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“Não precisamos ser situação ou oposição; precisamos de atitude”, diz Marina em fórum contra a corrupção

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A ex-ministra Marina Silva participou, nesta sexta-feira (24), do II Congresso Nacional da campanha ‘O que você tem a ver com a corrupção?’ e falou sobre política e corrupção, no Teatro Plácido de Castro, em Rio Branco. O evento, que prossegue até o final do dia de hoje (24), reúne membros do Ministério Público, estudantes e representantes de diversos setores da sociedade.

Acreana reconhecida internacionalmente por sua defesa às causas ambientais, a ex-senadora acreana agradeceu o convite do Ministério Público do Acre para participar do evento e iniciou sua apresentação falando sobre ética, que segundo ela, vem sendo aplicada de acordo com as circunstâncias.

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“Estamos vivendo uma profunda crise que se constitui por múltiplas crises: a econômica, social, ambiental, política e crise de valores. Não é uma crise qualquer, é uma crise civilizatória, que não tem como ser enfrentada por um partido, um grupo, uma classe. É uma grande convocação à humanidade”, disse.

Marina Silva declarou que a corrupção não decorre de problemas técnicos, já que existem leis, dentre outros mecanismos para coibir essa prática, mas é consequência de problemas éticos. Ela acredita que a política deveria combater a corrupção, pois é compreendida como a arte de promover o bem comum. “Na sua essência é isso, mas hoje a política se caracteriza como o poder pelo poder. A política deveria se mobilizar para combater à corrupção, mas há uma deturpação. A gente pode acreditar em muitas coisas, na ética, na justiça, mas não adianta se nós separamos o que acreditamos do que criamos” afirma, ao acrescentar que hoje o que predomina é a era dos paradoxos em que as coisas são consideradas boas e ruins ao mesmo tempo.

Não precisamos ser situação ou oposição; precisamos de atitude

Quando alcançou uma cadeira no Congresso Nacional Marina Silva foi considerada a senadora mais jovem do Brasil. Depois assumiu o Ministério do Meio Ambiente, mas deixou a pasta por divergências com membros do governo. Em 2010, foi candidata à presidência da República e obteve 20 milhões de votos.

“A sociedade precisa sair do comodismo, parar de se queixar porque a queixa é paralisante. A corrupção não pode ser problema só da presidente Dilma porque se o combate for apenas tarefa dela, o problema vai continuar. O problema é de todos nós. Não precisamos ser situação ou oposição. Precisamos de atitude, de posição”, destaca.

Marina Silva também falou sobre o Código Florestal, Mensalão, Lei da Ficha Limpa, defendeu a reforma política e criticou as alianças partidárias feitas em troca de espaço no horário eleitoral. “Muitas vezes a gente ganha perdendo e isso acontece quando vale tudo para ganhar. Não é preciso fazer qualquer coisa por um minuto de televisão”, ressaltou.

Ao reafirmar a importância da sociedade mudar seu comportamento em relação à corrupção, Marina Silva destacou que: “Sem ética não há vida. O ser humano precisa reconhecer que tem falhas. Nós devemos ser resultado do que nós fazemos do passado e não do que o passado fez com a gente. Somos faltosos e temos que nos reconhecer assim para poder avançar”.

A programação do Congresso conta ainda com a realização de dois painéis: ‘O que a mídia e o Ministério Público tem a ver com a corrupçao’ e ‘O que a cultura e o esporte tem a ver com a corrupção?’. A cerimônia de encerramento está prevista para as 17 horas e contará com a apresentação da peça teatral ‘Quem é o rei?’.

 

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