia antigamente.

– Florestanópolis está insuportável, meu filho. Por lá impera a arrogância, o cinismo e a palavra enganosa. Os príncipes que a governam trabalharam muito, de todas as maneiras, para cegar as pessoas de lá. Quem não aceita a escuridão, quem rejeita fazer parte, e quem não veste as vestes dos bobos da corte, são expulsos e vão embora. Pegam o caminho contrário ao que você está querendo fazer.

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– Mas foi por isso que isso que resolvi voltar. Meu peito enche-se de alegria, pois algo bom tem acontecido lá.

– Sei do que você fala.

– Sabe? Pois então, dei-me a honra, e acompanhe-me nessa jornada. Pois os tempos mudaram.

Soube de coisas maravilhosas! Soube que lá, por essa hora, muitos estão saltitando se regozijando com o feito alcançado. Eu entendo isso, pois não era normal tal evento e não era comum que tivessem matado com um só golpe aquele monte de moscas que viviam a perturbar a cidade.

– Não se empolgue, rapaz! Os árabes tem dito há milênios que não devemos declarar que as estrelas estão mortas só porque o céu está nublado.

Florestanópolis fica logo ali. Depois daqueles vales, cruzando o Rio dos Erros. Se apressar o passo, ainda acompanhará e poderá participar do que lá ocorre.

– Senhor, grato pela informação! As estradas mudaram muito, eu já não conhecia mais o caminho.

Entendo o senhor. Os árabes também dizem que quem não compreende um olhar tampouco há de compreender uma longa explicação.

Mas anime-se sua alma. Foram anos de aflição, inconveniência e tentativa de eliminar aqueles insetos que viviam a perambular pelo povoado. Eu soube que os jornais alardearam em sons inflamados. Os noticiários impressos tinham as fotos das moscas que foram mortas. Muitos até pensaram que, agora, poderiam recomeçar e refazer tudo o que não fizeram para evitar esse tipo de coisa. Florestanópolis está limpa!

– Certo, rapaz! Deixe-me com os meus percalços! Ainda é noite, talvez eu consiga dormir mais um pouco. Minha cabana esfriou com a porta que abri para recebê-lo. Mas meu coração abriu as portas do vulcão, pois você é a essência do otimismo. Vá! Eu sei que hoje é festa! É hora de agradecer aos heróis pelo ato bravo e animador. Não se esqueça!  Os árabes têm dito sempre: a primeira vez que alguém lhe engana a culpa é dele. A segunda vez, a culpa é sua.

– Perdoe-me, pela inconveniência! Espero que o sono lhe bata o tapete. Eu devo ir, pois sobram motivos para minha jornada.

DIAS DEPOIS

– Por favor! Senhor, sou eu. Ainda se lembra de mim?

– Sim, claro! Mas o que faz em uma hora dessas! O escuro é evidente e diz que já é muito tarde. A floresta tem outras vidas ativas.

– Poderia passar a noite aqui? Há algum espaço no chão para eu descansar meu corpo triste?

– Sim, sim, pois não! A cabana é pequena, mas pode acolher mais um que erra nessa escuridão.

– Amanhã cedo reúno minhas forças e volto para minhas terras, lugar de onde não deveria ter saído.

 – A festa não foi boa? A comemoração não lhe trouxe prazer?

– Não, não trouxe. O povo de Florestanópolis é cego, se deixa enganar facilmente. Não poderiam ficar só na festa! Era preciso ir mais além! Pula, rir, canta, mas não reconhece a dança que se desenvolve no salão.

– Eu fazia ideia. Como dizem os árabes: Por causa da rosa, a erva daninha acaba sendo regada.

– O senhor tinha razão! E eu a pude sentir quando vi que as moscas foram mortas, mas ninguém se deu conta de que, inconscientemente, preservavam as carniças.

– A culpa não é sua! Mas não posso dizer o mesmo dos habitantes de Florestanópolis!

– Eu não entendi o que o senhor quis dizer!

Francisco Rodrigues Pedrosa      f-r-p@bol.com.br

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