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Pequenos soldados norte-americanos

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Tudo parecia perdido! As tropas inimigas avançavam a passos constantes e fatais. Tinham melhores munições e, pelo o que a chuva podia deixar ver, maior contingente. Os poucos que me acompanhavam sabiam que não faltava muito para chegarmos ao final: era hora de pensar no rendimento e no que nos esperava como prisioneiros. Meu Deus! Como é vergonhosa a bandeira branca!

Na guerra o improviso é o grande senhor! A surpresa e as mudanças: as melenas de nossas fantasias. Tudo pode mudar a qualquer instante. No calor do duelo, quando os olhos não podem ver os outros olhos, na cerração de uma tempestade que nos congela, temos a sensação de que o inimigo está disposto, escondido em algum lugar esconso e frio.

Antes do combate, cantávamos alegremente a canção que nos ensinava que nas grandes guerras forjam-se os melhores guerreiros. Os avisos seguidos de nossos homens, os apelos e gritos, choros e medo, a infantaria perdida, nos deram a certeza de que havia algo velado nesses versos musicais: nas grandes guerras temos grandes derrotas. A nossa tinha chegado.

Para mim era estranho! Senti com pesar e dor ver meus homens gemendo. O 18º pelotão, o mais bravo e contundente tinha lançado fuga e se reunia aos poucos de nós. Agora éramos a agonia de um combate mortal e cruel. Os ventos fortes e dominadores nos traziam mais dificuldades para mirarmos melhor o ambiente onde medíamos coragem com os nossos oponentes.

Não sabíamos mais o que fazer.  Precisávamos manter nossas posições e defender a parte norte do local. As defesas das colinas do sul já estavam comprometidas, e nós tínhamos convicção de que nada mais poderia ser feito que não esperar a artilharia na selva densa, fechada e perigosa.

Como gostaria de acender um cigarro! Respirar mais compassado e recitar a famosa frase de John Lennon: “Não me esperem ver atrás de barricadas, a menos que elas sejam de flores”. Tarde demais! Não tínhamos tempo para sonhos. O rock não ajudaria nosso exército.

Agora poderíamos entender melhor o que é estar e permanecer num “front” de combate. O que passaram aqueles homens nos sucessivos dias de ódio terror e medo? Como reagiram suas mulheres ao saber que dormiriam sozinhas por mais tempo? E os filhos da guerra, como cruzariam a Route 66, ou os rios barrentos do Vietnã? Não sabemos. Mas não restava dúvida de que era algo parecido com o que sentíamos nesse complicado momento.

Nossos uniformes estavam encharcados! O longo período de combate, o roçar com a terra inundada de lama, os golpes sucessivos dos pingos da chuva mostravam que tanto eles como nós apodreceríamos nessa campanha. A vitória ou a derrota não nos traria melhores condições.

Ainda lembro quando pude tirar, de um dos bolsos de um soldado morto que estava próximo a mim, uma poesia de um escritor que não conhecia, mas que muito me tocou, se é que alguma coisa ali pudesse me espantar mais ainda:

“Na guerra eu não consigo ouvir tua voz eu não consigo ver você eu não consigo ser feliz. Na guerra, os homens dão-se pra matar, quando meu corpo quer dançar, brincar lá fora no quintal.

Na guerra o tempo não se conjuga, não se mostra. Você pedia explicação, motivos, pra deixar a guerra pra depois”.

 

Restava pouco! Somente um milagre nos salvaria dessa hostil situação.

– A mãe tá te chamando! Ela disse que tu vai pegar uma pisa, por tá tomando banho na chuva e brincando nesse barro com esse monte de menino velho. “Eita”! quero só ver! Olha a qualidade desse calção! A mãe vai te dar uma pisa tão boa. Cadê o Marcos?

– Tá ali do outro lado. Ele é nosso inimigo.

– Vão apanhar os dois. Eu acho é pouco.

– Mirna, vai na frente! Diz pra ela que a gente tava ajudando a carregar os tijolos do Seu Carlos.

– Digo nada! Vou falar que vocês estavam brincando de guerrear uns contra os outros, jogando barro molhado e melando as roupas. “Te prepara” bichinho. Vai precisar de mais chuva pra refrescar teu coro. O cinturão tá só cochilando.

– Mirna, você e a pior das inimigas! Soldados! Opositores! Temos aqui um dilema: já que vamos apanhar de nossos pais mesmo, vamos esquecer nossas rivalidades e reunir forças para destruir essa maldosa menina.

Ela aumentará nossos atos, jamais cantará nossas conquistas e determinação. Sim, contará mais do que viu e sentirá alegria com as nossas lágrimas. Na sua maldade, fará isso com o único intuito de nos relacionarmos melhor com a sandália, a corda, o cinturão ou a ripinha escondida atrás do guarda-roupa.

Conclamo, nobres guerreiros!

Peço em alto, rouco e bom som: atacaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa.

FRANCISCO RODRIGUES PEDROSA  [email protected]

 

Crônicas de um Francisco

Mais da metade da população de Rio Branco vai gastar menos com presente no Dia das Mães

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Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Aproximadamente 53% da população rio-branquense pretende presentear as mães neste domingo, 9, mas com gastos inferiores aos realizados no ano passado. A pesquisa, realizada de forma remota, foi feita pelo Sistema Fecomércio-Sesc-Senac/AC entre os dias 19 e 27 de abril, junto a 100 pessoas. Ainda de acordo com o levantamento, 18% admitem consumo maior que os de 2020.

Comercialmente, o Dia das Mães é a data mais importante do varejo, depois do Natal e Black Friday, em especial, no que se relaciona a gastos de consumo doméstico. Neste ano, o percentual está bem abaixo do verificado em 2020, quando 84% dos entrevistados afirmaram ter pretensão de gastos na data.

O estudo avaliou também os presentes preferidos pelos consumidores: 32% demonstra disposição para compras de “perfume”; seguidos de 17%, com tendência para “roupa”; outros 17%, produtos de beleza; 17%, com interesse em objetos diversos (celular, flores, doce), 10% devem preferir “calçados”¨; e 7%, “bijuterias”.

Para os principais presentes em destaques para homenagem no Dia das Mães, 70% da população se mostra disposta a gastos de até R$100 (22% até R$50 e 48%, entre R$51 a R$100). Outra parcela de 21% sinaliza pretensão de gastos entre R$101 a R$200 e 9% acima de R$200.

Quanto ao modo de pagamento dos gastos para o Dia das Mães de 2021, 56% da população de Rio Branco vão preferir a realização “à vista”, e 44% de forma parcelada. O estudo avaliou também o local escolhido pelos consumidores para os gastos, e, 39% dos entrevistados devem optar pelo comércio do centro da cidade, seguidos de outra parcela de 22% que vão ao shopping. São observados ainda, 17% com preferência pelo comércio eletrônico e dentre outros, 7% que sinalizam compras diretamente no comércio de sacolas.

Com informações da assessoria da Fecomércio do Acre.

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Cotidiano

Bandidos armados invadem loja, fazem o limpa e são presos na Via Verde

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Mais uma ação rápida dos Policiais Militares do 2°Batalhão impediu que uma empresária tivesse um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os assaltantes Giovane Lucas Sousa Santos, 20 anos, Davi da Silva Limeira, 18 anos, e os adolescentes J.W.O e M.M.S, ambos de 17 anos, foram presos após invadirem a loja Jaque Confecções, render a proprietária e roubar vários pertences. O roubo aconteceu no bairro Santa Inês,  Segundo Distrito de Rio Branco.

A polícia foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de roubo a loja de confecções. Quarto homens armados em um Fiat Uno, de cor branca, placa NAD-5363, pararam na frente do estabelecimento e três dos criminosos invadiram a loja, renderam a proprietária com uma arma apontada para a sua cabeça e fizeram um limpa, subtraindo vários tênis, sandálias e roupas. A ação dos criminosos durou aproximadamente 10 minutos, os bandidos colocaram os pertences da loja no carro, roubaram o relógio e o anel da vítima e em seguida fugiram do local.

Durante patrulhamento na Via Verde, próximo ao Balneário Águas Claras, uma guarnição da polícia se deparou com o carro, houve um acompanhamento e o veículo foi abordado. Durante a revista no carro foi encontrado em posse dos criminosos, dois revólveres calibre 22, uma Garucha, um simulacro, um anel, um relógio e os pertences da loja. Foi feito uma consulta no sistema e foi constatado que o veículo em que os assaltantes estavam havia sido roubado no dia 8 deste mês por volta das 5h da madrugada.

Diante dos fatos o quarteto foi detido e encaminhado a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para os devidos procedimentos.

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Crônicas de um Francisco

É preciso sacudir a Rede

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Esqueçam as armas, os combates, as barricadas e os tambores! A guerra atual se ensaia e é travada nas redes sociais. No maior símbolo da expressão de um mundo sustentado na desigualdade e na informação, a internet, acumulam-se fatos e factoides.

As verdades são montadas, forjadas, climatizadas na frieza das artimanhas e nas tentativas tendenciosas de impor o seu quadro, a sua publicação. A verdade, aquela lá, distante e distanciada, perdida em algum lugar, se ausenta!
Nos sites de relacionamentos, formatam o pensamento, dividem as ideias, separaram as pessoas em duas classes: os da esquerda e os da direita.

Você não pode ficar fora desses dois lados. Nem que isso signifique que você não acredita em muitas coisas que essas duas frentes políticas vem mostrando e revelando. Mesmo que o que você quer é a reprovação e a condenação de todos os que mergulharam, sem a inocência infantil, na lagoa azul do crime contra o patrimônio público.

Ai começa a putaria! Abrem-se os bordeis! Não se sabe se é o cisne que pega o peixe ou se o peixe que vai pra morte.

As reportagens, as manchetes, as investigações, as decisões judiciais, enfim, tudo passa pelo filtro ideológico das afinidades políticas. Temos a impressão de que há um exército munido de brios e bravuras para detonar notícias e escândalos do outro.

O seu “doutor”, juiz, condenou o seu “bixim”. É de um partido de esquerda, foi golpe, manifestação das elites que querem morder a bunda dos revolucionários.

O mesmo seu “doutor” aceitou a denúncia contra o seu “zezim”. É da direita, é sacanagem, é injustiça, foi a esquerda que quando estava no poder conseguiu nutrir o judiciário de mentes vermelhas e avermelhadas.

A delação do “seu xikim” revela que milhões foram dados pro coelho da pascoa trazer ovos pra mim. Ah não, esse aí fazia parte do projeto político que tirou milhões da miséria e os colocou na pobreza. É mentira, difamação de uma elite quadrada que quer controlar ainda mais o Brasil.

A outra delação do seu “toim” forneceu documentos que comprometem um monte de políticos que pediram o impeachment da “lulu”. Ah não! Isso é um absurdo. Não podemos condenar ninguém antes da sentença. Além disso, as doações foram todas registradas e declaradas legais pelo pato que perdeu a pata.

E assim vamos! Cercados por cachoeiras de manchetes, tornados de acusações, campeonato de quem tirou o seu, mas “roubou” menos.

Nessa guerra de estrelas, nessa feroz batalha de quem brilha mais, há a certeza de que nenhum dos dois lados se sustenta, quando em fim raiar o dia.

Fale com Francisco Pedrosa no e-mail [email protected]

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Crônicas de um Francisco

Quem ganha com a greve dos professores?

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O dia tinha amanhecido quente! Os organizadores do movimento grevista combinaram na tarde passada mostrar do que o sindicato poderia ser capaz. Como forma de demostrar para o governador o repúdio a suas declarações de que não há dinheiro para conceder as misérias que melhorariam um pouco as misérias dos professores, a categoria iria bloquear as duas pontes do centro da cidade no horário mais tumultuado. O caos seria completo!

Os líderes do movimento sabiam que a peleja era desigual, lutavam contra um governo que reunia nas suas coxas muito da história do sindicalismo público do estado. Os professores sabiam mesmo que o partido que criou, sustentou e legitima ideologicamente o governo tinha inúmeros ex/falsos-sindicalistas. Sujeitos que no passado propuseram o debate, articularam as preposições de luta e criaram aquela linguagem enfadonha e renitente de um fantasioso companheirismo. Ardia mais o fogo, quando vinha do que se imaginava amigo.

Meio dia! O sol de matar formiga, escaldante e rude, lençol típico da Amazônia nessa época do ano, batia nos rostos secos e fustigados de tanto descaso. Pronúncias das mais altas insatisfações, combate do vil combate, pulsos aos céus em intermitentes socos, os professores marcharam em gritos de guerra, formulando inúmeros cânticos e parodias em protesto ao trato que a educação recebe no estado.

Quem realmente perde com a greve dos professores? Quem definitivamente ganha com ela? Perguntas difíceis, dilemas que a mão não consegue tocar: portfólio da irresponsabilidade que já passa dos quinhentos anos. Celebrem, homenageiem quem disse um dia que o Brasil não é serio.

Seu Chiquim ganhou com a greve! Idoso que avançava os setenta, sugado pelo inconformismo das agruras que a vida lhe ofereceu, picolezeiro por opção de se manter vivo ainda, naquele dia, bem dizer, naquela manhã, vendeu todos os seus produtos rapidamente.
Em meio a tantas alegrias, teve tempo de voltar a sorveteria e recarregar seu carrinho uma vez mais de tantos quantos pudessem comportar. Vendeu todos mais uma vez. O apurado no fim do dia foi gordo, iria escolher uma carne com ossos menores no açougue, trocaria a havaiana que namorava uns pregos há tempos e levaria um leite de rosas para a mulher.

Seu Chiquim perdeu com a greve! Feliz da vida com o dia que teve, não se ateve a perceber que avançou nos pratos da janta, descontrolou-se no carinho e tentou ir bem além do beijo seco e do abraço que sustentava aquela santa relação. Não existia mais! O coração não estava preparado para tanta afetividade. Quis muito! Quis amar e demonstrar sua simples felicidade, rememorar os anos em que fechava os bares, e mulher nenhuma sentia algo maior longe de seus braços. O Chicão tinha morrido, só ele não sabia!

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