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ACRE: UM ESTADO GRAMPEADO

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Fazer uso do telefone celular, ou fixo no Acre é sempre motivo de medo. O Estado dispõe do mesmo equipamento de escuta telefônica utilizado em grandes operações pelo Ministério da Justiça e a Policia Federal. Foram os petistas que adquiriram o aparelho israelense, antes nenhum grupo político se interessa pelas conversas alheias no Estado. Centenas de pessoas tiveram suas conversas ouvidas por arapongas, mas ninguém sabe até hoje qual o limite entre o abuso e a legalidade desse grampo. O pior é que governo regulamentou e normatizou a espionagem eletrônica. O que se sabe é que o assunto não é novidade para ninguém, o Acre é sim um Estado de muro baixo e muitos ouvidos, por isso vale de tudo para não ser pego.

Só para se ter uma ideia, o governador Sebastião Viana (PT/AC) assinou em novembro do ano passado um decreto que institui o Sistema de Inteligência de Segurança Pública do Estado do Acre (Sispac). O sistema na verdade autorizava, normatizava o uso o software Guardião, adquirido em 2003, durante a gestão do governador petista Jorge Viana, e que tem capacidade de realizar escutas de 400 ligações telefônicas, ou, 3 mil linhas simultâneas.

O texto do decreto atenua dizendo que, o “controle do sistema de interceptação de sinais será feito pelo Poder Judiciário, pelo Ministério Público e pelo Comitê Deliberativo, assim como pelos respectivos Conselhos Nacional de Justiça (CNJ) e Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP)”. Bem diferente do que vem ocorrendo atualmente.

O processo de aquisição do Sistema Guardião pelo governo estadual começou quando a Secretaria de Segurança era ocupada pelo ex-deputado federal Fernando Melo, um petista dissidente hoje candidato a prefeitura da capital do Estado pela oposição, mas que avalizou a compra. “O sistema permite interceptação e gravação simultânea de centenas de linhas telefônicas. É necessário que haja controle externo para se evitar que seja usado para fazer escutas políticas”, disse o ex-petista, Fernando Melo, naquela época.

A espionagem teve a tutela da União. O equipamento teve sua compra autorizada pelo Ministério da Justiça, por meio do convênio (486771/Siafi,) que repassou R$ 500 mil ao governo acreano com essa finalidade, e foi assinado pelo ex-governador hoje senador Jorge Viana (PT/AC), com publicação no Diário Oficial. Nos bastidores os petistas não escondem que grampeia o cidadão, ilegalmente, mas nunca admitiram em público. Sempre afirmaram que as escutas eram feitas apenas em operações policiais, com a finalidade de ajudar no combate ao narcotráfico e ao crime organizado.

“O governo não vai bisbilhotar ilegalmente a vida de nenhum cidadão. A legalidade do sistema será conferida pelo Judiciário e Ministério Público por meio de relatórios e até fisicamente. O nosso foco será o combate ao crime organizado e ao narcotráfico. O comitê terá controle apenas da aplicação da política de inteligência, dos resultados e do cumprimento aos direitos fundamentais, individuais e aos direitos humanos”, disse Secretário de Segurança Pública, Reni Graebner, ex-superintendente da Polícia Federal no Acre.

ESTADO ADMITE ESPIONAGEM – Nesta semana, Sebastião Viana, assumiu publicamente que anda espionando seus homens de confiança, sem que eles saibam. E pediu suspensão dos telefones institucionais, conhecidos como “chapa branca”, pagos com dinheiro do contribuinte.

Viana disse que a medida se estenderia durante apenas o período eleitoral. Depois das eleições vai continuar monitorando sua equipe. Argumentou que a medida foi para evitar seus comissionados e secretários fossem interceptados em conversas comprometedoras e chegassem até a Justiça Eleitoral, e disse mais: “este é um sacrifício preventivo, mas que precisa ser feito. Todas as conversas nos telefones institucionais ficam gravadas e isso pode complicar a isenção do governo nas eleições. Portanto, para nos preservar, vamos providenciar todos estes alertas e cuidados”.

Foi a primeira vez que um chefe de Estado acreano assumiu responsabilidades sobre o tema, mas não disse que se ouve as conversas alheias de maneira legal, ou ilegal, e quem teria autorizado tamanha irresponsabilidade, com base em que? Sebastião deixou perplexo setores da imprensa, política e amedrontou ainda mais seu grupo de trabalho, que pensava que ninguém sabia o que eles falavam ao telefone. O mais intrigante nessa história toda é silêncio de dezenas de instituições e órgãos públicos que deveriam cobrar responsabilidades e respeito ao cidadão. Chega-se até a questionar: de que lado estão?

A central de escuta chegou a funcionar em numa sala do prédio do antigo Banco do Estado do Acre (Banacre) Também comentou–se que ficava no térreo de prédios da Secretária de Justiça e Segurança Pública em salas reservadas, com acompanhamento de PM´s, do Serviço de Inteligência e Reservado. Mas, o que se sabe é que estouram denúncias de que o PT (Partido dos Trabalhadores) estaria fazendo espionagem política.

Outro que conhece bem o sistema de escuta é o hoje deputado Walter Prado, que na época de Viana chegou a brigar com o coronel Collim pelo controle do “Guardião Espião”.

Em épocas de período eleitoral, o tema espionagem, assim como o mensalão que poderia respingar no ex-governador do Acre Jorge Viana, seria um debate propicio e oportuno para os adversários do PT, junto ao cidadão. Mas, misteriosamente, ambos apenas preferiram calar a boca. Restam duvidas ao eleitor: de que lado a “oposição” está?

OS ALVOS – Em novembro de 2007, o extinto jornal eletrônico Folha do Acre, publicou: “Governo do Acre usa grampo telefônico para vigiar adversários políticos”. Segundo o informativo eletrônico, as suspeitas de uso de grampo com fins políticos aumentaram após, o então procurador-chefe do Ministério Público do Acre, Edmar Monteiro Filho, revelar à imprensa local de que a Polícia Federal tinha em seu poder um CD com gravações do ex-deputado estadual Roberto Filho. Conversas inclusive que renderam ao ex-deputado, ao seu filho e à mulher dele, Lenice Barros, algumas semanas na cadeia. Nos diálogos captados, Filho estaria tramando o assassinato de várias pessoas, inclusive um juiz.

Na lista de algumas pessoas que foram grampeados estavam o ex-governador Orleir Cameli, o falecido professor José Mastrângelo, que era desafeto dos petitas. Além do advogado Ruy Duarte, o parlamentar Donald Fernandes, Luiz Calixto, ex-deputado estadual, hoje candidato a vice-prefeito da capital, e até o camarada aliado dos PT, líder do governo na Assembléia Legislativa Moisés Diniz (PCdoB/AC), teriam sido vitimas de espionagem, junto com Antônia Sales (PMDB/AC), deputada estadual.

A deputada federal Antônia Lúcia (PSC/AC) é campeã de grampos telefônicos. Ela foi vitima diversas vezes e continua sendo. Sua casa, gabinetes, e até telefones de seus assessores foram interceptados. A Polícia Federal grampeou o comitê eleitoral do PSDB no Acre na campanha eleitoral de 2010. As escutas telefônicas às quais o Estado teve acesso revelavam detalhes da campanha do candidato tucano ao governo, Tião Bocalon, como definição de agendas e requisição de material de propaganda. Até conversas com a coordenação nacional de José Serra à Presidência foram interceptadas.  Estranhamente Bocalom, nunca moveu uma ação judicial contra o Estado, e seus adversários, apenas silenciou para o caso.

Os opositores de Sebastião Viana dizem que basta apenas ser considerado um ativista político polêmico e contrário à política do Partido dos Trabalhadores e do Governo do Acre, para ser espionado e ter sua vida monitorada, passo a passo.

JORNALISTAS GRAMPEADOS – Os profissionais de imprensa acreanos perderam as contas de quantas vezes tiveram suas ligações interceptadas. O assunto sempre foi tratado como uma espécie de “alucinação” por colegas de profissão, poucos levam o tema tão a sério.

É difícil perceber se uma pessoa está sendo bisbilhotada durante suas conversas ao telefone, mas, sinais de ruídos, chiados, ou consumo rápido de bateria principalmente se o aparelho for novo, são indicativos. Mas, barulhos na linha também podem indicar problemas na operadora de telefonia que presta os serviços.

O jornalista Fábio Pontes disse ter sido vítima da arapongagem, e chegou a escrever sem sua página de relacionamento nas redes sociais. “Já são duas ligações com as minhas fontes interrompidas pelos arapongas. A Constituição nesse Estado é só para enfeitar a Biblioteca. A arapongagem palaciana tá forte neste ano. O guardião está operando na capacidade máxima. Tá impossível para os jornalistas trabalhar”, revelou Pontes.

O jornalista Antônio Stélio, caiu na arapuca de escutas. Outras vitimas foram os jornalista Ray Melo e Roberto Vaz. Ray, inclusive teve acesso a trechos das conversas, a partir de CD´s com os diálogos que chegaram as suas mãos. Ambos condenaram a postura do Estado, e a interferência nos meios de comunicação, de maneira ilegal e irresponsável.

O que pretende o Governo do Acre e o Partido dos Trabalhadores fazendo grampos telefônicos de jornalistas, políticos, empresários e até de seus companheiros?

Estariam essas pessoas enquadradas no grupo de integrantes do crime organizado, por que manter um equipamento como o Guardião, a disposição do Estado para fazer o que bem entende?

Qual o limite jurídico dessa rede de espionagem?

Respostas que as autoridades devem a sociedade pelo dano moral causado a tanta gente pelos atos ilegais e irresponsáveis.

FRANCISCO COSTA  fsc_neto@hotmail.com

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Acre

Em reunião no bairro Jorge Kalume, Vaz fala em redução de cargos e concurso para a Educação

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Moradores do bairro Jorge Kalume receberam a visita nesta quinta-feira do candidato do PR à prefeitura de Rio Branco, Raimundo Vaz, e de seu vice Francineudo Costa, do PSDB. Ao lado de candidatos a vereador e militantes, eles participaram de uma caminhada por todo o conjunto, percorrendo as ruas e conversando com as pessoas.

Em reunião com a comunidade, Vaz apresentou suas propostas e enfatizou que fará uma administração de resultados. Sua prioridade é realizar reforma administrativa para reduzir o número de cargos comissionados, principalmente para promover concurso para a Educação que possui centenas de professores provisórios e para a saúde, desburocratizar a administração e facilitar o acesso aos serviços públicos para os cidadãos.

“Nosso plano de governo tem esse objetivo que é o de valorizar o servidor e ainda contratar pessoas de forma efetiva por meio de concursos para áreas como a Educação, que deve ser prioridade na administração pública.”

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Acre

Após participar de audiência pública, Joaquim Rolim deixa a presidência da Eletrobras Acre

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O engenheiro eletricista Joaquim Rolim deixou o cargo de diretor-presidente da Eletrobras Distribuição Acre nesta quarta-feira, 24. A decisão foi anunciada em reunião do Conselho de Administração, onde o presidente Marcos Aurélio Madureira, agradeceu a colaboração prestada por Rolim. A presidência foi assumida interinamente pelo engenheiro Luiz Armando Crestana, Diretor Comercial da Empresa.

No mesmo dia de deu desligamento da empresa, Joaquim Rolim participou de uma audiência onde o mesmo teve que explicar os motivos do alto índice de reclamações dos consumidores acreanos, em virtude de interrupções de fornecimento de energia, seguidas por cobrança indevida de faturas e erros na leitura.

Joaquim_in2O representante da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), o superintendente de Fiscalização dos Serviços de Eletricidade, Leonardo Oliveira, afirmou que a Eletroacre não teria alcançado o Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC). “A empresa está abaixo da média”, afirmou Leonardo quando participava da audiência pública.

Em nota oficial divulgada pela assessoria de comunicação, Rolim tem sua gestão à frente da Eletrobras Distribuição Acre destacada com a conquista do prêmio IASC (Índice Aneel de Satisfação do Consumidor) na categoria de maior crescimento 2013/2014, com o resultado de 41% de melhoria, conforme pesquisa realizada com os clientes do estado do Acre. Também apresentou melhoria de 31,5% no Índice de Aprovação do Consumidor conforme pesquisa realizada pela Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia (Abradee) no ano passado.

 

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“Não vou decepcionar o Acre”, garante Gladson Cameli, o mais novo senador do Acre e do Brasil

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“Não vou decepcionar o Acre”. A curta frase em tom firme foi dita por Gladson Cameli horas depois de anunciada a sua eleição para o mandato de senador da República, garantida na votação deste domingo, 5, quando derrotou a comunista Perpétua Almeida (136.706 votos) e os outros concorrentes Roberto Duarte, do PMN 17.119 votos) e o professor Fortunato Martins, do Psol ( 2.232 votos).

Mas antes disso, no último dia de campanha a equipe de ac24horas pegou uma carona no avião Caravan prefixo PPP/AMV, que o deputado federal Gladson Cameli (PP) utilizou durante toda a campanha. E foi a bordo da aeronove, num voo entre Rio Branco e Cruzeiro do Sul, que ele concedeu uma entrevista exclusiva ao repórter Jairo Carioca e o fotógrafo Suamy Beyound.

O cenário e as atenções foram divididos com o filho Guilherme (que tem um ano e três meses), o xodó da família. Às duas horas de voo foi mais um momento que o candidato aproveitou para ficar ao lado do filho e da esposa, Ana Paula Cameli. Com o pai, Eládio Messias Cameli, ele conversou por telefone, pediu a benção, informou sobre os eventos e ouviu conselhos. Na reta final da campanha, contou com a presença da mãe, Linda Cameli, com quem assistiu o último programa eleitoral e agradeceu o trabalho de toda a equipe de assessores e marketing.

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LEIA HOJE NO ESTADÃO
>>> Mais jovem senador eleito defende redução da maioridade penal

Mesmo tendo iniciado a carreira de piloto de avião (o candidato tem uma coleção de miniaturas de aviões na estante de sua casa), Cameli rechaçou a ideia de que durante toda a campanha esteve no que na aviação costuma se chamar de ‘voo de cruzeiro’ que é quando a aeronave está com altitude e velocidade estabilizadas. “O projeto do senado iniciou após a minha reeleição em 2010. Eu aprendi com meu tio, Orleir, que a política pode ser feita para ajudar a quem mais precisa”, revelou.

Oferecendo durante todo o seu programa eleitoral a proposta de colocar o Acre e as pessoas em primeiro lugar, o progressista foi dono de 58,36% dos votos ( 218 mil e 756 votos), sem ter citado em mais de uma hora de aparição na telinha de TV, uma única vez o nome de sua principal adversária, a comunista Perpétua Almeida (PCdoB). E pela elegância e tranquilidade chegou a aumentar o seu tempo de TV, tal brutal e covarde foram as agressões, recebendo da Justiça eleitoral o direito de reposição verdade. E muitas vezes o fez usando apenas uma tela azul. Todos os ataques foram coordenados pelos partidos PT e PCdoB, na tentativa de desconstruir seu principal discurso, a liberação de R$ 105 milhões em emendas e indicações para os 22 municípios do Acre, além de R$ 30 milhões do PAC da Mobilidade para obras estruturantes na capital.

Tal plataforma obrigou a Frente Popular do Acre chamar seu staf para bater duro em Cameli. Um deles, o prefeito do município de Rio Branco, Marcus Viana, apareceu mais vezes no horário eleitoral gratuito do que a própria Perpétua Almeida, com discurso apelativo que nas entrelinhas deixava entender que Gladson Cameli era um mentiroso. “Eles não atacaram somente a mim, desrespeitaram as famílias acreanas”, comentou.

Bacharel em engenharia civil desde 2001, formado pelo Instituto Luterano de Ensino Superior de Manaus, – Ulbra -, no Amazonas, o fato concreto é que Gladson Cameli após uma virada surpreendente nas intenções de votos, principalmente em Rio Branco – onde o PCdoB projetava vencer a eleição – caminhou a passos largos, garantindo a terceira vitória consecutiva em sua curta carreira política iniciada em 2006, quando se elegeu deputado federal, reeleito em 2010, e agora elegendo-se para o Senado da República, um dos cargos mais cobiçados da política brasileira, em uma eleição que a Casa renova apenas em um terço os representantes dos estados.

Para chegar à vitória no desafio que ele citou ser um dos maiores de sua carreira política, segundo seu ajudante de ordem e pessoa de extrema confiança da família Cameli, o Cel. Alves, Gladson percorreu via terrestre mais de 20 mil km visitando através de caravanas, ao lado do candidato ao governo da Aliança, Marcio Bittar (PSDB), os municípios do Alto e Baixo Acre. Estima-se que ele tenha caminhado cerca de 270 km, fazendo corpo a corpo com eleitores e participando de caminhadas nos bairros dos 22 municípios. De voo na Região do Juruá e Purus, foram aproximadas 80 horas, dezenas de pousos e decolagens. Uma média de 18 horas por dia de trabalho.

Eleito o segundo Senador da República do município de Cruzeiro do Sul (o primeiro foi Aluízio Bezerra de 1987 à 1995), Gladson Cameli retornou ainda na noite de domingo à terra natal para comemorar a vitória ao lado dos eleitores que lhe deram a maior votação em todo o Estado. Ele dedicou sua eleição ao tio, Orleir Cameli e garantiu que não vai decepcionar o Acre.

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Veja na íntegra a entrevista exclusiva feita pelo repórter Jairo Carioca com fotos de Suamy Beyoud.

ac24horas – Senador, até aqui são aproximadas 80 horas de voo, mais de 20 mil quilômetros rodados, cerca de 270 km de caminhadas e várias visitas aos 22 municípios do Acre. O senhor acredita que o resultado das urnas tenha sido em função desse esforço e de uma campanha planejada e tecnicamente correta?

Gladson Cameli – Eu acredito que Deus sempre esteve no controle, principalmente quando nos propomos a fazer uma campanha pé no chão, conversando com as pessoas, levando propostas e apresentando o trabalho que fiz nos meus oito anos de mandato. Antes de começar a campanha eu andei o Acre todo, e fui muito incentivado a sair candidato ao senado. Eu não cheguei aqui sozinho, tive apoiadores. Ajudei a construir a maior aliança que a oposição já teve e sou muito grato por tudo que me aconteceu.

ac24horas – O Marcio Bittar, no voo até Tarauacá me disse que você foi muito importante na construção dessa aliança. Você acha que definitivamente foi quebrado esse mito de que a oposição é desunida?

Gladson Cameli – Eu acho que vencemos uma etapa importante. Conseguimos em primeiro lugar vencer muitos egos pessoais. Tive a humildade de recuar em muitos momentos e cheguei a propor essa vaga para o Senado ao deputado federal Flaviano, ao próprio Márcio, mas tudo em busca de uma unidade. Avancei quando os principais líderes tiveram a consciência de fazermos um projeto coletivo, voltado para as pessoas. O Petecão, o Vagner Sales, o Marcio Bittar e o Flaviano tiveram um papel fundamental nessa construção. Tenho a consciência de que para unir a oposição ainda precisamos avançar muito. Mas esse é o desafio. A luta não para por aqui, está apenas começando.

ac24horas – Qual foi o momento mais difícil para o Gladson Cameli nessa campanha?

Gladson Cameli ­– Com certeza foi estar longe da minha família, do meu filho Guilherme, que tem apenas um ano e três meses e que precisa muito da minha atenção como pai, do meu carinho. Tenho muito que agradecer a Ana Paula que foi nessa campanha mais que uma esposa. Foi uma amiga que me deu colo nos momentos em que eu mais precisei. Fora isso, senti muita falta da presença física do meu tio Orleir. Essa foi a primeira campanha que eu enfrentei sem ele. Foi muito doloroso para mim (emocionou-se).

Gladson com guilherme

ac24horas – Durante a nossa ida para o aeroporto você recebeu um telefonema do seu pai, o Eládio. Isso foi uma rotina durante a campanha?

Gladson Cameli – Eu não precisei ser candidato para mudar minhas convicções. Eu parto do princípio de que a família é a base para qualquer sucesso. A minha educação desde criança teve isso como base. Estudei no Instituto São José, tive o prazer de ser aluno da irmã Paulina. Até hoje eu peço a benção do meu pai, da minha mãe, dos tios e avós. Meu pai foi fundamental na minha campanha. Ele brigou, puxou minha orelha quando precisou. E acima de tudo temos um grande respeito um pelo outro. Isso é o retrato da família acreana que eu vou continuar preservando em todos os momentos de minha vida, independente do lugar que eu esteja ocupando.

ac24horas – E os ataques que você recebeu. Você estava preparado psicologicamente para esse embate; o que mais lhe surpreendeu?

Gladson entrevista in3Gladson Cameli – Ser acusado daquilo que você não fez e daquilo que você não é foi muito difícil. Nunca fui e nem sou o dono da razão; aprendo a cada dia… sou um sonhador, quero colocar o Acre e as pessoas em primeiro lugar. Os ataques me serviram de ensinamentos. Saio dessa eleição consciente de que a população acreana não aprova essa postura. Por isso não respondi a nenhuma acusação leviana. Minha resposta será com o trabalho. Ao prefeito Marcus Viana, eu quero dizer que os R$ 30 milhões liberados através do Ministério das Cidades são poucos, vou batalhar para ajudar a liberar a segunda etapa do PAC da Mobilidade II que tem mais R$ 80 milhões para obras em Rio Branco. Esse é o meu principal desafio: colocar o Acre e as pessoas em primeiro lugar.

ac24horas – Você acredita que essa postura tenha sido fundamental para lhe dar a dianteira nas intenções de votos, literalmente um ‘voo cruzeiro’ nessa campanha?

Gladson Cameli – Não foi uma campanha fácil. Começamos em Rio Branco, o maior colégio eleitoral, com 20 pontos percentuais atrás da minha principal adversária. Embora eu tenha feito o curso de piloto e ser apaixonado por avião, não pilotei essa campanha sozinho. Tive amigos que assim como eu, gostam de fazer política séria e transparente. Tenho que agradecer a todos os candidatos a deputados estaduais e federais, aos militantes que balançaram a nossa bandeira, que cantaram as nossas músicas. Enfim a todos que acreditaram em nossas propostas. A política é como pilotar um avião. Você precisa gostar do que faz, pois o risco é constante.

ac24horas – O senhor andou pelo estado inteiro durante a sua campanha. Conheceu novamente várias realidades. O que o povo acreano pode esperar do novo Senador da República?

Gladson Cameli – O meu maior projeto vai ser a minha presença nos municípios indiferente de cores partidárias. Todas as cidades do nosso estado, de Marechal Thaumaturgo a Assis Brasil, precisam da maior presença do governo federal. Quero fazer um mandato participativo, ouvindo as comunidades mais distantes, os vereadores, os prefeitos. Vou me juntar aos senadores Sérgio Petecão (PSD-AC) e Jorge Viana (PT-AC), ao futuro governador para ajudar ao Acre vencer seus maiores desafios. Serei senador de todos os acreanos, inclusive daqueles que jogaram pedras em mim.

ac24horas – Por falar em segundo turno, qual será o seu papel agora?

Gladson Cameli – Continuar lutando pela alternância de poder. A alternância de poder é salutar para o processo democrático. Acredito que o Marcio Bittar vai disputar essa eleição com o Sebastião Viana com chances reais de vitória. Ele contará com meu apoio total e incondicional.

gladson x orleirac24horas – O senhor retorna para comemorar sua vitória com as famílias cruzeirenses. Isso é um reconhecimento ao povo de sua terra natal?

Gladson Cameli – Nós acreanos só temos uma única família que é o nosso Estado. A família do Juruá representa cada cidadão, cada pedaço de chão dessa terra rica e maravilhosa que é o Acre.

Peço permissão aos irmãos acreanos para dedicar essa campanha vitoriosa a um grande homem: o meu tio Orleir Cameli. Nos últimos dias de sua vida ele me pediu para não decepcionar o povo do Acre (emocionou-se novamente). E tenham a certeza de que não decepcionarei.

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Notícias

Suinocultores do Acre amargam prejuízos e ameaçam protestos contra Dom Porquito

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As medidas anunciadas recentemente pelo governador Sebastião Viana de apoio à suinocultura na cidade de Brasileia, na fronteira do Acre, não agradam a Cooperativa de Suinocultores do Acre (SUINACRE) composta por um grupo de 34 produtores pioneiros no negócio. Se sentindo excluídos do que chamam de “ousadia” do governo eles ameaçam a realização de protestos e até de uma ação civil pública contra os incentivos direcionados à Indústria Dom Porquito, localizada na cidade de Brasileia, na fronteira com os países Peru e Bolívia. O secretário Edvaldo Magalhães, da Indústria e Comércio, negou política de abandono e garantiu que os produtores do entorno de Rio Branco vão receber investimentos para modernização.

De fato o projeto de implantação da Indústria Dom Porquito é ambicioso. Inaugurada no último dia 13, nos próximos dois anos o projeto prevê a geração de 800 empregos, o envolvimento de 100 produtores e a receita de R$ 150 milhões por ano – meta que supera o total da arrecadação anual do município de Brasileia.

Mas a reclamação dos produtores não é com a abertura do mercado de exportação para o Japão e países andinos como já foi anunciado, diz respeito à superlotação de suínos no mercado interno. Eles acusam a Dom Porquito de vender com incentivo do governo suínos no mercado de Rio Branco e o resto do Acre.

“Essa política está acabando com os pequenos produtores que viviam bem da venda no comércio local que foi invadido pela Dom Porquito que não deveria praticar vendas da carne suína para o mercado interno, mas o mercado externo como foi proposto” pelo governador Sebastiao Viana na inauguração da Dom Porquito, observa Tommaso Solito.

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Outra reclamação dos cooperados são os preços que passaram a ser praticados com a intervenção da indústria. O quilo da carcaça que era vendida a R$ 8 baixou para até R$ 5,60. Vários produtores das cidades de Rio Branco, Acrelândia e Plácido de Castro estão abandonando o negócio alegando que a produção de suínos no Acre deixou de ser um negócio rentável. De acordo com o presidente SUINAC, Tommaso Solito, o preço do suíno praticado pela Dom Porquito abaixo do custo de produção é devido ao excesso de oferta no mercado local e não necessariamente pela modernização dos galpões.

“A Dom Porquito pratica esse preço recebendo todos os incentivos do governo. Incentivos que não chegam para nós que fomos os pioneiros nesse ramo e que fomos incentivados a fazer financiamentos, comprar matrizes com a garantia de vendermos nosso produto”, volta a comentar Tommaso.

Outra observação de Tommaso é que o governo deve abrir caminhos para os produtores que já estão no mercado há muito tempo e não desqualificar o sistema de produção já existente, sem sequer ter conhecido as instalações dos cooperados da SUINAC.

Gládio Gadelha que produz suíno há 19 anos em Rio Branco, disse que o governador Sebastião Viana durante a campanha eleitoral fez promessas ao mesmo de incentivar o setor, o que o levou a buscar recursos mediante financiamento e ampliar o negócio, aumentando o número do plantel e modernizando os galpões, com tecnologia e genética nos mesmos padrões do sul do país.

“Pode fazer investimentos que nós vamos garantir mercado. Assim disse o Secretário Edvaldo Magalhães e assim nós fizemos. Fomos simplesmente abandonados. Esse ano nem na merenda escolar nós fomos incluídos. Também não fomos convidados a participar da Expoacre por que não pactuamos com esse modelo proposto pela Dom Porquito que torna os produtores escravos do negócio”, disse Gadelha.

Com porco sobrando e sem mercado para vender o que produz, Gadelha vê a cada dia o negócio com suíno indo por água abaixo. Esse ano ele não conseguiu nem recuperar os galpões que foram derrubados por um vendaval em sua propriedade, na estrada Transacreana. Gadelha foi o pioneiro na introdução do suíno moderno no Acre, lutando há quase duas décadas, inclusive escoando a produção, enfrentando estradas de barro, atoleiros e hoje está sendo desqualificado pelo governo.

A reportagem visitou a maternidade de suínos construída na propriedade de Gadelha com financiamento feito junto ao Banco da Amazônia.  A produção é de 300 animais por mês. Com baias convencionais a estrutura não deixa nada a desejar. Gadelha também apresentou com orgulho os reprodutores híbridos que garantem a qualidade do negócio.

“Nossa carne de suíno tem a mesma qualidade que se encontra no sul do Brasil. aqui os animais não são alimentados com farinha de carne ou banha de boi, mas somente com ração balanceada”, disse Gadelha.

Governo fala do tripé de desenvolvimento
para a carne suína no Acre

Edvaldo_in1Para o secretário de Indústria e Comércio do governo do Acre, Edvaldo Magalhães, o estado atua em cada região de acordo com as suas especificidades. Com relação à região do entorno de Rio Branco, ele garantiu investimentos na suinocultura em torno de R$ 2,4 milhões.

A primeira perna deste tripé, Magalhães afirma ser o Alto Acre “que envolve toda cadeia produtiva que já tem uma pecuária estruturada, avicultura consolidada e a suinocultura que era um projeto antigo do governador para região”, comentou.

As indústrias instaladas no entorno de Rio Branco para atender os produtores de suínos, entre elas, o frigorífico Annasara, formam a outra meta de investimentos no setor. Ainda de acordo o secretário, completa esse tripé, a região do Juruá. Ele garante que a Dom Porquito terá características diferentes.

“Para a larga escala de produção de leitões temos que ter uma rede de engorda maior”, acrescentou.

O investimento do governo na construção de 55 galpões entre as cidades de Brasileia, Epitaciolândia, podendo chegar a Capixaba tem como meta o abastecimento da Indústria Dom Porquito que será o frigorífico com SIF exportação.

Embora não tenha confirmado a venda de carcaças de suínos para o comércio de Rio Branco e Cruzeiro do Sul – como denunciam os produtores – Magalhães reconheceu que esse frigorífico, tipo exportação, “ainda não existe”.

“Pra esse volume que já se produz no Acre, quando chegar de novembro em diante quando já se entregou os primeiros 30 galpões, ou vai para o mercado externo ou vai sobrar porco”, acrescentou.

O foco de exportação inicial será o mercado de fronteira da Bolívia e do Peru, desde Iñapari, Puerto Maldonado, nesta última cidade, Magalhães garante existir parceria para exportação.

Secretário lembra pacto com cooperados da Suinac
e fala de padronização de estágios de produção

Magalhães se lembrou de pactos cumpridos entre o governo do Acre e os cooperados como a construção de um frigorífico que não existia no entorno de Rio Branco e intervenções para impedir a entrada de suínos do Mato Grosso no mercado interno.

Ainda de acordo as informações do secretário, 10 produtores tradicionais do entorno do Alto Acre receberão investimentos na construção de galpões maternidade e galpões de engorda com o objetivo de manter a padronização da produção.

“Hoje eles estão em estágios diferentes de produção, com esses investimentos que nós vamos fazer, ocorrerá essa padronização, ou seja, existe a garantia de modernização. Nesse setor quem não se modernizar deixa de ser competitivo”, ressaltou.

Com relação aos preços de mercado, Magalhães disse que a regulação acontece por quem compra o produto.

De acordo com o Presidente da SUINAC, essa promessa do Secretário foi feita há dois anos, numa realidade diferente e hoje parte dos produtores selecionados está abandonando a atividade depois de terem realizados investimentos, inclusive incentivados pelo governo.

Governo visitou produtores do entorno
de Rio Branco há mais de um ano

A última visita do governo nas instalações de produtores do entorno de Rio Branco foi em julho de 2012, em pleno período eleitoral. Na oportunidade, o governador Sebastião Viana, acompanhado do secretário de pequenos negócios, José Carlos Reis, assumiu compromisso de estimular o crescimento da suinocultura no Estado. Na visita foi anunciada apoio e suporte técnico aos cooperados, “coisa que nunca aconteceu”.

 

 

 

 

 

 

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