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Sexo na adolescência

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Estudei parte de minha infância em uma escola no centro da cidade. Chamá-la-ei de ETCA, pois me recuso o nome oficial. Prefiro esse apodo, siglas, união de consoantes e vogais, ao de um presidente linha dura que fazia do Brasil um grande Maracanã.

Tenho saudades daquela escola. De todos que lá conheci. Do final do ano letivo, quando com a farda toda pintada, autografada e rasgada, vibrávamos em melar alguns dos nossos com ovos e maisena. Nossa! Era uma espécie de alegria e melancolia.

Tenho saudades do “Seu Bené” e seus picolés, vendendo-os na linguagem universal, o dinheiro. A diretora Eumira, com sua voz de cantor de opera italiano, buscando a ordem e a disciplina. A professora Esmelina que me fez amar a língua portuguesa e as canções de Chico Buarque. A professora Artemisa que me levou à formação em História. O professor Rivaldo de matemática, que me tirava da sala por não ter feito a “atividade para casa”. A paciência do professor João Lima em nos ensinar “Desenho Geométrico” (Quem tem menos de trinta e cinco anos pode nem imaginar o que é isso). Em fim, são muitos que em palavras posso esquecer, mas que fizeram parte de minha vida.

Saudades! Muitas saudades! Saudades mesmo. Jamais me esquecerei de vocês, meus amigos. Jamais me esquecerei dos senhores, meus mestres. Jamais me esquecerei do que vivi.

Estudar no coração político da capital nos forneceu alguns privilégios. Acho que isso me pôs mais próximo de muita coisa relevante que ocorria no estado. Naquela época, escolas localizadas nos bairros mais abastados do centro da capital não tinham tanto acesso às informações esporádicas dos burburinhos políticos, que aqui existe desde a época em que Manoel Urbano passou por aqui.

Tínhamos a Câmara Municipal à nossa frente, o badalado Banacre ao nosso lado, a Secretaria de Educação um pouco adiante e o Palácio e a Assembleia em seguida. Eram muitos convites para vivenciarmos o que havia de agitação, protestos e manifestações, embora nossos pontos de encontro ao sairmos da escola eram, geralmente, apreciar na Galeria Meta o que não podíamos comprar; bem como mendigar a quadra esportiva do Banco Real, Polícia Federal, Banco Itaú ou a da PM. Nesta, sempre conseguíamos quando um senhor gentil e muito simpático, “Seu Major Loriato”, permitia-nos o desporto.

Do Banacre não gostávamos, local de barulho, greves, sindicalistas repisando o termo “companheiros” quinze milhões de vezes em seus discursos, quase prestes a morrer da garganta (hoje, muitos deles alojados em algum “importante” cargo devem gritar apenas no trânsito, na hora do gol, com o cachorro ou com os empregados) e filas. Nossa! Quantas filas. Não havia ainda as disposições de pagamentos que temos hoje fora dos bancos. Eram horas e horas para pagar o mais pequeno valor.

Sociedade pré-código de barras.

Na Câmara, vivíamos a implorar que alguns dos nossos vereadores nos contemplassem com um “completo” para o time de futebol da escola. Tudo em vão. Nunca fomos satisfeitos em nossa causa de pedir. Oh povinho muquirana aquele! Talvez pela idade, não vissem sentido no presente. Caixa d’água, dentadura, remédio, milheiro de tijolo, ordem de emprego, eram pólvoras para serem queimadas com quem garantisse o “voto de confiança”.

No pátio do Palácio e da Assembleia, ali em frente ao saudoso Cine Rio Branco com suas sessões de Kung Fu domingo à tarde, era onde ocorriam as maiores manifestações que pude presenciar.

Vi gente, que hoje se esconde em condomínios de luxos, convocando a todos os presentes a invadirem o palácio. Vi gente, que hoje chama a oposição de irresponsável, clamando para que tocassem fogo na Secretaria de Educação. Alguns outros gritando diziam que a solução definitiva era pegar em armar, destruir a burguesia da praça da bandeira e, assim, instalar a “ditadura do proletariado”. A ideia de um banho se sangue servia como urso de pelúcia para os “meninos” da esquerda.

Não os reprovo por mero capricho. Eram realmente trogloditas intelectuais. Filhos tortos de Stalin, viúvas de um marxismo canhoto. Não sabiam nem por que o dólar subia.

Para muitos que nos viam nas praças, assistindo aos comícios, depoimentos, explanações e reclames, e que diziam que éramos o futuro do país, motivando-nos a tomar fileira nessa luta gremista e amadora, diríamos apenas uma coisa. Sim! Podemos dizer com toda segurança que vocês, pelo que fazem hoje, foram o pior passado que tivemos.

No Alasca uma tribo nativa chamada Kutchin nos faz refletir. Lá quando as pessoas não se consideravam mais uteis, sentindo-se um peso para a sociedade, pediam para serem mortas. Não precisa tanto. Extremos não fazem bem aos seres humanos. Vivam! Gozem boa saúde e desfrutem essa benção de Deus. Porque aqui seremos nós que perceberemos o fardo que são e a pouca utilidade que vocês têm para o Acre.

Não sentiremos saudades de vocês!

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Crônicas de um Francisco

Mais da metade da população de Rio Branco vai gastar menos com presente no Dia das Mães

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Foto: Sérgio Vale/ac24horas

Aproximadamente 53% da população rio-branquense pretende presentear as mães neste domingo, 9, mas com gastos inferiores aos realizados no ano passado. A pesquisa, realizada de forma remota, foi feita pelo Sistema Fecomércio-Sesc-Senac/AC entre os dias 19 e 27 de abril, junto a 100 pessoas. Ainda de acordo com o levantamento, 18% admitem consumo maior que os de 2020.

Comercialmente, o Dia das Mães é a data mais importante do varejo, depois do Natal e Black Friday, em especial, no que se relaciona a gastos de consumo doméstico. Neste ano, o percentual está bem abaixo do verificado em 2020, quando 84% dos entrevistados afirmaram ter pretensão de gastos na data.

O estudo avaliou também os presentes preferidos pelos consumidores: 32% demonstra disposição para compras de “perfume”; seguidos de 17%, com tendência para “roupa”; outros 17%, produtos de beleza; 17%, com interesse em objetos diversos (celular, flores, doce), 10% devem preferir “calçados”¨; e 7%, “bijuterias”.

Para os principais presentes em destaques para homenagem no Dia das Mães, 70% da população se mostra disposta a gastos de até R$100 (22% até R$50 e 48%, entre R$51 a R$100). Outra parcela de 21% sinaliza pretensão de gastos entre R$101 a R$200 e 9% acima de R$200.

Quanto ao modo de pagamento dos gastos para o Dia das Mães de 2021, 56% da população de Rio Branco vão preferir a realização “à vista”, e 44% de forma parcelada. O estudo avaliou também o local escolhido pelos consumidores para os gastos, e, 39% dos entrevistados devem optar pelo comércio do centro da cidade, seguidos de outra parcela de 22% que vão ao shopping. São observados ainda, 17% com preferência pelo comércio eletrônico e dentre outros, 7% que sinalizam compras diretamente no comércio de sacolas.

Com informações da assessoria da Fecomércio do Acre.

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Cotidiano

Bandidos armados invadem loja, fazem o limpa e são presos na Via Verde

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Mais uma ação rápida dos Policiais Militares do 2°Batalhão impediu que uma empresária tivesse um prejuízo de mais de R$ 10 mil. Os assaltantes Giovane Lucas Sousa Santos, 20 anos, Davi da Silva Limeira, 18 anos, e os adolescentes J.W.O e M.M.S, ambos de 17 anos, foram presos após invadirem a loja Jaque Confecções, render a proprietária e roubar vários pertences. O roubo aconteceu no bairro Santa Inês,  Segundo Distrito de Rio Branco.

A polícia foi acionada via Ciosp para atender a uma ocorrência de roubo a loja de confecções. Quarto homens armados em um Fiat Uno, de cor branca, placa NAD-5363, pararam na frente do estabelecimento e três dos criminosos invadiram a loja, renderam a proprietária com uma arma apontada para a sua cabeça e fizeram um limpa, subtraindo vários tênis, sandálias e roupas. A ação dos criminosos durou aproximadamente 10 minutos, os bandidos colocaram os pertences da loja no carro, roubaram o relógio e o anel da vítima e em seguida fugiram do local.

Durante patrulhamento na Via Verde, próximo ao Balneário Águas Claras, uma guarnição da polícia se deparou com o carro, houve um acompanhamento e o veículo foi abordado. Durante a revista no carro foi encontrado em posse dos criminosos, dois revólveres calibre 22, uma Garucha, um simulacro, um anel, um relógio e os pertences da loja. Foi feito uma consulta no sistema e foi constatado que o veículo em que os assaltantes estavam havia sido roubado no dia 8 deste mês por volta das 5h da madrugada.

Diante dos fatos o quarteto foi detido e encaminhado a Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca) para os devidos procedimentos.

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Crônicas de um Francisco

É preciso sacudir a Rede

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Esqueçam as armas, os combates, as barricadas e os tambores! A guerra atual se ensaia e é travada nas redes sociais. No maior símbolo da expressão de um mundo sustentado na desigualdade e na informação, a internet, acumulam-se fatos e factoides.

As verdades são montadas, forjadas, climatizadas na frieza das artimanhas e nas tentativas tendenciosas de impor o seu quadro, a sua publicação. A verdade, aquela lá, distante e distanciada, perdida em algum lugar, se ausenta!
Nos sites de relacionamentos, formatam o pensamento, dividem as ideias, separaram as pessoas em duas classes: os da esquerda e os da direita.

Você não pode ficar fora desses dois lados. Nem que isso signifique que você não acredita em muitas coisas que essas duas frentes políticas vem mostrando e revelando. Mesmo que o que você quer é a reprovação e a condenação de todos os que mergulharam, sem a inocência infantil, na lagoa azul do crime contra o patrimônio público.

Ai começa a putaria! Abrem-se os bordeis! Não se sabe se é o cisne que pega o peixe ou se o peixe que vai pra morte.

As reportagens, as manchetes, as investigações, as decisões judiciais, enfim, tudo passa pelo filtro ideológico das afinidades políticas. Temos a impressão de que há um exército munido de brios e bravuras para detonar notícias e escândalos do outro.

O seu “doutor”, juiz, condenou o seu “bixim”. É de um partido de esquerda, foi golpe, manifestação das elites que querem morder a bunda dos revolucionários.

O mesmo seu “doutor” aceitou a denúncia contra o seu “zezim”. É da direita, é sacanagem, é injustiça, foi a esquerda que quando estava no poder conseguiu nutrir o judiciário de mentes vermelhas e avermelhadas.

A delação do “seu xikim” revela que milhões foram dados pro coelho da pascoa trazer ovos pra mim. Ah não, esse aí fazia parte do projeto político que tirou milhões da miséria e os colocou na pobreza. É mentira, difamação de uma elite quadrada que quer controlar ainda mais o Brasil.

A outra delação do seu “toim” forneceu documentos que comprometem um monte de políticos que pediram o impeachment da “lulu”. Ah não! Isso é um absurdo. Não podemos condenar ninguém antes da sentença. Além disso, as doações foram todas registradas e declaradas legais pelo pato que perdeu a pata.

E assim vamos! Cercados por cachoeiras de manchetes, tornados de acusações, campeonato de quem tirou o seu, mas “roubou” menos.

Nessa guerra de estrelas, nessa feroz batalha de quem brilha mais, há a certeza de que nenhum dos dois lados se sustenta, quando em fim raiar o dia.

Fale com Francisco Pedrosa no e-mail f-r-p@bol.com.br

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Afasta de mim este cálice

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Por Francisco Rodrigues Pedrosaf-r-p@bol.com.br

Ele sempre foi o mais vergonhoso na sala. Os professores que não gostavam do magistério o adoravam, não por suspeitar que ele não tivesse aprendido as matérias, mas porque nunca perturbava, nunca atrapalhava o martírio que era suportar quarenta desinteressados em uma sala de aula.

Jonas saía da escola como entrava: calado. Ao longo dos meses, até tentavam fazer disso alguns gracejos e escárnios, mas quando viam que ele não dava à mínima, paravam e aceitavam o colega afeto a poucas palavras.

O estudante não fazia isso de propósito, tinha problemas de se expressar, sentia pânico de usar o verbo e falar o que queria. Muitas vezes não entendia quase nada do assunto tratado, mas se redobrava em casa, sozinho, tentando aprender o que seu silêncio e timidez impediam de esclarecer.

Mas se tudo tem um preço, tudo também tem um fim. Decidiu acabar com aquilo de uma vez por toda. Era razoável pensar que, com seus dezesseis anos, não caía bem um rapaz portar-se como um túmulo. As coisas seriam diferentes, o mundo tinha ouvidos, precisavam lhe escutar.

Foi assim que, certo dia, vendo a professora se aproximar, imaginou ser o momento de romper com as barreiras que lhe afligiam por anos. A cada passo da docente, cada olhar em sua direção, cada corpo reto e uniforme ao seu, Jonas percebia que tinha chegado a hora. Seria agora ou nunca!

Na sua cabeça pensativa, no seu coração que palpitava apressado, em suas mãos que suavam, Jonas se lembrou de todas as vezes que ousou dizer algo em sala, queria enriquecer o assunto com algo que sabia, falar de suas opiniões sobre os temas, suas divergências e percepções, mas nunca conseguia se quer levantar o dedo, pedindo a voz aos mestres. Escurecia-se no seu silêncio mais mórbido.

Quando a professora restava alguns centímetros dele, o aluno respirou fundo e finalmente sussurrou alguma coisa que ela entendeu:

– Bom dia, Professora, a senhora tem ideia de quando a greve acaba?

– Não faço ideia Jonas. O Governo é irredutível, diz não haver dinheiro para conceder o mínimo que queremos e o mínimo que a educação precisa para melhorar. Enquanto isso, estamos aqui, sentindo na pele o quanto nosso dinheiro não vale mais quase nada. Você viu como as coisas aumentaram aqui nesse mercadinho? Gostaria muito que o secretário de educação e todos os outros bajuladores vivessem com o que estamos sendo obrigador a viver. Não tem dinheiro, porque gastou, gasta e gastará mal os recursos. Precisamos dar um basta nisso.

– Verdade, professora! Sempre é bom darmos basta em algo.

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