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A mansão dos pesos iguais

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– Eu trouxe flores para você! Estão aqui comigo. Por favor, não me critique pela ausência de todos esses dias. Não quis incomodar. É verdade! Pensei que de alguma forma eu pudesse atrapalhar. Sei que gosta do silêncio. Sei que aprecia a paz de espirito e que os ventos gostam de desviar sua imagem, determinados a seguir adiante.

– Não doce criança! Não fale assim! Estive lhe esperando todo esse tempo, consciente de que você tinha justas razões para não estar comigo. O mundo tem muitas janelas e cada vez que abrimos uma, damos prova de como é suave o cheiro da vida.

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Nunca fui egoísta. Se há uma coisa que repreendo é a necessidade humana de ser e querer ser sempre o melhor. A mais discreta pedra, jogadas nas margens da estrada, é um testemunho verdadeiro das montanhas que um dia ajudou a formar.  Se hoje se escondem em ralos espaços, um dia puderam tocar as nuvens. O tempo é escravo que dita as ordens, um senhor que se ajoelha para dominar.

– você nunca acreditou que eu o amava. Disso sei. Imaginou que sua ausência me daria novos olhos para futuras aventuras, amores passageiros que chegariam reféns das estações. Se nunca aprendi o que é o amor verdadeiro, saiba que hoje tenho e reúno condições suficientes para descrever, como ninguém, os segredos de um sentimento tão forte.

– Mas o amor não pode ser descrito. Ninguém ama corretamente. O correto precisa ser definido. Essa mágica que invade nossos corações e se aloja no peito jamais será entendida, pois extrapola nossas capacidades de avaliação.

– Então você acha que a certeza não se mistura com o amor? Ora veja! Esse tempo todo, minha vida foi privar-me de tudo, pois pra mim era certo que um dia iria lhe ver de novo. Se a exatidão nos for como réguas nos desenhos que o destino nos traz, então eu terei que aceitar que por caprichosas loucuras cantaram os poetas por todos esses séculos.

– Sim, sim! Os mesmos poetas que afirmaram que amar é esperar pacientemente, em um banco da praça, com dois sorvetes nas mãos, a pessoa almejada. Amar é saber que não é a ausência que levanta as maiores dores. É a presença de quem não podemos amar o que mais fere o coração.

– Gosta dessa canção?

– Prefiro as folhas ao cair.

– Gosta dessa oração?

– Repetições. Rotinas da piedade condicionada. Barcos que navegam sem timão. Ontem um filhote caiu do ninho. Seu constante lamentar não foi ouvido pela serpente que cruzava seu caminho.

– Olha! Não estou ouvindo mais ninguém. Parece que já foram embora. Enfim, estamos sozinhos. Completamos aqui o que antes iniciamos com tanto brilho. Ainda gosta de meditar sobre os planos, olhando horizonte?

– Não mudamos quando abrimos portas. Modificamo-nos quando portas são abertas sem sabermos. Guerra de atitude. Eterno conflito em que não vemos a ira do vencido. O grito a permear toda a eternidade.

– Ontem, todos eles me olhavam com lamentos e prantos. Nunca fui capaz de contar pra eles que é agora que meu sonho se completa. Mas aqui é escuro! Poderia me dar a mão?

AQUI JAZ PARA SEMPRE LEANDRO E LAURINA. SAUDADES ETERNAS DE SEUS FAMILIARES QUE AGUARDAM A DIA DO REENCONTRO.

Por FRANCISCO RODRIGUES PEDROSA   f-r-p@bol.com.br

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