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Exploração de madeira no Acre: “um negócio da china”

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“Um negócio da China”. O jargão popular pode ser perfeitamente aplicado aos negócios que vem sendo fechados no setor madeireiro entre empresas privadas, seringueiros e produtores na exploração da Floresta Antimary, no Acre. Com os incentivos fiscais e tributários oferecidos pelo Estado e os investimentos feitos pela Organização Internacional de Madeiras Tropicais [ITTO] e o Banco Interamericano de Desenvolvimento [BID], a exploração dos recursos naturais virou um mapa da mina.

O negócio está sendo visado cada vez mais pelos grupos internacionais. Alheio ao debate puxado pela oposição e que o secretário de Estado de Indústria, Ciência e Tecnologia, Edvaldo Magalhães, classifica como esquisito, ele anunciou mais investimentos com foco na agregação de valores que para ele é “o maior desafio a ser enfrentado”, comentou. 80% da madeira explorada saem para o mercado internacional.

Nesse negócio nada se perde, segundo uma consultora da área ambiental [que não quer ter seu nome revelado], são aproveitáveis desde a madeira de primeira exportada em deck, até o pó de serra. No Acre, pouco ou quase nada dessa riqueza é aproveitada. O mercado com maior participação nas exportações brasileiras de madeiras tropicais é a Europa, junto com os Estados Unidos eles compram mais de 80% das madeiras tropicais que assistimos serem transportadas nas carretas em nosso Estado.”

80% da madeira de primeira sai do Acre para o mercado internacional. Um deck é exportado pelo valor de US$ 3.300 [dólares]

O deck da madeira de primeira, em metros cúbicos chega ao mercado internacional pelo valor de US$ 3.300 (dólares). O que sobra ainda é vendido como aproveitamento, comprado por US$ 1.450 pelos Chineses, Estados Unidos e Israel que adquirem ainda o aproveitamento de 3 a 6 pés, que custa em média US$ 2.650, o metro cúbico.

A reportagem teve acesso a documentos que comprovam a compra pelo mercado interno, de madeira de segunda vendida ao preço de R$ 1.200 à R$ 1.800. Até o virgamento é vendido pelo valor de R$ 1800 o metro cúbico.

A consultora disse que está espantada com o preço pago pelo metro cúbico pela madeireira Triunfo aos moradores do Projeto Estadual do Antimary, que chega a R$ 40. Ainda segundo informações, esse valor não representa nem 10 metros de lenha ou de pó de serra, que também é comercializado através das madeireiras da capital pelo valor de R$ 45 em média o metro cúbico.

Juntando todos os custos operacionais desde a retirada da madeira do pátio da floresta até a chegada aos Portos, o empresário tem custos estimados em R$ 12 mil. A madeira sai do Acre em carretas carregadas com até 40 m³. No Porto, a madeira é divida em dois container com 20m³ cada. Isso representa por container, US$ 66 mil, ou seja, dependendo da variação da moeda americana, essa conta representa cerca de mais de R$ 200 mil. Subtraindo os custos, o lucro é astronômico e pode representar cerca de R$ 5,9 mil com o aproveitamento de 3/1.

Segundo a lei 4.776 nesse valor ainda é acrescido 60% já que a exploração do Antimary tem selo verde, de madeira certificada. As famílias inseridas no referido manejo recebem R$ 800 durante 12 meses, uma renda avaliada em pouco mais de R$ 9,6 mil por ano.

Secretário de Indústria diz que o debate deve ser em torno da agregação de valores a

O secretário de Indústria, Ciência e Tecnologia, Edvaldo Magalhães recebeu a reportagem hoje pela manhã em seu gabinete. Sem entrar no mérito do debate sobre a exploração da madeira e a questão social das famílias do Antimary, ele disse que o estado do Acre está incentivando a competitividade e abrindo mais dois investimentos na ordem de R$ 36 milhões na área de laminados e faqueados em Cruzeiro do Sul e Tarauacá.

– Esse é um mercado que é plural, é competitivo, mas é extremamente aberto – disse Edvaldo.

O secretario lembrou que há 11 anos a maioria da madeira era de origem clandestina. O processo de manejo, na opinião de Edvaldo Magalhães vem acumulando tecnologia. Ele elogiou a participação da Funtac e da Embrapa.

– O debate ficou muito distorcido, todo mundo sabe que a riqueza que o Acre tem é a sua floresta. Só tem três formas de tratar: ou cortando raso – e nós fugimos desse aspecto – ou protegendo de forma total. A terceira e única saída econômica e sustentável é o manejo – acrescentou.

Edvaldo disse que o governo vai radicalizar com a defesa do manejo florestal que é o único caminho. Ele aponta como foco, depois do incentivo da indústria florestal, o agrega mento de valores ao produto.

– Esse é o grande desafio, o ponto principal do debate. Vamos aos próximos dias sair dessa politização, dessa esquisitice, para um novo rumo: a vocação econômica do Acre, única com potencial para tirar o Estado da dependência do FPE. A exploração de nossos recursos naturais – concluiu.

Jairo Carioca – da redação de ac24horas
jscarioca@globo.com

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Acre

Indígenas vão ao STF contra estrada que quer ligar Acre e Peru

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O líder indígena  Ashaninka, Francisco Piyãko e a coordenadora da  Articulação dos Povos Indígenas do Brasil – Apib,  Sonia Guajajara, se reuniram nesta terça feira, 22,  em Brasília, com o presidente do Supremo Tribunal Federal – STF, Luiz Fux.

Piyãko, que é coordenador da Organização dos Povos Indígenas do Rio Juruá – Opirj, afirmou a Fux, que  a construção da estrada entre Brasil e Peru, que vai de Cruzeiro do Sul a Pucallpa, cortando o Parque Nacional da Serra do Divisor, será um desastre para toda a região e vai atender somente  interesses políticos e empresariais, sem nenhum benefício para a população.

Ele diz que nenhuma consulta prévia foi feita às comunidades e que o local abriga uma das regiões de maior biodiversidade do mundo, além de passar por territórios de índios em isolamento voluntário no país vizinho. Piyãko explica que é preciso adotar  outras formas de desenvolvimento para a Amazônia, que não inclua estradas como esta.

“O desenvolvimento não pode ser pensado apenas a partir de uma estrada, existem outras formas de viver bem aqui na floresta. O que está ocorrendo nesta fronteira, é uma articulação entre os poderes brasileiros e peruanos para massacrar e destruir os povos tradicionais e acabar com a paz, naquele local. Nós estamos com os dias contados, diante de tudo que a gente enfrentou, esse pode ser o momento mais difícil de nossas vidas. Não conseguimos visualizar, como vai ser o futuro das próximas gerações no meio deste sistema devastador, que está chegando em nossas comunidades”, declarou.

Segundo a Assessoria de Comunicação da Associação Apiwtxa, o ministro Luís Fux se colocou à disposição das lideranças a fim de que se cumpra o direito indígena e contra a violação de direitos nos territórios. Confira na íntegra (https://apiboficial.org/files/2021/06/DOC-FUX-STF.pdf)

Protestos no Brasil e no Peru

Povos indígenas do Acre lançaram um manifesto se posicionando contra a construção da estrada, nesta semana. “Queremos escolher nosso modelo de desenvolvimento, com ações que melhorem a qualidade de vida e que sejam ao mesmo tempo sustentáveis, que se sustentam por muito tempo para que nossos netos e netas vivam bem”, cita o manifesto assinado por diversas organizações.

Atualmente, de acordo com Pyanko, a construção de outras estradas ameaça as comunidades indígenas e não indígenas na proximidade da Terra Indígena Kampa do Rio Amônia, do povo Ashaninka, na Aldeia Apiwtxa. Como as duas do lado peruano, ligando as comunidades de Nuevo Italia a Puerto Breu, cortando as cabeceiras de rios essenciais para os povos daquela região.

Imagens de satélite mostram cerca de cinco pistas ilegais, construídas ao longo da estrada UC-105, entre Nuevo Italia e Puerto Breu, em uma das regiões com maior produção de coca do Peru

No Peru, também existe luta dos povos tradicionais contra esses ataques. Berlín Diques, presidente da Orau (Organização Regional AIDESEP Ucayali), esteve na aldeia Apiwtxa, na última semana, para juntar forças e apresentar informações da situação em seu país. Ele afirma que quem está financiando as estradas são grupos ligados ao narcotráfico e a exploração madeireira.

“No ano passado, em plena pandemia da Covid-19, de abril de 2020 até fevereiro deste ano morreram seis líderes indígenas, de uma região de conflitos, somente por defenderem o território. Nós estamos sendo perseguidos pelas grandes máfias somente por defender o nosso território”, afirma Berlín.

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Acre

Governo promete vacinação e greve dos bancários é suspensa no Acre

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Em agenda na última segunda-feira (21), o deputado Neném Almeida (Sem Partido), junto com o presidente do sindicato dos bancários, Eudo Raffael, o diretor Nilton Admir, e o assistente social da instituição, Giovanny Kley, foram recebidos no Palácio Rio Branco pelo governador Gladson Cameli (Progressistas).

O propósito da reunião foi de construir um diálogo entre o governo e as pautas dos bancários, dando destaque para a vacinação de todos os trabalhadores de estabelecimentos bancários, assim como outros pontos defendidos pela categoria.

O parlamentar destacou que o governo se comprometeu em agilizar a vacinação prioritária dos profissionais, a categoria optou, por hora, em suspender a greve que seria deflagrada na última segunda-feira (21).

“Falamos da atuação dos bancários do estado na pandemia e das ações do sindicato em defesa de seus direitos. Destacamos a importância de se valorizar essa categoria tão essencial para a sociedade e ainda sobre a necessidade de estreitar a comunicação da classe com o governo”, pontuou Almeida.

Na oportunidade, também abordaram o governador sobre um processo promovido pelo governo contra o sindicato. Gladson se mostrou interessado em retirar o processo como sinal de boa fé e demonstração de que ele e sua equipe estarão de portas abertas para o diálogo e respeito às divergências de opiniões.

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Acre

Gladson vai investir R$ 13 milhões em auxílio para a Segurança

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O governador do Acre, Gladson Cameli (Progressistas), anunciou nesta terça-feira, 22, a continuidade do pagamento do auxílio emergencial temporário de saúde (ATS) aos profissionais da Segurança que estão trabalhando na linha de frente do combate ao coronavírus.

O valor individual do auxílio será de R$ 325 e vai ser inserido na conta dos trabalhadores por mais seis meses. Mais de 5,6 mil servidores efetivos e temporários atuantes nas instituições Polícia Militar (PM-AC), Polícia Civil (PC-AC), Corpo de Bombeiros Militar (CBM-AC), Instituto de Administração Penitenciária (Iapen) e Instituto Socioeducativo (ISE) serão beneficiados.

“O auxílio é a prova do nosso compromisso com os servidores e garantir a estabilidade para que possamos melhorar ainda mais a vida das pessoas”, garantiu.

O investimento com o pagamento do auxílio de julho a dezembro será de aproximadamente R$ 12,8 milhões. O auxílio foi instituído pela lei nº 3.631 e prorrogado por meio do decreto nº 7.363.

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Acre

Após quatro horas de protesto, indígenas liberam BR-364

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Povos indígenas liberaram por volta das 12 horas desta terça-feira, 22, a BR-364, km 590, na altura de Feijó. Mais cedo, por volta das 8h, o grupo fechou a estrada em adesão ao movimento nacional contra o Projeto de Lei 490, que permite a modificação da demarcação de terras indígenas.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) foi deslocada ao local para acompanhar o protesto. Na capital acreana, a manifestação ocorreu em frente ao Palácio Rio Branco. As informações foram repassadas ao ac24horas, pelo deputado estadual Roberto Duarte (MDB) que estava em agenda pelo interior.

Segundo o deputado, após muito diálogo envolvendo as autoridades policiais, políticos e a população geral com os indígenas foi possível o fim do manifesto. “A sugestão era que eles liberassem o tráfego por 20 minutos e depois interrompessem novamente para retomar o protesto, só que depois eles mesmo decidiram pôr fim a manifestação e liberaram a estrada”, afirmou.

Em Feijó, os indígenas levaram o cartaz contra o PL: “As mulheres indígenas de Feijó juntas na luta contra o PL 490” e outra “Nosso território é a nossa vida”. Pelo menos 18 povos indígenas estão representados no protesto que é organizado pela Federação do Povo Huni Kuin Acre.

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