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Você sabia que o Acre é o terceiro maior produtor de açaí do Brasil?

“Superfood” leva empresários apostarem na produção de açaí como novo ciclo econômico para o Acre - Oitenta e cinco mil mudas foram plantadas através do projeto Árvores para o Planeta. Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, consumo do açaí no Brasil vai triplicar. Acre é estratégico para exportação via Pacífico. Empresários estão de olho em novas tendências mundiais
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“Superfood” leva empresários apostarem na produção de açaí como novo ciclo econômico para o Acre - Oitenta e cinco mil mudas foram plantadas através do projeto Árvores para o Planeta. Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, consumo do açaí no Brasil vai triplicar. Acre é estratégico para exportação via Pacífico. Empresários estão de olho em novas tendências mundiais

“Superfood” leva empresários apostarem na produção de açaí como novo ciclo econômico para o Acre – Oitenta e cinco mil mudas foram plantadas através do projeto Árvores para o Planeta. Com a Copa do Mundo e as Olimpíadas, consumo do açaí no Brasil vai triplicar. Acre é estratégico para exportação via Pacífico. Empresários estão de olho em novas tendências mundiais

Jairo Carioca, da redação de ac24horas
Fotos e vídeo: Willamis França

Matéria especial do ac24horas vai levar você para conhecer o maior investimento em agronegócio dos últimos anos, localizado a 78 km da capital, no ramal Copaíba, Fazenda Providência, no município do Bujari, onde um grupo de empresários ajusta-se as tendências de consumo mundial dos produtores derivados de frutas e aposta no que os cientistas vêm chamando de “superfood”: o açaí, alimento mais completo do mundo.

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Com a realização da Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016, a tendência é o alto consumo do produto no Brasil. Mas além da demanda interna, o projeto ousado está de olho no exterior. Os Estados Unidos se apresentam como maiores exportadores (60%), outros 30% vão para União Europeia.

Com a participação de apenas 1,4%, o Acre é o terceiro maior produtor de açaí do Brasil [1.000 toneladas/ano], divide a fatia de 15% produzida pelos estados do Amazonas, Amapá, Roraima e Tocantis. O maior produtor é o estado do Pará, com 85%.

É da Universidade do Pará os principais estudos de viabilidade econômica que norteiam o projeto Árvores para o Planeta. O empresário Alcindo Oliveira garante que “não tem nada de imediatista”. Ao contrário de outras iniciativas que tiveram o capital estatal associado ao capital privado, “por aqui tudo é iniciativa privada”, garantiu o empresário.

A primeira fase de implantação está em processo bastante avançado. 200 hectares de terras que eram degradadas e antes, ocupadas por bois, já receberam mais de 85 mil mudas de açaí. A reportagem conheceu a parte do plano de expansão que até o final do ano quer atingir 600 hectares de terras plantadas com açaí.

aca_02“Em 2014, ano da Copa do Mundo, nós queremos alcançar mil hectares de terras com açaí plantado, chegando a dois mil hectares em 2015. Estamos recuperando áreas degradadas, tirando o boi e devolvendo carbono ao planeta”, destaca Alcindo.

Somente com os primeiros 200 hectares já plantados, a produção de açaí no Acre será triplicada. O investimento até 2015 será de R$ 8 milhões e a expectativa é da geração de 200 empregos diretos. Os recursos foram levantados pelo dono da propriedade, o empresário José Augusto Araújo de Farias.

Quando indagado sobre a garantia de retorno ao negócio, o empresário afirmou que somente com a venda do resíduo do açaí, “gera-se o dobro do lucro da pecuária”. Após o início da produção, R$ 16 mil será capitalizado por cada hectare plantado.

“Na Russia a cotação chegou a R$ 330 dólares. No Estado do Pará, o maior produtor, o preço do açaí chega a R$ 19”, disse Alcindo.

Área de tecnologia avançada vai garantir safra o ano inteiro

O engenheiro agrônomo com mestrado em açaí, Eleandro D´Ponte, mostrou a reportagem do ac24horas o projeto de irrigação que vai garantir a produção de açaí sem período sazonal no Acre. “A tecnologia é importada de Israel”, comentou Eleandro.

A irrigação de precisão e fertirrigação é uma tecnologia desenvolvida pelo Instituto Volcani de Pesquisa em Agricultura, e consiste na técnica de adubação utilizando a água de irrigação para levar nutrientes ao solo cultivado. Além disso, a técnica permite que, através de análises laboratoriais, o produtor tenha total controle da quantidade de água e nutrientes que a planta precisa.

“Essa primeira fase é a mais difícil, levou muitos investimentos à falência”, comentou Eleandro comemorando os resultados de plantio do projeto.

A falta de mão de obra qualificada é desafio de inclusão social

O projeto Árvores para o Planeta garante que com o sucesso do negócio a tendência é retirar da construção civil, a mão de obra

Trinta empregos diretos são gerados na primeira etapa do projeto.

Trinta empregos diretos são gerados na primeira etapa do projeto.

qualificada que o investimento precisa. Em parceria com o Instituto Federal do Acre, os empresários pretendem qualificar técnicos agroflorestais.

“Essa é uma das fases mais importantes”, analisa Alcindo.

Para fazer inclusão social, os empresários também pretendem qualificar presos em regime de progressão de pena avançado. A ideia é construir em parceria com o Instituto Penitenciário do Acre, um viveiro na Colônia Francisco de Oliveira Conde, onde também seriam formados técnicos agroflorestais que sairiam contratados para trabalhar no manejo.

Organização da cadeia produtiva é projeto de integração

A organização da cadeia produtiva é um processo que os empresários pensam para 2015, quando as fases de implantação estiverem consolidadas.

“Diferente de outros investimentos que colocaram a carroça na frente dos bois, nós vamos andar no trilho, dando os passos de forma muito planejada. Com dois mil hectares plantados, já poderemos fechar contratos com empresas como a Rede Bobis, que já manifestou interesse em comercializar o açaí em sua franquia”, disse Alcindo.

O projeto vai garantir assistência técnica e a compra do produto. Mas para isso, os investidores querem fazer o dever de casa.

“Primeiro vamos mostrar que é possível devolver ao Acre a época ouro de produção, definindo uma cadeia produtiva sustentável e com o tripé da economia verde”, voltou a falar o empresário.

Infraestrutura é contribuição do Estado

Atividade de manejo do açai pode ser consorciada com a psicultura

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 A única contrapartida esperada pelos empresários pelo Governo do Acre é a infraestrutura necessária para a produção e o escoamento do produto. Segundo Alcindo Oliveira, já existe a necessidade de ampliação da energia para a Fazenda Providência, onde acontece a fase de execução do empreendimento.

“Isso já foi pactuado. O governador Tião Viana esteve aqui junto com o ministro Marcelo Crivela, conheceu de perto a iniciativa e garantiu que vai atender a reivindicação sobre a energia que precisa ter fase ampliada”, lembrou o empresário.

 No Brasil

 A Comissão de Educação do Senado aprovou o projeto de lei (PLS 02/11) que designou o açaí como fruto nacional. A medida tem o objetivo de proteger o açaí e evitar novas tentativas de empresas estrangeiras de patentear o nome da fruta.

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